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(Des)Encontros na disneylândia cultural

 
Maria Manuel Baptista
Universidade de Aveiro – Portugal

 
«(...)Eduardo Lourenço tem um pensamento.
Um pensamento é coisa rara».
José Gil, 1996

Tornado recentemente quase uma ‘star intelectual’ em Portugal (alguns dirão, ‘o ideólogo oficial do regime pós-25 de Abril’), Eduardo Lourenço conhece hoje uma popularidade que quebra, finalmente, o silêncio a que a cultura portuguesa em particular, e o espaço lusófono em geral, o votaram durante longo tempo. Eduardo Lourenço tornou-se hoje uma ‘moda’, embora continue pouco lido, pouco estudado e em quase monólogo nesta nossa actual ‘disneylândia’ cultural.

Obra plural e fragmentada, feita de ensaios mais longos ou curtos escritos de ocasião, Eduardo Lourenço é um polemista emocionado, de escrita difícil e erudita, que dificilmente se deixa re-dizer sem a sensação de plágio.

O tema que vamos abordar faz parte de um trabalho mais vasto que nos encontramos a desenvolver sobre a sua obra, designadamente no que respeita aos seus textos de análise à cultura portuguesa, tarefa que ele vem realizando há quase cinco décadas.

Talvez que o seu ensaio mais conhecido seja «Psicanálise Mítica do Destino Português», inserido nessa obra de referência que se tornou em Portugal o Labirinto da Saudade1. A partir de então tornar-se-á o nosso Sócrates Português ao tratar, poderíamos mesmo dizer ao ‘fustigar-nos’ com um dos problemas mais candentes da Cultura Portuguesa: a questão da nossa identidade enquanto povo e nação. A apropriação que, nesse contexto, realizou da linguagem psicanalítica valer-lhe-á a crítica acérrima dos ideólogos e cientistas sociais encartados, mas também o lugar ímpar, de renovação e interpelação funda, que hoje, reconhecidamente, ocupa entre nós.

Nesse seu ensaio, Eduardo Lourenço abordava, entre outras, a questão das auto-representações nas relações que temos mantido com o Outro (o outro infiel, espanhol, europeu, oriental, africano ou índio) numa revisitação, de sentido contrário ao que é habitual, dos principais momentos míticos da nossa história colectiva, revelando-nos assim o Outro que nós próprios somos, agora desvendados à luz do doloroso (e ainda escandaloso) paradigma psicanalítico.

A história e a análise crítica da recepção deste ensaio entre nós, ainda está por fazer. De qualquer forma, à distância de mais de 20 anos, podemos dizer que ele se tornou uma referência incontornável quando se pretende abordar a questão, complexa, intricada e apaixonante, da imagologia identitária portuguesa.

Curiosamente, Eduardo Lourenço não mais escreveu um outro texto onde o paradigma teórico e conceptual da psicanálise estivesse tão exclusiva e ostensivamente presente. Os seus últimos ensaios2, embora prossigam no registo da busca identitária portuguesa (nas suas múltiplas vertentes e complexas formas de auto e hetero-revelação), abandonam o instrumento conceptual freudiano para se colocarem numa perspectiva histórica que poderíamos, à falta de melhor, designar de pendor axiológico e ético, caminho que nunca deixou de ser o seu, apesar da luz ofuscante e perturbadora que um dia fez dele um ‘psicanalista da cultura portuguesa’.

E é assim que, nos seus mais recentes textos procura aprofundar, a propósito de múltiplas temáticas de importância candente na cultura contemporânea (quer ela seja a portuguesa, europeia ou mundial), uma visão do que é e do que deveria ser a cultura na era pós-moderna, ou, como ele diz preferir chamar-lhe, na era pós-cristã3. Na realidade, não é por caso que Eduardo Lourenço prefere esta designação à primeira: a diferença entre ambas reside no facto de esta não se demitir de uma posição axiológica, enquanto a primeira parece resguardar-se numa operação mental de pura descrição cronológica.

Mas esta nossa cultura pós-cristã não é mais, digamo-lo sem rodeios como o próprio Eduardo Lourenço o faz, do que a cultura mundializada dos Estados Unidos, onde hoje todos nós estamos já instalados. Contra ela, em oposição fraca e dilacerada, uma cultura europeia que aponta para uma outra coisa, reputada por Eduardo Lourenço de mais valiosa. Enraizada numa outra tradição, a cultura europeia vive, no presente, (ou nós vivemos nela) um momento trágico e decisivo de procura de identidade.

Assim, Portugal e a cultura portuguesa, cuja fragilidade identitária parece ser-lhe congénita, pode viver e pensar, neste final de século, esta questão sem complexos, instalado na mais recente modernidade europeia: Portugal é (e foi-o sempre sem saber) o mais Europeu dos países da Europa, mesmo quando hoje (como todo o mundo), profundamente americanizado.

Entre uma cultura europeia que se procura a si própria e uma cultura americano-mundial que é de forma simples, tranquila e natural, as diferenças são profundas. Vejamos, com EL, algumas das mais significativas, sobretudo as que se centram em torno da questão da relação que cada uma destas duas culturas mantém com o Outro, ou, o que é o mesmo, o espelho onde se procuram reconhecer na sua diferença identitária.

1-A mediação televisiva do Outro

Na nossa cultura contemporânea a televisão tornou-se a nova caverna platónica, com a diferença, segundo Eduardo Lourenço, de que as sombras são agora bem reais. São mesmo a única realidade verdadeiramente existente. Completa e ininterruptamente imersos numa torrente informativa, não é o diálogo o que esta nova forma de comunicação instaura. Para isso seria necessária, no mínimo, a propriedade da reversibilidade. Ora, como refere o autor, a televisão não trabalha senão para si mesma, para se vender a si própria.

Aí, onde o sujeito se dissolveu, onde tudo se paga, onde só a ‘rentabilidade mediática’ importa, a televisão adquiriu uma condição que Eduardo Lourenço designa de ‘angélica’, pois simula «(...) uma transparência tal que nem por sombras lembre ao pseudodestinatário que a caixa mágica não funciona senão para o interior de si mesma. Ela deve ocultar, até pela ostentação com que assume a prática fundadora da nossa sociedade, a de um hipermercado disfarçado de Disneylândia, a única realidade que lhe permite existir: a de ser um instrumento, não só inserido, como é óbvio, na lógica do capitalismo, que é a nossa, mas a de ser a sua expressão sublimada»4.

Mais do que pensar as modalidades pelas quais seria possível instaurar um diálogo verdadeiramente humano a partir de uma tal ‘caixa’, tarefa que ultrapassa a essência do próprio fenómeno televisivo, Eduardo Lourenço advoga a necessidade de reclamar o direito ao silêncio, instaurando uma pedagogia do consumidor de imagens. É claro que uma tal pedagogia terá de passar por uma outra ideia de cultura, que recusa o poder hegemónico e, em última análise, económico, político e ideológico, do ‘senhor das imagens’ que é os Estados Unidos, para propor uma outra «(...) maneira de olhar, de aprender, de descriptar essa imago-esfera que tomou o lugar de uma autêntica revelação divina»5.

Face ao fenómeno televisivo, tal como hoje o conhecemos, Eduardo Lourenço propõe-nos um exercício de liberdade e de discernimento, que permita «(...) preservar a parte de silêncio necessária à respiração da existência humana e contra a qual o rolo compressor das imagens planetárias seria impotente, ou é, no fundo, impotente»6.

2-Da tolerância ao intolerável

Colocando a questão da intolerância numa perspectiva crítica e radical, Eduardo Lourenço recorda-nos que, vulgarmente, ‘ser tolerante’ significa pouco mais do que condescendência e até indiferença pelo Outro: é o ‘tolerantismo moderno’. Questão por excelência da cultura ocidental, a intolerância, e a necessária violência que normalmente consigo arrasta, nasceu no terreno do religioso e transformou-se hoje numa questão política e até ideológica.

Verdadeiramente, o que está em jogo nos nossos dias (e desde sempre) não é a intolerância ou a tolerância face ao Outro, mas o intolerável, quer dizer, o lugar por excelência do mal. É claro que hoje não dispomos de instâncias eticamente fundadoras, ou não acreditamos nelas, para sabermos onde estão o mal e o bem. De resto, toda a intolerância se justifica, e se justificou sempre, por uma ‘violência do bem’7.

Assim, mais do que nomear uma ‘tolerância’ teoricamente indiscutível e na prática muito longe de ser o que devia, o importante seria determinar o domínio do intolerável, aquilo que, do ponto de vista ético, ou muito simplesmente humano, toca o próprio estatuto do humano8. Em suma, o que é realmente intolerável é a negação do Outro, como Sujeito, como um outro EU, ausência de consciência do mal que, nos nossos dias, se vê ofuscada precisamente em nome da ‘tolerância’.

E como poderia ser de outra forma se o sujeito da contemporaneidade se pulverizou, se o eu do outro se torna impossível de constituir a partir da fragmentação do eu próprio, esse eu múltiplo e estilhaçado que Pessoa tão claramente colocou sob os nossos olhos (e a que Eduardo Lourenço é tão particularmente sensível)?

3 - A solidariedade para com o Outro

Numa cultura pós-cristã profundamente hedonista, Eduardo Lourenço designa o que considera ser da ordem do escândalo ético: a constatação de que a pobreza mais extrema existe numa sociedade que, pelo menos teoricamente, teria todos os meios para a abolir.

A nomeação da miséria dá origem a um emocionado ensaio de Eduardo Lourenço, datado de Dezembro de 1994. Nele, o autor convida-nos a procurar as causas da persistência deste velho fenómeno com novos contornos, até porque ele nos é «(...) servido de manhã à noite como acompanhamento de fundo, talvez até de condimento, de uma civilização e de uma cultura do espectáculo universal que dela se alimenta como os deuses antigos dos sacrifícios humanos»9.

Na verdade, o que está em causa é um modelo que na ordem política não chega a ser democrático, uma máquina capitalista que tudo mede pelo valor económico e um paradigma cultural que, embora auto-representando-se como libertação do humano, mais não é do que ‘cultura da violência’. Este modelo, encarnado na perfeição pelos Estados Unidos (a primeira grande nação verdadeiramente materialista), é já hoje o de todos nós.

Pior ainda, o seu objectivo parece ser o de um dia poder funcionar por si, sem necessidade sequer do elemento humano.

É então o paradoxo que se torna a essência deste prodigioso, e trágico, esplendor liberal: «Neste fim de século, ao mesmo tempo que essa economia parece ter convertido o mundo inteiro numa Disneylândia de sortilégios renovados e cada homem em consumidor de sonhos tornados acessíveis a todos, a nova ordem das coisas priva uma parte cada vez maior da humanidade de qualquer participação nessa prodigiosa máquina de produzir bens, conforto, prazer(...)»10.

É que, como Eduardo Lourenço recorda, nesta aldeia global não há somente sociedades a duas velocidades, mas há também aquelas que ‘não marcham a velocidade nenhuma’.

Instalados tranquilamente neste Esplendor do Caos, frequentemente representado como óbvio e mesmo o único possível, Eduardo Lourenço considera que é ainda aqui de um problema de identidade humana que se trata. E ela joga-se naquilo que de nós vemos reflectido no olhar do Outro.

4 - Anjos e diabos: o Outro americano

Poder-se-ia, a partir do que ficou dito, concluir que o pensamento de Eduardo Lourenço é uma forma de reflexão enquadrável num anti-americanismo primário, próprio de alguma intelligentsia europeia ressabiada e ressentida. E no entanto, estamos longe de um tal pensamento.

Em primeiro lugar, Eduardo Lourenço não tropeça em maniqueísmos fáceis ou primários, mas a sua reflexão é feita de razões e contra-razões, num discorrer que a si próprio se critica e limita, desdobrando-se em exigência ética e rigor conceptual.

Se isto não chegasse, teríamos ainda os próprios textos de Eduardo Lourenço que, de forma inequívoca, responsabilizam igualmente a Europa por este estado de coisas, quer pela sua actual indefinição de projecto comum, quer pela profunda crise identitária que vive (económica, política, militar...). Cabe à Europa e aos europeus a criação de um modelo outro que seja mais valioso e mais atractivo, mais enraizado numa história e numa literatura europeias que hoje, paradoxalmente, só os americanos parecem valorizar e reciclar, devolvendo-a a toda a humanidade, que já imagina Hércules como um herói da mitologia norte-americana.

Prosseguindo na senda de um pensamento que já nos finais da década de 40 se definia como heterodoxo11, Eduardo Lourenço procura assim distanciar-se de um anti-americanismo primário: «Neste momento, o nosso desamparo europeu é tal que muitos cedem à tentação de verem na América uma espécie de Satã cultural.(...)Pessoalmente, não tenho propensão para satanizar o grande comunicador, que não nos envia, sob o seu niágara de imagens, senão uma mensagem simples: comunicar é poder, poder é comunicar. (...) Denunciar a supremacia comunicacional dos Estados Unidos (...) é um combate sem verdadeiro sentido cultural. Porque não é apenas da mera ordem do facto ou da supremacia tecnológica. É o triunfo de uma outra ideia de cultura em relação à qual o nosso orgulho europeu pode sentir-se ferido e impotente ao mesmo tempo, mas que é um facto»12.

Partir da nossa matriz cultural e criar uma outra mitologia impregnada de novas imagens que tenham um poder de universalização como, de resto, sempre o teve a cultura europeia, eis o repto de Eduardo Lourenço que nos aponta, assim, o rosto da própria ‘utopia praticável’.

Eduardo Lourenço não é um crente, mas um pensador agnóstico de profundas preocupações éticas e metafísicas. E, no entanto, ao analisarmos alguns dos seus textos verificamos que, pelo menos no que respeita à sua concepção do Outro, não estamos longe da ideia cristã do ‘próximo’, embora sem a respectiva fundamentação teológica nem a ressonância escatológica desta13.

Fundamentalmente, o Outro de que Eduardo Lourenço nos fala é o ‘próximo’ do nosso quotidiano, das nossas vivências vulgares, concretas e ordinárias e não o Outro televisivo, mediatizado, simbólico, abstracto, teórico, longínquo ou extraordinário. E só por isso é que ele constitui a última e irredutível instância ética, o céu e o inferno prometidos.

5 – A actual ‘disneylândia’ cultural ou o gesto inaugural de Erik Erikson

Resta, no final desta brevíssima, e necessariamente limitada, abordagem a um dos aspectos da obra de Eduardo Lourenço (ele próprio talvez preferisse que falássemos em ‘percurso espiritual ou intelectual’) pensarmos, nesta actual ‘Disneylândia’ cultural, o incontornável desconforto que constitui o Outro, e sobretudo todos os Outros que cada um é em si próprio, enquanto herança histórica e instância ético-antropológica que nos interpela sem cessar.

Para isso servir-nos-emos da história pessoal, que ganhou míticos contornos, de um psiquiatra norte-americano nascido em Frankfurt, recentemente falecido, e cuja vida foi entregue à temática psicológica da construção da identidade psicológica ao longo do ciclo de vida.

‘Quem sou eu?’ era a questão que desde muito jovem repetidamente se colocava, ao aperceber-se que, ora era apodado de ‘nórdico’ devido aos seus traços fisionómicos, ora era socialmente marginalizado por ser judeu. Adolescente ainda, descobrira que o seu pai biológico tinha abandonado a mãe grávida e que, portanto, aquele que sempre conhecera como seu pai, afinal não o era da forma como tinha imaginado.

Circunstâncias políticas e sociais relacionadas com a eclosão da Segunda Guerra Mundial levaram este jovem rebelde e um pouco perdido a peregrinar por várias cidades europeias até acabar por se instalar nos Estados Unidos. Aí, num gesto inaugural, carregado de significado psicológico, ético, social e até metafísico, decide rebaptizar-se no momento de adopção da cidadania norte-americana. Abandonando o seu antigo nome de Erik Homberger, escolhe para si o nome de Erik Erikson, quer dizer, ‘Erik, filho de si próprio’. Para trás ficavam as raízes genealógicas pessoais, mas também as referências históricas, culturais, sociais e políticas14.

Começar de novo e, à maneira da infância, num mesmo gesto, trágico e revelador, negar todos os Outros em si e dissolver o Tempo, era o sonho de Erik Erikson, utopia que só ganha pleno sentido numa América que é a Disneylândia de todas as infâncias e de todas as infantilidades15, que não são apenas as do Outro, mas também são já hoje as nossas.

Numa entrevista concedida em 1988 a um semanário português16, dizia Eduardo Lourenço, com um humor e argúcia notáveis: «Eu costumo dizer que caminhamos, ou estamos já, numa espécie de Disneylândia, que somos todos uns Pinóquios, imensamente divertidos e fascinados com a fosforescência que nos rodeia. Eu mesmo quando fui à Disneylândia, não deixei de me encantar»17, mas, acrescenta, «estou convencido de que, na verdade, essa vontade de euforia contínua que banha a vida contemporânea, é o sintoma de uma grande desesperação»18.

Em última análise, é desta ‘desesperação’, e das possibilidades de a superar, que trata toda a obra de Eduardo Lourenço ao indagar sem cessar pelo pós deste tempos pós-modernos ou, o que vem a ser o mesmo, retomando a questão essencial da cultura ocidental, de Sócrates a Lyotard: o que há de propriamente humano no homem?


Bibliografia

AURÉLIO, Diogo Pires, Um Fio de Nada – Ensaio Sobre a Tolerância,1997

CATROGA, Fernando, "A Inquietação da Heterodoxia", in O Ensaísmo Trágico de Eduardo Lourenço, 1996, p.29-38

ERIKSON, Erik, The Life Cycle Completed,New York – London: W.W. Norton &Company, 1982

GIL, José, "O Ensaísmo Trágico", O Ensaísmo Trágico de Eduardo Lourenço, 1996, p.7-27

LOURENÇO, Eduardo, O Labirinto da Saudade - Psicanálise Mítica do Destino Português, Lisboa: Publicações D. Quixote, 1978

LOURENÇO, Eduardo, Heterodoxia I e II, Lisboa: Assírio e Alvim, 1987

LOURENÇO, Eduardo, "Um Heterodoxo confessa-se", in O Ensaísmo Trágico de Eduardo Lourenço, 1996, p.43-75 (reprodução de uma entrevista realizada para o semanário Expresso por Vicente Jorge da Silva e Francisco Belard, em a16/1/88)

LOURENÇO, Eduardo, Nós Como Futuro, Lisboa: Pavilhão de Portugal – Expo’98, Assírio & Alvim, 1997

LOURENÇO, Eduardo, "A Nova Comunicação", O Esplendor do Caos, Lisboa: Gradiva, 1998 (1993), p.31-40

LOURENÇO, Eduardo, "Do Intolerável", O Esplendor do Caos, Lisboa: Gradiva, 1998 (1996), p.87-93

LOURENÇO, Eduardo, "Solidariedade num Mundo Insolidário", O Esplendor do Caos, Lisboa: Gradiva, 1998 (1994), p.53-65

LOURENÇO, Eduardo, Portugal como Destino seguido de Mitologia da Saudade, Lisboa: Gradiva, 1999


Notas

1. LOURENÇO, Eduardo, O Labirinto da Saudade - Psicanálise Mítica do Destino Português, 1978

2. Os mais significativos dos quais se encontram coligidos em LOURENÇO, Eduardo, O Esplendor do Caos, 1998 e LOURENÇO, Eduardo, Portugal como Destino seguido de Mitologia da Saudade,1999

3. LOURENÇO, Eduardo, "Solidariedade num Mundo Insolidário", O Esplendor do Caos, 1998, p.55

4. LOURENÇO, Eduardo, "A Nova Comunicação", O Esplendor do Caos, 1998, p.35

5. op. cit., p.39-40

6. op. cit., p.40

7. «(...) uma integração tolerante do diverso continua a não ser possível senão por uma ausência, um fio de nada (...)»AURÉLIO, Diogo Pires, Um Fio de Nada – Ensaio Sobre a Tolerância,1997 (p.124).

8. «O intolerável, em geral, não é apreendido nessas manifestações paroxísticas da crueldade humana. É quotidiano e por isso quase invisível. O martírio infantil – na ordem do trabalho ou da exploração sexual - a exclusão maciça de continentes inteiros daquele processo que tornou possível que na Europa, há quase cinco séculos, o respeito do outro fosse não só possível mas cultivado como um valor, a injustiça aceite como uma banalidade, o culto e a cultura da manipulação mediática que substitui toda a responsabilidade pessoal e, com ela, a definição ou escolha dos nossos fins, são algumas das figuras desse continente que proliferou e prolifera à sombra da própria tolerância, concebida abstractamente como respeito não menos abstracto pela diferença. Por carência, a categoria de tolerância desertificou eticamente o mundo. O que foi uma conquista tornou-se idolatria da indiferença. Há tolerâncias intoleráveis» (LOURENÇO, Eduardo, "Do Intolerável", O Esplendor do Caos, 1998, p.93).

9. LOURENÇO, Eduardo, "Solidariedade num Mundo Insolidário", O Esplendor do Caos, 1998, p.54

10. op.cit., p.58

11. LOURENÇO, Eduardo, Heterodoxia I e II, 1987. Nesta obra, cuja primeira parte foi publicada em 1949 e a segunda em 1966, o autor procura clarificar o seu pensamento de heterodoxo, que define como sendo o exercício racional, crítico e livre, cujo produto nem por isso equivale à constituição de uma nova ortodoxia, nem se resguarda sob o manto de do relativismo ou, o que resulta no mesmo, do 'indiferentismo'.

12. LOURENÇO, Eduardo, "A Nova Comunicação", O Esplendor do Caos, 1998, p.39

13. Nas palavras de Eduardo Lourenço, «a civilização ocidental não oferece outro referente mais elevado mais próximo da expressão total do que o dessa voz enigmática que fala no Evangelho. Ele é o fundamento da Ética, em sentido prático, mas está aquém e está para além da Ética. A Ética é uma corrupção, uma palavra do mundo grego. A palavra do mundo cristão é o Amor» (cit. por CATROGA, Fernando, "A Inquietação da Heterodoxia", O Ensaísmo Trágico de Eduardo Lourenço, 1996, p.36).

14. Curiosa e sintomaticamente, Erik Erikson recusa nesse momento grande parte daquilo que serão, mais tarde, as suas principais concepções acerca da importância dos aspectos sociais e relacionais na constituição da identidade pessoal e social (cf.ERIKSON, Erik, The Life Cycle Completed, New York – London, 1982, onde apresenta uma síntese das suas principais concepções no que respeita à importância dos aspectos psicossociais na resolução da crise de identidade, bem como as íntimas conexões entre História e história individual de vida)

15. cf. LOURENÇO, Eduardo, Nós Como Futuro, 1997, p.16

16. LOURENÇO, Eduardo, "Um Heterodoxo Confessa-se", O Ensaísmo Trágico de Eduardo Lourenço, 1996 (1998)

17. op.cit., p.64

18. op.cit., p.65