Não dá para levar a sério "Pânico no Lago"
Folha de São Paulo
13/08/99

Quem gostou de "Anaconda" (aquele filme rodado na Amazônia, com a morenaça Jennifer Lopez e uma cobra gigante que vomita John Voight depois de comê-lo numa bocada) pode até se divertir com "Pânico no Lago". No interior do Maine, as águas plácidas de um lago escondem um crocodilo gigante e assassino, de origem asiática (isso mesmo!). Para dominar a criatura, aparecem um policial federal (Bill Pullman), um xerife local (Brendan Gleeson), uma paleontóloga (Bridget Fonda) e um especialista em mitologia (Oliver Platt). Os dois primeiros querem exterminá-la, os dois últimos, estudá-la. O diretor Steve Miner ("Halloween: H20") e o roteirista e produtor David E. Kelley (um dos homens mais poderosos da TV americana, criador de seriados premiados como "Ally McBeal" e "O Desafio") tinham a pretensão de fazer uma comédia de horror. Mas
produziram um fiasco. O roteiro prioriza o humor, em detrimento do horror. Resultado: há muitos diálogos engraçadinhos, que não respeitam a ordem dos fatos e deixam incompletas informações preciosas para o desenvolvimento da trama. E os efeitos especiais são tão artificiais que quase se vê a tela do computador em que foram produzidos. E o que dizer dos atores. Bill Pullman, que já foi presidente americano em "Independence Day", é um caçador de crocodilos "cool". Bridget Fonda, musa de Quentin Tarantino em "Jackie Brown", ensaia gritinhos de pavor de uma típica loura burra. Mas é Oliver Platt ("Os Impostores") quem ensina a curtir o filme numa boa. Sua interpretação do mitólogo que acredita na origem divina dos crocodilos, e por isso quer poupá-lo, é tão debochada que não dá para levá-la a sério. Então, o jeito é se divertir.