volta


Vinho Ajuda A Viver Mais


Com o tema "Vinho, Longevidade e Saúde", a geriatra e PhD Rocio Fonsea, da Pontifícia Universidade do Chile, foi um dos destaques do encerramento do XII Congresso da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, realizado de 21 a 24 de junho em Brasília. 

Representante da Associação Nacional de Vinicultores do Chile e da PUC, ela apresentou os resultados de quatro anos de estudos científicos sobre o impacto do vinho na saúde, feitos por uma equipe de pesquisadores liderados por Federico Leigton, MD.

De acordo com a médica Rocio, integrante da equipe, os estudos, reconhecidos internacionalmente, comprovam que o consumo moderado de vinho garante melhor processo de envelhecimento e longevidade e ainda confere proteção antioxidante contra doenças relacionadas ao estresse oxidativo - processo complexo de envelhecimento das células provocado por radicais livres, que são gerados por fatores ambientais e pelo estilo de vida de cada um.

Uma pesquisa realizada no Chile sobre o efeito protetor do vinho revelou que voluntários submetidos a duas dietas durante 90 dias - uma a mediterrânea, com frutas, verduras, legumes e vinho, e outra a americana, lipídica, sem vinho - apresentaram diferenças consideráveis ao final desse período. Os que fizeram a dieta mediterrânea tiveram aumentada significativamente a capacidade antioxidante do plasma; já os da dieta americana tiveram uma baixa da função endotelial. 

A conclusão é que a dieta mediterrânea, rica em frutas, verduras e vinho, produz proteção antioxidante contra o envelhecimento celular.

Outro estudo apresentado pela médica Rocio Fonsea mostrou que os franceses, americanos e ingleses têm a mesma taxa de colesterol, mas os franceses vivem mais. É que eles consomem mais vinho tinto moderadamente e comem mais frutas e legumes. Provou-se que os bebedores moderados têm de 30 a 40% menos doenças coronárias e morrem de 10 a 20% menos por causas de mortalidade geral.

Segundo a pesquisadora chilena, é seguro tomar de 22 a 32 gramas de álcool por dia. O álcool aumenta o HDL (o chamado bom colesterol) no plasma e os efeitos homeostáticos. Os componentes antioxidantes do vinho, como os polifenóis - a esse respeito, a médica ressaltou que o tinto Cabernet Sauvignon chileno tem a maior quantidade de polifenóis do mundo - possuem atividade vasodilatadora. Isso melhora, entre outras coisas, a função cognitiva. Observou-se também menor incidência de artrites, diabetes e baixo risco de demência tipo Alzheimer.

Para finalizar, a doutora Rocio lembrou que o vinho tinto chileno tem maior quantidade de polifenóis por causa das condições climáticas do país, que apresentam boa insolação e alterações abruptas de temperatura entre o dia e a noite (fenômeno conhecido entre os enólogos como amplitude térmica). Isso faz com que a uva tenha condições para maturação adequada e que os polifenóis sejam produzidos em maior quantidade. Quanto maior a exposição ao sol, maior a quantidade de polifenóis na uva, especialmente nos tintos, em que a fermentação ocorre junto com as cascas. Nos brancos, utiliza-se apenas o mosto, e por isso esse tipo de vinho é pobre em polifenóis.