Palco e câmeras apavoravam Bridget Fonda
Folha de São Paulo
13/08/99


Apesar de pertencer a uma das famílias mais célebres do cinema americano, Bridget Fonda enfrentou, quando menina, uma verdadeira aversão à profissão do avô Henry, do pai Peter e da tia Jane Fonda. "Eu tinha um medo tremendo do palco. Medo é pouco. O que sentia era um pavor terrível."

A atriz, que aos 35 anos já participou de mais de 30 filmes (uma média de mais de três filmes por ano de carreira, somente igualada, em sua família, pelo avô), estrela o filme "Pânico no Lago", que estréia hoje no Brasil. Nesse thriller, cujo roteiro é de David Kelley (criador dos seriados de televisão "Ally McBeal" e "O Desafio"), ela encarna o papel da cientista nova-iorquina Kelly Scott, que vai investigar a presença de um gigantesco crocodilo em um lago nas montanhas do Maine, noroeste dos Estados Unidos. Leia a seguir trechos da entrevista concedida à Folha às vésperas da estréia norte-americana.

Folha - Como foi contracenar com um crocodilo gigante, movido a controle remoto?
Bridget Fonda - O crocodilo computadorizado funcionou sem rebeldia. O único risco que corremos foi com os ursos. Pensamos em acampar nas montanhas, mas um guarda florestal nos alertou: ele havia visto ursos bem perto.
Folha - O que você mais teme?
Fonda- Tenho pânico de altura; morria de medo de viajar de avião _ainda não gosto. Mas aprendi a superar os medos.

Folha - Como fez isso?
Fonda - Quando criança eu tinha um medo tremendo do palco. Medo é pouco. O que sentia era um pavor terrível, só de pensar em pisar num palco ou de aparecer em frente às câmeras e acabar decepcionando tanta gente que cobrava de mim talento igual ao de meus parentes. Não admitia a possibilidade do fracasso. Um dia resolvi enfrentar, participando de uma peça teatral na escola. Minha atuação não foi das melhores, mas comecei a vencer os medos.

Folha - Que influência você teve de seu avô, Henry Fonda?
Fonda - Fui uma menina muito quieta e tímida. Meu avô também era assim, eu me sentia confortável com ele. Era uma companhia agradável, mas sempre silenciosa. Eu adorava ir à sua casa assistir a filmes de terror em super-8.
Os filmes dele significaram muito para mim. Aprendi com ele a apreciar filmes das décadas de 30 e 40, hoje meus favoritos.

Folha - David Kelley convidou você para fazer "Ally McBeal". Com o sucesso do seriado, você se arrepende de não ter aceito?
Fonda - Não. Nunca tive vontade de fazer seriados de TV, gosto de fazer cinema. Sou fascinada pela obra de Kelley, adoro a personagem Ally McBeal, mas não achei que era a atriz ideal. Acho, inclusive, que se tivesse aceito, o seriado não teria tanto sucesso.
 
Folha - Você poderia adiantar algo sobre seu próximo filme?
Fonda - Vai se chamar "South of Heaven, West of Hell". É um filme bastante original, um western
gótico, muito especial para mim; nele faço uma personagem bem diferente das que fiz no passado,
além de trabalhar com meu pai. Meus pais se separaram quando eu era criança e fui criada por minha mãe. Às vezes eu o visitava no barco dele, ou no set de seus filmes, como aconteceu em "Easy Rider". Agora, trabalhando ao lado dele, me sinto como se estivesse compensando o tempo que não curtimos juntos durante a minha infância.