"O desafio da Família "

  • Regresso ao Essencial

    ©  Lúcia Costa Melo Simas .( 2007 )

 

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  Espíritos do Lugar

[ ©   (Barco ancorado. Ria de Aveiro. Torreira). 2001]

 

 

 


  

 

   1. O passado ao virar da esquina

 

    Horácio está empregado numa firma onde espera uma promoção há algum tempo. Já teve outros empregos, é divorciado duas vezes e tem uma relação confusa com os filhos dos casamentos anteriores já que vive com uma advogada que também tem dois filhos pequenos de um outro casamento. Moram num apartamento que tentam pagar mas com a pensão para os filhos e as prestações do carro tudo se complica. Acorda à pressa e vai a correr para o emprego. Raramente vê os pais dos quais se afastou há muito por causa dos cursos e viagens que fez. A mulher, Flávia, tem um emprego instável e não está segura de ter feito uma escolha acertada ao ir viver com os filhos para junto de Horácio. Não são muito religiosos e apenas celebram ritualmente o Natal com alguns amigos ou uma viagem se puderem. Os progenitores de Helena estão divorciados e o pai casou de novo com uma jovem da idade dela. Não se visitam. Têm apenas três avós vivos que estão em lares da terceira idade. Nunca têm tempo para os ir ver.
    Horácio é filho de Horácio, já falecido, tem esposa e cinco filhos. Já esteve na guerra e voltou ferido com alguma gravidade. Trabalha na sua propriedade e dirige os seus servos e escravos. Ao acordar, toda a família se reúne à roda do altar do fogo sagrado, com hinos e preces aos seus antepassados imortais. A refeição é comum, como sempre. Horácio, sendo Pater Família e sacerdote dos seus deuses domésticos, tem deveres para com os seus progenitores que repousam no túmulo perto da habitação. A relação entre vivos e mortos mantém-se zelosamente. Os mortos zelam pelo bem-estar da família e Horácio zela por eles pois sabe que a propriedade não lhe pertence. Será para os seus descendentes, depois da sua morte, tal como ele a recebeu dos pais. Em certos dias, leva alimento ao túmulo onde estão os seus antepassados que ele adora como deuses protectores. A esposa, Flávia, embora sem autoridade, goza da mesma dignidade de Mater Família e sacerdote. Ambos cumprem religiosamente os seus deveres. Antes de casar, aqueles não eram os seus deuses mas teve de abandonar os deuses domésticos da família de seus pais para venerar apenas estes, como toda a esposa, desde tempos remotos.
   Quantos antepassados nossos espreitam o mundo através dos nossos olhos? Deram-nos o seu lugar e estamos gratos por isso, mesmo que nunca o saibam. Por isso há razões para ter disponibilidade para com os Outros que são igualmente uma multidão de mortos na vida do Outro e assim ao ser generoso para o Outro estamos a ser generosos com uma multidão de seres humanos. Esses que eram tão parecidos a nós se estivéssemos no mesmo tempo e espaço.
    Temos dois exemplos de família, duas épocas e dois mundos discrepantes.
    Já no nosso século XXI, as palavras de Urra são um aviso “Provavelmente, as famílias do futuro serão criadas a partir de uma união consensual. Cada vez serão mais complexas, dado o ingente número de pessoas que se vão inter relacionando por sucessivos casamentos ou relações de casal”. [1]


   Por trás da cortina do estudo do casamento está a família e esta ligava-se, até há relativamente pouco tempo, à propriedade, autoridade, parentescos, dotes e heranças. Tudo isto se mantinha com um sentido religioso, ético e de valores sólidos, com uma noção de tempo orientada para o futuro e fortes ligações ao passado. Hoje a preocupação é da família nuclear num presente sem grandes dimensões temporais para além dessa quotidianidade e de um crescente individualismo. Há uma teia de relações sociais que se criam, em função da profissão e interesses que nada devem à família.
    Escrever sobre a família é um desafio. É um assunto próximo do quotidiano e ao mesmo tempo uma investigação que nos pode levar até aos nossos antepassados para descobrir que o óbvio não é tanto assim. A família é uma instituição e um lugar de afectos. Muito se pode saber e nunca a definição pode pormenorizar-se sem um contexto específico que tem mutações de acordo com as alterações sociais e culturais. As relações de parentesco remetem para a antropologia, para a psicologia, para a história, para a religião ou para a política. As certezas que tínhamos desmoronam-se quando se quer interpretar os mobiles e interesses, a parte objectiva e subjectiva do enorme legado de dados que já existem acerca deste assunto. Afinal a família existe desde sempre ou tem uma existência tão mutável que nada se pode pensar como essencial?
   Estamos envolvidos na teia que queremos estudar, conhecer e aprofundar.
   Vindos de tantos lados e variadas partes, acontece que parece teremos dados a mais, um excesso que não nos pode tornar a tarefa mais fácil.  

 

    2.  Ao olhar os outros

  

  É arriscado tentar perceber os outros mantendo a nossa perspectiva para a interpretação Nunca somos isentos e há o (mau) hábito levar para outras eras os nossos valores e seleccionar factos com tais pressupostos. Já Fustel de Coulanges, na sua célebre obra “A Cidade Antiga” tem o aviso: “Enganamo-nos, forçosamente, quando apreciamos estes povos [Grécia e Roma] através de factos e opiniões do nosso tempo[2].
       Encontramos, no exemplo de Esparta, uma sociedade em que a família se diluía no poder do Estado e os grupos masculinos e femininos preparados inflexivelmente para a guerra. A disciplina era tão forte que temos dificuldade em imaginar sequer. O infanticídio, em relação ao primeiro filho ou deficiente, é um dos exemplos que hoje nos faz questionar acerca da aprendizagem cultural das emoções.
       Os romanos tinham uma noção de família, que herdámos. Muito do modo de vida de hoje se fundamenta nessa herança sem termos em conta toda a riqueza simbólica. A família antiga estava subordinada à religião doméstica sem templos fora do lar. O que unia as pessoas não eram só os laços de sangue e os casamentos mas antes um antepassado e um culto comum. A extinção de uma família acarretava a extinção do culto doméstico, e vice-versa. Não era, como se pensava, a autoridade do pai de família que dava unidade aos seus membros, mas a sacralidade do lar, onde estava o altar do fogo sagrado, representando todos os seus deuses particulares onde todas as manhãs se realizava a cerimónia das preces e as refeições e bem perto da casa o túmulo dos antepassados.
        Nos primórdios das velhas civilizações o fogo sagrado era alargado aos deuses domésticos, depois denominados Lares, Manes e Penates, daimons gregos, heróis, incluindo os antepassados imortais. Estes eram o que de mais sagrado unia a família.
        Segundo Heródoto, a palavra que designa família em grego era “o que está junto do fogo[3]. A mulher tinha de deixar os deuses de seus pais e venerar os da nova família pois eram honrados os deuses domésticos e o antepassado comum. É curioso como Fustel de Coulanges reforça a noção de piedade que, quando não exercida, tinha carácter de parricídio. “O vivo não podia passar sem o morto e o morto não podia passar sem o vivo”. Temos dificuldade em pensar no culto dos mortos sem referências ao cristianismo e pensar na imortalidade atribuindo aos mortos a perenidade na permanência no túmulo. A frase “que a terra lhe seja leve” toma conotações diferentes por este prisma. Até a alimentação dos vivos e dos mortos era comum pois este era o único prazer que os antepassados podiam gozar. A dialéctica entre a vida e a morte era uma constante e a protecção dos antepassados era só para os descendentes dando-lhe força e bens. Os estranhos eram todos inimigos e repelidos. Assim se entende a tradição religiosa e familiar do pedido habitual da bênção ao pai ou à mãe sem no entanto se saber já a origem disso.
       A palavra exercia um poder mágico e dar “bom dia”, uma saudação, ou negá-la é ainda mal visto. Ouve-se ainda dizer “não me dá a salvação” quando não se saúda e a noção de dádiva de “bom dia” está no simbolismo e acção atribuídos à palavra. 
      Tais noções são das mais antigas e comuns a hindus, gregos e romanos, bem como à visão dos chineses e indianos. Todos veneravam os antepassados e a família era um dos sustentáculos da cultura.
        A força dos antepassados e os laços com os mortos eram tarefas a manter pelo pater de família que era também o padre. Tendo ausente a noção de criação, como agora conhecemos, reforçam-se sentimentos que nos são estranhos e alheios. A adoração dos pais, dos antepassados imortais fundamentava-se no mistério da geração o que unia cada grupo sob os seus deuses.
       Toda a advertência para ter cuidado com as semelhanças das palavras e actos de outrora merecem uma extrema atenção para não os interpretar com os olhos que viram o século XXI. Heródoto, grande viajante, podia ter caído no risco ceder ao maravilhoso e exótico nas suas descrições de costumes e instituições das gentes que conheceu mas se bem que registe escrupulosamente modos e costumes dos povos, guarda uma distância e o primeiro historiador grego tentou dar mesmo certa realidade a tudo o que viu ou lhe contaram. Por Ryszard Kapuscinski, escritor e jornalista polaco, que se interroga sobre o modo como Heródoto trabalha, temos a resposta:
       “É um repórter de puro sangue; viaja, olha, fala ouve, para depois tomar notas daquilo que viu, aprendeu, ou simplesmente para não esquecer[4]”, tinha um fito a atingir pois desejava saber a origem dos deuses helenos e quais os mais antigos.
       Nessas investigações, o que mais chocou o escritor polaco, foi o “carácter leigo, a ausência total de sagrado, e da linguagem pomposa que o costuma acompanhar. Nessa história os deuses não são alguém inacessível, distante e celeste. A discussão é racional, anda em torno de um tema: quem inventou os deuses, os gregos ou os egípcios?”(… )Mas isso é o seu objectivo: Saber quais são os deuses mais antigos, se os gregos, se os egípcios[5]”(...) Por traz do culto dos deuses estaria a religião e a constituição da família.

 

   3.  A História também se tece nos bastidores

 

   A família tem um lugar discreto ao longo da História e muitas vezes, só indirectamente se capta pormenores importantes. Uma simples estátua, uma pedra, hinos, jogos, um velho papiro, objectos do quotidiano podem dar achegas preciosas e um sentido novo ao que nos parecia estranho.
   Na falta de documentos recorre-se a outros dados para tentar espreitar os bastidores da História. A vivência religiosa era constante e estavam sempre rodeados pelos seus mortos, nada comparável com o que hoje vivemos.
    Tudo estava cheio de deuses, por assim dizer, nunca estavam sós. Os pais eram imortais e olhavam pela casa, terras, abençoavam todos os parentes, até os servos e clientes que tinham direito a ter o nome da família. Foi da crença e da religião que a família se formou e cada qual era como que um clã fechado. Cada propriedade tinha de estar separada de outra por uma faixa de terra de ninguém que isolava cada família[6]. Os Deuses do Lar eram hostis aos estranhos porque a força da crença da imortalidade da bênção recebida tornavam os laços indestrutíveis. Nesta religião, era lógico que não se rezasse por alguém fora da família. A moral romana não podia ter a noção de caridade pois cada qual em suas casas tinha as suas próprias divindades domésticas, implacáveis para com os intrusos.
     Tal como na Grécia, os historiadores notaram que sentimentos ou afectos ditos naturais hoje, não eram preocupações nessa época. Os nascimentos, casamentos ou até as adopções não tinham uma finalidade afectiva, mas tudo se congregava para manter a unidade da família.
   Como vemos, a concepção da família, na época clássica, tem pouco a ver com a “família” tal como é hoje entendemos, nuclear[7] e de laços mais afectivos que jurídicos ou religiosos. Xenofonte anotava, como prova de ser um bom cidadão, o modo como administrava o seu lar, “oikos” que quer dizer economia. Assim o homem devia tratar do campo e  matrona da economia da casa, do fogo e dos filhos. “Apague-se o lume, morram os filhos, e a família dos mortos ou a dos vivos – qual vale mais? – se extinguirá”, comenta romanticamente Oliveira Martins[8]. “O marido tem o arado, a esposa a roca. Um lavra, a outra fia”.
    Na Antiguidade, a clientela distinguia-se dos servos e escravos mas também se reuniam à volta do altar doméstico. Eram sagrados os laços do culto que prendiam a clientela, os servos e escravos à família provavelmente mesmo antes de Rómulo.

 “A religião era uma cadeia que o retinha [ servo] (…)  Só casava com autorização do senhor e os filhos que dele nasciam continuavam a obedecer. Formava-se assim, no seio de uma grande família, um certo número de pequenas famílias clientes e subordinadas. (…) A clientela é uma instituição do direito doméstico e existiu nas famílias antes de haver cidades. (…) O patrão deve proteger o cliente por todos os meios e todas as forças de que disponha, pela oração como padre, pela lança como guerreiro, pela lei como juiz”[9]. Os deveres para com os clientes “estavam muito acima dos deveres para com os cognados”, estes por serem só parentes pelo lado das mulheres não tinham os mesmos deuses e logo os laços não eram sagrados.

 

    4. A nascente do grande rio é sempre oculta

 

    Na Idade Média continua o regime de protecção à volta das famílias. O cristianismo, uma das características da Europa medieval, entronca na religião e no direito romano que por sua vez, se ligava aos helenos e estes à herança egípcia. Tal como reforça Sempere Y Guarinos, “deixamos de apreciar o significado e a importância da protecção da vida e da propriedade. Na Idade Média custava um preço alto. Ninguém vivia tranquilo sem um patrono[10]”.
  Na época medieval, de acordo com James Casey, só no século XII com Pedro Lombardo, bispo de Paris, e o monge Graciano, mestre de Bolonha, embora muito divergentes, o casamento se tornaria num conceito europeu que uniformizasse a vida cristã e disciplinar a vida quotidiana dos laicos. Não se podia ignorar também as implicações na propriedade, dote e hierarquia social. Tornado um contrato, a palavra toma uma força que deve ser pública e com testemunhas. “Embora o casamento não tivesse sido formalmente definido como sacramento antes do Concílio de Florença em 1438, (…) a maior parte das ideias que levantaria aí, estavam previstas em Graciano[11]”. A família garante-se por um contrato e depois é que se revela como sacramento para os cristãos. Com a família romana, os laços religiosos eram os primeiros e mais fortes. Só depois com a organização da urbe é que se socializam cada vez mais.
   Todavia a noção de liberdade é desconhecida na Antiguidade, a guerra é necessária se bem que não se explique bem as causas, e todos vivem sujeitos a mil normas e tradições que retira qualquer possibilidade comparativa com o nosso modo de pensar. Os servos pertenciam à família romana, com o direito de estar junto ao altar do fogo, de usar o nome da “gens” e até de serem enterrados no túmulo da família. Só quando as cidades aumentaram muito e se passaram a gerir por leis, é que a família diminuiu e abriu-se à influência exterior. Aumentou a força do direito e os ritos sociais enquanto diminuía o poder da religião e da família na sua tradição.
   Ao consultarmos Braga da Cruz, vemos que o matrimónio foi um contrato bem antes de ser sacramento cristão e houve “um excesso de zelo da parte de certos defensores do sagrado, a quem repugnava admitir que um sacramento (…) pudesse ser ministrado por leigos [antes do século XII] sustentando por isso que a troca de consentimentos não constituiria, de si, o sacramento, sendo a bênção do sacerdote que lhe conferiria essa dignidade[12]. Curiosamente tal vínculo continuou a dar a dignidade de sacerdotes aos nubentes, tal como na Roma antiga a força da palavra existia com mais poder que a regulamentação jurídica. Citando Santo Agostinho, Braga da Cruz indica três bens do casamento medieval: a prole, a fidelidade e a ajuda mútua.
   Porém o patriarcado tinha uma força controladora sobre as mulheres, consideradas menores, garantindo a estabilidade e o controle da propriedade, bem como a honra e o nome da família. A idade dos nubentes era variável, porém como a esperança de vida era baixa, casavam quase crianças e, ainda no século XIX, se pode ler relatos desses escritos com toda a naturalidade.
   Por traz da história de amor de Romeu e Julieta, estão os laços das famílias. No fundo é a tragédia do ódio de duas famílias que se narra. Tal como termina por dizer o Príncipe de Verona, já no final da peça de Shakespeare, na fala que todos reúne:  

    “ Confirma a carta o que nos disse o monge: como o amor decorreu, a falsa nova da morte dela. Aqui ele conta-nos que veneno comprou de um boticário e que vinha morrer neste sepulcro, para ficar ao lado de Julieta. Onde se encontram esses inimigos? Capuleto! Montecchio! Vede como sobre vosso ódio a maldição caiu e como o céu vos mata as alegrias valendo-se do amor. Por minha parte, por ter condescendido com vós todos, dois parentes perdi. Fomos punidos”.

 

   Temos a subversão da ordem familiar e a consequente tragédia social que se abate sobre todos.

 

 5. A presença que se oculta

 

   Conta-se que no Renascimento, aquando da descoberta de tantos documentos antigos, os estudiosos, admirados e fascinados pela Antiguidade, para ler tais preciosidades se fechavam em casa e vestiam trajes antigos procurando uma atmosfera que recriasse o passado para melhor o ressuscitar.
   Se bem que não seja pela análise da família que se entenda a transformação da sociedade, muitos dados podem ser aprofundados. A Revolução Francesa trouxe uma nova ordem que, como refere Casey, “ da qual foram banidos os antepassados[13], desaparecendo os vínculos morais, de nobreza, piedade filial e as grandes famílias que mantinham a propriedade. É o surgimento de nova ordem política, com impessoalidade, burocracia e toda a força da burguesia.
   Com a filosofia de Hegel, no século XIX, a instituição da família torna-se dependente do Estado e da sua eticidade. Se a família é onde a ética concreta se realiza, essa unidade que se efectua pelos sentimentos e subjectividade, mas não é apenas para si ou em si. Tem estar dentro das corporações civis e estas culminam do Estado.
  Como tudo o que é histórico traz elementos de contradição e em cada família há já uma separação porque as crianças são membros e são futuramente novas famílias. Assim torna-se necessário que a Sociedade Civil e depois o Estado estabeleçam a Justiça e o Direito. O Estado realiza a razão objectivada que quer o bem comum e o garante. Hegel não aceita o individualismo nem lhe atribui liberdade senão no todo universal. Sendo a família uma subjectividade, realiza-se “mais” na objectividade do Espírito que será o Estado. Tal como em Rousseau, de quem teve influencia, Hegel não aplica a semelhança entre a liberdade e igualdade. Mas salva-se do totalitarismo porque a sua racionalidade o leva a pensar na realização do Espírito na História e é só uma manifestação da razão que evolui de acordo com desenvolvimento do Espírito do povo.

   Entre dois colossos do pensamento ocidental, Feurerbach altera a visão da família de modo singular na reflexão filosófica que se torna com ele uma antropologia. Sem a força de Hegel ou de Marx, é como que uma travessia, o “riacho de fogo” como lhe chamou o autor de “O Capital”. A filosofia nascida nos finais do século XIX, era uma libertação do sistema idealista. Na sua contestação hegeliana, Feuerbach naturaliza a Sagrada Família, que desce do Céu à Terra, para tornar a família sagrada. É este o segredo que se esconde na religião, quer do judaísmo quer do cristianismo. Conforme escreve Marx “ Portanto, depois de, por exemplo a família terrena estar descoberta como o segredo da sagrada família, é a primeira que tem, então, de ser ela mesma teoricamente criticada e praticamente revolucionada[14]. Se Feuerbach inicia a nova filosofia pela sensibilidade, a família é o espaço do diálogo, do tu e do eu, valorizando a mulher de modo surpreendente. A terapia do homem para se tornar de novo saudável sem projectar a sua essência fora da humanidade é quebrar a dualidade e assumir a sua essência. Admite um critério do ser, da verdade e realidade que é o amor[15]. Buber, filósofo do diálogo, vê nele um pensador que fez a sua revolução coperniciana pela descoberta do tu “tão cheio de consequências como a descoberta do eu pelo idealismo e que deve conduzir a um segundo recomeçar do pensamento europeu que nos leve mais além do ponto de partida cartesiano da filosofia moderna[16]. Não há relação homem e mundo, mas reconhecimento da complementaridade do Outro. Se bem que não tenha desenvolvido a questão da família, é no amor que reforça a sua tese naturalista e antropológica. “De facto, o amor pela mulher é também a base do amor universal. Quem não ama a mulher não ama o homem[17].

 

6. Um diálogo anunciado

 

A valorização do amor e do diálogo podem constituir o que de inovador surge com Feuerbach, para além da sua negação de um cristianismo estreito que sustenta. Surge uma filosofia do amor e do diálogo em que a mulher tem um papel complementar e imprescindível do homem que Marx não captou. Sem a mulher não existe comunidade, nem homem, nem os laços afectivos que fazem de Feuerbach um filósofo precursor de novos temas. No campo da antropologia filosófica surgiu uma questão que levará muito tempo a ser explorada, quer na comunicação, quer no diálogo entre o eu e o tu. Sem a força de Hegel ou de Marx, o autor de “A Essência do Cristianismo” é como que uma travessia necessária à filosofia nascida nos finais do século XIX.
Neste tema, Kierkegaard dá uma dimensão salvadora à mulher mas não a coloca na complementaridade nem no diálogo. Não há a libertação da mulher que deve obedecer aos pais e depois ao marido. A família faz parte do ético comum do homem que no “estádio ético” cumpre o seu dever e conjuga-o com o amor sem discrepância. É o que todos devem fazer na cristandade e Kierkegaard pensa que é uma mentira bem diferente do cristianismo. Ele quer ser “o indivíduo”, analisa os vários estádios mas apenas o religioso o fascina. Vendo uma pobre mulher no mercado, numa barraca, Kierkegaard observa que lhe querem tirar o filho, por não ter local adequado para estar. Mas o pensador presencia o zelo e carinho com que a mulher se debruça sobre a criança que dorme. Reparou melhor na mãe e escreveu: “Essa mulher sentia realmente que um filho é um dom do céu. Se eu fosse pintor não queria pintar outro quadro senão o dessa mulher.”[18]
   É verdade que a família fica num plano superior ao estético, e aí os filhos estão no “santuário”, mas a visão de Feuerbach parece vislumbrar mais longe.

 

   7. Cuidado com as crianças!

 

    A grande revolução da noção de família relaciona-se com as mudanças em relação aos filhos, à domesticidade e à crescente e ambígua emancipação da mulher. A história do sexo na infância é uma das maiores dificuldades para o historiador da psicologia. Gouveia Pereira, Casey e outros acentuam o valor do trabalho de Filipe Ariès, historiador controverso que investigou a infância[19]. Sabemos que os castigos severos eram usuais e os prostíbulos de rapazes eram comuns em todas as cidades. Plutarco e Quintiliano escreveram acerca dos abusos sexuais praticados por pedagogos e a conivência de pais e familiares. Só o imperador Domiciano publicou uma lei que proibia a castração de meninos de berço destinados a bordéis[20].
    De todos os castigos e abusos físicos e psicológicos resultavam uma vida emocional turbulenta. Gouveia Pereira através da sua investigação chegou á conclusão de que “Desde Antiguidade que a literatura pediátrica apresenta regularmente secções sobre «como curar os terríveis sonhos» das crianças, e batia-se muitas vezes nas crianças pelo facto de terem pesadelos. As crianças permaneciam acordadas noites inteiras, aterrorizadas por fantasmas imaginários, demónios e «feiticeiras na almofada», «um grande cão negro debaixo da cama» ou «um dedo encarquilhado rastejando através do quarto (…) mesmo recuando até á Idade Média, encontramos danças maníacas de crianças, cruzadas e peregrinações de crianças[21].

    Tanto a mulher como a criança foram assunto para representações pictóricas na Idade Média e pode notar-se a ternura com que eram tratadas nos quadros. A moderação dos costumes bem como o papel da mulher parece dever muito ao cristianismo. É visível a benevolência com a mulher quando se tinha por modelo o culto mariano. Na época medieval, o poder temporal não foi só atributo de homens e as abadessas tiveram renome, chegando a haver homens sob o magistério religioso de mulheres[22]. Porém, parece-nos que, ao citar exemplos de mulheres que se distinguiram e tiveram um papel relevante, isso remete mais para excepções do que para a norma. Hroswitha foi uma célebre freira beneditina, poetisa e dramaturga do século X cujo nome tomou várias formas, Roswttha, Hrotswitha, ou Hrotsuit, e o cognome de rouxinol dos Jardins, tendo vivido provavelmente entre 930 e 1002, durante a renascença otoniana na Alemanha. Heloísa é outro desses exemplos apontados dubiamente pois notamos que são casos raros. Sem a figura de Abelardo, filósofo e teólogo do século XII e o polémico romance entre ambos, a sua notoriedade seria bem menor. 

 

  8. Onde colocar Eva?

 

   Porém a acção da Igreja permanece ambígua, sob a capa de protecção da mulher e sua fragilidade, a dúvida acerca das suas capacidades mentais e a crença no seu poder maligno estava presente já na patrística, depois em Santo Agostinho e São Tomás.  
   O mal entrara no mudo através de Eva, a tentadora, acusada por Adão da culpa. A fisiologia feminina assustava os pensadores por ser algo que não entendiam e por isso temiam. Os textos de renascentistas como Leonardo da Vinci e do século das luzes manifestam fortes superstições e preconceitos para com a mulher. O nosso escritor Oliveira Martins, já nos fins do século XIX, reflecte isso [23]ao escrever:

      Aberração singular! Se a mulher é como o homem porque existirão sexo? (…) Os sexos são como pólos. Num pólo, com a mulher, está a caridade e o amor; no pólo oposto, com o homem, a acção e o pensamento. O filho é um equador. (…) A mulher é um doente. As regras, a prenhez, fazem-na inválida. Não é impura, como o mundo bárbaro pensou; mas é enferma por condição: histérica. O casamento foi para ela um tratamento; o marido seu protector, um médico. De que modo, com que armas, com que força entrará na luta? Por sobre enferma, é débil, no corpo, no espírito. Lamentemos que se considere o divórcio “ um passo no caminho da liberdade”, lamentemos que se considere a emancipação da mulher um ideal do progresso moderno”.

 

    A revolução que Freud trouxe só começou a iluminar as mentes mais esclarecidas depois de causar grande escândalo e resistência.
    O começo da era industrial não separou as famílias como se poderia pensar. Os donos das fábricas, em muitos países europeus, contratavam toda a família em teares ou nas minas e, mais tarde na época vitoriana, dá-se o aparecimento da domesticidade que se liga ao aparecimento da infância e da escola. Desde sempre é relação com os filhos e, podemos dizer que embora com muitas variáveis, mesmo com a possibilidade de infanticídio, de venda ou abandono dos filhos, existiu sempre uma ligação afectiva. Temos exemplos que atravessam a sociedade: desde a Ilíada, com Heitor e sua família, Telémaco, filho de Ulisses, Antígona, filha de Édipo, a doce Cornélia, filha do rei Lear, a lenda de Guilherme Tell, as obras de Charles Dickens até ao moralismo das “Little Women”. Todos captam a atenção de tantos leitores, o que demonstra como reflectem sentimentos comuns e também como não há unidade no estudo das relações familiares.
    O tema da infância na família através do tempo é tão crucial como descurado. Por traz da criança há porém sempre uma educação e esta é forçosamente feminina. A história da mulher faz-se na sombra da criança. Orlindo Gouveia Pereira afirma que a “a psicologia da criança espera o seu historiador”. Está tão descurado tal trabalho que envolve análise da educação, múltiplas sociedades e ambientes culturais, de tal modo que este psicólogo acrescenta: “… este é um programa demasiado ambicioso para um só autor. Mas o essencial é empreender o trabalho[24].

 

9. A herança perdida

 

    Que valores nos inculcaram na infância? Serão esses os que os pais passam aos descendentes mas há toda a sociedade e suas rápidas mutações que têm um domínio forte sobre as famílias. Cada instituição tem um padrão de conduta que se aceita socialmente em cada época. Com a emancipação feminina crescente, são os filhos, mais do que o casamento, os laços que unem durante algum tempo a família nuclear. Perder-se-ão depois esses laços que não duram até à velhice pois os filhos por sua vez se dedicam mais à sua prole do que aos ascendentes. O sucesso profissional e as ambições individuais parecem ser hoje superiores aos laços afectivos familiares. Um indício disto está nas referências que se pedem de uma pessoa para a situar. Em vez da pergunta tradicional "De quem é filho" a pergunta torna-se normalmente "Que é que faz". O estatuto é atribuído pela posição e sinais de consumo cuidadosamente ostentados na aparência.
   O valor do ter em vez da estima do ser torna-se o objectivo social mais assertivo e mesmo agressivo, face a uma cultura onde tudo parece ter um preço e se pode comprar. A felicidade está ali ao lado e é apresentada no vazio de sentido onde tudo parece ser permitido menos proibir. O ter é tão forte que é incutido aos filhos mesmo inconscientemente. A questão que uma criança dirige à mão é sintomática e faz reflectir: "Mãe, quando é que temos tudo?". Em termos globais o poder incide cada vez mais no acesso do que no ter em bens tradicionais.
   Será que entramos no domínio dos valores, ao falar de família nuclear, ou díspar de hoje, mais do que anteriormente? Se são os afectos que orientam a constituição da família, ou uma união, sem aquela intervenção oficial e parental das sociedades tradicionais, há o peso de uma sociedade onde a busca do caminho mais fácil se manifesta de todas as formas. A propriedade e o culto dos antepassados, bem como a estabilidade, a mulher “anjo do lar” e o marido como chefe de família e mentor da educação dos filhos já pouco se faz notar na sociedade dita de abundância. O culto da aparência separa os estratos sociais, e toda a cultura está centrada numa faixa etária a que as crianças anseiam chegar e os adultos nunca querem sair: -  o prolongamento da adolescência.
    Nas últimas décadas do século XX, desenvolvem-se gerações discrepantes. De uma obediência submissa e respeito pelos mais velhos, com disciplina e parcimónia passou-se para uma geração indisciplinada atraída pela música contestatária e grupos rebeldes. Agora parece ser a geração do vazio interior e carência de fundamento dos projectos de vida ou concepções fortes. Do gosto por ouvir, da rádio, passaram para o ver e ouvir da televisão e agora é o interagir do computador e dos telemóveis entre adolescentes com uma crescente indiferença e afastamento dos idosos.

 

 10. O manual dos pais, corrigido e aumentado

 

   A atmosfera de cada dia pretende ser sempre de festa, ou preparação, comemoração. A meta do fim-de-semana, férias e festejos constantes é comum no dia a dia. A facilidade de estar informado não aumenta o conhecimento, nem o relativismo gerou a tolerância.
  Serão as crianças o âmago da unidade familiar. O casal pode mesmo manter-se ligado só por esse laço que não os liga tão fortemente aos respectivos pais. Nesta viragem social, as crianças pressentem que são agora o nó górdio da família. A sociedade aposta no poder jovem. Por isso, é natural que as suas exigências tornem a nova geração nuns tiranos ou, como escreve Urra, nos “pequenos ditadores”. Podem nem saber, mas sentem o seu forte poder, a desorientação dos pais oscilantes entre o permissivo e amigo e o protesto e revolta.
   A libertação dos avós pela parte dos pais, não os leva senão a tornarem cativos deles porque reproduzem um modelo errado ou negam o modelo recebido sem saber qual seguir. A vaga religiosidade que ainda permanece nos pais dilui-se nas crianças e pouco resta para além do emotivo e dos grandes momentos de sacralidade que não se interiorizam. A geração io-io sai e retorna a casa, muda de curso, separa-se e torna a casar Criou-se um mapa de símbolos e de significados só partilhados por pequenos grupos de uma determinada faixa etária. Em todas as gerações, a criança e o jovem tem uma linguagem muito própria, aliada ao prazer de transgredir e afirmação de si. Por sua vez o pedagogo avestruz investe nas mais teóricas teses epistemológicas e atinge um tal grau de barroco linguístico, com um uso indevido da filosofia que seria divertido se não se revelasse trágico na prática desastrosa, cada vez mais afastada do estudo social e desenvolvimento mental acelerado de crianças e jovens. Os livros pedagógicos não inventam apenas teses, mais do que isso inventam famílias, alunos e pessoas ideais para justificar as suas investigações mas que não justificam o seu fracasso. Esses seres idealizados, tal como Rousseau idealizou um Emílio que nunca existiu, são uma ilusão ou espécimes raros de uma utopia educativa.
    Há muito que não há preceptores, nem os professores vão a casa dos seus alunos como os pais vão às escolas e tentam ter lá um papel. Mas a imagem modelo dos pais colide com a imagem dos professores, há um conflito de identidades pois o papel do aluno não é o de filho e se os pais infantilizam sempre os seus “meninos”, os professores vêem-nos com adolescentes e quase adultos. Se infantilizarem a escola, como está a acontecer, há alegria nos lares e tristeza nas escolas, Se educar é assim tão importante, crescer vai a par com isso. O desenvolvimento obriga a rupturas e cria laços. A família é muito importante para o desenvolvimento dos filhos, isto é uma verdade de Monsieur La Palisse, mas que família e porquê?
   Pontualidade, disciplina, moderação, afecto, firmeza e bom humor são as ciências em que os pais deviam ter notas. Muitas outras disciplinas deveriam ser obrigatórias para os pais que recebem os filhos sem aqueles livrinhos de auto ajuda que tanto jeito dão para plantar flores ou treinar cães, mas pouco dizem para além de um tratamento cinco estrelas às criancinhas que se habituam e viciam em pedir e querer e depois em exigir.
     Acentua-se cada vez mais a forma de agrupamento das pessoas por idades. Há muros que separam radicalmente infância, adolescência, adultos de varias faixas etárias, depois os de meia idade, os idosos, e por fim o corredor da morte dos Lares, sem os Manes nem os Penates dos romanos, mas um vazio de humanismo que se assemelha a prisão sem grades, enquanto a escola eram douradas as cadeias sem prisão.
    Dar conselhos ou dizer o que se deve fazer demagogia. Os ciclos não se repetem nem a História, assim aprendemos e acreditamos. Os nossos olhos apenas atingem o horizonte e só aí podemos sonhar. Lá ainda ninguém chegou, a esse horizonte de puro azul.
    Muitos bons professores vêem-se coagidos a dar programas para os quais nada os motiva a não ser os alunos. Nota-se que os livros são demagógicos, alimentam a rebeldia e a insegurança, não apresentam nenhuma disciplina que seja para a imaginação ou ainda melhor para a filosofia para crianças. Essa abertura para um mundo de adultos não necessita ser infantilizada, mas de fascinar a geração io-io num eterno retorno tão incerto.

 

11. Cuidado, os avós estão aqui

 

    De tão respeitados e presentes na família no passado, os avós, hoje não estão presentes como nas casas antigas. Ter uma garagem torna-se mais essencial do que um espaço para eles. Os avós são apenas sombras vagas, tímidas ou despeitadas que não se intrometem na educação, mesmo que não a aprovem ou, na ausência dos pais, alterem as ordens. Temos de ver que os avós são uma teia de referências ao passado. Gostariam de provar com o exemplo dos seus filhos que eles educaram e agora pais que os souberam educar tão bem que eles vão educar do mesmo modo os seus netos. Os filhos reconhecem que os tempos mudaram imenso, recordam os erros dos pais, avolumaram-nos, alimentando rancores e educam com o objectivo de não ser como foram educados e quebram os laços que poderiam ser os mais fortes. 
  Afinal não são as crianças que estão fora do controlo, é a sociedade que já não é o que era, nem se sabe o que será, nem se aceitará a partilha de bens que não são só os materiais mas os espirituais. Teria de haver uma rotação de 360 graus para as famílias aceitarem um estatuto mais baixo em troca de maior interioridade, fortalecimento de laços de parentesco, maior noção de fraternidade. Sabemos que o lema da revolução francesa era: “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.
   Dos dois primeiros já temos o ensaio, mas o terceiro que é o mais humano de todos, nunca se levou a sério. Mas talvez agora a noção de filhos da Terra e cuidados com ela crie uma família humana com valores novos. Caim e Abel têm de se reunir. A família exaltou o pai, a criança, e a mãe. Um olhar para os irmãos teria uma força revolucionária. Uma nova ética, uma religião sem preocupação pelos dogmas mas pelo coração, um cuidar do Outro que leva cada comunidade a não se poder fechar sobre si mesma são sementes de esperança. Embora algo timidamente, a defesa da Terra torna-se a defesa da família humana no maior desafio que o Homem enfrenta. O futuro.
   Do individualismo à fraternidade não há um abismo mas uma construção de múltiplas pontes que a globalização permite, criando novas teias de relações humanas, com todos os riscos e vantagens que um passo de gigante se realiza no século XXI.  

 

 


NOTAS

 

 

[1] Urra, Javier, O pequeno Ditador, – Quando os pais são as vitimas, Da criança mimada ao adolescente agressivo – Adaptação á edição portuguesa de Filipa Afonso, -A Esfera do Livro, 3ª edição, Lisboa, 2007, p137

 [2] Fustel de Coulanges, A Cidade Antiga, - Estudo sobre o Culto, o Direito e Instituições na Grécia e em Roma Tradução de Sousa Costa, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1920,2.º Edição, 1.º Vol.,   p. 6.

[3] Idem, p.64.

[4] Kapuscinski, Ryszard, Andanças com Heródoto,  Colecção, Campo da História,  Porto, 2007, pp. 83-84.

[5] Idem, Ibidem.

[6] O “Termo” era um limite sagrado da propriedade e um deus com seus ritos na raça indo-europeia, Fustel de Coulanges, op. cit. pp. 109-111.

[7] Nota: Pai, mãe e um ou dois filhos, este é um modelo comum entre nós.

[8] Oliveira Martins, Quadro das Instituições Primitivas, Obras Completas, Guimarães Editores, Lda., Lisboa ,1953, pp. 55-63.

[9] Fustel de Coulanges, op. cit. pp 194-195.

[10] Casey, James, História da Família, Editorial. Teorema, Lda., Lisboa, s/d, p. 61

[11], Fustel de Coulanges, op. cit. , p. 120-121.

[12] Braga da Cruz, Guilherme, Matrimónio: Contrato e Sacramento, Itinerarium, Colectânea de Estudos, Ano X, N.º 43, Braga, 1964, pp. 39-41,

[13] Idem, p 59.

[14] Marx, Karl, Teses sobre Feuerbach, 1845, Transcrito por Fred Leite Siqueira Campos para The Marxists Internet Archive.

[15] Reis, Alfredo, Filosofia, Edições Contraponto, 2. Vol. Porto, 1991. p.86.

[16]  Buber, Martin, Que es el hombre?, F.C. E. México, 1967, p 58.

[17]  Idem, Reis, Alfredo, p 108.

[18] Soren Kierkegaard, Estética do Matrimónio, Editorial Presença, Lisboa, p. 116,

[19] L´enfant et la vie familiale sous l´Ancienne Regime.

[20] Gouveia Pereira, Orlindo, et al., A criança e o Mundo, Antologia de textos de psicologia e do desenvolvimento da criança, , Colecção Psicologia e Pedagogia, n.º 97, Moraes Editores, Lisboa, s/d., p 28.

[21] Idem, Ibidem, p. 31-32.

[22] Pernoud,  Régine, O Mito da Idade Média, Col. Saber, n.125publicações Europa América, Lisboa, 1978, p.97.

[23] Martins, Oliveira, Quadro das Instituições Primitivas, Obras Completas, Guimarães Editores, Lda., Lisboa ,1953, pp.82-84.

[24] Gouveia Pereira, Idem, pp.19-21.