MANGUE SECO:
Uma viagem no interior da Bahia
 

    Foram dois dias de viagem pelo interior, vislumbrando o sertão baiano num revezamento de 3 ônibus. Ônibus do interior da Bahia, que fique bem claro. O cansaço dessas inusitadas condições de locomoção foi quase um motivo para deixar o paraíso de lado e retornar à civilização. E esse paraíso tinha que valer toda essa pena. Tinha que ser mais que o lugar que inspirou Jorge Amado a torná-lo palco dos tórridos romances de Tieta e suas cabritas. Depois de toda a peregrinação por terra e mais alguns minutos por barco atravessando o rio Real, aparece uma vila erguida na areia.
    Mangue Seco é simples, muito simples, nada da civilização que se vê na novela Tieta. Chegar perto da noite assusta um pouco: afinal, onde estão as dunas? É pela manhã que a paisagem pode ser descortinada: subindo um banco de areia que cerca o vilarejo, aparecem dezenas de dunas, cortadas por coqueiros e burricos (as cabras ficaram na imaginação de Jorge Amado). Ao longe, avista-se o mar aberto.
 

Passeios
    E é nessas dunas que os baianos nativos ganham seu ganha-pão: dezenas de bugres cruzam esse mar de areia, sempre abarrotados de turistas. Por cerca de R$ 10,00, pode-se fazer um passeio que dura 45 minutos, incluindo descidas cheias de emoção e a tradicional parada para a foto. O bugre vai até a junção do Rio Real com o mar, de onde pode-se ver, na outra margem, a Praia do Saco, no Sergipe.
    Se a pessoa quiser pode pedir para ficar na praia, a 1,5 Km do vilarejo de Mangue Seco. É selvagem, com mar forte, e recortada por dunas e coqueirais. O perigo no mar são as caravelas e águas-vivas, cujos “corpos” podem ser vistos às dezenas na areia.
    A praia também pode ser facilmente alcançada a pé, beirando o mangue do rio (cuidado com os siris), ou pelas dunas, que é bem mais cansativo. Mas, na praia, existem barquinhas que vendem bebida, caranguejo e camarão: só não fique chateado se a cerveja acabar no meio da tarde: os nativos de Mangue Seco são baianos e não se preocupam com nada, muito menos em abastecer os estoques. E, no melhor do clima, todo mundo acaba se acostumando com isso.
 
 

Infra-estrutura
    A vila tem luz elétrica, mas não confie muito nisso. Ela desaparece com a sobrecarga, e é difícil até mesmo achar algo para comer (lembre-se que só se pode sair de lá de barco ou de bugre). No Bafo de Bode, pode-se apreciar uma deliciosa moqueca, assim como no Dunas Mar. Quem não quiser comer pratos típicos, pode escolher a barquinha de hambúrguer no centro da cidade, que serve sanduíches e batidas.
    As acomodações são um problema. Poucas pousadas, quase sempre construídas na casa dos nativos, com pouca infra-estrutura, e tendo de conviver com a constante falta de luz.
    Mas, se a intenção é aproveitar alguns momentos longe da civilização, pisando na areia e conhecendo lugares maravilhosos, a luz elétrica não faz falta nenhuma. Nada como andar pelas ruelas sob um luar maravilhoso. Mesmo na total escuridão, um instinto nos guia a acertar o caminho. Se não acertar, tudo bem. É uma ótima idéia se perder em Mangue Seco e por lá ficar. Quem sabe, encontrar Tieta e suas cabritas. Subir as dunas e encontrar Caymmi a olhar a vastidão do oceano: “o mar ... quando quebra na praia ... é bonito”.
 
Como chegar Onde ficar
Mangue Seco fica no município de Santana do Agreste, antiga Jandaíra, na Bahia. O melhor meio de se chegar lá e pelo Sergipe (que fica do outro lado do Rio Real, que margeia Mangue Seco). Na Linha Verde (estrada litorânea que liga Bahia a Sergipe), segue-se até Indiaroba e desvia-se para Pontal (a maior parte do trecho em estrada de terra), onde tem estacionamentos para carros, que cobram cerca de R$ 3,00 por dia. Pega-se a barca que atravessa o Rio Real e dentro de 40 minutos chega-se a Mangue Seco.  
Ir de ônibus não é muito recomendado (veja matéria). Só um ônibus chega a Pontal, que sai de Estância (SE) às 16h. Na volta é ainda pior, já que o ônibus sai de Pontal às 5h da manhã, quando nenhuma barca saiu ainda de Mangue Seco. Mas não é difícil arranjar carona. De qualquer forma, leve o remédio para enjôo para agüentar os sacolejos do ônibus. 
Pousada Mangue Seco - Os quartos de casal são pequenos e não têm janelas. Têm ventiladores mas, obviamente, não funcionam quando falta luz. Possui piscina e alguns “chalés”, que não passam de quartos separados e bem pequenos. Por causa da caixa, costuma faltar água. Diária inclui uma refeição (café da manhã), que é feita no restaurante do dono, a 50m da pousada.  
Village Mangue Seco - Um pouco afastada da Vila, fica em frente ao manguezal, o que atrai os mosquitos. Tem piscina e restaurante.  
Grão de Areia - acomodações familiares, com ventilador e café da manhã caseiro 
 
Voltar: