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UMA BIBLIOGRAFIA MEDIEVAL EM SUPORTE ELECTRÓNICO

 
Aida Fernandes Dias
(U.Coimbra)


A Internet, com as suas polifacetadas possibilidades de acesso, é explorada, v.g., pelo rapidíssimo e eficaz e-mail, que reduz ao mínimo o envio, a recepção e a resposta de qualquer mensagem, até à consulta de programas culturais e científicos, que rapidamente satisfazem a nossa curiosidade ou que dão resposta a problemas, a questões, a investigações que ocupam o labor intelectual de muitos. Neste último aspecto, diversos são os programas que facilitam ao estudioso, como se sabe, o seu trabalho, permitindo-lhe contactos, trocas de pontos de vista, acesso a bibliotecas e a arquivos e aos materiais neles guardados, consulta de programas culturais disponíveis on-line, contemplando variegadas áreas do saber.

É assim que uma bibliografia medieval galega e portuguesa está disponível, desde 1997, na Internet, beneficiando de todas as vantagens oferecidas pelo suporte electrónico. Trata-se da Bibliografia de Textos Antigos Galegos e Portugueses, que responde pela sigla BITAGAP, acessível aos interessados no site http://sunsite.berkeley.EDU/PhiloBiblon.

Este projecto, que nasceu nos Estados Unidos da América por solicitação do Hispanic Seminary of Medieval Studies (Wisconsin, Madison), está integrado num outro mais vasto, a PhiloBiblon, que reúne outras duas bibliografias peninsulares, a catalã, Bibliografia de Textos Catalans Antics (BITECA) e a espanhola, Bibliografía Española de Textos Antiguos (BETA).

Quatro investigadores constituem a equipa de BITAGAP. São eles os Profs. Arthur Lee-Francis Askins (Universidade da Califórnia, Berkeley), que é também o coordenador do projecto, Harvey L. Sharrer (Universidade da Califórnia, Santa Bárbara), Aida Fernanda Dias (Universidade de Coimbra) e Martha Shaffer (Universidade de S. Francisco). A nossa Bibliografia envolve textos em galego-português, em português e em galego, considerando tudo quanto se escreveu nestes idiomas ou para eles foi traduzido até 1501, com excepção de documentos notariais.

O trabalho de pesquisa arrancou em 1988 e iniciou-se com uma atenta recolha de informações presentes já em bibliografias conhecidas, desde Barbosa Machado até Maria Adelaide Valle Cintra, passando por Inocêncio, Fidelino de Figueiredo e Serafim da Silva Neto, logo seguida de rigorosa localização e verificação dos materiais seleccionados. Entre tantas fontes informativas, tínhamos já textos conhecidos, outros de autoria duvidosa, outros não localizados ou desaparecidos, outros apócrifos. Localizá-los, descrevê-los codicologicamente, levou a equipa a pesquisas, ao longo destes anos e que ainda prosseguem (esta pesquisa é uma tarefa nunca acabada), em diversas bibliotecas e arquivos de Portugal, de Espanha, de França, de Inglaterra, dos Estados Unidos, do Brasil.

E as surpresas começaram a surgir, pelo que o âmbito das nossas buscas se foi alargando cada vez mais. Se, em muitos casos, encontrámos resposta para as pistas que perseguíamos, noutros foi possível corrigir afirmações que têm sido tomadas como ponto assente, ao longo de largos anos. Noutros, ainda aguardamos um primeiro contacto com textos que, teimosamente, permanecem ocultos (perdidos? não localizados? sem existência própria, filhos da fértil imaginação de alguns?). O manusear de milhares de manuscritos, em busca de materiais que respondessem às nossas linhas de trabalho, chamou a nossa atenção para áreas muito diversificadas que, de imediato, passaram a ser objecto de investigação. E hoje BITAGAP pode oferecer a descrição de 8.746 textos individuais analisados, 2.494 Mss. / impressos registados, 2.788 autores, escribas, impressores e indivíduos associados às obras, 5.281 fontes secundárias registadas, disponíveis via Internet e CD-ROM.

Antes do seu site na Internet, a BITAGAP teve o seu primeiro suporte electrónico em 1993, com o CD-ROM ADMYTE1 DISK0, emitido por Micronet-Madrid, em que se analisam 1.051 Mss. / Impressos, com 5.283 textos / títulos discriminados, conteúdo que está de há muito ultrapassado, com as investigações decorrentes de então para cá e há pouco referidas. Por outro lado, as possibilidades de consulta do programa, facultado pela Internet (actualizado sempre que se entender necessário), ampliaram-se largamente com o lançamento de um novo CD-ROM, Versão C0, no qual estão contidas as três Bibliografias, constituintes de PhiloBiblon, permitindo um tipo de pesquisa que não é viável via Internet. Agora, com esta nova fonte de trabalho, a consulta de qualquer item permite que, em determinado momento e consoante o interesse e as necessidades de cada um, se possam procurar informações que ampliem aquela que está a ser objecto de análise, mediante recurso a diversas Tabelas disponíveis.2 Assim, podemos "saltar" do registo, que está a ser consultado, para outros com ele inter-relacionados, existentes noutras tabelas. Satisfeita a nossa "curiosidade", podemos regressar ao ponto de partida. E tudo isto com a possibilidade de imprimir o material, objecto de estudo, sempre que nos interesse. Para que possamos ter acesso a toda esta informação, temos de instalar nos nossos computadores o CD-ROM Versão C0, o que não devemos fazer sem ler as instruções ministradas pelo Guide to basic usage, que o acompanha e que, para lá do texto em língua inglesa, inclui as traduções em português, em galego, em catalão e em espanhol. Tal manual é um precioso auxiliar que nos guia não apenas na instalação do CD-ROM, mas que nos fornece ainda todos os meios que permitem aproveitar, ao máximo, as possibilidades oferecidas pelo programa.

O programa instalado na Internet tem tido uma óptima aceitação por parte dos medievalistas. Assim, sabemos que BITAGAP é das três Bibliografias a mais consultada e que, desde Janeiro passado até Junho, c. 45.000 pessoas, oriundas de Portugal, da Espanha, da França, da Inglaterra, da Alemanha, do Canadá, dos Estados Unidos, do Brasil, da Argentina e do Japão, a exploraram para os seus estudos.

Todavia, a Bibliografia de Textos Antigos Galegos e Portugueses quer ir ainda mais além. Neste sentido, estão já estudadas as normas e os processos científicos para a criação de um Arquivo de Textos Antigos Galegos e Portugueses (ARTAGAP) que, pela Internet, facultará aos estudiosos a reprodução dos originais e a sua respectiva transcrição, como já se está fazendo com a Bibliografia de Textos Catalans Antics.

A Bibliografia de Textos Antigos Galegos e Portugueses interessa a variadas áreas do saber. Assim, não só se ocupa de obras literárias (tanto em verso como em prosa), mas ainda de textos históricos, legais, religiosos, filosóficos, científicos, medicinais, etc., não considerando apenas, como já foi referido, os documentos notariais, excepção feita à conhecida Notícia do Torto. O conteúdo de todas as hagiografias medievais, bem como as leis do Reino, são também objecto de análise, a que se juntam ainda as crónicas portuguesas dos fins do século XV, começos do XVI, especialmente as de Rui de Pina e de Duarte Galvão, por se considerarem relevantes para o estudo de itens oportunamente registados.

No que se refere à poesia, fixou-se, para limites de registo, o seu termo ad quem em 1520, tendo como modelo para tal balisa o critério seguido por Brian Dutton, no seu magistral trabalho, El Cancionero del siglo XV,3 que permite a inclusão, como fontes primárias, de cancioneiros coligidos nas duas primeiras décadas do século XVI, como o Cancioneiro Geral de Garcia de Resende (1516) ou o Cancioneiro Musical da Biblioteca Nacional (c.1520), mas que contêm composições anteriores a 1501.

BITAGAP não se limita a ser um mero registo de obras, tipo dos nossos conhecidos catálogos de bibliotecas e de arquivos. Ela apresenta-se como uma ampla fonte bibliográfica, codicologicamente informada, que se faz acompanhar, para cada item, v. g., da sua localização, da respectiva cota, do número de exemplares existentes, dos locais onde se encontram. O conteúdo de cada obra é discriminado (por vezes, num mesmo manuscrito ou impresso estão incluídos outros textos para lá daquele que dá o título ao códice) e, no caso de cancioneiros, por exemplo, são individualizadas todas as composições, autoria, incipit e explicit. Há, nela, dois tipos de bibliografia, uma dita primária, englobando todos os testemunhos manuscritos de um texto, bem como impressões tardias dos mesmos, feitas nos séculos XVI e XVII. Presente ainda um registo de fontes secundárias (catálogos, edições modernas e estudos críticos), intimamente relacionados com o item , objecto de análise. Adverte-se que não se trata de uma bibliografia exaustiva, nela não havendo sido integrado o corpus, em constante progressão, dos materiais críticos compilados por Sílvio Pellegrini e por Giovanna Marrow, tendo em vista a poesia antiga, ou por Joseph Snow, para a poesia mariana e para a poesia profana de Afonso X de Castela e Leão, ou por Giuliano Macchi e por Teresa Amado, para Fernão Lopes, ou por António J. Dias Dinis, para Gomes Eanes de Zurara, ou por Isabel Vilares Cepeda, para o campo da prosa medieva em geral, ou da bibliografia anotada para a literatura portuguesa e galego-portuguesa, publicada anualmente no Boletín de la Asociación Hispánica de Literatura Medieval.4

No decorrer das nossas investigações, surgem-nos, por vezes, verdadeiros "achados" que põem, ante os nossos olhos, ou textos de que não havia qualquer notícia ou outros cuja existência se afirmava, mas que, de há muito, se lhes havia perdido o rasto. Pensamos, especificamente, no pergaminho com sete cantares de amor de D. Dinis, musicados, com que Harvey Sharrer se deparou naquele feliz dia 2 de Julho de 1990! Achado valiosíssimo, como todos sabemos, pois com ele tivemos o testemunho real do que sempre se vinha afirmando, ou seja, que a poesia trovadoresca galego-portuguesa se manifestava, no seu tempo, nas suas duas inseparáveis componentes, letra e som. Tal pergaminho acrescenta ainda a este valor o facto de ser o único conhecido de um autor português, com cantigas de amor, acompanhadas da respectiva notação musical, de ser contemporâneo do monarca (†1325) e, provavelmente, de haver sido elaborado no scriptorium do Rei Trovador, como nos diz Sharrer, na rigorosa análise científica que lhe consagrou.5 E agora, que já possuímos as cantigas de amigo, musicadas, do galego Martin Codax e estes cantares de amor dionisíacos, só falta encontrar nem que seja um só cantar satírico, também musicado, para que tenhamos devidamente alicerçada a asserção referida.

E pensamos ainda num texto originariamente redigido em português, ou seja, a Satira de felice e infelice vida da autoria do Condestável D. Pedro, filho do Regente D. Pedro, de que encontrámos, no mês passado, um manuscrito, cuja existência tem por vezes sido posta em dúvida por alguns investigadores. O manuscrito existe de facto e podemos continuar a afirmar que dois estão em Espanha e o tal "perdido" em Portugal.6

Do Orto do Esposo, obra doutrinária, de que se conheciam dois manuscritos pertencentes ao Mosteiro de Alcobaça,7 foram encontrados fragmentos, do começo do século XIV, se não de período anterior, provenientes do Mosteiro de Lorvão,8 o que vem atestar o favor de que tal texto gozou em tempos medievos, numa divulgação reflectida ainda numa cópia do século XVI, realizada entre 1530 e 1570.

Texto que se impõe por uma linha formativa, que reflecte o espírito dos mentores medievais das consciências, ele encontra eco noutras obras edificantes, traduzidas do latim para português, e bem ainda em comentários bíblicos, que estão recolhidos também em BITAGAP (v.g., Livro das Colações de S. João Cassiano, Vida de S. Nicolau de Lira, comentários à Paixão de Cristo, ao pecado da simonia, etc., etc.).

É de todos conhecido que a Confessio Amantis (1390) do inglês John Grower (†1408) foi traduzida para o nosso idioma pelo cónego Roberto Paim, pensa-se que a pedido de D. João I (1385-1433). Este livro é «uma arte de amar, sob o signo de Ovídio, e também uma arte de galantaria e um livro de exemplos», obra de «um moralismo e humor por vezes bastante ambíguos», como escreveu Mário Martins.9

A versão portuguesa desta obra, que D. Duarte refere no Leal Conselheiro e que fazia parte da sua livraria, perdeu-se e só conhecíamos o texto através da versão castelhana de Juan de Cuenca, feita sobre a nossa no último terço do século XV. Hoje em dia, foi finalmente encontrada uma cópia, em papel, da versão portuguesa, cópia efectuada em Ceuta em 1430 por João Barroso, «por mandado de Dom Fernando de Castro, o Moço»,10 manuscrito que se encontra na Biblioteca Real de Palacio de Madrid, e que está a ser estudado por António Cortijo Ocaña, às mãos de quem o manuscrito foi parar, quando, na capital espanhola, trabalhava nas suas investigações.11 Tal manuscrito entrou logo na BITAGAP, como um dos itens de maior relevância.

Também sabíamos que a obra magna do direito peninsular medieval, as Partidas de Afonso X, o Sábio, haviam sido vertidas para português. Delas possuímos a versão integral da 1.ª e da 3.ª e diversos fragmentos pergamináceos destas e de outras. Assim, eram conhecidos fragmentos da 1.ª, da 2.ª, da 3.ª e da 7.ª, aos quais o nosso labor pôde juntar outros, estes da 1.ª, da 2.ª, da 3.ª, da 5.ª, da 6.ª e da 7.ª, sendo o fragmento da 6.ª exemplar único em português. Falta encontrar algo da 4.ª 12

Bem cedo entraram em Portugal e conheceram traduções no nosso idioma as Flores de Derecho e os Nueve tiempos de los pleitos de Jacob das Leis, e bem assim o Fuero Real e as Partidas, obras que desde o século XIII nos serviam como fontes subsidiárias do direito. Já trasladadas, em parte, em 1431 (data que se lê no explicit da Terceira Partida), este texto jurídico instalou-se entre nós com tal força que, nas cortes de 1361, as vozes se ergueram, levando até junto de El-Rei D. Pedro os protestos contra a aplicação do direito nelas expresso por parte do Conservador da Universidade e pelos juízes do Reino. A sua influência ainda era notória no século XV, influência que é nítida na elaboração das Ordenações Afonsinas, que fizeram largo aproveitamento de diversas leis. Homens cultos como D. Pedro, Conde de Barcelos, e D. Duarte conheciam-nas: o primeiro cita-as no seu Nobiliário; o segundo possuía a Primeira Partida na sua livraria. As cópias, as traduções e os protestos contra a sua aplicação «em detrimento dos textos do direito romano (…) ou do direito canónico», que «se entendia deverem ser aplicados - em razão da sua própria proveniência - com prioridade absoluta sobre os textos legislativos» das Partidas, reflectem a divulgação que a obra alcançara em Portugal.13

Ligados à área jurídica, representada pelos textos acabados de referir, BITAGAP foi enriquecido com mais dois fragmentos de grande relevância, que testemunham não serem apenas as leis alfonsinas que interessavam Portugal. Agora, é Tancredus Boniniensis, um dos mais famosos decretalistas medievais, com a sua Ordo Iudiciarius, composta antes de 1214, que é traduzida para português.14 E, a seu lado, uma pequena tira mutilada parece falar-nos dos direitos dos desposados, sem que lográssemos ainda clarificar o texto que lhe serviu de fonte, e que, tal como o Tancredus, constituem exemplares únicos na história do nosso direito medieval.

Um nome domina a Medicina portuguesa medieva e é ele o de Pedro Hispano (ou Pedro Julião), futuro Papa João XXI (1276-1277). Mas, se não temos (pelo menos conhecido) mais nenhum português que, naqueles séculos distantes, consignasse por escrito o seu saber médico, como ele fez, o que as nossas investigações nos revelam é que havia, entre nós, quem se preocupasse com tal ciência. Isto mesmo testemunha a Bibliografia de Textos Antigos Galegos e Portugueses, com as traduções do Livro de Cirurgia de Teodorico Borgognoni (1205-1298), Bispo de Cérvia, e do Inventário ou Tratado de Cirurgia de Guido Caulíaco (original latino de 1363), ambas da primeira metade do século XIV; e ainda o interessante e curioso pergaminho, que designámos de Mezinhas, redigido depois de 25 de Outubro de 1454, com receitas para a manipulação de produtos naturais, a fim de suavizarem os padecimentos dos dentes e das gengivas.

Como vemos um diversificado leque de textos, mas que se não detém apenas nestas áreas. Os historiadores encontram, na BITAGAP, um manancial precioso de informações, que serve os diversos ramos da História. Nela estão consignados tratados celebrados com as Ilhas, com a Espanha, com a África, com o Médio Oriente, com a Ásia; colecções de leis e seus comentários, textos de cortes (capítulos gerais e capítulos especiais), forais, legislação sobre feiras e portagens, posturas várias, privilégios, determinações avulsas, genealogias, cartas e bulas, crónicas, regras de ordens religiosas e de ordens militares, seus estatutos, constituições, definições, privilégios, usos e costumes, regimentos de confrarias e de grémios, etc., etc. Este é o campo mais vasto da nossa Bibliografia e para uma melhor aferição, referimos que, no que respeita a Cortes, elas estão presentes com 133 itens e que as leis do Reino se estendem desde D. Afonso II até D. Manuel, com ausência de D. Sancho II.

Estes são os testemunhos portugueses de alguns "achados" mais importantes da nossa investigação e constituem uma pequena amostra do muito que já foi analisado. De todos os materiais de que que a Bibliografia de Textos Antigos Galegos e Portugueses se ocupou – e o seu cômputo é já muito elevado – vemos que a nossa Idade Média foi, culturalmente, muito mais rica do que se tem afirmado. A religiosidade, ela também manifestada em tantos textos, tem a seu lado, no campo da escrita, outras preocupações, outros cuidados, outros gostos. E de obras integrais ou de simples fragmentos, podemos ver como o Homem medievo se deixou impregnar por diversos ramos do saber. Criando os seus próprios textos, confiando a outros a tarefa de responderem aos seus anseios e às suas curiosidades culturais, por criações próprias, por cópias ou por traduções, ele entra no circuito do livro, na sua feitura e na sua divulgação. Os scriptoria, conventuais ou seculares, encarregam-se desta missão e deles saem, por vezes, códices duplamente valiosos, não apenas pela riqueza dos seus conteúdos, mas ainda pela riqueza das suas iluminuras. Quer seja aquela catedral de letra e de música, de cor e de som, que são as Cantigas do Rei Sábio, representadas no códice rico do Escorial, quer seja o manuscrito da Crónica Geral de Espanha de 1344 da Academia das Ciências de Lisboa, quer sejam livros de horas, quer outras crónicas ou textos visando a boa governança do Reino, todos eles são a afirmação de uma época, que não foi o tal período de trevas, como a apelidaram, mas um período da História que olhava atentamente o Homem e o seu mundo.


Notas

1. Arquivo Digital de Manuscritos y Textos Españoles.

2. V.g., Analitic, Bibliography, Biography, Copies, Geography, Institutions, Library, MS /ED, Subject, UniformTitle.

3. El Cancionero del siglo XV – c. 1360-1520, 7.vols., Universidad de Salamanca, "Biblioteca Española del siglo XV", 1990-1991.

4. Arthur Lee-Francis Askins, Harvey L. Sharrer e Aida Fernanda Dias, "A Bibliografia de Textos Antigos Galegos e Portugueses na Internet", Revista Portuguesa da História do Livro 2 (Lisboa, 1998) 176.

5. Harvey L. Sharrer, "Fragmentos de Sete Cantigas d'Amor de D. Dinis, Musicadas - uma Descoberta", Actas do IV Congresso da Associação Hispânica de Literatura Medieval I (Lisboa, 1993) 13-29.

6. A equipa de investigadores de BITAGAP prepara uma edição em fac-símile, a ser publicada em Portugal, e ainda a transcrição do manuscrito a incluir , em suporte electrónico, no projecto ADMYTE.

7. Biblioteca Nacional de Lisboa, Alcobaça 198 e 212, elaborados entre 1401 e 1405 e 1481 e 1500, respectivamente.

8. Os fragmentos encontrados são um bifólio, com texto dos capítulos 51-52 do Livro IV, e diversas tiras mutiladas, que contêm textos do mesmo Livro, capítulos 35-36 e 54.

9. Mário Martins, "Um poema ovidiano de John Gower e a sua tradução do português para o castelhano», Estudos de Cultura Medieval, Lisboa, 1883, III, p. 95-118.

10. Este D. Fernando de Castro, o Moço, também conhecido por "O Cegonho", filho de D. Álvaro Pires de Castro, foi governador da casa do Infante D. Fernando. Era conhecido por "o Moço", para o distinguir de D. Fernando de Castro, o Velho, governador da casa do Infante D. Henrique, o qual entronca nos Castros de seis arruelas, enquanto o Moço pertence aos Castros de treze arruelas. Ambos estiveram em África (dados fornecidos por Arthur L-Francis Askins a quem expressamos o nosso agradecimento).

11.Antonio Cortijo Ocaña, "La traducción portuguesa de la Confessio Amantis de John Gower", Evphrosyne, Nova Série, XXIII (Lisboa, 1995) 457-466.

12. Eis os fragmentos hoje conhecidos, graças às pesquisas de diversos estudiosos (os itálicos em Títulos e em Leis indicam o resultado das investigações da equipa de BITAGAP): I.ª Partida, títulos II, leis 10 -11; 3 [introdução], (Torre do Tombo); XIX, 21; XX, 1-2; XXII, 5-8 (ibid.); II.ª Partida: títulos XII, leis, 22 e 24 (Arquivo da Universidade de Coimbra); XIII, 22 e 24; XIV, 2-4 (Arquivo Distrital de Braga); XV, 1-6 (Hispanic Society of America); XVIII, 21-26 (Arquivo da Universidade de Coimbra); XXVI, 10-18 (Arquivo Distrital de Braga); XX, 3-4 (Torre do Tombo); XXI, 10-11 (ibid.); ibid. 17-22 (Arquivo da Universidade de Coimbra); III.ª Partida: títulos V, 17-21 (Torre do Tombo); VII, 8-11 (ibid.); VIII, 7-8; IX, 1-2; X, 1-8; XI, 1-2; XVI, 36-40; XVII, 2-6 (Arquivo Distrital de Braga); XVIII, 34-46 (Coimbra, na posse de um particular, Dr. Adelino Esteves Santos); ibid., 59-61; 69-70 (Arquivo Paroquial da Confraria de S. João do Souto, Braga); XIX, 3-5 (Arquivo Distrital de Braga); V.ª Partida: títulos XI, leis 16-18; 20-22; 30-36; XII, 5-10; 15-20 (Torre do Tombo); VI.ª Partida: título I, leis 8, 9, 14, 15 e possíveis fragmentos de outras leis contíguas (Museu Nacional de Arqueologia Dr. Leite de Vasconcelos); VII.ª Partida: títulos XIV, leis 8-10 (Arquivo da Universidade de Coimbra); XXX, 6-9; XXXI, 1-11; XXXII, 1-2 (Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Évora).

13. Guilherme Braga da Cruz, "O direito subsidiário na história do direito português", Revista Portuguesa de História XIV (Coimbra, 1974) 202-204.

14. O texto foi identificado pelo Prof. António Pérez Martín da Universidade de Múrcia, a quem consignamos o nosso público agradecimento.