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Comunicação intercultural entre Europa e Brasil
A contribuição de Johann Moritz Von Nassau-Siegen 1637 - 1644 Gerhard Brunn
Universidade de Siegen O conde Johann Moritz de Nassau Siegen foi um caso singular entre os príncipes alemães da sua época. Herdou uns dos muitos pequenos e autônomos feudos existentes no império alemão cuja capital era a pequenina Siegen, mas a sua divisa "Qua patet orbis" (Até os confins da Terra) caracteriza sua atuação além das fronteiras da sua província natal. Notabilizou-se não só na Alemanha e nos Países Baixos como general, administrador e mecenas de artes e ciências, mas por sobretudo como governador da colônia holandesa "Nieuw-Holland", no nordeste do Brasil.1 Seu governo de sete anos, de 1637 a 1644, no Brasil, está presente até hoje graças à documentação cientifica e artística única e muito especial, que ele levou sobre este país, sua natureza e seus habitantes, mas também porque foi o inspirador desse material, divulgando-o na Europa da sua época. Os resultados artísticos e científicos dessa documentação deixaram rastros inegáveis para a noção européia sobre a América do século XVII, mas o seu verdadeiro valor só foi reconhecido recentemente no inicio do século XIX. E, depois de mais de cem anos, é o Brasil que começa a perceber que tesouro científico e artístico Johann Moritz tinha deixado para o país, um tesouro que hoje é considerado parte da herança cultural da nação brasileira. Que tipo de tesouro é esse? E quais são os efeitos culturais e científicos que perduraram? Isto deverá ser apresentado a seguir. Johann Moritz2 nasceu 1604 em Siegen como filho do conde Johann VII de Nassau-Siegen. A sua insólita formação geral feita em diferentes escolas, universidades e cortes de príncipes motivou o seu interesse para as belas artes e as ciências. Sob o comando de seu tio Maurício de Orange, Governador Geral dos Países Baixos, em 1620, na idade de 16 anos entrou no serviço do exército holandês fazendo uma brilhante carreira na luta pela liberdade dos Países Baixos contra o Império Espanhol3. A conquista de uma das mais importante fortificações do rio Reno em Schenkenschanz, perto da cidade Kleve, deve-se ele, o que representou par mudanca que deveria assegurar-lhe um lugar na historia, pois não existe nada comparável entre os seus pares. O seu sucesso militar provocou a atenção dos dirigentes da Companhia das Índias Ocidentais, (WIC). Esta companhia, uma "Sociedade Comercial", tinha o monopólio do comércio e os direitos de soberania nas colônias brasileiras conquistadas depois de 1630 pela Holanda. Os dirigentes da WIC estavam à procura de um governador. Este deveria ter tanto conhecimentos militares para evitar uma reconquista da colônia pelos portugueses e brasileiros, quanto capacidades de reorganizar a administração e economia, visando ao maior aumento possível dos lucros para a companhia. Os Países-Baixos e também WIC consideraram Johann Moritz o homem adequado e, no mesmo ano, ofereceram a ele a função de Governador Geral do Brasil Holandês4. Para Johann Moritz essa oferta era um desafio e ao mesmo tempo uma sorte, pois isto representava a chance de uma posição responsável, ao mesmo tempo que autônoma e um considerável ganho material com o qual esperava poder pagar suas dívidas. Além disso este mundo novo, para ele desconhecido, era um estimulo. Assim aceitou a oferta de ir como "Governeur-, Capiteyn- en Admiral-Generaal" para Brasil e no dia 24 de outubro levantou ancoras5. Johann Moritz cumpriu com as missões que se lhe atribuiram, isto é, a reorganização da administração, a revitalizaçao da cultura açucareira, e a pacificação da colônia. Porem por causa de conflitos contínuos com a WIC por maior ajuda material e financeira, poucos anos depois encerrou a sua tarefa, voltando para Holanda no ano 1644. Para o nosso tema é muito significativo saber que ele pagou de seu próprio pecúlio parte da viagem de artistas e estudiosos, por exemplo, dos pintores Frans Post e Albert Eckhout, do médico Wilhelm Piso (Pies) e do cientista natural, cartógrafo e astrônomo Georg Markgraf. E solicitou-lhes um projeto de pesquisa bastante amplo. O projeto foi muito bem sucedido, "o primeiro deste tipo no continente americano"7 e teve uma extraordinária importância na mediação dos conhecimentos sobre o Brasil dessa época e para as sua concreta visualização, importância que perdurou por mais de dois séculos apenas na Europa ocidental e, finalmente, no século XX também no Brasil. Frans Post e Albert Eckhout foram os primeiros pintores europeus a apropriar-se duma relação autêntica com a natureza tropical. Na verdade eles estavam presos ao gosto europeu orientado aos grandes mestres e as idéias de composição tradicionais, embora pintassem, além dos clichês e estereótipos do exótico, duma maneira realista e revolucionária, os habitantes, as paisagem, os animais, as plantas e frutas do nordeste brasileiro. Os quadros de Post mostram paisagens com uma atmosfera densa, que representam, com precisão, a topografia, a vegetação e as povoações8. Eckhout pintou algo completamente diferente, ele representou com minuciosidade etnográfica os habitantes do país – indígenas, africanos, mulatos, mestiços – em seus diferentes níveis de aculturação. Seus quadros refletem por primeira vez e exatamente a constituição e os rostos dos indígenas, ele nos trouxe os primeiros verdadeiros retratos. Além disso documentou as pesquisas e coleções cientificas em naturezas mortas, em centenas de desenhos, esboços, aquarelas de plantas e frutas, de animais, pássaros, anfíbios, peixes, e insetos9. Depois da sua volta Eckhout e Post usufruíram continuamente de suas experiências nos trópicos e ficaram fieis ao este tema toda sua vida, reproduzindo-o na forma de paisagens, naturezas mortas e representações da vida cotidiana. Sobretudo Post conseguiu, obviamente, vender o motivo do Brasil exótico pelo resto da sua vida, tanto que reproduziu no ateliê da sua cidade natal, uma enorme quantidade paisagens brasileiras. Ele usou, também, nos seus quadros, os seus esboços feitos ao ar livre no Brasil, para realizar de acordo com o gosto e desejo dos seus clientes imagens exóticas, oníricas, transformado estes esboços da mesma forma como aquela com a que outros pintores produziam paisagens italianas a partir de motivos da antigüidade greco-romana10. Os quadros de Eckhout foram divulgados indiretamente numa quantidade maior, pois, Johann Moritz deu de presente para Luiz XIV uma grande quantidade dos seus esboços sobre animais e plantas, com a recomendação de usá-los como modelo para a confecção de Gobelins, adornando grandes salões ou galerias, com o que seria "uma coisa única e peculiar e absolutamente diferente a todo o conhecido". O presente de Johann Moritz era a base para o "Tenture des Indes", uma serie muito bem sucedida de tapeçarias que foram freqüentemente reproduzidas à pedido das nobres de toda a Europa. Os Gobelins satisfizeram a onda sobre o exotismo na Europa desta época, deturpando assim o sentido original e o objetivo das imagens. Embora houvesse uma minuciosa fidelidade nos detalhes, eles não representavam uma imagem real do Brasil mas uma visão tropical do desejo de ter um pedaço do paraíso perdido11. Os cientistas da expedição brasileira Wilhelm Piso e Georg Markgraf foram responsáveis pela exploração do ambiente natural do país. O médico Wilhelm Piso estudou os efeitos do clima tropical para a saúde tanto dos indígenas quanto dos europeus, e analisou as propriedades das plantas autóctones medicinais12. Georg Markgraf, por sua vez, cartografou grandes extensões da colônia, e fez observações astronômicas num observatório especialmente construído para ele, e que foi o único no hemisfério sul. Colecionou também plantas e animais dos quais ele mesmo ou Eckhout fizeram desenhos13. No final desta odisséia brasileira, Johann Moritz enviou todo o material colecionado para Johann de Laet, em Amsterdã, que o analisou e, em 1648, o publicou numa obra de vários volumes, a "Historia Naturalis Brasiliae" esta História foi realmente um compendio válido sobre o Brasil desta época. Em 1658 Piso publicou uma versão reelaborada com o titulo "De Indiae Utriusque". Uma outra versão resumida deste trabalho com o titulo "Oost- en Westindische Waarande" funcionou, desde 1694, como um manual de doenças tropicais muito usado por numerosos médicos de bordo. O próprio Johann Moritz deixou seu relatório sobre suas atividades para Caspar Barleaus de Amsterdã, que o editou sob o título "Rerum per octennium in Brasília" em 164714. Os quadros e livros produzidos por iniciativa de Johann Moritz marcam o início da mediação cultural do Brasil para Europa ocidental. Na história das ciências, as obras de Markgraf e Piso ocupam um nível muito alto. Porém a imagem exótica estabelecida já na Europa era por demais bela e sedutora para que simplesmente algumas obras cientificas e quadros realistas pudessem destruí-la. Imagens fantásticas e idéias erradas permaneceram pertinazmente, através de contos sobre um mundo povoado com monstros, amplamente divulgados, logicamente, muito mais do que as obras cientificas de Markgraf e Piso. Infelizmente, neste ambiente conservador e fechado, foi impossível perceber a importâncias das obras cientificas de Markgraf e Piso, elas chegaram cedo demais. Isso somente foi possível com o início do século XIX, científico, e sobre tudo por causa do impacto da viagem legendária às "régiones equinoxiales du nouveau continent" de Alexander von Humboldt, que estimulou um grande numero de estudiosos e artistas a seguir seu exemplo de modelo de uma exploração científica e de uma representação artística da América15. Brasil ocupou o lugar principal no novo entusiasmo cientifico e artístico por América do Sul. Desde 1810 trabalhou Wilhelm Ludwig von Eschwege no Brasil16, um estudioso que até hoje não foi o suficientemente valorizado. Nos anos seguintes chegaram outros pesquisadores, cabe destacar a Maximiliam Príncipe de Wied-Neuwied. No ano de 1817, o herdeiro do trono português, mais tarde Dom Pedro I do Brasil, casou-se com Dona Leopoldina, Arquiduquesa da casa dos Habsburg. No séquito que a acompanhou até o Rio de Janeiro, se encontravam cientistas e artistas, analogamente à viagem de Johann Moritz. Entre estes acompanhantes podemos citar o botânico Carl Friedrich von Martius e o zoólogo Baptist von Spix, que posteriormente foram seguidos por outros cientistas17. Falta-nos aqui o espaço para avaliar o trabalho deles. Cabe destacar que quase todos estes cientistas fizeram no seu trabalho uma referência a obra realizada há mais de 150 anos antes, isto é, a "Historia Naturalis Brasiliae" de Piso e Markgraf18. Pode se dizer que os acompanhantes de Johann Moritz, que fizeram um trabalho excepcional, especialmente no que se refere à determinação e a categorização das plantas. Tanto Martius quanto M.H.K.Lichtenstein dedicaram-se, num artigo muito extenso, a fazer uma comparação da "Historia Naturalis Brasiliae" com os novos conhecimentos colhidos na época19. A contribuição dos acompanhantes de Johann Moritz para a ciência foi redescoberta depois de quase um século e meio, quando foi reconhecido o seu grande valor. Antes, apenas foram usados os conhecimentos práticos – particularmente aqueles da medicina tropical – mas a sua verdadeira importância cientifica somente os estudiosos do século XIX puderam avaliar. E assim, Markgraf e Piso puderam ter um lugar permanente na historia das ciências. Por outro lado, os trabalhos de Frans Post e os quadros de Eckhout - esquecidos no século XVIII e que Johann Moritz tinha dado de presente ou vendido - não somente foram redescobertos, mas também foi aceita esta forma de pintar como modelo de representação das paisagens tropicais e sua vegetação. Humboldt fez grandes elogios aos obras de Post e Eckhout, identificando neles diferentes gêneros de plantas e colocando-os como modelo das primeiras representações realistas das paisagens e plantas tropicais20. Uma nova geração de pintores foi profundamente influenciada pelas opiniões de Humboldt, voltando, assim, a pintar novamente ao ar livre, usando para a representação das paisagens tropicais e sua vegetação o modelo de ambos precursores holandeses do século XVII. O mais importante pintor tropical desta época Johann Moritz Rugendas trabalhou nesta tradição. Pintou analogamente a Eckhout as imagens dos indígenas e produziu dentro da perspectiva de Frans Post as paisagens. Carl Friedrich Matius utilizou as paisagens de Post na sua Historia Natural das Palmeiras, fazendo montagens com outras plantas colocadas a posteriori para "complementar organicamente a fisionomia da natureza"21. Os quadros das paisagens tropicais não tinham muito sucesso no século XIX, não pela sua qualidade artística, mas por causa da concepção de arte dominante, que negava enfaticamente as obras realizadas ao ar livre ou "naturalistas". Por isso Post e Eckhout foram esquecidos, mas no inicio do século XX houve uma nova redescoberta de ambos. Em Berlim os estudos de animais e plantas feitos pelo Eckhout que terminaram na propriedade do Príncipe Eleitor de Brandenburg, os "Libri Picturati" receberam um renovado interesse. E nessa época também, por primeira vez os seus enormes quadros, que estavam em Copenhague, foram seriamente analisados22. Mas as paisagens de Frans Post vivenciaram um renascimento de uma forma singular23. Não foi na Europa onde eles, até na década de 60, foram consideradas de qualidade menor, mas no Brasil onde, a meu ver, os quadros desta "Época Dourada de Pernambuco"24 foram usados para a construção de uma identidade nacional, a partir dos festejos do Centenário da Indepedência. Eckhout e Post, a partir dos anos 60, também foram seriamente estudados na Europa. Para isto contribuíram as diversas grandes mostras lembrando Johann Moritz e seus acompanhantes, realizadas tanto na Europa como no Brasil. Por exemplo, na mostra feita recentemente sobre a história da Casa de Orange foi dedicado uma Sala Especial a Johann Moritz25. Com este reconhecimento para Johann Moritz e o eco artístico da sua viagem, chegamos finalmente ao presente. Fazendo uma consideração retrospectiva da acolhida dos resultados científicos e artísticos desta viagem ao Brasil, cabe destacar dois aspectos. Por um lado, durante 250 anos somente a Europa ocidental pôde usufruir de todo este saber, quer dizer, a ciência européia utilizou os conhecimentos conquistados na colônia holandesa de 1637 a 1644, e, somente, na primeira metade do sëculo XX, foi possível transferir todos estes conhecimentos para o seu lugar de origem. Por outro lado se pode constatar que a admissão deste saber foi realizada em ondas com um primeiro clímax na primeira metade do século XIX, seguido 50 anos depois, no inicio do século XX, por um outro clímax. Existem centenas de publicações cientificas sobre Johann Moritz, o seu tempo no Brasil e os seus resultados: Porém não foi escrita ainda uma biografia baseada nos resultados das pesquisas atuais, respeitando todas as possíveis fontes. Também não foi registrada a história da recepcao destes conhecimentos. E, com isso, a sua contribuição para uma comunicação intercultural entre Brasil e Europa ocidental, é insuficiente pois nunca foi pesquisada na sua totalidade. O mais curioso é que existem muitas pesquisas individuais, que são realizadas isoladamente sem nenhuma relação uma com a outra. Johann Moritz tem o seu lugar reconhecido na historia alemã, holandesa e brasileira, mas nunca até hoje os estudiosos destes três países se reuniram para trocar experiências discutir qual é, na verdade, o verdadeiro lugar que deveria caber a ele, em cada uma das histórias nacionais. Assim como não existe na Alemanha ou no Brasil um conhecimento sobre seu lugar na história regional de outro país, e em que medida e com quais resultados ele é mensurado para a construção da identidade regional na sua terra natal, Siegerland, ou no Pernambuco de hoje. É de supor que dentro de cada perspectiva nacional e regional seja apresentado como um homem completamente diferente, com outras atividades e ações totalmente diversas das que, na verdade, foram as suas. Por motivo das comemorações dos 4 séculos do nascimento de Johann Moritz, no ano 2004, a Universidade de Siegen, pela primeira vez, quer reunir estudiosos de três países para um congresso internacional, onde a partir das mais novas pesquisas possam ser apresentados trabalhos elaborados dentro do contexto do seu país, com as mais importantes contribuições de Johann Moritz para uma comunicação intercultural entre o Brasil e a Europa no século XVII. Assim como também, possa ser esclarecido em que medida, em que aspectos, de que forma e maneira ele está presente na consciência histórica nacional e regional. Notas 1. E. van den Boogart/ F.J. Duparc (Ed.), Zo wijd de wereld strekt. Tentoonstelling naar aanleiding van de 300ste sterfdag van Johan Maurits van Nassau-Siegen op 20 december 1979, Den Haag 1979. 2. P.J. Bouman, Johan Maurits van Nassau, de Braziliaan, Utrecht 1947 e Ludwig Driesen, Leben des Fürsten Johann Moritz von Nassau-Siegen, Kleve 1849. 3. Alfred Lück: Siegerland und Nederland, Siegen 1981, p.104. 4. P.J. Bouman, Johan Maurits van Nassau-Siegen, de Braziliaan, Utrecht 1947, p. 30f. 5. P.J. Bouman, Johan Maurits van Nassau-Siegen, de Braziliaan, Utrecht 1947, p. 24. 6. Thomas Kellein, "Das Paradies in Wirklichkeit", Frans Post 1612-1680 (Ed. Thomas Kellein/ Beat-Urs Frei), Basel 1990, p. 21. 7. Hugh Honour, "Wissenschaft und Exotismus. Die europäischen Künstler und die Neue Welt", Mythen der Neuen Welt. Zur Entdeckungsgeschichte Lateinamerikas (Ed. Karl-Heinz Kohl), Berlin 1982, p. 42. 8. Thomas Kellein, "Das Paradies in Wirklichkeit", Frans Post 1612-1680 (Ed. Thomas Kellein, Beat-Urs Frei), Basel 1990, p. 21. 9. Bodo-Michael Baumunk, "Von Brasilischen fremden Völkern. Die Eingeborenen-Darstellungen Albert Eckhouts", Mythen der Neuen Welt. Zur Entdeckungsgeschichte Lateinamerikas (Ed. Karl-Heinz Kohl), Berlin 1982, p. 188-201 o Clarival do Prado Valladares/ Luiz Emygdio de Mello Filho, Albert Eckhout. Pintor de Mauricio de Nassau no Brasil 1637-1644, Rio de Janeiro 1981. As pinturas enviadas ao Principe Eleitor de Brandenburg foram encadernadas em cinco livros: Christina Ferrão/José Paulo Monteiro Soares (Ed.), Libri Picturati, 5 Vol.: Libri Principis (Vol I, II), Theatrum Rerum Naturalium (Vol. III, IV), Miscelanea Cleyeri, Rio de Janeiro 1995. 10. Joaquim de Sousa-Leão, Frans Post 1612-1680, Amsterdam 1973, p. 21ff. 11. P.J.P. Whitehead, A Portrait of Dutch 17th Century Brazil. Animals, Plants and People by the Artists of Johan Maurits of Nassau, Amsterdam 1989. 12. Eike Pies, Willem Piso 1611-1678, Düsseldorf 1981. 13. Victor Hantzsch, "Georg Marggraf", Berichte über die Verhandlungen der königlich sächsischen Gesellschaft der Wissenschaften zu Leipzig (phil.-hist. Classe) 48 (1896), p. 199-227. 14. J. Müller, "Ärzte als Entdeckungs- und Forschungsreisende", Medizinischer Monatsspiegel 1 (1972), p. 9-14. 15. Hugh Honour, "Wissenschaft und Exotismus. Die europäischen Künstler und die Neue Welt", Mythen der Neuen Welt. Zur Entdeckungsgeschichte Lateinamerikas (Ed. Karl-Heinz Kohl), Berlin 1982, p. 22-48. 16. Hanno Beck, "Die Kunst entdeckt einen Kontinent", Deutsche Künstler in Lateinamerika (Ed. Renate Löschner), Berlin 1978, p. 11. 17. Enrico Schaeffer, "Die Ausbeute der Brasilien-Expedition von Johann Moritz von Nassau und ihr Niederschlag in Kunst und Wissenschaft", Medizinhistorisches Journal 11 (1976), p. 8-26. 18. Paul Ehrenreich, "Über einige Bildnisse südamerikanischer Indianer", Globus 66 (1894), p. 81-90. 19. C.Fr.Ph. von Martius, "Versuche eines Commentars über die Pflanzen in den Werken von Marcgrav und Piso über Brasilien nebst weiteren Erörterungen über die Flora dieses Reiches", Abhandlungen der Bayerischen Akademie der Wissenschaften, math.-phys. Classe 7 (1853), p.181-238 e M.H.K. Lichtenstein, "Die Werke von Marcgrave und Piso über die Naturgeschichte Brasiliens erläutert aus den wieder aufgefundenen Originalzeichnungen", Abhandlungen der Kgl.-preußischen Akademie der Wissenschaften (physik. Classe) (1814-15), p. 201-222; (1816-17), p. 155-178; (1820-21), p.237-254, 267-288. 20. Renate Löschner, "Die künstlerische Darstellung Lateinamerikas im 19. Jahrhundert unter dem Einfluß Alexander von Humboldts", Deutsche Künstler in Lateinamerika (Ed. Renate Löschner), Berlin 1978, p. 13-25. 21. Renate Löschner, "Die künstlerische Darstellung Lateinamerikas im 19. Jahrhundert unter dem Einfluß Alexander von Humboldts", Deutsche Künstler in Lateinamerika (Ed. Renate Löschner), Berlin 1978, p. 20. 22. Paul Ehrenreich, "Über einige Bildnisse südamerikanischer Indianer", Globus 66 (1894), p. 81-90. 23. Thomas Kellein, "Das Paradies in Wirklichkeit. Die Entstehung und Bedeutung der statischen Landschaftskomposition Frans Posts", Frans Post 1612-1680 (Ed. Thomas Kellein/ Beat-Urs Frei), Basel 1990, p. 7-22. 24. Idem. 25. Onder den Oranje Boom. Niederländische Kunst und Kultur im 17. und 18. Jahrhundert an deutshcen Fürstenhöfen, Katalogband, München 1999. |