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LIVRO __________________________________________

Trechos do livro "O Lutador Tailandês" por Fabian Tubino

Trecho 1

O chamei pelo velho assovio, ao que ele atendeu correndo. Suas patas moviam-se velozmente, apesar de todo o peso envolto em seus músculos bem torneados. Em sua boca havia um pedaço de pano todo ensangüentado. Provavelmente fora arrancado das velhas calças jeans que usava o idiota que o atacou. Minhas canelas estavam intactas devido aos árduos anos de treinamento. retirei o pano ensangüentado da boca do cão, sentei no chão e fiz uma misura, então peguei a garrafinha metálica de rum que sempre carrego no bolso interno do meu casaco de couro. Tomei alguns goles e comecei a viajar em tudo o que havia acontecido. Como este mundo é louco! Pensei comigo mesmo. Pois a poucos minutos eu me encontrava em uma situação completamente diferente, e se assim posso dizer, muito melhor.

 

Trecho 2

...conhecer a si mesmo é o primeiro passo para nos tornarmos vencedores.

A hora estava chegando. O momento onde tudo seria revelado. Não haveria medo, raiva, dor, angústia. Não haveria mais nada, o mundo lá fora não existiria. Alcançaria assim o imutável, o inatingível, o nirvana, momento único onde prevalaceria a serenidade de espírito. Começou a tocar um rap para a entrada do meu adversário. Em uma passarela com tochas de fogo ele ia se deslocando até a arena de combate, usando um kimono e uma toalha sobre a cabeça. Eu acompanhava a sua entrada através de um telão, conforme ele se deslocava desferia socos no ar. Por causa da toalha sobre a cabeça eu não conseguia ver seus olhos, mas precisava vê-los, pois revelariam a mim com quem eu estava lidando, revelariam a sua alma.

Comecei lentamente a traçar as ataduras em minhas mãos e depois enrolei um lenço em volta da cintura, o lenço que pertencera a minha mãe, para que seu espírito me protegesse.

Era hora. Ao som de The Doors comecei a me deslocar pela passarela. Escolhi esta trilha sonora para a minha entrada, porque assim como Jim Morrison acreditava que a morte aconteceria só uma vez, portanto não queria perdê-la, quando chegasse iria saboreá-la, viajar durante o seu percurso, aproveitar cada instante, até o fato consumado.

"...o que a lagarta chama de fim, o mestre chama de borboleta."

Conforme me aproximava da área de combate, eu procurava por um sinal, algo que me indicasse o que estava por vir. Quando trabalhamos por muito tempo a nossa energia, como ocorre nas artes marciais, nos tornamos mais perceptíveis, conseguimos ver melhor e perceber melhor tudo o que nos cerca. Acredito que tudo tem o seu tempo e nada acontece por acaso.

 

 

 

 

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