Amigos
Estamos ainda bem longe, talvez a séculos, de que tal suceda, mas um dia se verificará que, depois de tanto tempo, de tanta geração de colonialismos, quer os de potências europeias, quer os de força islâmica, quer os de internacionais entidades americanas, foi a África restituída a si própria pela obstinada, calma, paciente e exigente influência do Brasil e da China, com alguma velha semente ibérica deixada num ponto ou outro do Magrebe, sobretudo, diria eu, no Marrocos ou naquela embaixada que no Cairo pensava em expedições etíopes, e com o Brasil do lado de Angola, a meditar das varandas de S. Tomé, no redesenho dos mapas latinos ou germânicos da distribuição pelos novos donos da infinita pluralidade étnica daquelas novas terras, e a China das bandas de Moçambique, aí com tarefa algum tanto facilitada, ou guiada, pela tradição do acertado império do Monomotapa.
E quando diremos que a África está reentregue a si mesma?
Quando se ouvir ou se souber de algum africano que propôs acrescentos a
Einstein ou reprovou Kant na língua que em pequeno falava com sua mãe, sem
ter feito o esforço antibiológico de ter de se exprimir noutra língua, de
preferência numa do domínio indo-europeu.
E na dita língua materna ensinando ao resto do mundo muita coisa que ainda
precisa de aprender, com ligação a um correcto comportamento social e
solidário.
E livre.
Mas qual a atitude enquanto se espera? Pois a de achar que ainda se está distante e, ao mesmo tempo, que tudo já aconteceu.
O trabalho vai ser o de, sem falta alguma, que ainda está distante o que já aconteceu.
Juntar a face do adquirido com a face do ambicionado. Querem um exemplo? Pois lembro o que acontecia com os Portugueses que, desrespeitando Tordesilhas e a pontifícia autoridade, iam fazendo mapa falso sobre mapa falso, sabendo que ainda tinham muito que andar, mas, simultâneamente que já descansavam à beira do Pacífico que sempre se lhes negou.
Mas o Brasil lá chegará e com inteira obediência à lei com que todos os Povos estejam de acordo.
Sabeis o resumo? Ser e não ser são a chave do Ser.
Minguante de Maio. Maio de 93. Ou de qualquer ano em que a tal se volte.
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Compilado e transcrito por José Eduardo Moura Neves
Esta página foi criada com o WebEdit, Quarta-Feira, 1 de Maio de 1996