ÉTICA NA MONTANHA
A Declaração do Tirol sobre a Boa Prática nos Esportes de Montanha
Ampliem seus limites, elevem seus espíritos e almejem o topo
Adotada pela Conferência sobre o Futuro dos Esportes de Montanha, Innsbruck,
6 8 de Setembro, 2002
Por todo o mundo, milhões de pessoas praticam montanhismo, caminhada, trekking
e escalada em rocha. Em muitos países, esportes de montanha se tornaram um
fator significante no dia-a-dia.
Quase nenhuma outra atividade engloba tão amplo espectro motivacional como
os esportes de montanha. Eles proporcionam às pessoas a oportunidade de concretizar
objetivos pessoais e de participar de uma atividade significativa por toda a vida.
Os motivos para estar ativo nas montanhas e sobre as rochas se estendem de benefícios
da saúde, prazer do movimento, contato com a natureza e incentivos sociais
à emoção da exploração e da aventura.
A Declaração do Tirol sobre a Melhor Prática em Esportes de
Montanha, promulgada pela Conferência sobre o Futuro dos Esportes de Montanha
em Innsbruck, em 8 de setembro de 2002, contém um conjunto de valores e máximas
que proporcionam uma orientação sobre a melhor prática em esportes
de montanha. Não são regras ou instruções detalhadas
no lugar disso, elas:
1. Definem os valores fundamentais atuais nos esportes de montanha
2. Contêm princípios e padrões de conduta
3. Formulam os critérios de ética para tomada de
decisões em situações incertas
4. Apresentam princípios éticos pelos quais o público
pode julgar os esportes de montanha
5. Introduzem a iniciantes os valores e princípios morais
de seu esporte.
É objetivo da Declaração do Tirol ajudar a concretizar o potencial
inato dos esportes de montanha para recreação e para crescimento pessoal,
e também para promoção de desenvolvimento social, compreensão
cultural e consciência ambiental. Para essa finalidade, a Declaração
do Tirol se vale de valores e códigos de conduta não escritos inerentes
ao esporte e os expande para satisfazer as demandas de nosso tempo. Os valores fundamentais
em que a Declaração do Tirol é baseada valem para todos os praticantes
de esportes de montanha de todo o mundo sejam eles caminhantes e andarilhos, escaladores
esportivos ou montanhistas buscando estender seus limites em grandes altitudes. Mesmo
que algumas das orientações de conduta sejam relevantes apenas para
uma pequena elite, muitas das propostas formuladas na Declaração do
Tirol são endereçadas à comunidade de esportes de montanha como
um todo. Com essas sugestões nós desejamos atingir nossos jovens, pois
eles são o futuro dos esportes de montanha.
A Declaração do Tirol é um apelo para que:
Aceitem os riscos e assumam responsabilidade
Equilibrem seus objetivos com suas habilidades e equipamentos
Joguem por meios razoáveis e relatem honestamente
Esforcem-se pela melhor prática e nunca parem de aprender
Sejam tolerantes, respeitem e ajudem uns aos outros
Protejam o caráter selvagem e natural das montanhas e
paredes
Apoiem as comunidades locais e seu desenvolvimento sustentável.
A Declaração do Tirol se baseia na seguinte hierarquia de valores:
Dignidade humana a premissa de que seres humanos nascem livres e iguais em dignidade
e direitos e de que devem tratar uns aos outros em espírito de fraternidade.
Atenção particular deve ser dada para equalizar os direitos de homens
e mulheres.
Vida, liberdade e felicidade como direitos humanos inalienáveis e com
a responsabilidade especial nos esportes de montanha de ajudar a proteger os direitos
das comunidades em áreas montanhosas.
Proteção da natureza como um compromisso para assegurar o valor
ecológico e as características naturais de montanhas e paredes em todo
o mundo. Isso inclui a proteção de espécies ameaçadas
de flora e fauna, de seus ecossistemas e da paisagem.
Solidariedade com uma oportunidade de, por meio da participação
em esportes de montanha, promover trabalho em equipe, cooperação e
compreensão, e superar barreiras em função de sexo, idade, nacionalidade,
nível de habilidade, origem social ou étnica, religião ou crença.
Realização pessoal como uma chance de, por meio da participação
em esportes de montanha, progredir significativamente em metas importantes e lograr
satisfação pessoal.
Verdade como reconhecimento de que a honestidade em esportes de montanha é
essencial para a avaliação de feitos. Se a arbitrariedade toma o lugar
da verdade, torna-se impossível valorar a performance na escalada.
Excelência como uma oportunidade de, por meio da participação
em esportes de montanha, esforçar-se para atingir metas ainda inalcançadas
e para estabelecer padrões mais elevados.
Aventura como reconhecimento de que, em esportes de montanha, a administração
do risco por meio de avaliação criteriosa, habilidades e responsabilidade
pessoal é um fator essencial. A diversidade de esportes de montanha permite
a qualquer um escolher sua própria aventura, na qual habilidades e perigos
estejam em equilíbrio.
Os Artigos da Declaração do Tirol
As Máximas e as Diretrizes da Declaração do Tirol
Artigo 1 Responsabilidade Individual
MÁXIMA
Montanhistas e escaladores praticam seus esportes em situações nas
quais há risco de acidentes e em que a ajuda externa pode não estar
disponível. Com isso em mente, eles se dedicam a essas atividades sob sua
própria responsabilidade, sendo de sua conta sua própria segurança.
As ações de um indivíduo não devem expor a perigo nem
o próximo, nem o meio ambiente.
1. Nós escolhemos nossas metas de acordo com nossas reais habilidades ou com
as da equipe e de acordo com as condições na montanha. Desistir da
escalada deve ser uma opção válida.
2. Nós nos asseguramos de que temos o treinamento adequado para nosso objetivo,
de que planejamos nossa escalada ou caminhada cuidadosamente, tendo providenciado
as preparações necessárias.
3. Nós nos asseguramos de que estamos equipados apropriadamente em cada excursão
e que sabemos como usar o equipamento.
Artigo 2 Espírito de Equipe
MÁXIMA
Membros de uma equipe devem estar dispostos a fazer concessões para equilibrar
os interesses e habilidades de todo o grupo.
1. Cada membro da equipe deve estimar seus companheiros de equipe e deve assumir
responsabilidade pela segurança deles.
2. Nenhum membro de equipe deve ser deixado sozinho se isso colocar em risco seu
bem-estar.
Artigo 3 Comunidade de Escalada & Montanhismo
MÁXIMA
Nós devemos a todas as pessoas que encontramos nas montanhas ou nas rochas
uma porção igual de respeito. Mesmo em condições isoladas
e em situações estressantes, nós não devemos nos esquecer
de tratar os outros da maneira como queremos que nos tratem.
1. Nós fazemos tudo o que podemos para não expor os outros a perigo
e nós avisamos os outros sobre perigos em potencial.
2. Nós asseguramos que ninguém seja discriminado.
3. Como visitantes, nós respeitamos as regras locais.
4. Nós não atrapalhamos ou perturbamos os outros mais do que o necessário.
Nós damos passagem a grupos mais velozes. Nós não ocupamos vias
que outros estejam aguardando para fazer.
5. Nossos relatórios de escaladas refletem com veracidade os eventos reais
em detalhe.
Artigo 4 Visitando Países Estrangeiros
MÁXIMA
Como convidados em culturas estrangeiras, nós devemos sempre nos comportar
de forma educada e com comedimento em relação aos nativos nossos
anfitriões. Nós vamos respeitar montanhas sagradas e outros lugares
sagrados, ao mesmo tempo em que buscaremos beneficiar e ajudar a economia local e
os nativos. Compreensão de culturas estrangeiras é parte de uma experiência
completa de escalada.
1. Sempre trate as pessoas do país anfitrião com simpatia, tolerância
e respeito.
2. Cumpra estritamente qualquer regulamento de escalada implementado pelo país
anfitrião.
3. É aconselhável ler sobre a história, sociedade, estrutura
política, arte e religião do país a ser visitado antes de embarcar
na viagem para melhorar nosso entendimento sobre suas pessoas e seu ambiente. No
caso de incerteza política, busque conselho oficial.
4. É sábio desenvolver algumas habilidades básicas na língua
do país anfitrião: formas de saudação, por favor e obrigado,
dias da semana, hora, números etc. É sempre impressionante ver como
esse investimento tão pequeno melhora a qualidade da comunicação.
Dessa forma, nós contribuímos para o entendimento entre as culturas.
5. Nunca deixe passar uma oportunidade de compartilhar suas habilidades de escalada
com locais interessados. Expedições conjuntas com escaladores nativos
são o melhor cenário para troca de experiências.
6. Nós evitamos a todo custo ofender os sentimentos religiosos de nossos anfitriões.
Por exemplo, nós não devemos mostrar pele descoberta em lugares em
que isso seja inaceitável por razões religiosas ou sociais. Se algumas
expressões de outras religiões estão além de nossa compreensão,
nós somos tolerantes e evitamos julgar.
7. Nós damos toda assistência possível a habitantes locais em
necessidade. Um médico de expedição está sempre em posição
de fazer uma diferença decisiva na vida de uma pessoa extremamente doente.
8. Para beneficiar economicamente as comunidades de montanha, nós compramos
produtos regionais, se viável, e nos valemos dos serviços locais.
9. Nós somos encorajados a assistir comunidades de montanha iniciando e sustentando
empreendimentos que favoreçam o desenvolvimento sustentável, como por
exemplo os serviços de treinamento e educação ou iniciativas
econômicas ecologicamente compatíveis.
Artigo 5 Responsabilidades de Guias de Montanha e outros Líderes
MÁXIMA
Cada guia de montanha profissional, líder e membro de grupo deve entender
seu respectivo papel e respeitar as liberdades e direitos de outros grupos e indivíduos.
Para serem guias preparados, líderes e membros de grupos devem entender as
demandas, os perigos e os riscos do objetivo, ter as habilidades necessárias,
experiência e equipamento adequado, e checar o tempo e outras condições.
1. O guia ou líder informa o cliente ou o grupo sobre o risco inerente em
uma escalada e sobre o nível real de perigo, e, se os participantes têm
experiência suficiente, envolve-os no processo de tomada de decisão.
2. A via selecionada deve estar adequada à habilidade e à experiência
do cliente ou do grupo de maneira a assegurar que a experiência seja agradável
e enriquecedora.
3. Se necessário, o guia ou líder reconhece o limite de sua própria
habilidade e, quando apropriado, indica colegas mais capazes para os clientes ou
grupos. É responsabilidade dos clientes e dos membros de grupos deixar claro
se eles acreditam que um risco ou perigo é muito grande e se o retorno ou
opções alternativas devem ser seguidas.
4. Em circunstâncias como escaladas extremas e ascensões em alta montanha,
guias e líderes devem informar com cuidado seus clientes e grupos para se
certificarem de que todo mundo está totalmente alertado sobre os limites de
suporte que guias e líderes podem prover.
5. Guias locais informam a colegas visitantes sobre as particularidades características
de sua área e sobre as condições atuais.
Artigo 6 Emergências, Morbidez e Morte
MÁXIMA
Para estarem preparados para emergências e situações envolvendo
acidentes sérios e morte, todos os praticantes de esportes de montanha devem
entender claramente os riscos e perigos e a necessidade de se ter habilidades, conhecimentos
e equipamentos adequados. Todos os praticantes precisam estar prontos para ajudar
os outros no caso de uma emergência ou acidente, e também estar preparados
para encarar as conseqüências de uma tragédia.
1. O socorro a alguém em apuros tem absoluta prioridade sobre atingir objetivos
que estipulamos para nós mesmos nas montanhas. Salvar uma vida ou reduzir
o dano à saúde de uma pessoa ferida é muito mais valoroso do
que a mais difícil de todas as conquistas.
2. Numa emergência, se ajuda externa não está disponível
e nós estamos em posição de ajudar, devemos estar preparados
para dar todo o suporte que podemos às pessoas em apuros, desde que seja viável
sem nos expor ao perigo.
3. Deve ser proporcionado a quem esteja seriamente ferido ou moribundo todo conforto
possível, bem como lhe deve ser oferecido suporte de preservação
de vida.
4. Em uma área remota, se não for possível recuperar o corpo,
deve ser registrada a localização da forma mais precisa possível,
bem como quaisquer indicações da identidade do morto.
5. Objetos como câmera, diário, notebook, fotos, cartas e outros artefatos
pessoais devem ser guardados e entregues aos familiares.
6. Sob nenhuma circunstância podem ser publicadas fotos do morto sem o consentimento
prévio da família.
Artigo 7 Acesso e Conservação
MÁXIMA
Nós acreditamos que a liberdade de acesso a montanhas e paredes de maneira
responsável é um direito fundamental. Nós devemos sempre praticar
nossas atividades de uma forma ambientalmente sensível e devemos ser proativos
na preservação da natureza. Nós respeitamos restrições
a acesso e regulamentos acordados entre escaladores e organizações
de conservação de natureza e autoridades.
1. Nós respeitamos as medidas de preservação de ambientes de
parede e montanha e da vida selvagem que eles sustentam, e nós encorajamos
nossos companheiros escaladores a fazer o mesmo. Evitando fazer barulho, nós
nos esforçamos na redução da perturbação da vida
selvagem ao mínimo.
2. Se possível, nós nos locomovemos para nossos destinos usando transporte
público ou outros transportes coletivos para minimizar o tráfico nas
estradas.
3. Para evitar erosão e não perturbar a vida selvagem, nós permanecemos
nas trilhas durante aproximações e descidas e, quando fora da trilha,
escolhemos a rota menos agressiva ao ambiente.
4. Durante os períodos de acasalamento e nidificação de espécies
que habitam as montanhas, nós respeitamos restrições sazonais
de acesso. Logo que tomamos ciência de qualquer atividade de acasalamento,
nós devemos passar adiante essa informação para outros escaladores
e assegurar que eles fiquem fora da área de nidificação.
5. Durante conquistas, nós tomamos o cuidado de não ameaçar
o biótopo de espécies raras de plantas e animais. Ao equipar ou reequipar
vias, nós devemos tomar todas as precauções para minimizar seu
impacto ambiental.
6. As conseqüências da popularização de áreas através
de retrogrampeação devem ser cuidadosamente consideradas. O aumento
de números pode causar problemas de acesso.
7. Nós minimizamos o dano à rocha por meio da utilização
da técnica de proteção menos prejudicial.
8. Nós não apenas carregamos nosso próprio lixo de volta para
a civilização, como também catamos qualquer detrito deixado
por outros.
9. Na ausência de instalações sanitárias, nós mantemos
uma distância adequada de casas, locais de acampamento, córregos, rios
e lagos durante a defecação e tomamos todas as medidas necessárias
para evitar dano ao ecossistema. Nós procuramos não agredir o senso
estético das pessoas. Em áreas muito freqüentadas com um baixo
nível de atividade biológica, os escaladores têm o encargo de
carregar de volta suas fezes.
10. Nós mantemos o local de acampamento limpo, evitando gerar lixo tanto quanto
possível ou dispondo dele adequadamente. Todos os materiais de escalada
cordas fixas, barracas e garrafas de oxigênio devem ser removidos da montanha.
11. Nós mantemos o consumo de energia no mínimo. Especialmente em países
com falta de lenha, nós evitamos ações que possam contribuir
para a destruição das florestas. Em países com florestas ameaçadas,
nós precisamos levar combustível suficiente para preparar comida para
todos os participantes da expedição.
12. Turismo de helicóptero deve ser minimizado onde for prejudicial à
natureza ou à cultura.
13. Em conflitos sobre matérias de acesso, proprietários de terra,
autoridades e associações devem negociar soluções satisfatórias
para todas as partes.
14. Nós temos papel ativo na implementação de regulamentos,
especialmente dando publicidade a eles e implementando a infraestrutura necessária.
15. Ao lado de associações de montanhismo e outros grupos de conservação,
nós somos proativos a nível político no que diz respeito à
proteção de habitats naturais e do ambiente.
Artigo 8 Estilo
MÁXIMA
A qualidade da experiência e a forma como resolvemos o problema é mais
importante do que se o resolvemos. Nós nos esforçamos por não
deixar rastros.
1. Nós almejamos preservar o caráter original de todas as escaladas,
em especial aquelas com importância histórica. Isso significa que os
escaladores não devem aumentar a quantidade de proteções fixas
em vias existentes. A exceção é quando há um consenso
local incluindo a aprovação dos conquistadores para mudar o nível
de proteções fixas por meio da colocação de novas peças
ou da remoção de proteções existentes.
2. Nós respeitamos a diversidade de tradições regionais e não
tentaremos impor nosso ponto de vista a outras culturas de escalada nem aceitaremos
os valores de outros impostos sobre os nossos.
3. Rochas e montanhas são um recurso limitado para aventura que deve ser compartilhado
por escaladores com os mais diversos interesses e por muitas gerações
que virão. Nós entendemos que gerações futuras precisarão
encontrar suas próprias NOVAS aventuras dentro desse limitado recurso. Nós
tentamos desenvolver paredes ou montanhas de uma forma que não roube a oportunidade
do futuro.
4. Em uma região em que grampos são aceitos, é desejável
que sejam mantidas vias, seções de morros ou morros inteiros livres
de grampos de maneira a preservar um refúgio para aventura e para mostrar
respeito pelos diversos interesses de escalada.
5. Vias com proteções naturais podem ser tão divertidas e seguras
para escaladores recreativos quanto vias grampeadas. A maior parte dos escaladores
pode aprender a colocar proteção natural segura e todos devem ser educados
para o fato de que isso proporciona aventura adicional e uma experiência rica
e natural, com segurança comparável, uma vez aprendidas as técnicas.
6. Em caso de grupos com interesses conflitantes, os escaladores devem resolver suas
diferenças através de diálogo e negociação para
evitar que o acesso seja ameaçado.
7. Pressões comerciais nunca devem influenciar a ética de escalada
de uma pessoa ou de uma região.
8. Bom estilo em alta montanha implica no não uso de corda fixas, drogas de
aumento de performance ou oxigênio engarrafado.
Artigo 9 Conquistas
MÁXIMA
A conquista de uma via ou de uma montanha é um ato de criação.
Ela deve ser feita em bom estilo de acordo com as tradições da região
e devem mostrar responsabilidade com a comunidade de escalada local e com as necessidades
dos escaladores futuros.
1. Conquistas devem ser ambientalmente responsáveis e compatíveis com
regulamentos locais, com as vontades dos proprietários dos terrenos e com
os valores espirituais da população local.
2. Nós não vamos desfigurar a rocha por meio da quebra ou da adição
de agarras.
3. Em regiões alpinas, as conquistas devem ser feitas exclusivamente guiando
(sem peça pré-fixada acima).
4. Uma vez respeitadas as tradições locais, cabe ao conquistador determinar
o nível de proteções fixas em suas vias (levando em consideração
as sugestões do artigo 8).
5. Em áreas designadas como reservas selvagens ou naturais por administradores
ou pelo comitê de acesso local, grampos devem ser limitados ao mínimo
absoluto para preservação do acesso.
6. Cavar buracos e bater grampos durante a conquista de vias em artificial deve ser
mantido em um mínimo (grampos devem ser evitados mesmo em ancoragens de paradas,
a menos que sejam absolutamente necessários).
7. Vias de aventura devem ser deixadas tão naturais quanto possível,
contando com proteção móvel sempre que viável e utilizando
grampos apenas quando necessário e sempre sujeitando-se às tradições
locais.
8. O caráter independente das vias adjacentes não deve ser comprometido.
9. No relatório de conquistas, é importante relatar os detalhes com
a maior precisão possível. A honestidade e a integridade de um escalador
serão presumidas a menos que haja evidência comprometedora.
10. Altas montanhas são um recurso limitado. Nós encorajamos os escladores
a utilizarem o melhor estilo.
Artigo 10 Patrocínio, Propaganda e Relações Públicas
MÁXIMA
A cooperação entre patrocinadores e atletas deve ser uma relação
profissional que sirva aos melhores interesses dos esportes de montanha. É
responsabilidade da comunidade de esportes de montanha, em todos os seus aspectos,
educar e informar tanto a mídia como o público de uma maneira proativa.
1. Compreensão mútua entre o patrocinador e o atleta é necessária
para a definição de objetivos em comum. As muitas facetas dos esportes
de montanha requerem a identificação clara da especialização
tanto do atleta quanto do patrocinador para maximizar as oportunidades.
2. Para manter e melhorar seus níveis de performance, escaladores são
dependentes de um contínuo suporte de seus patrocinadores. Por esta razão,
é importante que os patrocinadores mantenham a cobertura de seus parceiros
mesmo após uma série de falhas. Sob nenhuma circunstância pode
o patrocinador pressionar o escalador a obter resultados.
3. Para estabelecer uma presença permanente em toda as mídias, canais
claros de comunicação devem ser organizados e mantidos.
4. Escaladores devem se esforçar em relatar suas atividades realisticamente.
Um relatório preciso melhora não apenas a credibilidade do escalador,
mas também a reputação pública de seu esporte.
5. O atleta é responsável em última instância por representar
ao patrocinador e à mídia a ética, o estilo e a responsabilidade
ambiental estatuída na Declaração do Tirol.
O Pluralismo dos Jogos de Escalada
A escalada moderna abrange um largo espectro de atividades, variando desde caminhadas
e escaladas em boulders a escaladas em paredes e montanhismo. O Montanhismo compreende
formas extremas de alpinismo em alta montanha e expedições de escalada
em grandes altitudes como os Andes ou o Himalaia. Apesar de as linhas divisórias
entre as várias formas de escalada não serem de nenhuma forma rígidas,
a categorização a seguir torna possível apresentar a vasta diversidade
dos esportes de montanha de forma inteligível:
Caminhada e trekking
Caminhada para abrigos de montanha, colos e cumes é a forma de montanhismo
mais difundida. Uma caminhada de vários dias na montanha e em outras áreas
selvagens, especialmente fora da trilha batida, é muitas vezes chamada de
trek. Uma caminhada se transforma em uma forma de montanhismo tecnicamente mais exigente
tão logo as mãos tenham que ser utilizadas para progresso.
Escalada de via ferratas
Vias em terreno rochoso íngreme equipadas com cabos de aço e degraus
de ferro estão se tornando mais e mais populares. Uma arena até então
reservada para escalada técnica em rocha torna-se acessível por meio
de uma elaborada infraestrutura e sistemas especiais de proteção.
Montanhismo clássico
Um montanhista nesta categoria irá escalar vias de até 2.º grau
e subir vertentes de neve e gelo de até 50º de inclinação.
Os objetivos típicos nesta categoria são as vias normais de picos na
zona alpina.
Montanhismo de esqui
Os praticantes desta forma clássica de alpinismo usam esquis alpinos ou esquis
telemark para subir montanhas ou realizar longas travessias. Devido à complexidade
das habilidades requeridas, esta disciplina se classifica entre as mais exigentes
e perigosas formas de montanhismo.
A Hierarquia dos Jogos de Escalada
Um sistema para categorização dos diferentes tipos de escalada introduzido
por Lito Tejada-Flores tem se mostrado útil para a descrição
das muitas facetas que a escalada técnica moderna tem adquirido. Cada tipo
especializado de jogo de escalada é definido por um conjunto informal, mas
preciso, de regras formuladas de forma a tornar a tarefa à mão difícil
e por isso mais interessante. Quanto maior o perigo em um jogo de escalada específico
devido ao ambiente natural, mais indulgentes as restrições para uso
de equipamento técnico. Quanto menores os riscos objetivos, mais estritas
se tornam as regras.
Escalada de Matacões ou Boulders
Na escalada de matacões, lances difíceis em rocha próximos ao
chão são trabalhados, normalmente sem corda. O equipamento permitido
é reduzido a sapatilhas, magnésio e nos dias atuais crash pad.
Escalada de boulder é praticada tanto em matacões naturais e rochas
quanto em objetos artificiais.
Escalada em objetos artificiais
Nos dias de hoje muitos escaladores utilizam muros artificiais para treinamento e
lazer, tanto em casa, quanto em academias ou mesmo em ambientes abertos. Um número
crescente de escaladores se dedica exclusivamente a muros artificiais. Há
ainda novas formas como escalada terapêutica e escalada artística, como
dança ou balé, por exemplo.
Escalada em falésias
Vias de um a três esticões são chamadas de falésias. Como
são vias curtas e com ausência quase total de perigos objetivos, a ética
da escalada livre tem ganhado aceitação internacional para esse tipo
de escalada nas últimas duas décadas. Isso significa que uma via somente
conta se nenhum ponto de apoio artificial tiver sido empregado para progressão
durante a ascensão.
Escalada contínua
Se uma escalada é mais longa do que três ou quatro esticões,
é chamada via de escalada contínua.
Escalada de grandes paredes/escalada artificial
Neste jogo de escalada desenvolvido no Vale de Yosemite, os praticantes ascendem
paredes, que não podem ser escalada em livre, com equipamentos especialmente
projetados. Eles se esforçam para reduzir tanto quanto possível a perfuração
de buracos para a colocação de grampos ou de outros meios de progresso,
dessa forma deixando o mínimo de vestígios após completar a
ascensão.
Escalada alpina
No jogo alpino, os praticantes não apenas têm que lidar com problemas
postos pela escalada em si, mas também com perigos objetivos do ambiente
freqüentemente hostil das altas montanhas. Como a sobrevivência freqüentemente
depende não apenas da habilidade de dominar com segurança os problemas
técnicos da via, mas também da velocidade da cordada, as regras não
escritas do jogo alpino classicamente permitem o uso de pitons e proteções
móveis para progressão. Entretanto, num processo iniciado no final
dos anos sessenta, os princípios de escalada livre têm sido aplicados
de forma crescente às altas montanhas. Apesar de no início da nova
era o foco estar centrado na escalada em livre de vias normalmente escaladas em artificial,
não levou muito tempo para que novas escaladas difíceis conquistadas
de acordo com regras mais estritas aparecessem nas montanhas. Elas incluem tanto
vias de aventura extremamente audaciosas, quanto escaladas esportivas hedonísticas.
Um importante aspecto da escalada alpina é a ascensão de vias de gelo.
Isso abrange desde vertentes clássicas de gelo a empreendimentos futurístico
incrivelmente difíceis. Um tipo de escalada de gelo que tem se tornado popular
recentemente é a ascensão de cascatas congeladas, estalactites de gelo
e rochas com finas camadas de gelo. Vias mistas de rocha e gelo modernas algumas
vezes envolvem movimentos muito difíceis em rocha com o auxílio de
crampons e ferramentas de gelo. O jogo é governado pelas regras da escalada
em livre. As vias de gelo e as mistas podem variar desde brincadeiras de um curto
esticão até operações audaciosas em grandes altitudes
que podem demorar muitas semanas.
Escalada de aventura e escalada esportiva
A terminologia moderna de escalada diferencia os estilos de escalada de aventura
ou tradicional e de escalada esportiva. Escalada de aventura ou trad tem os seguintes
elementos:
A performance é julgada pela quantidade de resistência a estresse
necessária para ascensão da via.
O escalador é responsável pela colocação de proteção
ou tem que se virar sem ela.
Erros cometidos pelo guia podem ter conseqüências drásticas.
Escalada esportiva é caracterizada da seguinte forma:
A performance é julgada pelo grau técnico da via escalada.
O elemento cinestésico é dominante.
Grampos proporcionam proteção perfeita.
Se técnicas modernas de asseguramento forem empregadas da forma apropriada,
quedas de guias tendem a não ser severamente punidas.
Os estilos de escalada de aventura e esportiva podem ser aplicados tanto a morros
como a paredes alpinas.
Entre as versões puras de escalada de aventura e escalada esportiva/plaisir
há numerosas forma híbridas.
Jogos e filosofias de segurança diferentes correspondem a necessidades individuais
divergentes de escaladores. A riqueza de formas nos esportes de montanhas proporciona
prazer e realização pessoal para um grande número de pessoas
um fato que nós celebramos.
Tanto os amantes da escalada esportiva quanto os seguidores da filosofia da aventura
têm o direito de escalar de acordo com seus desejos e habilidades.
Deve ser nosso objetivo preservar o pluralismo dos estilos de escalada, deixando
a cada um sua arena específica.
Escalada super-alpina
Esta disciplina de montanhismo aplica regras de escalada alpina a terrenos de alta
montanha em picos de seis, sete e oito mil metros há muito reservados para
expedições tradicionais. No jogo super alpino, cordas fixas, ajuda
de fontes externas ou a instalação de uma cadeia de acampamentos e
as garrafas de oxigênio são todas rejeitadas.
Escalada de expedição
Duas formas deste jogo foram desenvolvidas: A primeira variante tem a função
de permitir que o máximo número de membros alcance cumes prestigiosos
em altas montanhas por meio da via normal. Eles otimizam a probabilidade de sucesso
por meio do uso liberal de carregadores, cordas fixas e oxigênio artificial.
Em contraste, a forma extrema de escalada de expedição emprega esforços
para empurrar os limites da dificuldade técnica com a ajuda da maior parte
dos equipamentos modernos, excluindo oxigênio engarrafado: cordas fixas, acampamentos
em portaledge e depósitos de equipamentos.
Bookmig/AnaMau 2004