Vaslav Nijinsky
Vaslav Nijinsky nasceu na cidade de Kiev em 28 de fevereiro de 1890 e foi o segundo filho do casal Thomas Laurentiyevich Nijinsky e Eleonora Bereda, os dois célebres bailarinos (inclusive seu pai era conhecido pelo virtuosismo e seus saltos). A Família Nijinsky possuía companhia própria e excursionava pelo Império Russo. A maior parte da infância Nijinsky passou na região dos Caucasus, onde dançava com seu irmão Stanislav e sua irmã mais nova Bronislawa, ensinados pelo próprio pai.
Aos nove anos, Nijinsky entrou na Escola Imperial de Dança de São Petersburgo, onde seus professores descobriram seu extraordinário talento. Quando ele tinha 16 anos, o encorajaram para se formar e ingressar no Teatro Mariinsky. Ele recusou, preferindo completar seus anos de colégio comum. Já naquela época o chamavam de 'a oitava maravilha do mundo'. Enquanto estudante ainda, ele apareceu no Mariinsky primeiro como membro do corpo de baile, depois em pequenas peças.
Nijisnky se formou na primavera de 1907 e no dia 14 de julho daquele ano ele passou a ser solista do Mariinsky. Sua primeira aparição foi no ballet La Source, onde dançou com a bailarina russa Julia Sedova, e foi um grande sucesso. Ele dançou todos os papéis principais do Mariinsky e também do Teatro Bolshoi, onde ele era bailarino convidado. Logo veio o sucesso.
Em 1909 Sergey Diaghilev, ex-assistente do administrador dos Teatros Imperiais, foi convocado pelo Duque Vladimir a organizar uma companhia de ballet com membros do Mariinsky e do Bolshoi. Diaghilev decidiu levar a companhia para Paris naquela primavera e convidou Nijinsky para ser o bailarino principal.
Na sua primeira aparição em 17 de maio daquele ano, no Theatre du Chatelet, Nijinsky assombrou Paris. Sua expressão de beleza, sua leveza e força de aço, sua elevação, a capacidade de 'voar', seu virtuosismo e sua atuação dramática o transformaram num gênio do ballet.
Em 1912 ele começou a coreografar. Criou para a companhia de Diaghilev os ballets L'Aprés-midi d'un faune (que chocou toda a cidade pelo seu conteúdo erótico), Jeux, e Le Sacre du printemps. Enquanto para a época as peças foram consideradas pesadas demais, atualmente elas são aclamadas por serem extremamente originais e quebrarem com as regras da dança do início do século.
Nijinsky teve um caso de amor com Diaghilev, o que fazia muitos acreditarem que ele só havia cedido espaço para suas coreografias pensando no lado afetivo. Os dois se desentenderam pouco antes da turnê da companhia pela América do Sul, e Diaghilev não acompanhou o seu grupo, ficando na França resolvendo alguns assuntos. Enquanto isso, Nijinsky se desesperava ao achar que seu amor não o queria mais, noivou no Brasil com Romola Pulsky, bailarina do corpo de baile, e casou-se em 1913 na Argentina com uma moça da companhia só para atacar Diaghilev, que ao saber da notícia, o demitiu de sua companhia e de seu coração.
Essa decepção amorosa serviu para agravar a esquizofrenia de Nijisnky, que o fez parar de dançar em 1919, aos 29 anos. Ele viveu desse ano até sua morte na Suíça, França e Inglaterra, e faleceu em Londres em 1950. Está enterrado do lado de Auguste Vestris no cemitério de Montmartre em Paris.