O Rio Jucuruçu e sua História
A história de um rio é difícil de contar,
uma parte dela só pertence a natureza, outra parte é contada
por homens e mulheres que a partir de um certo momento o conhece, o batiza
com um nome e com ele vive e luta. Muitas vezes esta história também
se perde com o tempo. Pois é, o rio Jucuruçu não nasceu
batizado com esse nome, aliás ele para existir não precisava
ter nome, bastava existir.
Rio é um substantivo comum que a linguagem humana criou.
Antes de nós seres humanos inventarmos o nome rio, o rio já
existia, mesmo sem ser chamado por um nome.
Observando a terra, seus fenômenos e mistérios
os antigos batizaram de rio todo o curso de água natural que se
desloca de um nível mais alto para um mais baixo, até desaguar
no mar, num lago ou noutro rio.
Mas o nome rio serve para nomear a todos.
Como diferenciar um rio de outro rio, de um outro rio, daquele
rio..., desse rio... ?
Assim os antigos perceberam que era preciso então batizar
cada rio para que ao se referir a ele todos compreendessem de quem e de
que lugar se estava falando.
Foi assim que em diferentes lugares os rios também
receberam diferentes nomes.
E os nomes dos rio têm sempre uma história.
Um único rio pode ser batizado com mais de um nome.
Por ser às vezes, longo, percorrer grandes distâncias, as
pessoas então o batizam de acordo com o lugar. Uns recebem nome
de pessoas (João de Tiba em Cabrália), outro de santo ( S.
Francisco), outros de animais (Jucuruçu), várias outras origens;
mas tem sempre uma história que explique o batismo.
O Rio Jucuruçu tem uma história vaga para nós.
Foi entrevistando pessoas, moradores antigos, curiosos, estudiosos
do rio, como o Senhor Samuel Santa Bárbara e consultando mapas que
pudemos reconstituir um pouco da história do rio Jucuruçu.
O nome Jucuruçu tem origem indígena.
Há muito tempo atrás no interior da mata Atlântica,
às margens do rio, haviam muita cobra, jaracuçu. Acredita-se
que o nome Jucuruçu tenha-se originado a partir dessa existência
de cobrar em suas margens na região de Itamaraju.
Conforme dissemos acima, um mesmo rio pode receber mais de
um nome, pode receber um nome de um certo lugar e outro em outro lugar
(estado, região, país, etc.)
No caso do rio Jucuruçu, ele foi também batizado
com o nome de rio do Prado. Rio do Prado é o nome que ele recebe
em Minas Gerais, por sua nascente localizar-se no antigo município
de Rio do Prado (antiga divisão geográfica, em cuja divisão
atual passou a pertencer a Felisburgo). Ambos os nomes são respeitados,
não pertencem a ninguém em particular, mas faz parte da história
dos povos que nele navageram, pecavam e banhavam em suas águas.
Hoje já faz parte de nossa história.
Durante muitos anos, quando não haviam todavias o Rio
Jucuruçu era a única via de acesso ao Prado. Assim passaram-se
muitos anos. Este rio é navegável em pouco mais de 50 km.
Isso por percorrer muitas regiões montanhosas iniviabilizando a
navegação no seu leito.
Aos poucos com o surgimento das fazendas de café e
cacau, esses produtos eram transportados de canoa. Prado era o ponto onde
tudo convergia. De lá as canoas traziam outras mercadorias: querosene,
sal, açúcar, etc.
Mas o rio é importante não só pelo que
transportava. E até hoje meio de vida para muitos. Ainda hoje é
dele que retiramos o peixe e a areia, de suas margens o barro (argila)
para fazer tijolos e telhas, fazer casa de taipa, etc. Muitas lavadeiras
sobrevivem de suas águas, como também vários moradores
abastecem de água as suas casas, praticam a agricultura e a pecuária.
E foi atraídos por toda essa riqueza que o Jurucuçu
oferece, pela abundância de suas águas, pelas matas e facilidades
de se adquirir terras que se ocuparam as suas margens, limitando
as terras livres e fartas, constituindo fazenda, a vila, o povoado e o
distrito, que de Dois Irmãos, Escondido passou-se a chamar Itamaraju,
logo que virou Município.
Foi às margens do Jucuruçu que nasceu e cresceu
nossa cidade. Antiga vila do Escondido ao ser emancipada recebeu então
o nome Itamaraju em homenagem ao rio Jucuruçu e a pedra Monte Pescoço.