MARINA LIMA SOLTA A
VOZ DEPOIS DA CRISE
Após enfrentar
um problema emocional que
a impediu até de cantar,
ela faz um balanço aos 42
anos, se recupera, e ainda
sonha em ter um filho.
Caras
Marina Lima, nas escadarias do Jockey Club do Rio.
Ela redescobriu o prazer de cantar e se submeteu a um exame minuncioso para descobrir que ainda pode gerar um filho, uma possibilidade aberta para o futuro.
por Regina Echeverria,
Revista CARAS de 12 de Junho de 1998

O vendaval passou e Marina Lima (42) está de volta à cena brasileira, depois de enfrentar uma terrível crise emocional que a afastou dos palcos e dos amigos. Recolhida, a cantora não conseguia falar e, muito menos, cantar. Deprimida, imaginou ter feito escolhas erradas pela vida. Entrou no estúdio para a gravação de seu novo disco e demorou sete meses para concluir Pierrot Brasileiro, a ser lançado em julho, o dobro do tempo necessário. Felizmente, ela encontrou seu próprio rumo e hoje declara estar vivendo "um novo recomeço". Recuperada e feliz, a cantora, que surgiu no finalzinho da década de 70, recebeu CARAS para essa entrevista, em que revela com sinceridade seus mergulhos e descobertas na eterna busca de conhecer a si própria.

CARAS: Há quase dois anos, você cancelou a turnê do disco Abrigo causa de um problema nas cordas vocais. Isso já está superado?

: Vamos esclarecer logo de uma vez: não tive nada na garganta. Foi um problema emocional. As pessoas acham que problema emocional é frescura e, para não ser processada e quase presa por cancelar os shows, tive de dizer que minhas cordas vocais estavam doentes. A verdade é que eu não tinha vontade de cantar, não conseguia cantar. E, com esse disco novo, me considero curada.

CARAS: O que aconteceu?

: Estava deprimida e por causa desse ciclo constatei que tinha feito coisas erradas na minha vida, que não tinha feito as escolhas certas. Aí fiquei doente. Não conseguia falar, nem cantar. Não tinha muita paciência para narrar, explicar, justificar.

CARAS: Como foi possível entender e reagir?

: Aos 42 anos parei para pensar, fazer um balanço necessário e percebi que fui eu quem mudou. O que fiz até agora foi uma escolha minha, não há motivos para arrependimentos. Quando entendi isso, fiquei boa. Eu mudei.