MALTESES NO BRASIL

Texto por Dr. Thomas Bonnici

Professor de Literatura Inglesa na Universidade Estadual de Maringá
Maringá - Paraná - Brasil

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Primeira Emigração | Segunda Emigração | Terceira Emigração
Visitas Importantes

Primeira Emigração Maltesa

Brasil
Brasil

   Apesar da inexistência de estatísticas fidedignas sobre os malteses no Brasil, parece que houve, com finalidades diferentes, três momentos da emigração de malteses ao Brasil. Pesquisa sobre este assunto, somente foi feita no Brasil. As dificuldades, portanto, são muitas. Devido ao fato que os malteses tinham passaporte britânico, as autoridades brasileiras consideravam todos os malteses vindos ao Brasil, como britânicos. Existem ainda casos de alguns malteses que trocaram seus sobrenomes para dar uma connotação "inglesa".

   Quando olhamos a lista telefônica de São Paulo encontramos muitos sobrenomes "malteses": Aquilina, Attard, Balzan, Bonello, Bonici, Calleja, Caruana, Cassar, Falzon, Fenech, Friggieri, Galea, Grech, Grima, Mallia, Meli, Muscat, Pirotta, Pisani, Said, Saliba, Sammut, Schembri, Spiteri, Tabone, Vassallo, Vella, Zahra, Zammit. Mesmo que a pronuncia acima for considerada ipsis litteris, devemos interpretar a existência destes sobrenomes com muita cautela pois em São Paulo encontramos a convergência de emigrantes italianos, sicilianos e libaneses. Contato com estas famílias foi iniciado, mas infelizmente interrompido.

   A primeira emigração de malteses ao Brasil aconteceu na década de 1910. No surgimento da emigração européia em massa para a América do Sul nas últimas décadas do século 19 e nas primeiras décadas do século 20, o Comitê Maltês de Emigração preparou em torno de 30 famílias, constituídas de trabalhadores rurais, para mandar ao Brasil. No dia 28 de março de 1912 um grupo de 73 emigrantes constituído de 13 famílias partiram de Valletta no navio francês ss. Carthage para o porto de Santos, no Brasil. Padre Pietro Paulo Charbon de Birkirkara acompanhou o grupo. Após serem transferidos ao navio transatlântico ss. Provence, chegaram em Santos no dia 26 de abril de 1912. No dia 18 de abril de 1912 outro grupo de 106 pessoas deixou Malta e chegou em Santos no dia 19 de maio de 1912.

Cafezal
Malteses na plantação de Café

   O primeiro grupo foi trabalhar nos cafezais da fazenda Santa Eulalia no município de Brotas, a cerca de 183 km da cidade de São Paulo. O segundo grupo foi para o mesmo trabalho rural na fazenda São José em Fortaleza. Mas, as saudades da terra natal, as informações precárias que recebiam, a incompatibilidade e a falta de uma política clara de emigração por parte do governo inglês em Malta, causaram o fracasso desta emigração. Até agosto de 1913, a emigração para o Brasil tinha terminado. Muitos voltaram a Malta, outros ficaram e se viraram.

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Segunda Emigração Maltesa

Litorina
Estrada de Ferro que liga Curitiba a Paranaguá no Estado do Paraná.

   A segunda emigração maltesa ao Brasil aconteceu no final dos anos 20 e foi praticamente ligada ao emprendimento britânico da construção e manutenção da estrada de ferro do Estado de São Paulo. Quase todos os malteses presentes no Brasil chegaram a conhecer o Sr. Dominic Colier (ou Coleiro) de Floriana. Ele tinha um cargo administrativo na companhia da ferrovia que ligava São Paulo a Santos e ao Estado do Paraná. Viveu os últimos anos de sua vida como aposentado pago pelo governo británico.

Mr. Colier
Sr. Colier com padres e irmãs malteses.

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Terceira Emigração Maltesa

   A terceira aconteceu nos anos 50 e foi completamente diferente das anteriores. Nos anos 50, Dom Geraldo Sigaud, então bispo de Jacarezinho no extremo noroeste do Estado do Paraná, convidou as Irmãs Franciscanas de Malta para ajudá-lo na diocese que estava se desenvolvendo e tornando-se uma grande região econômica.

Estado do Paraná
Estado do Paraná

   Nos anos 20 o norte do Estado do Paraná era coberto de mata densa e uma enorme floresta. A terra foi comprada pelo Sindicato Sudanês de Plantação de Algodão, liderado por Simon Joseph Fraser (Lord Lovat) que planejou o seu desenvolvimento conforme normas bem estabelecidas. Milhares de emigrantes da Europa e do vizinho Estado de São Paulo começaram a comprar terras, trasformando-as em cafezais, vilas e cidades. A área até então parcamente habitada pelos indios Kaingang, foi invadida por milhares de pessoas, no período de trinta anos.

   Inútil dizer que as necessidades espirituais deste povo eram grandes e a Congregação Franciscana de Malta ofereceu mandar algumas irmãs a Rolândia e Jaguapitá. Mas em 1956 esta enorme diocese foi subdividida em três: a diocese de Jacarezinho, Londrina e Maringá. Exatamente no início da diocese de Londrina, o Seminário Arquidiocesano de Malta mandou dois seminaristas, John Busuttil de Rahal Gdid e John Xuereb(falecido) de Naxxar, para estudar teologia no Seminário Diocesano de Curitiba, capital do Estado do Paraná. Foram ordenados sacerdotes em 1959 por Dom Geraldo Fernandes, então bispo de Londrina.

Londrina
Londrina

   Ele tinha ido a Malta e convidou sacerdotes e seminaristas para irem ao Brasil. Em 1960, Bernard Gafá de Msida, Carmel Mercieca de Qormi, Francis Debattista (falecido em 1968) de Tarxien, Joseph Agius e Joseph Xuereb, dois seminaristas de Gozo, começaram o curso de teologia em Curitiba. Ao mesmo tempo, Pe. Peter Fenech de Dingli e Pe. Frank Tabone Adami de Gzira começaram trabalhar em cidades novas do norte do Paraná, junto com Pe. Carmel Mifsud de Zejtun e Pe. George Zammit (faleceu em 1995) de Birzebbuga.

   Nos anos 50 e 60, o espírito missionário das Irmãs Franciscanas incentivou-as a fundarem creches e escolas não somente nos locais acima mencionados mas também nas cidades de Presidente Prudente (no sudeste do Estado de São Paulo), São Martinho, Umuarama e Curitiba.

   Do outro lado, a Provincia Maltesa dos Dominicanos mandou muitos dos seus padres a diocese de Paranaguá, Ponto Grossa e Curitiba, todas situadas no sul do Estado do Paraná. Os Agostinianos mandaram os seus padres para o Estado do Mato Grosso na cidade de Três Lagoas onde uma enorme barragem estava sendo construída e onde tinha uma grande concentração de trabalhadores com suas famílias. Mandaram padres também para as cidades de São Paulo e Belo Horizonte no Estado de Minas Gerais.

   Paralelamente aquilo que estava acontecendo no sul do Brasil, padres da ilha de Gozo estavam atendendo o convite de Dom Carlos Coelho e Dom Helder Câmara, bispos de Olinda e Recife em Pernambuco, estado do nordeste do Brasil. Pe. Paul Raggio era o único sacerdote maltês em Recife naquele tempo.

   Voltando aos meados dos anos 60, o espírito do Vaticano II impulsionou vários seminaristas a deixarem a sua pátria e ir ao Brasil. Thomas Bonnici de Zebbug, Paul Pirotta de Naxxar, Paul Brincat de Birkirkara, Carmel Bezzina e Philip Said de Zebbug, Edwin Parascandalo e Vincent Costa, ambos de Birkirkara, Lawrence Gauci de Mgarr, Anton Sammut (faleceu em 1976) de Gzira e Peter Camilleri (faleceu em 1992) de Floriana, vieram aos seminários de São Paulo e Curitiba e após fazerem teologia, começaram a cuidar de paróquias no norte do Paraná.

   Por causa da subdivisão da diocese de Londrina naquela de Apucarana e Londrina, muitos foram transferidos para a diocese de Apucarana e outros como Dominic Camilleri de Floriana, Lucas Azzopardi de Rabat e Michael Pace de Hamrun estão ainda trabalhando na mesma diocese. Dois missionários leigos, Tony Camilleri de Floriana e Mario Briffa de Rahal Gdid, ficaram dois anos em Apucarana ajudando no trabalho pastoral.

   A Arquidiocese de São Paulo e outras dioceses vizinhas receberam sacerdotes malteses como Xavier Cutajar, Daniel Balzan, John Mallia, Andrew Zammit e Paul Mercieca.

Maringá
Maringá

   Em 1977 o padre maltês da ordem dos Domincanos, Walter Ebejer, irmão do falecido escritor Francis Ebejer, foi consagrado bispo da diocese de União de Vitória no sul do Paraná. Após muitos anos de trabalho diocesano em Mosta e St. Julians, o Pe. John Caruana de Mosta decidiu vir ao Brasil em 1984 e está ainda trabalhando na Arquidiocese de Maringá.

   As Irmãs Agostinianas de Malta que tinham um internato para meninas em Paranaiba, no Estado do Mato Grosso do Sul, agora tem outras responsabilidades pastorais em Nova Londrina, no Estado do Paraná.

   Além dos padres acima mencionados, tem ainda alguns malteses casados no Brasil. John Busuttil trabalhava como contador na Volkswagon em Santo André e quando se aposentou montou um pequeno restaurante num bairro de Londrina. Paulo Pirotta trabalha na Volkswagon em Santo André. Thomas Bonnici é professor de literatura inglesa na Universidade Estadual de Maringá. Edwin Parascandalo é diretor do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial. Anthony Zammit e sua irmã Helen moram em São Paulo. Ele trabalha na Felixal e ela é telefonista. Dr. Vincent Flores Porsella é professor da Universidade Mackenzie em São Paulo e pensionista do Departamento de Educação.

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Visitas Importantes

   Os malteses no Brasil deram uma calorosa recepção ao Mgr. Annetto Depasquale em 1991,

Visita

ao Primeiro Ministro de Malta, Dr. Eddie Fenech Adami em 1992 quando participou da Conferência Ecológica Rio 92

Visita do Primeiro Ministro

ao Mgr. Joseph Mercieca, Arcebispo de Malta quando visitou o sul do Brasil em 1995.

Visita do Arcebispo

e ao Mons Vicente Costa na sua Ordenação Episcopal em 19/09/98.
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