Efeito do Abuso do Álcool no Sistema Hematopoético |
O etanol exerce múltiplos efeitos agudos e crônicos reversíveis sobre todas as células componentes do sangue. O álcool altera agudamente a produção de hemácias, e isto atinge significado após alguns dias ou semanas de ingestão abundante de bebidas. O achado mais comum é um aumento nas dimensões das hemácias, associado com uma anemia leve. Outras formas de anemia, incluindo alterações sideroblásticas, podem ocorrer concomitantemente, sobretudo na presença de desnutrição grave. A ingestão abundante crônica de bebidas também pode diminuir a produção da maioria dos leucócitos, (células de defesa do organismo), reduzir a mobilidade e aderência dos granulócitos e prejudicar a resposta do tipo hipersensibilidade tardia a novos antígenos (agentes causadores de doenças — Ex: vírus da gripe — então o indivíduo torna-se mais propenso a doenças). Enquanto as alterações nos próprios leucócitos são habitualmente temporárias, elas podem contribuir para o maior risco de infecções e lesão hepática e, talvez, para o risco aumentado de câncer em alcoólicos. Muitos alcoólicos apresentam trombocitopenia leve (raramente associada a hemorragia) devido a um declínio na sobrevida e um distúrbio da função plaquetária; o hiperesplenismo (aumento do baço) também pode ocorrer como uma complicação da cirrose. O álcool pode diminuir a agregação plaquetária e inibir a liberação de tromboxano A2 (relacionados com a coagulação do sangue). Esses problemas habitualmente retornam ao normal dentro de uma semana de abstinência. |