RECOMENDAÇÕES PARA CONQUISTAS EM FENDAS
A Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro (FEMERJ), fundada
oficialmente em 29/08/2000, vem realizando diversos trabalhos em prol do montanhismo.
No sentido de conduzir e ordenar o processo evolutivo da escalada no Estado, temos
mantido discussões constantes sobre ética na montanha. Dentro deste
assunto os pontos de destaque são:
a) a busca do mínimo impacto, seja na conquista ou nas repetições
de vias; e b) o respeito ao direito autoral de conquista.
Neste contexto a FEMERJ desencoraja e desaconselha veementemente a colocação
em fendas de proteções fixas ( grampos e chapeletas ), uma vez que
estas podem ser protegidas de maneira segura com os diferentes tipos de equipamento
móvel existentes. E principalmente por seguir um dos principais pontos da
ética local, que é a de escalar com o mínimo impacto possível,
ou seja, reduzir ao estritamente essencial ( numa combinação de segurança
e estilo ) as marcas da sua passagem sobre a rocha.
A Federação enxerga também no direito autoral de conquista das
vias uma das bases de sustentação da ética na escalada, e um
dos pontos cruciais para a convivência entre os diferentes pensamentos na comunidade
de escaladores. Assim, como forma de conciliar estes pontos, a FEMERJ vem estimular
aos conquistadores de vias com fendas grampeadas que autorizem a remoção
destes grampos, ou que eles mesmo os removam. Após conversa com vários
conquistadores, concluímos que a presença de grampos nas fendas destas
vias foi justificada na época da conquista, uma vez que havia escassez de
material móvel. No entanto, este fato já não corresponde à
realidade nos dias atuais. Abaixo são relacionados os principais pontos que
sustentam as diretrizes da FEMERJ neste sentido:
• Os equipamentos móveis são facilmente encontrados nas lojas de equipamentos
do Estado.
• A evolução da tecnologia aumentou tanto a segurança como as
alternativas de utilização destes equipamentos, em diferentes tipos
de fendas.
• O uso do equipamento móvel permite ao escalador adaptar o grau de proteção
ao nível de exposição que deseja assumir (aumentando ou reduzindo
o número de peças), sempre considerando as características da
fenda. Pode-se inclusive realizar a passagem em artificial.
• Permite, por vezes, um maior controle sobre as proteções. O escalador
sabe das condições das proteções que coloca, ficando
menos exposto a proteções podres ou batidas inadequadamente.
• Assim como os cabos de aço foram removidos das vias, a troca dos grampos
por proteção móvel segue a tendência histórica
de uma escalada mais limpa. Dentro da ética do mínimo impacto ou da
escalada limpa, os grampos e demais proteções fixas devem ficar restritos
a situações onde estes são a única alternativa de proteção.
• Do o total de vias existentes no Estado, há um número relativamente
muito pequeno de vias que podem ser protegidas com material móvel. Por exemplo:
na Urca menos de 13% das vias permitem a proteção com material móvel.
Ao proteger uma fenda com grampo, além de reduzirmos ainda mais estas vias,
conferimos a ela um caráter mais comum, retirando uma característica
peculiar que a tornaria mais destacada, mais interessante e mais valorizada.
• A existência de um maior número de vias a serem protegidas com equipamento
móvel permitiria que os escaladores locais, atuais e futuros, desenvolvam
uma melhor técnica para este tipo de necessidade. De uma maneira geral, o
fato de existirem poucas vias com fendas faz com que o conhecimento das técnicas
de proteção em móvel fique limitado. Este conhecimento é
importante quando nossos escaladores vão conhecer outros locais de escalada,
onde as vias com fendas são comuns e a proteção é invariavelmente
feita com equipamento móvel, como ocorre nos centros de escalada de quase
todos os países.
Como forma de implementar de maneira organizada esta nova ótica nas vias com
fendas grampeadas onde é possível a colocação segura
de proteções móveis, a FEMERJ estabeleceu os seguintes critérios
para a retirada de grampos das mesmas:
1- Escalar a via em móvel;
2- Fazer um croqui mostrando como a via ficaria sem as proteções fixas
e indicando qual a proteção móvel utilizada;
3- Apresentar aos(s) conquistador(es) um projeto de modificação, obtendo
a aprovação destes por escrito;
4- Apresentar à FEMERJ o projeto para registro na croquiteca digital;
5- Implantar o projeto com data marcada para a devida divulgação (
uma ampla divulgação é muito importante para que os escaladores
não sejam pegos de surpresa pela ausência de grampos em fendas antes
grampeadas ).
bookimg/AnaMau 2004