Cosme e Damião: Os padroeiros de Itamaraju




                    Todo município no Brasil tem um padroeiro. O Brasil possui forte influência da religião católica. Além da religião católica trazida pelos europeus, principalmente pelos portugueses, recebemos em nossa cultura, nosso modo de ser e de viver, influências de outras manifestações culturais e religiosas a exemplo das religiões protestantes, e de origem africana: Candomblé e a Umbanda e também das religiões orientais.
                    Cosme e Damião, irmãos gêmeos, médicos, originários da Arábia, viveram aproximadamente há 1.700 anos atrás. Patronos dos médicos cirurgiões são também nossos padroeiros.
                    No dia 27 de setembro a comunidade festeja. A Igreja Católica começca a preparar a festa bem antes do dia dos santos. O dia dos santos é antecedido por preparativos, promoções, barraquinhas, movimento promovido por festeiros de 18 a 27 de setembro. Os festeiros, como são chamados, são fiéis que se encarregam de movimentar a festa a fim de arrecadarem dinheiro para a Igreja Católica. Durante esse período a cidade baixa se alegra. Palco da povoação de Itamaraju, primeiro povoado, núcleo onde começou expandir o povoado da Vila do Escondido, o primeiro nome de Itamaraju.
                    Camelôs, comerciantes de Minas Gerais, Espírito Santo e de outras regiões e municípios da Bahia montam suas barracas, para que, aproveitando do movimento da festa consigam ganhar a vida trabalhando.
                    Muitos moradores aproveitam para fazer compras nessa época.
                    Mas não são apenas os católicos que festejam. A Umbanda, o Candomblé também festejam. O sincretismo religioso, ou seja, o resultado da mistura das várias religiões, no caso afro-brasileira redirecionaram outros cultos religiosos a Cosme e Damião.
                    Para os africanos, Cosme e Damião são Orixás, amigos das crianças. Orixás são entidades poderosas, cultuadas nos terreiros e templos das religiões africanas.
                    Foram os africanos que introduziram nas festas de Cosme e Damião o delicioso Caruru, alimento sagrado, prato típico africano servido nas casas e nos terreiros. “Às crianças são oferecidos balas e doces nesse dia”.
                    Segundo os moradores entrevistados pelas crianças da 3ª série da Escola Crescer/1995, a festa de hoje, já está bastante descaracterizada. Segundo os entrevistados:
                    “A festa mudou muito. A participação e a religiosidade dos fiéis diminuiram com o tempo”.
                    “Os objetivos da festa deixaram de ser religiosos e passaram a ser meramente comerciais”.
                    “Acredita-se que o aparecimento de outras religiões, a crise financeira do país e a presença da televisão são responsáveis pela descaracterização da festa”.
 
 

       Suzete Moraes Costa