OS
SETE SUB-SÓIS
Uma lenda, uma história,
não se sabe bem ao certo.
Dizem que no distante cinturão formado pelas sete montanhas de Lisarb que percorre imensuráveis distâncias, no Novo Mundo, havia
ambientes que os olhos dos homens contemporâneos enraizados na
tecnologia material não poderiam acreditar ou mesmo compreender: para
cada uma das sete montanhas um sub-sol causando fortíssima interferência
magnífica de cor. Cada montanha, de maneira ímpar,
era tingida por radiações de uma das seguintes cores: vermelho,
laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta.
Os habitantes daquelas montanhas estavam organizados em
comunidades tribais que a tudo enxergavam na mesma pigmentação que os
influenciava desde os primórdios.
Apesar de saberem, pelos contos, da existência de outras
montanhas e tribos, nunca se atreveram a traspassar os domínios
conhecidos, por medo e ignorância, pois estavam em estado latente de
guerra; assim não houve encontros
ou batalhas.
Entre todas as tribos corria em comum, nos ensinamentos dos anciães,
que o modo como viviam era conseqüência de um grande e generalizado
rompimento e que estavam condenados pelos erros longínquos dos seus
ancestrais, os quais, através da luta contra o domínio da grande
noite, perderam a confiança do Pai da Luz que os tinham como aliados.
Guerrearam-se na busca da predominância de uma cor em particular. Nessa
grande disputa apaixonada desfizeram a harmonia da composição divina.
Como conseqüência desastrosa da desarmonia vibratória, o Grande Sol
fragmentou-se, regredindo em sete sub-sóis.
Os seres provocadores desse retrocesso foram reunidos pela mesma
simpatia e divididos em sete grandes grupos; foram viver em tribos
separadas umas das outras,
já cada qual com um sub-sol que irradiava a cor que eles escolheram.
Amargaram
a irresponsabilidade do desequilíbrio.
Após milênios, essas sete tribos, das sete montanhas, dos sete
sub-sóis, ficaram imaginando, simultaneamente, como outrora devia ser?
O que poderia ser feito para ser como no princípio? Como era ver e
sentir as outras cores que os anciães tanto falavam?
O Pai da Luz, vendo todo
aquele sofrimento e atraso, chamou um seu aliado, talvez o maior deles,
que sabia fluir pelos sonhos, pelo impossível, pelo improvável,
pelos céus, pelas
terras, pelos mares,
por todo o firmamento e por todos os corações; continha na essência
o elo da união de todas as cores: O amor!
Foi-lhe
proposta uma missão, uma viagem: a
difícil travessia pelas sete montanhas de Lisarb. E assim procedeu o
aliado; começou a caminhar, conviver com aquelas tribos. Esforçou-se
pelos caminhos mais difíceis e fez contato com cada sentimento, com
cada entendimento, com cada ser, com cada cor...
Todos ficaram encantados, pois daquele ser visitante único
jorrava uma luz diferente, não predominava nenhuma cor em litígio, porém
todas as cores unidas.
-
Como isso era possível? - perguntavam entre eles.
Este aliado do Pai de todas as cores trouxera a luz da paz, da
humildade e da união; fez ver a cada uma das sete tribos que suas cores
eleitas somente fariam sentido se voltassem a se unir na grande composição
regida pelo Pai da Luz contra a grande noite.
Depois de estabelecido por completo o entendimento, os sete
sub-sóis elevaram-se formando novamente um único e Grande Sol,
passando a ser o farol do universo. E as sete tribos foram recolhidas,
pois já haviam completado o aprendizado. Porém deixaram a região de
Lisarb prontas para receber no futuro outras comunidades que poderão
destacar todas as cores, agora em harmonia, evidenciando as mais belas
realizações da criação.
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