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Autoria de Paulo de Tarso 25 de fevereiro de 2005

Nunca fui uma criança que se podia dizer "normal", era muito perturbado, tinha pesadelos, ouvia vozes, via coisas, minha infância não foi das mais tranquilas, inúmeras vezes acabei dormindo com meus pais, pelo pânico que me causavam meus pesadelos.

Mas de longe, o mais assustador deles foi uma experiência que vivi quando tinha em torno de 8 a 10 anos de idade, não lembro, faço questão de apagar este episódio da memória.

Éramos católicos, minha mãe era muito fervorosa, ia em todas as reuniões da igreja, orava muito. Certa vez teve uam missa, em uma chácara próxima à cidade que a gente morava, minha mãe foi e levou eu e meu irmão, era um lugar humilde, casa feita de barro, sem energia elétrica iluminada a lampião, bem pitoresco, a missa começara, e eu senti sono, estávamos de carona e tinhamos que esperar a missa terminar, então minha mãe, falou com o dono da casa e eu fui me deitar em um dos quartos da casa, passados uns 10 minutos adormeci mesmo com o barulho. Já perto de terminar a missa, acordei, tinha uma certa aversão àquele lugar, não era por menos ele me  causaria um dos mais apavorantes momentos de minha vida.

Acordei e fiquei deitado, olhando para o teto, quando olhei para o lado do telhado da casa, logo acima de onde estava acontecendo as rezas, vi um homem, cabelo na altura dos ombros, camisa xadrez vermelha com azul, calça jeans, me lembro de cada detalhe, aquele olhar me faz estremecer até hoje, estava lá, um homem que aparentava 30 anos ou mais, o que poderia ser absolutamente normal, a não ser pelo fato de só eu estar vendo, e o fato de ele estar aparentemente morto e amarrado nas vigas de madeira que davam sustentação ao teto tosco, com os braços estendidos e as pernas semi-abertas.

Fui tomado de um pânico sem descrição, depois de tentar em vão pronunciar alguma coisa, consegui chamar minha mãe, mas ela estava na missa e não me ouvia, eu tentava me esconder, virava o rosto, mas quando eu virava ele estava lá, me olhando, aquele homem, com aquele olhar fixo, de defunto.

Finalmente terminou, minha mãe veio, e viu que eu não estava normal, perguntou o que havia eu só apontei, não conseguia olhar mais, no mesmo momento ela, que não via nada, além do telhado, perguntou o que havia, eu dizia, ELE ESTÁ LÁ MÃE! LÁ NO TELHADO. neste momento, o pânico que eu sentia contagiou-a e ela começou a chorar, sem entender nada do que acontecia, por fim, reuniram-se os padres presentes, eram dois ou três, não lembro mais, fizeram umas orações, e o homem deve ter sumido, pois não tive coragem de olhar de novo, depois disso fomos embora, quando estávamos indo embora, quase pra entrar no carro, olhei as pessoas que estavam a cavalo, todos os cavalos que saíam do local saíam faíscas de suas patas, neste momento, olhei para trás, lá estava ele, o homem do teto, parado, de pé em frente a porta, olhando pra mim, de novo, abracei a perna de minha mãe, e tentei mostrar, MAS NEM ELA NEM NINGUÉM VIA NADA, fomos embora, para meu alívio. Passaram-se 12 anos deste episódio pra cá, e nunca mais voltei naquela chácara. Nem pretendo tão cedo.