Uma cidade boa para quem é mais "vivido". Perfeita para quem é jovem. Para se apreciarem as coisas sagradas. Para se viverem as seculares. Onde o passado está presente. Suas ladeiras escondem inconfidências de séculos atrás. Seus monumentos guar-dam confidências do limiar do século XXI.
Ouro Preto é a mais harmoniosa convivência do passado com o futuro. É uma cidade em que se pode fazer quase tudo: visitar igrejas, seguir procissões, participar de quermesses, dormir em repúblicas de estudantes, dançar e beber, beber muito.
HistóriaA cidade em si já tem uma atmosfera diferente. Cercada por morros que formam a Serra de Ouro Preto, a cidade é a junção de duas históricas freguesias: Antô-nio Dias e Ouro Preto. A vila primitiva surgiu no início do século XVIII, a partir da descoberta do ouro naquela região. A vila foi crescendo, sempre movida a ouro, mas só na 2ª metade daquele século é que a Vila Rica (seu nome na época) começou a tomar o aspecto que tem hoje.
A cidade conservou seus monumentos e sua história. A chegada na cidade se faz pela tradicional Praça Tiradentes, em cujo centro fica uma estátua do mártir. Em seu pedestal, a qualquer hora do dia ou da noite, podem-se ver turistas ofegantes de tanto subir ladeira, maravilhados com a beleza da cidade, além de estudantes (normalmente) embriagados. Num dos extremos fica a Escola de Minas, antigo Palácio dos Governadores, cujo Museu de Mineralogia possui mais de 20 mil amostras minerais de todo o mun-do. No outro extremo, o Museu da Inconfidência, antigo Paço Municipal e Cadeia, com obras do patrimônio de Minas Gerais, como vestimenta, camas, documentos reais etc. É, também, onde repousam os restos de alguns dos inconfidentes.
É chavão dizer que Ouro Preto é uma aula de história ao vivo. Mas é a pura verdade. Imagine poder andar por ruas que viveram o romance de Marília e Dirceu. Entrar nas casas que abrigaram as reuniões dos inconfidentes. Subir ladeiras pelas quais Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, se arrastava devido a sua enfermidade, para esculpir as belíssimas obras que hoje compõem as numerosas igrejas da cidade.Religião
Mas não é só nas igrejas que se nota a religiosidade de Ouro Preto. As pontes que cortam os córregos possuem cruzes no centro. Há lendas e lendas. Alguns dizem que serviam para espantar assombrações. Outros dizem que simplesmente existem porque o povo era realmente religioso. O que importa é que as cruzes são mais um bonito detalhe das ruas da cidade.
Outros passeiosBoêmia
Ouro Preto é toda uma solenidade à arte. Em seu teatro municipal, com um som maravilhoso por causa da acústica perfeita, qualquer showzinho vira um espetáculo inesquecível. Inaugurado em 1770, é o mais antigo teatro em funcionamento da América Latina.Para quem gosta de aventura e não sofre de claustrofobia, um bom programa é conhecer a Mina de Chico Rei. Desativada, ela é um túnel mal iluminado e apertado, mas que faz, com certeza, a imaginação de qualquer pessoa alçar vôo. Maior e melhor estruturada é a Mina da Passagem, perto da cidade de Mariana. No local, o visitante pode tentar "garimpar" piritas, que são imitações de pedras de ouro.
A Rua Direita é o ponto de encontro da juventude ébria ouropretana. Afinal de contas, quem resiste a uma pinga de alambique, a uma cervejinha tomada na calçada da rua Direita? E depois de beber, pode-se garimpar uma festa numa das mais de 100 repúblicas de estudantes, tomar um caldo para curar a ressaca, ou ficar simplesmente subindo e descendo ladeira.
Quem quiser falar com Deus
E lá, lá de cima, você tem a visão perfeita da cidade. Do morro da Forca, com uma subida relativamente fácil (uns 50 degraus), tem uma área onde se pode observar tudo o que você já conhece de Ouro Preto, ou pretende conhecer, se está chegando. É o local onde os condenados eram enforcados, por isso a cruz no centro. Atualmente, é um heliporto. O Morro é mais um casamento perfeito do profano e do sagrado, do velho e do novo, mas tudo muito bem dosado. Bem ao estilo ouropretano.