Ana Botafogo
Com 7 anos Ana Botafogo tocava triângulo na bandinha de um conservatório de música, onde depois teve as primeiras aulas de balé. Com 11 entrou para a academia de Lêda Iuqui que foi também primeira-bailarina do Teatro Municipal. Mais tarde foi estudar na França. Ela só iria estudar por três meses, mas conseguiu aí seu primeiro contrato profissional, no Balé de Marseille, do Roland Petit. Permaneceu nela por dois anos. Ao retornar ao Brasil, devido ao golpe militar, o Teatro Municipal se encontrava fechado. Rumou para Curitiba, onde foi interpretar o papel-título de Giselle no Teatro Guaíra. Após mais dois anos volta ao Rio, onde em 1981 é admitida no Municipal como primeira bailarina.
Estreou no Municipal com o balé Coppélia, o que abriu muitas portas para convites internacionais. Quando desfilou na Escola de Samba União da Ilha do Governador se sentiu muito emocionada e apreensiva por estar diante de um público tão grande e espontâneo representando uma arte que é tão ensaiada. 'Foi uma maneira de popularizar a figura da bailarina', diz.
Para ela, foi 'O Lago dos Cisnes' que mostrou a necessidade de grande técnica, já que é extremamente difícil. Teve que trabalhar muito para interpretar o principal papel do ballet. 'Eu era muito vigorosa, a princípio não muito talhada para o Cisne Branco, que era calmo. Tive que trabalhar muito para encontrar a medida certa, até conseguir toda a elasticidade do braço, das costas. Tive desânimos por causa das dores no corpo, mas nunca desisti. Até que um dia comecei a progredir e consegui chegar onde queria.' fala. É realmente uma lição de grande persistência.
Admira Julio Bocca (argentino), Nureyev (russo), Márcia Haydée (brasileira), Maya Plitskaya (russa), Natalia Marakova (russa), Cecília Kerche (brasileira) e Beth Risoléu (brasileira). 'Muito trabalho e perseverança', recomenda Ana para aqueles que iniciam a carreira. Ela também lamenta que o nível social da pessoa implique em seu bom ou mal desenvolvimento, e admira projetos de ballet para menores carentes como o 'Dançando para não dançar', da professora Teresa Aguilar, no morro do Pavão Pavãozinho. 'A magia da dança acontece no palco, mesmo que alguém às vezes nem perceba, tem o dedo Dele'. Ana acredita que Deus lhe dá forças para trabalhar, sempre presente em sua vida, e também quando leva alegria para as pessoas através de sua dança. 'Ele me ajuda ainda a ser uma artista sincera o mais possível, coerente com o que desejo levar ao público.' finaliza.