clique para imprimir esta páginaclique para imprimir este documento
Ser português na China

 
Maria Ermelinda Galamba
Embaixada de Portugal em Pequim

Há alguns anos, vieram subitamente a Cantão, e o ruído do seu canhão fez estremecera terra. Os que permaneceram no posto violaram a lei e tiveram contacto com outros. Os que vieram à capital eram arrogantes e lutaram entre si para ocupar o lugar de chefe. Se os deixarmos vir livremente para exercer a sua actividade comercial, tal originará certamente lutas e derramamento de sangue, pelo que o infortúnio do sul da China não terá limites..."(1)

"...Os Portugueses são os mais cruéis entre os bandidos estrangeiros. Muito simplesmente tem de ser expulsos(...). A melhor política a adoptar é(...) admoestar os portugueses quando aqui vierem por razões comerciais. Se tal não conseguir afastá-los, devemos mobilizar tropas para nos defendermos e, ao mesmo tempo, emitir declarações em como estamos determinados, caso seja necessário, a exterminá-los ".(2).

Inicio com duas citações que ilustram a opinião acerca dos portugueses, de dois funcionários superiores da Corte de Pequim, sensivelmente da mesma época da Dinastia Ming, início do século XVI.

Decorrido um século, remeto-vos para mais duas citações, a primeira relativa ao padre jesuíta Tomás Pereira, a segunda dele próprio:

Depois de ter ouvido falar dos seus dotes e qualidades morais, da sua ciência e particularmente da sua perícia e habilidade rara para a música e maquinaria, enviou, em 1672 uma pequena embaixada dirigida por dois mandarins para o conduzir de Macau a Pequim(...) O jovem religioso foi tão bem acolhido pelo príncipe que, durante 36 anos jamais deixou de receber as suas boas graças"(3)

Pelo que fez aqui o mesmo padre outro órgão... Colocou-se este ano na igreja e seu páteo, para evitar desordem dos gentios; e da muita turba que concurria a ver, e ouvir cousa nunca vista nem ouvida em sua corte: sendo obrigado o auctor a tanger mais de hum mez inteiro cada dia muitas horas, e muitas dellas a cada 4º para dar vasão a muita gente que corria e se renovava a cada quarto de hora...Cousa notável foi o aballo que fez nesta Corte o som do nosso órgão nos ouvidos dos gentios...(4)

Se a história da presença portuguesa no oriente se pudesse resumir desta forma tão linear teria bastado pouco mais de um século para que o estampido dos canhões com que nos fizémos anunciar ao entrar em Cantão, no início do século XVI, desse lugar aos acordes harmoniosos que o jesuíta Tomás Pereira, chamado de Macau à corte de Pequim, pelo Imperador Can-hi, em 1672, arrancava dos órgãos por ele mesmo fabricados, para espanto do imperador e da corte e pasmo dos gentios, como ele mesmo afirma.

Curiosamente, e reforçando exactamente as boas graças de que foi alvo por parte do imperador, é o mesmo Tomás Pereira que, ainda no reinado do célebre imperador Qan Hi, assiste, como embaixador imperial à assinatura do primeiro tratado realizado entre a Ásia e a Europa, neste caso entre a China e a Rússia, em 1689.

É ainda o mesmo jesuíta que, inflamado, responde, em 1692, ao decreto que permite a liberdade de evangelização em toda a China:

Era este o nosso único desejo, a só esperança que nos ia sustentando e o termo a que nos encaminhavam dia e noite os nossos pensamentos e aspirações: chegar ao felicíssimo momento em que, por graça de Vossa Majestade, nos fora outorgada a liberdade de pregar publicamente neste vasto império o culto do verdadeiro Deus. Por este motivo, bem o sabe Vossa Majestade, deixámos nossas famílias e nossas pátrias e viemos através de tantos perigos colocar-nos ao serviço de Vossa Majestade. Já nos tinha cumulado de favores sem conta mas a graça que hoje nos faz, excede-os a todos e lhes vem pôr o remate.

Em 1582 o Padre Mateus Ricci havia fundado as missões jesuítas na China, moldando o cristianismo aos costumes chineses, adaptando-se, ele próprio, à forma de viver chinesa. Mas essa adaptação não trairia o cristianismo, sempre zeloso dos seus princípios dogmáticos rígidos e da sua superioridade?

O favor que o padre Tomás Pereira agradece ao imperador é assim um favor de pouca dura. A Questão dos Ritos, que envolve Roma e as Ordens Religiosas que operam no Oriente, vem pôr um fim desastroso ao esforço até aí feito pelos missionários jesuítas, portugueses, italianos, belgas, entre outros, de adaptarem o seu trabalho evangélico a uma cultura à qual se tinham adaptado e ajustado os princípios da religião cristã. Em 1704 a Santa Sé proíbe os missionários de adaptarem os ritos da Igreja Católica às necessidades de evangelização locais. Todo o imenso trabalho desenvolvido pelos jesuítas, em áreas tão dispares como a música, a matemática, a astronomia, a medicina ocidental, todo o esforço de aculturação, toda a assimilação de valores culturais do Outro, foram destruídos pela cegueira normativa de Roma que, num ápice, disparou os canhões da uniformização, neutralizando o espaço onde a diferença tinha começado a coexistir e a afirmar-se.

Dessa presença, pouco resta hoje em Pequim. No lugar chamado cemitério de Chala, por ironia localizado no perímetro da Escola de Administração do Partido, erguem-se as lápides daquilo que foram os túmulos dos missionários jesuítas, cruzamento de índole vária, cruzes de pedra e dragões, ironia de um punhado de homens que sopesou a importância da aculturação.

Noutro lugar da cidade, encontro de artérias onde a modernidade da urbe se vem afirmando, ergue-se o Observatório Astronómico de Pequim, obra ele também do legado científico que os jesuítas souberam transmitir aos chineses.

Na Igreja Católica de Nanbam, não muito longe da célebre Praça Tianamen, em pleno centro da cidade, reúnem-se, aos domingos, aqueles que insistem em sobreviver numa sociedade que ainda assimila muito mal as tendências erráticas de quem necessita de crenças que transcendam a fé no partido.

Há depois os testemunhos escritos espalhados pelos arquivos chineses, ou fielmente depositados na Biblioteca de Beitan, parte da Biblioteca Nacional da China, onde se concentra o maior acervo de documentos dos e sobre os jesuítas e a sua presença na China.

Dentro em breve deixará de existir, enquanto tal, aquele que é ainda o último território sob administração portuguesa, naquela parte do globo, Macau. Das vicissitudes da sua história, da controversa razão da sua existência, não cabe falar aqui.

Nas Portas do Cerco que os chineses mandaram construir em 1573, quando em Macau já existia uma florescente população portuguesa, e que separavam esse espaço do território chinês, existia uma inscrição em mandarim que rezava assim: "Temam a nossa grandeza e respeitem a nossa virtude".(4)

Cito esta inscrição porque me parece, hoje ainda, uma síntese lapidar do ser chinês. E, porque, parafraseando Fernando Pessoa, espero não pertencer aquela raça de portugueses que depois de entregue Macau, ficará sem emprego, utilizo-a como ponte de ligação e não porta de um qualquer cerco, para falar daquilo que entendo o que é ser, hoje, final do século XX, diria antes, quase 500 anos depois dos primeiros, repito, ser hoje português na China.

E ao dizer ser português na china, digo-o menos pelo ser eu, portuguesa na China, pulverizada entre um bilião e duzentos milhões de seres humanos, mas ser agente de uma cultura que os ameaçou com canhões e os embalou ao som de elaborados instrumentos musicais, lhes leu as estrelas e lhes legou avançados instrumentos astronómicos, lhes pregou a fé num Deus longínquo, ensaiando sínteses de valores que transcendem religiões, comerciou e trocou dos seus produtos, legal e clandestinamente, pagou impostos e subornou, manuseou a pólvora que eles inventaram, domou piratas e com eles se irmanou, amou, procriou e morreu, peregrinou por mares, montanhas e rios, esquecendo amiúde o aviso "temam a nossa grandeza, respeitem a nossa virtude".

Foi recentemente erigido em Macau um monumento, sobre cuja estética prefiro não me pronunciar, chamado Portas do Entendimento, evocando, por antinomia, aquelas outras do Cerco. Detenho-me apenas naquilo que esse monumento concentra como símbolo do que pode ser o desentendimento cultural e ao qual recorro amiúde, como paradigmático dos erros a não cometer, enquanto agente cultural. Para ilustrar a minha ideia direi que essa coluna assenta em quatro pilares e o número quatro é o número do azar para os chineses. As colunas são revestidas de mármore preto, material e cor utilizado pelos chineses nos seus cemitérios. Existirão se calhar outras tristes agravantes, a menor das quais não será o facto de nem os materiais se coadunarem ao clima de Macau, que me permitirão glosar, como os locais, chamando-lhes as portas do desentendimento.

Seriam estas as portas/acordes hoje tangidas pelo jesuíta Tomás Pereira? Ou será que, volvidos quatro séculos pouco aprendemos sobre a forma de estarmos com os outros num espaço que não e o nosso?

Por outro lado que instrumentos inventaria ele para se impor num mundo enfermo de globalização, onde os espaços são vencidos no tocar de um botão? As ameaças já não são hoje de padres que se aculturam para espalhar a fé num Deus e num conjunto de valores civilizacionais tidos como únicos e superiores, tão pouco acorrem os gentios a ouvir acordes de órgãos exangues. O Deus, para cuja glória última trabalhavam missionários, comerciantes, funcionários, em nome do qual se matava e se deixava viver, pulverizou-se numa miriade de satélites que de um céu físico e muito próximo nos uniformiza implacavelmente, deixando pouco espaço para que as nossas diferenças ainda nos iludam.

Terminada a 2ª Guerra Mundial, nas suas "Notas para uma definição de Cultura" T. S. Elliot já vaticinava

Os Estados Unidos têm revelado a inclinação de impôr o seu modo de vida principalmente no que respeita ao curso dos seus negócios e à criação de um gosto pelos artigos que produzem. Até o mais humilde artefacto material , que é o produto e o símbolo de uma determinada civilização, é um emissário da cultura onde tem origem(basta mencionar esse influente e inflamável artigo, o filme de celulóide). Assim, a expansão económica americana também pode ser, à sua maneira, causa da desintegração das culturas que afecta.( 5 ).

O peso relativo da população chinesa é hoje, como desde o início das estatísticas demográficas, sensivelmente o mesmo: um quinto da humanidade. Mas também esse quinto, mundo dentro do mundo, começa a sê-lo cada vez menos. A relação desse mundo com a tendência de globalização expressa-se pela rapidez com que os chineses absorvem hoje em dia os valores ocidentais, americanos e todos os outros. Enchem-se os estádios para ouvir ídolos do mundo da música, os cinemas para chorar amores afundados em Titanics, compram-se roupas mascaradas com nomes sonantes, produzidas pela ainda barata mão de obra chinesa e devolvida em contrafacção aos mercados de rua de Pequim e de outras capitais da Ásia.

Neste mundo conquistado na sua finitude física, dominado desde há muito num processo de auto destruição cujas perspectivas mais alarmistas a antecipam para breve, qual o papel para as nossas pequenas diferenças culturais, para a nossa tentativa de continuarmos a dizer ao Outro que estamos vivos e dessa vida lhe queremos dar testemunho? Como dizer-lhes que nas nossas pequenas diferenças podemos inventar milagres de semelhanças que nos irmanam, devolvendo-nos a capacidade de ainda nos encantarmos com as pequenas maravilhas dos nossos reduzidos mundos?

Será por essa espécie de teimosia quase milagrosa que poderá passar a nossa mensagem cultural?

No Português que se ensina aos alunos, na sua maioria seleccionados para tal, que irão, feita a aprendizagem, engrossar os quadros de funcionários dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros, Cultura, Educação, Agências Noticiosas,etc?

Temos leitorados de Português em três Universidades: Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, Universidade de Jinan, em Cantão. Caminha-se para que estejam reunidas as condições de vir a abrir novos cursos e aumentar o numero de turmas na Universidade de Pequim. O Português é e continuará a ser ensinado em diversas instituições de Macau, das quais destaco a Universidade de Macau, O Instituto Politécnico, O Instituto Português do Oriente e a Escola Portuguesa, recém criada.

Algumas dessas Instituições acolhem, anualmente, alunos bolseiros idos da China. Existe, por outro lado um programa de bolsas de estudo, atribuido pelo Instituto Camões, abrangendo diferentes áreas. Da mesma forma o Governo Chinês atribui a estudantes portugueses bolsas de estudo para cursos de língua chinesa cuja procura aumenta substancialmente.

Na tradução que se faz de autores portugueses, poetas, novelistas, ensaístas, em livros lidos por um número difícil de calcular desse imenso quinto da humanidade?

A Biblioteca Básica de Autores Portugueses, projecto conjunto do Instituto Cultural de Macau, Instituto Português do Oriente e duma Editora Chinesa, que já publicou um assinalável número de autores portugueses, entre os quais se encontra, em 2a edição, o Prémio Nobel da Literatura José Saramago, com o Memorial do Convento, estando já em fase de edição o Ensaio Sobre a Cegueira. Esta colecção irá prosseguir para além de 2000, continuando a cobrir diferentes géneros, autores e épocas : Eça de Queirós, Sophia de Mello Breyner, Júlio Dinis, Camões, Sttau Monteiro, Camilo Pessanha, Manuel da Fonseca, Fernando Pessoa, para citar alietoriamente alguns.

A Fundação Oriente prossegue também um trabalho editorial na China, onde já foram publicadas as Sínteses de Cultura Portuguesa da Imprensa Nacional/Casa da Moeda.

No Centro Cultural, recentemente inaugurado e por onde passam actividades culturais que irão ser consumidas por um número crescente de habitantes da capital?

Está em estudo um programa de dinamização do Centro, que passará pela criação de um Curso de Língua Portuguesa, a partir do próximo Outono, pela oferta de ciclos de cinema português, pelo empréstimo de livros, exposições várias, entre elas de jovens pintores chineses, experiência aliás já ensaiada nas antigas instalações e que teve o melhor acolhimento.

Na música que passa nos programas de rádio, nas imagens que oferecemos aos programas de televisão, nos artigos que enviamos para os jornais?

De toda a parte da China nos chegam pedidos de música portuguesa para ser passada em programas de estacões locais, pedidos que vamos atendendo na medida do possível.

Tivémos já um programa mensal de 20 minutos em Português na televisão de Pequim. Não é a estação central mas, nem por isso deixa de ser vista por uma audiência de 3, 4 milhões. Perdemos esse programa, milagre que nos caiu nas mãos e incrédulos deixámos perder. Pelo que lutei para que isso não acontecesse assiste-me o direito de dizer que essa foi, uma vez mais, a prova do descaso com que as instituições portuguesas, na sua maior parte, ainda olham para os assuntos do oriente.

Acabámos de organizar em Pequim, e com o maior sucesso, o 1o Seminário de Língua e Cultura Portuguesas no Oriente, com professores de Português da Coreia do Sul, Japão, China, Macau, Tailândia, Índia, Portugal.

Dentro em breve, e porque a globalização também tem as suas vantagens, esse Seminário, que se pretende seja um forum aberto, estará na Internet, à disposição de todos que se interessam pela nossa língua e cultura.

Em Março de 2000 teremos, em Pequim, a 2a. edição daquilo que começou como uma tímida semana cultural, passou a quinzena e já vai em Mês da Cultura Portuguesa, feita em cooperação com a Fundação Oriente e apoiada por outras instituições.

Nesse mês cultural concentramos uma série de actividades que cobrem as diversas áreas culturais, das artes visuais à música, da edição de livros ao cinema.

Continuamos a sonhar com o momento em que destas pequenas mostras nasça o impulso conjunto de fazermos verdadeiras trocas entre Portugal e a China e porque não com os outros países de língua portuguesa representados na China? Não serão as comemorações da descoberta do Brasil um bom pretexto para nos unirmos à Embaixada do Brasil?

Já o tentámos em 1998, aquando da Feira Bienal do Livro de Pequim. Conseguimos, por iniciativa da Fundação Oriente e em estreita colaboração com o Centro Cultural e ainda em conjunto com Macau, que se fizessem representar 50 editoras portuguesas.

A Feira voltará a ter lugar em 2000 e esperamos que os outros países de língua portuguesa se associem.

E não será tempo de os editores, eles próprios, se mobilizarem para tal efeito? É comovente ver com que avidez os chineses se precipitam para receberem tudo o que é publicação, durante a feira ou nas manifestações culturais que organizamos. Observando-os fico a pensar que cegueira atávica nos impede de ver o óbvio: o imenso potencial de um mercado, cuja dimensão é avidamente exaltada pelos paladinos da finança que se apoderaram das nossas vidas.

Deixem-me ser idealista: os chineses lêem livros e neles gostaria de apostar, porque ainda acredito no seu efeito multiplicador.

Devemos deixar-nos intimidar pela nossa dimensão ínfima perante a imensidão da China? Não poderemos encontrar formas de congregar esforços? Não andaremos todos nós a falar do mesmo?

Ou teremos que nos reduzir definitivamente a uma periferia silenciosa perante um mundo tecnológico onde só os grandes possuem voz?

Abraçámos o mundo no passado. Por essa capacidade que nos libertou e nos deu um lugar entre os grandes da terra nos glorificámos à exaustão. Comemorámos Mundos Portugueses, inventámos impérios que não dominámos, mitificámos momentos insistindo em colher deles triunfos que apagassem complexos de inferioridade cívica.

Celebrámos o encontro a Oriente, estamos a partilhar com o Brasil a alegria da descoberta, vamos devolver Macau a quem pertence.

Desse navegar pelo mundo colhemos valores, ensinámos e aprendemos. Longo processo de trocas, donde nasceu, se fortaleceu e definiu uma cultura que é a nossa: especifica, rica pelos muitos viveres, enobrecida pela nossa indiscutível capacidade mimética. Como o vinho do Porto, apenas nossa, rica e envolvente. Orgulhemo-nos dela...ainda que a tenhamos que vender junta!


Bibliografia

(1) K. C. FOK ,"Primeiras Imagens da Dinastia Ming sobre os Portugueses", Revista de Cultura, 1995(Macau,1995)5-12.

(2) idem

(3) Joel Canhão, "Um músico português do século XVII na corte de Pequim: o Padre Tomás Pereira", Revista de Cultura, 1988(Macau, 1998)27-39.

(4) idem

(5) ibidem

(6) John Villiers,"As origens das primeiras comunidades portuguesas no Sueste Asiático", Revista de Cultura 1988(Macau,1988)21-26.

(7) T.S.Elliot, Notas Para Uma Definição de Cultura, Lisboa, Edições Século XXI Lda., 1996, p. 106.