Empire State: Há muito que ele deixou de ser o prédio mais alto do mundo, mas continua sendo o mais famoso de todos eles. Por quê? É o que você vai ver.
Antes de mais nada, vamos aos números. São 102 andares, 73 elevadores, 1860 degraus, 25 mil inquilinos, 210 colunas, 6500 janelas e 381 metros de altura- 443 se considerarmos, os 62 metros de antena de TV que vai no teto. Feito isso, vamos aos fatos. Estes números não significam mais nada. Há tempos foram sucessivamente batidos por construções bem mais modernas e maiores do que este velho arranha-céu fincado no coração de Nova York. Então, por que será que até hoje uma multidão de quase um milhão de pessoas vem aqui todos os anos só para visitar um edifício de 1931? A resposta está justamente nesta data: em 1931 não havia nada igual no mundo. The Empire State, nome pomposo para algo realmente imponente, foi muito mais do que um simples grande edifício de sua época. Foi o maior de todos eles e, durante muito tempo, sinônimo de ousadia e grandiosidade. 65 anos após ter sido construído e já num humilde 3º posto no ranking dos edifícios mais altos do mundo, o Empire State segue sendo o que sempre foi: um monumento, muito mais do que apenas um edifício. E se já não é o mais alto do mundo, com certeza ainda é o mais famoso se todos eles. Além de charmoso, histórico e revolucionário. Quando foi projetado, no final dos anos 20, o Empire State tinha por objetivo chocar as pessoas. Numa área do tamanho de 3 campos de futebol e num dos endereços mais elegantes do mundo, 3400 operários começaram a trabalhar numa manhã de 1930, sob o olhar incrédulo das pessoas, que não acreditavam que tudo aquilo pudesse ser feito. Um ano e 25 dias depois, os operários pararam o trabalho. Os nova-iorquinos estavam certos: o Empire State Não levaria 18 meses para ficar pronto. Ele já estava! Pressionados por Raskob, que queria um retorno rápido para o seu investimento de 41 milhões de dólares, e pela própria magnanimidade do projeto, que previa ser o maior, o melhor, o primeiro e o máximo em todos os aspectos, os operários trabalharam de domingo a domingo, num alucinante ritmo de 4 andares e meio por semana. Literalmente, a cada 24 horas, o futuro espigão crescia visíveis 2,5m. Contribuiu e muito para essa agilidade a própria forma como o edifício foi feito: Uma estrutura de colunas de aço revestidas com blocos de granito, que dispensavam acabamento e iam se encaixando rapidamente uns nos outros. O Empire State foi o primeiro prédio do mundo a abolir as janelas. Para ganhar tempo e evitar uma catástrofe, os vidros foram aplicados diretamente nas paredes, apenas com uma moldura de aço ao redor, o que acabou conferindo ao edifício a aparência de um foguete. Tudo muito rápido e fácil. Tão prático que o próprio projeto andou sendo alterado durante a construção. Reza a lenda que, entusiasmado com o ritmo das obras, Raskob teria sugerido duas modificações. Primeiro perguntara para os seus arquitetos qual seria a altura máxima que eles poderiam fazer o prédio subir sem o risco de cair. Depois, Ao olhar a nova maquete pronta, teria completado: "Mas isso precisa de um chapéu!" - e o edifício ganhou a sua marca registrada: Uma torre mais estreita de 16 novos andares. O objetivo era fazer com que os passageiros do sofisticado Graf Zeppelin, que na época fazia vôos regulares entra a Europa e os Estados Unidos, desembarcassem nas terras do Tio Sam de uma maneira grandiosa: pelos elevadores do Empire State. O plano, no entanto, não deu certo. O vendaval implacável no alto do prédio simplesmente impedia que os dirigíveis se aproximassem da torre sem o risco de se espatifar de encontro a ela. A idéia foi abandonada. O Empire State era alto demais, mesmo para os voadores. Como os passarinhos, por exemplo. Todos os anos, nas noites de nevoeiro, as luzes do topo do edifício são apagadas para não prejudicar a migração das aves. No passado, desorientadas pela intensidade e pela altura das luzes, elas costumavam bater aos milhares nas paredes do edifício. Em julho de 1945, porém, algo bem mais poderoso trombou com o Empire State: um avião bombardeiro da Força Aérea Americana entrou pelas janelas do 79º andar, matando 14 pessoas. Como a guerra mal havia terminada, os inquilinos chegaram até a pensar que se tratava de um ataque Kamikase. Não era. Mas até faria sentido, porque, de certa forma, a história do Empire State sempre esteve ligada a tragédias. Desde que foi inaugurado, em maio de 1931, centenas de pessoas já tentaram se jogar do 86º andar. Alguns de fato conseguiram, apesar da grade de 3 m de altura que cerca o observatório. Outros, porém, por incrível que pareça, sobreviveram a queda. Seja porque pararam no parapeito do 80º andar míseros 20m abaixo, onde o edifício alarga, seja porque deram de ter sorte no momento que menos precisavam dela. Em 1979, a aposentada americana Elvita Adams se jogou do terraço do 86º mas a força do vento se encarregou de jogá-la de volta para dentro do prédio, apenas um andar abaixo. Desconsolada, foi socorrida e diagnosticada: quebrara apenas o quadril. E mais nada. O episódio entrou para o folclore do edifício, mas , por outro lado, intensificou a vigilância. Atualmente, guardas treinados passam o dia nos corredores tentando identificar em meio a um mar de gente algum suicida em potencial. Tipos solitários e tristes são vigiados com especial atenção. Mas não é um trabalho fácil. Todos os dias, uma multidão passa pelo saguão principal do Empire State, onde uma seqüência de vitrais mostra as oito maravilhas do mundo. São executivos apressados com pastinhas 007 e turistas deslumbrados com suas máquinas fotográficas. Os inquilinos raramente vão aos terraços. Mas é para lá que vão todos os turistas. E no caminho já experimentam a primeira grande atração do prédio: os seu elevadores. São 73 deles, Cada um mais rápido que o outro. Tão velozes que a contagem interna dos andares é feita de 10 em 10 e não de um em um, porque não daria tempo de lê-los, nem haveria espaço dentro do elevador para tamanho letreiro. A velocidade é impressionante. Vai-se do 1º ao 80º andar em menos de um minuto ou despencar-se do 50º ao térreo em 40 segundos. No último trecho, do terraço do 86º andar ao mirante do 102º, a contagem é feita em pés e não mais em pisos. Na prática, porém, não faz a menor diferença: acima do 80º andar é tudo igual. É como sobrevoar a cidade em um avião. Na verdade, melhor, porque não balança tanto. Só um pouco. Do alto do Empire State tem-se uma vista fabulosa. Em dias de céu claro, dá para ver coisas a 100 Km de distância, como as luzes das cidades vizinhas ou os navios ao largo da bahia. No dia de sua inauguração, o principal arquiteto do projeto, que preferiu partir de férias na véspera, enviou uma mensagem para as autoridades na festa. "É inacreditável", disse. "Um dia inteiro no mar e ainda continuo vendo o edifício no horizonte." Na festa, a reação das pessoas não foi diferente. Estupefatas, elas descobriam que estavam acima até de algumas nuvens. Uma mulher entrou em pânico e se recusou a voltar pelo elevador, pois temia que ele caísse lá de cima. O jeito foi descer pelas escadas. Mais tarde, alguém gostou da idéia e resolveu criar a corrida dos degraus, uma folclórica competição que, desde 1932, consiste em subir as escadas do Empire State no menor tempo possível. Seu atual recordista, o americano Geoff Case, é dono de uma marca impressionante: em 1993, subiu 86 andares em pouco mais de 10 minutos e com isso entrou para a história do edifício, ao lado de nomes como Albert Einstein, Rainha Elizabeth Winston Churchill e Fidel Castro. Em diferentes épocas,  todos estiveram lá. E, sem exceções, se admiraram com o que viram. Até Fidel. Porque se hoje o Empire State impressiona, imagine no passado.

Onde é: Em Nova York, claro, num dos endereços mais famosos do mundo: 5ª avenida, entre as ruas 33 e 34.

Como chegar: Estando em Nova York, de taxi, ônibus, metro ou a pé. Não há como errar. Qualquer criança sabe ensinar.

Quando ir: O ano inteiro, pois o prédio nunca fecha. Para subir é preciso comprar um ingresso de US$ 4,50 no primeiro sub-solo do edifício que, como se não bastassem os 102 andares para cima, ainda tem dois para baixo.

Importante: Leve casaco e, se for mulher, não vá de saia. O vento é implacável.  

Voltar: