* BIOENERGÉTICA * |
Bioenergética
refere-se às fontes de energia para a atividade muscular. A
fonte de energia para a ação muscular é a molécula de adenosina trifosfato (
ATP ).
No início de
qualquer exercício os músculos utilizam um pequeno estoque de ATP
armazenado. A partir de então se dá-se início ao processo de ressíntese de
novas moléculas de ATP para o prosseguimento das contrações musculares. As
vias para ressíntese do ATP são a da creatina-fosfato (CP), via da glícólise
(com produção de lactato) e via da fosfonlação oxidativa . A via da CP, como
o próprio nome diz depende da creatina,
é muito potente mas suficiente para poucos segundos. A via da glicólise
depende exclusivamente do glicogênio, é quase tão potente quanto a via da CP,
porém produz lactato que diminui o pH celular e bloqueia a glicólise,
impedindo que esforço se prolongue por mais de 3-4 minutos. A via da fosforilação
oxidativa pode utilizar glicogênio, proteínas e gorduras, é pouco potente mas
capaz de manter um exercício de intensidade leve a moderada durante algumas
horas.
O substrato
que determina a duração do esforço é o glicogênio, ou seja, sua concentração
muscular antes do inicio do exercício. Acredita-se que o glicogênio nunca se
esgote, mesmo em exercícios que se prolonguem até a exaustão. Isso porque, em
exercícios prolongados são mobilizados os ácidos graxas e também os aminoácidos
para que o glicogênio seja poupado. Mesmo assim um pouco de glicogênio sempre
é utilizado no processo de oxidação dos ácidos graxas.
A utilização
dos ácidos graxos é proporcional á sua concentração plasmática, já que ao
entrar nos músculos eles inibem o metabolismo da glicose (ciclo da glicose-ácidos
graxas) e passam a ser o substrato predominantemente metabolizado a partir de
40-50 minutos de duração do esforço.
Alguns aminoácidos
são também oxidados nos músculos, mas provavelmente a maior contribuição
seja da alanina glutamina para a síntese de glicose no processo de gliconeogênese.
A glicose liberada pelo fígado na circulação é importante para o cérebro,
demais órgãos e músculos esqueléticos que a captam e utilizam ativamente.
É importante
lembrar que durante o jejum e exercício. o corpo permanece em estado catabólico,
isto é, utiliza os substratos. No período de recuperação após um exercício,
o metabolismo se mantém aumentado em comparação ao repouso e continua usando
preferencialmente os ácidos graxas como substrato.
A partir do
momento da ingestão de um alimento rico em carboidratos, o corpo inicia um
processo de anabolismo, o ciclo da glicose-ácidos graxas se inverte, a glicose
passa a ser metabolizada e usada para a ressíntese do glicogêniO e os ácidos
graxos são esterificados no tecido adiposo. O catabolismo protéico também
cessa e dá lugar ao anabolismo, já que a insulina passará a comandar o
metabolismo em lugar do cortisol.
Portanto, o
anabolismo, síntese de glicogênio, de proteínas e de gorduras ocorre durante
o repouso, fase muitas vezes negligenciada durante um programa de treinamento. O
repouso é imprescindível para que ocorra a supercompensação, isto é, uma síntese
acima dos estoques anteriores para suportar cargas cada vez maiores de esforço.
Em esportes
de longa duração estoques aumentados de glicogênio são muito importantes e
alguns atletas seguem estratégias específicas para a supercompensação desse
substrato. Um procedimento utilizado consiste numa programação dietética de
uma semana. No primeiro dia é depletado quase todo o glicogênio com um exercício
intenso: nos três dias seguintes o treinamento prossegue normalmente mas a
dieta é pobre em carboidratos; nos três últimos dias antes da competição a
dieta é reforçada em carboidratos (pouco mais que 60%). Desse modo os estoques
de glicogênio se tomam maiores do que seriam com uma dieta normal. A explicação
para isso parece estar no aumento da atividade da enzima glicogênio sintetase,
após um pequeno período de baixa atividade devido ao baixo fornecimento de
carboidratos