Chaves,
Dr.
Manuel Figueira de
Natural
da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, onde nasceu no dia
7 de Junho de 1830, tendo falecido no dia 19 de Fevereiro de
1912, na sua residência à rua dos Aranhas [1].
Era filho de Bento Figueira de Chaves e de Joaquina Rosa,
casados na freguesia de Câmara de Lobos em 1820 [2].
Casou,
na igreja de São Pedro, no Funchal, em 1861, com Maria Glória
Coelho Chaves, de quem não houve geração [3],
[4].
Após
a conclusão do curso do Liceu do Funchal, matriculou-se na
Escola Médico-Cirúrgica do Funchal onde se formou a 4 de
Fevereiro de 1856 [5],
tendo sido um dos alunos mais distintos do seu curso.
No
exercício da sua nobre profissão, prestou os melhores serviços,
quase sempre desinteressadamente.
Pode
dizer-se que era o médico dos pobres, que muito o estimavam,
porque ele, coração bondoso e favorecido de bens de fortuna, não
se limitava a receitar gratuitamente, como também pagava,
muitas vezes, os remédios e alimentos.
Em
1856, por ocasião da primeira invasão da epidemia colérica [...]
prestou relevantes serviços no Funchal e em Machico, no
hospital que ali foi improvisado [...] e foram de tal
ordem esses serviços que a Câmara Municipal do mesmo concelho,
querendo significar-lhe o seu apreço e a sua gratidão, em seu
nome e dos seus munícipes, louvou-o de um modo altamente
honroso, enaltecendo o zelo, a inteligência, a dedicação e a
caridade com que ele se houve no tratamento dos coléricos [6].
No
mesmo sentido, o brigadeiro António Rogério Gramicho Couceiro,
então governador civil e militar da Madeira, em ofício datado
de 31 de Outubro de 1856 dá conta de um outro louvor por ele
atribuído, pela sua acção em Machico, para onde fora nomeado
para tomar conta do hospital de coléricos aí criado e refere: Receba-o,
pois [...] como uma prova evidente do alto apreço em que
tenho o relevantíssimo serviço que V. Sª. Prestara durante a
terrível crise que acabamos de atravessar, indo dirigir o
hospital de coléricos da vila de Machico e atender os infelizes
que ali fossem recolhidos [7].
Desempenhou
interinamente o cargo de ajudante demonstrador da extinta Escola
Médica do Funchal e, durante dois anos dirigiu os serviços clínicos
no Hospício da Princesa D. Maria Amélia, recebendo os maiores
elogios de Sua Majestade a Imperatriz D. Amélia.
Para
além da sua actividade de médico, exerceu também por diversas
vezes o cargo de vereador da Câmara Municipal do Funchal, tendo
em determinada altura assumido a sua presidência, por
impedimento do conselheiro Dr. Manuel José Viveiros, e de
membro da Junta Geral do Funchal.
Recusou
por mais de uma vez as Comendas de Cristo e da Conceição,
atitude que também manteve relativamente à riqueza [8].
[2]
Registo de Casamentos de Câmara de Lobos,1820, L.314, fls.
209.
[5]
CLODE, Luiz Peter. Registo Bio-Bibliográfico de
Madeirenses, séc. XIX-XX,
pg. 123