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A Leitura da Literatura no Ensino Médio
Rosangela Silva Gomes Lemos
(FacPlan/ DF/BR) O prazer de saber mais, de entender mais, de sentir
que crescemos como indivíduos e profissionais. O prazer de estar perto da cultura, da Literatura, de voltar a ser aluna, mas, principalmente, o prazer de entender melhor o mundo e nós mesmos (Francisca Maria Alves dos Santos - professora do ensino médio no Distrito Federal e aluna participante do Projeto de Pesquisa). Já se tornou comum abordar a questão da leitura e seus reflexos sobre a formação do cidadão porém, numa visão menos dramática, tem-se pesquisado, na área acadêmica, sobre como essa situação pode ser alterada. Com base nessa realidade, foi desenvolvido um trabalho destinado a alunos e professores do Ensino Médio do DF com o objetivo de conscientizar o jovem cidadão da realidade da vida e, especialmente, de nosso país por meio da Leitura da Literatura Brasileira. Na busca constante de estimular alunos e professores a perceberem a importância da Leitura da Literatura, foram ministrados três minicursos com duração de doze horas cada um e um curso com duração de quarenta horas, propiciando a seus participantes o conhecimento de seu espaço e de sua cidade, fazendo um parâmetro entre a atualidade e os tempos idos, com discussões, exercícios, leituras e reflexões. Embora o principal veículo da comunicação seja a oralidade, é indiscutível a importância da leitura. é que podemos construir nossa consciência crítica, não só analisando problemas, mas também propondo soluções. (Monalisa Ogliari, aluna do ensino médio no Distrito Federal). Ao acolher alunos e professores do Ensino Médio em um único espaço, o intuito foi oferecer-lhes um campo de trabalho, novo e nada problemático, voltado para a leitura das obras literárias, proporcionando uma opção mais segura ao lidar com leitura de textos em geral. Eram estudantes, membros do corpo docente e discente de várias escolas, que haviam sido intensamente expostos a aulas de literatura tradicionais, sem prazer nas atividades tanto de alunos quanto de professores. O projeto cresceu ao longo de dois anos, atraiu o interesse não somente dos alunos, mas também de outros professores esperançosos em reverter um quadro negativo que diz respeito à leitura da Literatura. Considerando as dificuldades que os alunos apresentam com relação à leitura das obras literárias, elas advêm do fracasso das aulas de leitura, que não proporcionam a reflexão, a análise, a crítica, a discussão sobre os assuntos ou temas abordados pela Literatura. Há de se considerar o fato de que se ensina para alunos do Ensino Médio que já possuem capacidade de abstração e, nesse sentido, é possível aprofundar as relações lógicas e dialógicas que se estabelecem na Literatura Brasileira, bem como aguçar no indivíduo a descoberta na Literatura da leitura do mundo do autor, reformulando e transformando a ordem das coisas e da própria realidade social. O maior obstáculo com que o professor se defronta para alcançar esses alvos está no pouco conhecimento que ele tem das obras literárias. O educador antes de tudo, precisa dominar o assunto a ser ensinado. A conclusão da aluna Lizania Arcelino Soares merece ser transcrita: O curso contribuiu para incentivar os professores a uma aula dinâmica, soltando a criatividade, motivando os alunos à leitura e deu abertura a análise da obra literária favorecendo o aluno situar-se no tempo e no espaço comparando os acontecimentos com a realidade brasileira de nossa época de uma forma crítica e com senso de transformação. Um aspecto foi amplamente discutido nos encontros: o fato de que o leitor possui um horizonte que o limita, mas que pode transformar-se continuamente, abrindo-se. Esse horizonte é o do mundo de sua vida, tudo que o cerca. A ampliação do horizonte de experiências pela leitura de textos consagrados (ou não) vai necessariamente reformular valores e modificar condutas. Este fato pode ser comprovado nas estrofes a seguir de autoria do aluno Francisco Carlos de Aquino. Onde se canta o que não há Os pássaros que lá vivem já não têm o que comer cá Na minha terra tem paineiras dessas que ninguém tá lá E os pássaros que lá não cantam já não querem se "calá" E os que cuidam da plantação não têm o que vomitar. Mais uma vez ficou comprovado que estudar literatura brasileira enriquece o universo psíquico e cultural dos envolvidos, pois é buscar as raízes culturais de nosso povo e de nossa língua, é descobrir e compreender inúmeros sentidos relacionados com a história do país. Reafirma-se, de modo geral, a contribuição do curso para o crescimento do indivíduo. Segundo Vivian Santos Monteles (aluna do ensino médio do Distrito Federal). aceitar, a valorizar, a sonhar, a lutar, a viver, a querer, a sorrir, enfim, ver o mundo com outros olhos e ser muito feliz. A tarefa de ler um livro literário requer um grau considerado de conhecimento, de reflexão, de interpretação da nossa história social e pessoal. E isso só conseguimos realizar no decorrer de toda uma trajetória de vida, investigando a obra em busca de uma compensação que mova e comova o leitor. Na verdade, à medida que o indivíduo desenvolve as capacidades sensoriais, emocionais e racionais também se desenvolvem as suas leituras. Ter intimidade com as palavras, entendê-las e fazer com elas o que se quiser é o sentido maior da literatura. A oportunidade de crescer deve ser dada ao aluno, através das aulas de leitura da Literatura, tornando-as prazerosas, estimulando para uma descoberta constante e propiciando a manifestação espontânea. Não é em livros de teoria literária, que se aprende a fazer boa leitura da literatura; aprende-se por intuição, na convivência íntima e prolongada com os textos variados, libertando a emoção de uma forma talvez nunca manifestada. Desenvolver nos alunos o espírito crítico, tão temido por alguns tempos, é imprescindível para que todos nós, contínuos estudantes, possamos discernir entre ler uma obra artística com satisfação ou simplesmente lê-las sem nenhum acréscimo produtivo. que é um instrumento de denúncia, é um alerta, um meio de vermos com olhos críticos a realidade de nossa sociedade. (Depoimento da aluna do ensino médio do DF, Kátia Rodrigues). Consciente dos bons resultados e procurando enriquecer de forma simples o projeto desenvolvido para a concretização final será editado um livro coletivo, relatando todo o processo e desenvolvimento do projeto. |