Marina Responde

Questão: Como você divide o seu tempo de estudos para canto/composição? É possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo e bem feitas? (por Gianinni Bastos)


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: Essa é uma boa pergunta, porque já é difícil fazer uma coisa bem feita. Fazer uma coisa bem feita também não é fácil, vai, mais de uma é ... você tem que ralar mesmo, tem que trabalhar, estudar, aprimorar.

A minha vida musical, a minha carreira é feita de três coisas objetivamente: um instrumento, a composição e o canto.

Tudo começou comigo a partir de um instrumento, quer dizer, eu ganhei um violão e o violão foi uma peça, foi um grande aliado prá mim, porque eu passei a me traduzir, a me sentir menos só com o instrumento: passei a compor, passei a tocar, passei a ... a música passou a me fazer companhia, primeiro através de um instrumento. Então eu tenho sempre que tocar, praticar.

Fora isso, eu acho que é importante quem quer compor, saber tocar algum instrumento, porque amplia o horizonte, entendeu, a pessoa passa a compor muito melhor sabendo tocar algum instrumento, ou violão, ou piano ou o que quer que seja. Acho importante.

Então eu tenho que sempre estar em dia com o violão, com a composição, na realidade as canções são a tradução, como eu conto para as pessoas, para o público, para os amigos o que se passa comigo intimamente. As canções eu componho porque são coisas que não podiam ser contidas, são coisas que eu tenho que extravazar, são acontecimentos, experiências, sensações que eu preciso eternizar de alguma forma. E através das canções é que eu faço isso. Então compor é muito importante.

E o canto, o canto é um mistério total. Prá mim o canto... eu idolatro um pouco o canto. Porque o canto mostra a alma de uma pessoa. Eu adoro cantar. Às vezes eu me pego cantando bem a beça, às vezes eu não gosto tanto de como eu canto.

O grande barato do canto é você conseguir equilibrar técnica com a emoção. Não menosprezar nem uma coisa nem outra. Eu hoje em dia admiro pessoas que conseguem dosar isso muito bem. Então o grande barato prá mim é procurar esse ponto no meu canto, quer dizer, onde tem uma técnica que eu acho que está bem aplicada, está naturalmente sendo usada e tem uma emoção, uma grande carga de emoção.

Às vezes eu consigo isso, às vezes não, essa que é grande questão, a busca com relação ao canto. Mas, eu tento, eu vou no dia a dia tentando marcar aulas aqui, marcar aulas ali, e eu estou numa fase atualmente de compor.

Estou fazendo um disco agora, que estou gravando, inteiramente autoral, acho que eu nunca fiz um disco assim na minha carreira. Um disco que é uma chave [risos] prá entender um pouco desse mistério que é a minha vida, que às vezes nem eu mesmo entendo, e às vezes as canções traduzem prá mim.


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