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Almeida Garrett e o processo de legitimação do romantismo no brasil:
estudo do caso de José Maria do Amaral na historiografia literária brasileira

 
Sonia Monnerat Barbosa
(Universidade Federal Fluminense)

 
(...) surge a suspeita de que, na história literária,
a narrativa impõe uma falsa coerência ao incoerente.
David Perkins1

Nesta comunicação apresentamos resultados parciais de pesquisa realizada com vistas à preparação de tese de doutoramento, pondo em destaque, num plano geral, relações indicadas, no âmbito da historiografia da Literatura Brasileira, entre Almeida Garrett e poetas da fase de transição para o Romantismo e deste período em seus momentos iniciais. Em particular, o trabalho contextualiza um estudo de caso, examinando o processo de legitimação literária de José Maria do Amaral, em grande parte apoiado no estabelecimento de vínculos entre o poeta português e a produção e a biografia do brasileiro.

O texto desenvolve um tópico específico relacionado-se, contudo, a questões teóricas e metodológicas presentes em outras comunicações feitas, nos últimos três anos, a saber, "José Maria do Amaral: árcade retardatário ou possível introdutor do Romantismo no Brasil" (ABRALIC, 1996); "Estratégias comparatistas presentes nas histórias da literatura brasileira de Sílvio Romero e José Veríssimo" (ANPOLL, 1998 – GT de História da Literatura); "Vozes brasileiras no coro 'universal' das nações: a lógica da filiação e dependência como método de canonização em Sílvio Romero e José Veríssimo" (ABRALIC, 1998).

Em revisão das indicações feitas sobre a produção poética dos autores dados como iniciadores do Romantismo no Brasil, e mesmo com relação àqueles que têm sido caracterizados como elementos de transição, temos encontrado, em muitas das obras de História da Literatura brasileira, referências que os aproximam de românticos de outras literaturas nacionais. Nesse campo, a presença francesa pode ser destacada, sendo muitas vezes acompanhada de afirmações sobre o papel de substituição que cumpre face ao legado português, recusado no contexto da afirmação emancipatória. Em que pese a marca muitas vezes reiterada de uma aproximação franco-brasileira na escrita dominante de nossa historiografia do Romantismo, Garrett é uma outra referência freqüente nas relações que, sobretudo na ótica de um comparativismo tradicional, são estabelecidas na tópica das fontes e influências.

O Prof. Carlos d' Alge, nas conclusões de seu trabalho As relações brasileiras de Almeida Garrett, com efeito destaca algumas vias férteis para essas investigações:

Estudamos as relações brasileiras de Garrett com base nos textos que compõem o APÊNDICE desta tese. Não esgotamos o assunto, nem seria esse o nosso intuito, pois o rastreamento das influências exercidas por Garrett nos escritores brasileiros levaria imenso tempo e constituiria objeto de outros trabalhos. Lembramos no 1º capítulo que Carlos de Assis Pereira, discípulo de Fidelino de Figueiredo, examinara a influência de Garrett em duas obras de João Manuel Pereira da Silva, o poema Gonzaga e o romance histórico Jerônimo Corte Real, no ensaio Garrett e o Brasil. Contudo, o número de escritores brasileiros influenciados por Garrett é bastante extenso. Nessa galeria constam os nomes de: Maciel Monteiro, Gonçalves de Magalhães, José Maria do Amaral, João Manuel Pereira da Silva, Joaquim Manuel de Macedo, Joaquim Norberto de Sousa e Silva, Álvares de Azevedo, Junqueira Freire, Agrário de Menezes, Fagundes Varela, Castro Alves, Júlio Ribeiro.2

Em nossa pesquisa sobre José Maria do Amaral (1813-1885), preparando para publicação uma extensa coletânea de sonetos, examinando sua fortuna crítica e revendo a apresentação que dele fazem historiadores da Literatura Brasileira, especialmente os dois que inicialmente dele se ocuparam em suas obras, Sílvio Romero e José Veríssimo, verificamos que suas classificações do poeta se diferenciam em função de critérios periodológicos por eles tomados como referência. Os dois historiadores da literatura, embora contemporâneos, chegam a resultados díspares, apesar de apresentarem, como ponto de convergência, uma aproximação de Amaral e Garrett, filiando a poesia daquele à reconhecida e antecedente produção deste.

No material examinado, a par das muitas outras divergências que afastam seus posicionamentos críticos, é evidente a contradição verificada entre os juízos emitidos pelos dois historiadores indicados, mesmo sabendo-se que ambos colocam o poeta brasileiro num espaço de fronteiras permeáveis: Sílvio Romero estabelece elos da produção de José Maria do Amaral com o Romantismo, enquanto José Veríssimo vincula-o, como retardatário, ao Arcadismo.

Interessa-nos, portanto, indagar resultados e procedimentos comparativos utilizados por aqueles historiadores da Literatura Brasileira, uma vez que, a remissão a Garrett, autor de obra reconhecida como marco da Literatura Portuguesa do Romantismo, em princípio parece ser um bom indicador para esclarecer características do autor estudado, no caso o pouco conhecido poeta Amaral. Para além desse aspecto, o recurso à comparação com um escritor consagrado parece prestar-se, ainda, para tornar mais confiável e válido o resultado da classificação do autor comparado, uma vez que as supostas coincidências apontadas nas produções literárias e/ou nos acidentes biográficos podem ser apresentadas como provas auto- evidentes de pertencimento a um estilo ou época.

Com respeito a Amaral, cuja situação periodológica não é vista como plenamente característica de práticas cânonicas do Romantismo, especialmente pela numerosa produção sonetística (e é preciso que se diga que os manuscritos com que trabalhamos representam um corpus de 565 sonetos) examinamos, nos historiadores indicados, de que modo os resultados extraídos de procedimentos comparativistas binários, em que Amaral é aproximado de Garrett, valem como referendos de qualidade, dando respaldo a catalogações que situam o poeta em espaços de transição entre períodos em que cumpre o papel de operar repetições parciais de práticas já reconhecidas em figuras legitimadas e centrais. Nesse sentido, interessou-nos menos responder à alternativa das escolhas feitas por Romero e Veríssimo sobre a filiação predominantemente romântica ou árcade de José Maria do Amaral, ou mesmo fazer considerações pessoais sobre sua situação periodológica. Interessa-nos, sobremaneira, discutir, com relação ao poeta, esses procedimentos presentes na Historiografia Literária indicada, por ser ela instância acadêmica de seleção e legitimação de textos.

No caso em questão, pretendemos enfocar, particularmente, essa comparação sustentada recorrentemente por distintos historiadores que têm tratado da poesia de Amaral situando-a, de algum modo, em referência ao horizonte da estética romântica. Mesmo sem considerarmos o teor dos processos de tematização e os procedimentos poéticos comparados, mesmo sem falar da pequena presença dos sonetos em Garrett e a presença obsessiva em Amaral, cabe a interpretação de que o freqüente interesse em, tratando de José Maria do Amaral, aproximá-lo do chefe-de-escola do romantismo português, Almeida Garrett, deriva da necessidade, que parecem ter experimentado os historiadores da literatura brasileira, em geral, ou pelo menos aqueles que ainda viveram em época próxima à do poeta, como Romero e Veríssimo, em especial, de verem explicadas, literariamente, relações de uma amizade cujas marcas se fazem patentes em edições de obras de Garrett e notícias biográficas sobre os dois autores.

Em Flores sem fructo (1843), o décimo oitavo poema do "Livro segundo", intitulado "Livro da vida", breve poema de três estrofes, datado do mesmo ano em que saiu a edição do livro, traz, sob o título, a indicação "No álbum do Sr. J. M. do Amaral". Através desta referência e de seus dezessete versos o texto reinscreve, na obra de Garrett, como registro de um tipo de memória que, segundo o poema, "deve ter lugar" na "história do coração", um vínculo de amizade, que já fora inscrito, conforme prática comum à época, num "álbum". Por essa ocasião teria Amaral um pouco menos de trinta anos e Garrett já teria passado dos quarenta.

Também foi conhecida, no Brasil e em Portugal, a nota do editor que antecede a terceira edição portuguesa, datada de 1844, do poema Camões. Desta nota de dois parágrafos, citaremos o segundo , em que o nome de Amaral, por uma segunda vez, se associa ao do poeta português, na qualidade de tradutor de um poema a este último oferecido:

Entre as muitas homenagens que este belo poema tem recebido de nacionais e estrangeiros, escolhemos, para lhe dar lugar aqui e para ilustrar esta nossa terceira edição, a elegantíssima Ode de Mlle Pauline de Flaugergues, publicada na sua bem conhecida coleção que tem por título Au bord du Tage (Paris 1841). Ao pé dela achará o leitor, no lugar competente, a linda tradução que dedicou ao nosso ilustre poeta um de seus mais distintos admiradores, o Sr. J. M. do Amaral, atualmente ministro do Brasil na Rússia.3

Na seqüência, e em complemento, reproduzimos o texto da dedicatória com que Amaral introduz a tradução do poema de seis estrofes, de seis versos cada, de Mlle Pauline de Flaugergues:

Ao Ill.mo e Ex.mo Sr.
João Baptista de Almeida Garrett

 
Son nom suffit à sa gloire.
J.J. Rousseau.

Publicou-se ultimamente em Paris um opúsculo que contém algumas poesias de M.Ile de Flaugergues. Entre essas poesias deparei com uma ao autor do poema Camões. Tentei traduzi-la, e eis. aqui a minha tradução tal qual a pude fazer. Ela não aspira senão a ser recebida corno uma pobre mas sincera homenagem ao chefe da moderna Literatura portuguesa, e a ser por ele corrigida.

O coração nunca oferece senão bagatelas; as dádivas suntuosas são do amor próprio.

Lisboa, 26 de Fevereiro de 1842.
José Maria do Amaral4

Voltando aos entendimentos historiográficos das relações entre os dois poetas, cabe assinalar que Romero, em sua História da Literatura Brasileira, obra de 1888, no "Capítulo 8: Transição: Poetas de Transição entre Clássicos e Românticos", anuncia que estão para ele em questão data e autor, até então, convencionados para marcar o início do Romantismo brasileiro. Diz ele:

A verdade é que antes de Magalhães diversos poetas haviam abraçado os princípios da nova escola (...) Maciel Monteiro, Cândido de Araújo Viana, Odorico Mendes, Moniz Barreto, Barros Falcão, Augusto de Queiroga, seu irmão Salomé, Bernardino Ribeiro, Firmino Silva, Álvaro de Macedo e José Maria do Amaral são algum tanto anteriores a Magalhães5.

Já na parte dedicada especialmente a Amaral, a tese de um introdutor alternativo a Magalhães volta a ser afirmada, sendo-lhe assinalado um lugar em relevo, situado no limite imediato da fronteira inicial do período romântico:

Quanto a Veríssimo, em sua História da Literatura Brasileira, obra de 1916, fazendo ressalvas, inclui José Maria do Amaral, no segmento final do capítulo X "Os Próceres do Romantismo", dando relevo a Amaral no horizonte de um grupo de poetas que, hoje, designaríamos como bissextos para retirar a elevada carga pejorativa que recobre certas expressões presentes em fragmento a seguir transcrito (destacadas por grifo nosso):

Publicistas, políticos, diplomatas, advogados, médicos, funcionários públicos, poetas, o são apenas ocasionalmente, inconseqüentemente, mais de recreio que de vocação, e a sua obra de amadores sobre escassa, o que lhes revê a inópia do estro, é em suma insignificante. Vale somente como indício de uma inspiração poética que se não limitava aos próceres do movimento romântico.

Havia, no entanto entre eles um bom, um verdadeiro poeta, José Maria do Amaral, antes um árcade todo impregnado do lirismo garrettiano. Os seus sonetos, nunca reunidos em volume, são talvez como tais, e como poesia subjetiva, o que melhor deixou essa geração.6

Procurando entender melhor o quadro de referências das oposições características, para este historiador, entre Arcadismo e Romantismo, vamos ler o que diz, analisando as formas poéticas de Gonçalves de Magalhães e, em especial, o soneto no Romantismo, falando dos Suspiros poéticos e saudades:

As formas poéticas eram outras, já dos poemas soltos não sujeitos a uma nomenclatura preestabelecida. Bania o poeta, ou ao menos olvidava, as odes com as suas repartições clássicas, e o resto daquelas categorias, e quando se endereçava aos amigos não mais lhes trocava os nomes por apelidos arcádicos, como nas Poesias avulsas. O soneto, forma estrófica de que os árcades usaram e abusaram, e numerosos na primeira coleção, desaparece totalmente desta onde não se nos depara nenhum. O Romantismo foi parco em sonetos. Há mais variedade mais liberdade nas formas métricas e quase nenhum socorro aos recursos mitológicos ou clássicos.7

Quanto aos enlaces, feitos por Romero, no âmbito das relações entre as renovações poéticas em Portugal e no Brasil, a comparação eleita é, sintomaticamente, com aquele que é, canonicamente, considerado o iniciador do Romantismo daquele país:

Foi um digno companheiro de Garrett; e deste poeta ficou-lhe, qual monodia d'estranhos mundos, esse prazer das solidões selvagens da natureza e especialmente das vastidões intérminas do mar...

"Longe por esse azul dos vastos mares,
Na soidão melancólica das águas,
Ouvi gemer a lamentosa alcíone,
E com ela gemeu minha saudade."

Assim disse o poeta português nestes versos dos mais belos de nossa língua; o poeta brasileiro tem alguma cousa de semelhante na ouverture do poema Zeroni:

Aos mares outra vez, vamos aos mares,
Nas vagas embalar os sonhos d'alma.
No inquieto balouçar de inquietas ondas
Vamos da vida sacudir os nojos.
Solta o velame, nauta, aos sopros d'alva,
Acima o ferro, ao horizonte a proa.
8

Mesmo trabalhando em uma mesma época, e operando com comparações envolvendo mesmos autores (Amaral e Garrett), verifica-se que utilizam categorias periodológicas de lábil consistência, de tal modo que cada um deles, sustentando a classificação de Amaral através do confronto com outras escritas antecedentes, não o faz de forma coincidente.

Tratando de Amaral aparece destacadamente Garrett, assim como também podem comparecer V. Hugo, Bocage, Cláudio Manuel da Costa etc., utilizados, ora por Romero, ora por Veríssimo, ora por ambos, na qualidade de parâmetros canônicos de comparação, para verificação de semelhanças, daí resultando discursos de autorização e legitimação, mas também, contraditoriamente, discursos reveladores, no âmbito da historiografia literária, de um produto secundário, pela existência de semelhanças com antecessores mais destacados, tomados esses, metonimicamente, como signos privilegiados para a identificação com épocas literárias.

As diferenças de critérios adotados, com efeitos discrepantes no resultado final são antes função dos diferentes pesos específicos que foram atribuídos no momento das comparações feitas. Em ambos os casos a ambigüidade no uso dos procedimentos comparativos se revela. Amaral ora é comparado com modelos exemplares escolhidos para aproximá-lo de centros canônicos do Romantismo, ora é aproximado de centros de irradiação da estética antecedente: Hugo e Garrett, por um lado, e Cláudio Manuel da Costa, por outro. Esse jogo da dupla marca, do pertencimento híbrido e ambíguo, servirá, é possível constatar, para marcar o autor classificado como figura de transição, que se define por estar transitando sempre entre dois espaços dados como, em alguma medida, opostos; figura indefinida, entre duas áreas bem definidas.

Pelas ênfases contraditórias dadas pelos dois historiadores a certas características, e não a outras, expressas, de certa forma, pelo que representam os nomes dos poetas canônicos com quem Amaral é comparado, fica patente que a matriz admitida para a poesia da fase inicial do Romantismo brasileiro não é a mesma em Veríssimo e em Romero.

Como se vê, Veríssimo destaca, na transformação romântica, a solução de continuidade operada pelas liberdades formais, enquanto Romero põe em relevo a dinâmica dos novos ideais e a sincera comoção do eu. O segundo parece procurar uma origem do Romantismo nas malhas da subjetividade e da sinceridade de expressão de cada sujeito - a melancolia e o sofrimento românticos como revelação verdadeira das vivências do poeta e não como efeito de ficção retórica (maneira pela qual passaram a ser vistas as representações amorosas do Arcadismo, por exemplo). A aparente insatisfação com o marco inicial do Romantismo brasileiro pode estar associada ao não reconhecimento, por Romero, de grande sinceridade poética em Domingos José Gonçalves de Magalhães. Assim, para Romero, nessa medida, Amaral, com suas imagens "garrettianas" do mar e da viagem no poema Zeroni, mas também às voltas com seus desenganos e com seu luto "hugoano", poderia estar mais próximo do paradigma romântico válido do que alguns dos suspiros ou das saudades poetadas por Magalhães.

Além disso, para Romero, ainda caracterizam a obra do poeta as oscilações biográficas entre fé e descrença, e entre ideologias extremas, que, em sua História da Literatura, parecem contar bastante para indicação de que Amaral poderia ter sido o anunciador de valores da poética romântica no Brasil. Ao mesmo tempo que sugere isto, Romero, contraditoriamente, o renega, em nome de razões que hoje poderíamos entender como recepcionais, dizendo que este papel inaugural não se efetivou por conta de não ter Amaral exercido "uma influência profunda na poesia brasileira"9, por ter feito "muito poucas publicações literárias [...] entre nós"10 e por ter vivido por muito tempo fora do país, no exercício de suas atividades diplomáticas. Ambigüamente, Romero situou o poeta no âmbito das transformações inaugurais do Romantismo e, ao mesmo tempo, retirou-o da cena primordial, alegando, como foi dito, por razões de natureza geográfica e editorial. Nesse sentido, o critério geográfico invocado, de estar fora da terra por longos períodos, não tem, em sua obra, marcas da nostalgia da pátria, numa poética do exílio, tão característica, como se sabe, da tradição canônica romântica das canções em que a de Gonçalves Dias ocupa o centro. O Zeroni de José Maria do Amaral parece demarcar leitura de valorização inversa da tópica do exílio e de seus lamentos pela ausência da terra natal.

Nas considerações feitas por Veríssimo, a expectativa de flexibilidade estrófica e métrica como signo da renovação operada, implicando, parece-nos, tanto na superação do soneto quanto do padrão versificatório a ele tradicionalmente associado, o decassílabo, tido até as vésperas do advento do Romantismo como indiscutível paradigma do verso da poesia em língua portuguesa parece ter tido peso determinante na classificação periodológica de Amaral.

Nossa pesquisa, contrariando a pressuposição de objetividade atribuída aos resultados apresentados pelos diferentes historiadores examinados, evidencia que, partindo de confrontos de Amaral com Garrett, as conclusões de caráter classificatório não foram absolutamente as mesmas, ao contrário, foram, em certo sentido, paradoxalmente opostas. Assim, vemos que, na observância do método comparativista utilizado como suporte de grande número de práticas de nossa escrita de historiografia literária, uma descrição feita não será obrigatoriamente acompanhada (e refeita) por outro historiador, o que demonstra a importância (omitida nas exposições dessas histórias literárias) de se explicitar, em termos teórico-metodológicos, o lugar em que se coloca em sua enunciação o sujeito que constrói o conhecimento.


Referências bibliográficas citadas:

Carlos d'Alge, As relações brasileiras de Almeida Garrett, Rio de Janeiro, Edições Tempo Brasileiro, Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1980,p.63.

David Perkins, "História literária: um panorama", História literária, Trad. de João Cézar de Castro Rocha, Rio de Janeiro, UERJ. IL, 1993, p.11. (Cadernos do Mestrado, 7).

José Veríssimo, História da literatura brasileira, Rio de Janeiro, José Olympio, 1954, 3. ed..

Silvio Romero, História da literatura brasileira, Rio de Janeiro, José Olympio; Brasília, INL, 1980, 7. ed., 5v

Theophilo Braga, Obras Completas de Almeida Garret,. Rio de Janeiro e Lisboa, H. Antunes Livraria Editora, 1904.vol. I, p.193.


Notas

1. David Perkins, "História literária: um panorama", História literária, Trad. de João Cézar de Castro Rocha, Rio de Janeiro, UERJ. IL, 1993, p.11. (Cadernos do Mestrado, 7).

2. Carlos d'Alge, As relações brasileiras de Almeida Garrett, Rio de Janeiro, Edições Tempo Brasileiro, Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1980,p.63.

3. Theophilo Braga, Obras Completas de Almeida Garret,. Rio de Janeiro e Lisboa, H. Antunes Livraria Editora, 1904.vol. I, p.193.

4. Id., ibid., p. 195.

5. Silvio Romero, História da literatura brasileira, Rio de Janeiro, José Olympio; Brasília, INL, 1980, 7. ed., 5v

6. José Veríssimo, História da Literatura Brasileira, Rio de Janeiro, José Olympio, 1954, , 3. ed., p. 201.(grifos nossos).

7. Id., ibid., p.774.

8. Silvio Romero, História da literatura brasileira, Rio de Janeiro, José Olympio; Brasília, INL, 1980, 7. ed., 5v, p. 775.

9. Id. ibid,., p.774.

10. Id. ibid., p.774.