Uso freqüente de MP3 pode prejudicar audição de jovens

O uso freqüente de aparelhos de MP3 para escutar música, particularmente em alto volume e em ambientes com muitos ruídos, está colocando em risco a audição dos adolescentes, alerta o médico Davide Tufarelli, da Unidade de Reabilitação de Otorrinolaringologia do hospital San Raffaele Pisana, em Roma.

- Está demonstrado que bastam cem decibéis para danificar a audição. Se o estímulo sonoro é repetido com freqüência, o dano pode tornar-se irreversível - disse Tufarelli.

De acordo com o médico, é fundamental monitorar o sistema auditivo de crianças e adolescentes, prestando atenção aos sinais e efetuando um exame audiométrico pelo menos uma vez por ano. Tufarelli alertou para o aumento de distúrbios auditivos entre os pré-adolescentes.

Dados da Associação Italiana de Pesquisa sobre a Surdez (AIRS, em italiano) confirmam a gravidade do fenômeno: enquanto o número de crianças italianas que sofrem distúrbios auditivos na faixa etária entre zero e três anos é de 22 mil, aquelas que apresentam o problema entre quatro e 12 anos somam 98.200, aumentando para mais de 1 milhão na faixa entre 13 e 45 anos.

Fones de ouvido muito pequenos podem afetar audição dos usuários

O uso de toca-MP3 pode afetar, a longo prazo, a audição daqueles que utilizam o aparelho com freqüência. A possibilidade --já cogitada no tempo dos antigos walkmans-- agora conta com um agravante: o tamanho reduzido dos fones de ouvido. Estes acessórios também são utilizados com discmans e telefones celulares.

O médico Brian Fligor, da Harvard Medical School, pesquisou diversos tipos de fones e descobriu que, quanto menores os acessórios, maiores as chances de perda parcial da audição. A pesquisa foi divulgada na publicação norte-americana "Ear and Hearing".

A diferença de níveis sonoros entre os fones grandes (uso externo) e os mais modernos, que se "encaixam" na orelha, fica por volta de nove decibéis. "Pode não parecer muito, mas seria como comparar o barulho de um despertador [80 decibéis] ao de um cortador de grama [90 decibéis]", explica o jornal "The New York Times".

Outro estudo, também citado pelo diário, mostra que os fones modernos não são tão eficientes quanto os antigos na hora de bloquear sons ambientes --o barulho dos carros em uma rua movimentada, por exemplo. Por isso, os usuários tendem a aumentar ainda mais o volume quando utilizam os pequenos acessórios.

O Laboratório Nacional de Acústica em Sidney, na Austrália, afirma que 25% dos usuários de iPod mantêm em seus aparelhos um volume que pode causar problemas de audição a longo prazo. A pesquisa, diz o "NYT", refere-se ao uso do toca-MP3 da Apple.

'Geração MP3' enfrenta danos de audição prematuros, diz pesquisa

Instituição do Reino Unido mostra que dois terços dos adultos escutam música em nível de decibéis prejudicial à audição

A chamada "geração MP3", que utiliza players compatíveis com este formato para ouvir música, enfrenta problemas de audição prematuros por fazê-lo em um volume excessivamente alto, afirma pesquisa da instituição RNID.

A RNID usou níveis de decibéis para testar o volume de 110 players de pessoas com idade entre 18 e 30 anos, de três cidades do Reino Unido - Brighton, Manchester e Birmingham. Destes, 72 ouviam música em um volume acima de 85 decibéis.

Outra pesquisa da RNID mostrou que quase metade destes jovens escutam música por mais de uma hora por dia, sendo que um quarto ouve um total de 21 horas por semana.

A Organização Mundial de Saúde considera este volume prejudicial à audição durante um período de mais de uma hora.

A instituição também descobriu que 58% dos jovens não sabiam correr algum risco com seus players, e 79% nunca viram avisos sobre os níveis de barulho na embalagem dos produtos.

A RNID está entrando em contato com os fabricantes para os usuários serem alertados sobre os perigos do volume alto, além de relacionar os níveis de volume a decibéis.