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1918 ~ 1955
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Geraldo
Pereira
Geraldo
Theodoro Pereira: cantor, compositor e ator. Y
23/4/1918, Juiz de Fora, MG ~ V
8/5/1955, Rio de Janeiro, RJ.
Filho de
Clementina Maria Theodoro e Sebastião Maria. O casal teve quatro
filhos: Manoel Araújo, Maria, Geraldo e Sebastiana.
Em 1930
Geraldo embarcou para o Rio de Janeiro para tomar conta da tendinha
(botequim) no morro da Mangueira do irmão mais velho, Mané-Mané,
que viajava muito por ser camareiro da Rede Ferroviária Federal.
Mais tarde vieram também a mãe e as irmãs.
Geraldo fez
somente o primário na Escola Pará (mais tarde Escola Primária
Pública Olympia do Couto).
Seu primeiro
contato com um instrumento musical foi com a sanfona de oito baixos
do irmão, que dedilhava às escondidas.
Aos 14 anos
empregou-se em uma fábrica de cerâmicas, onde num descuido,
esmagou sua mão direita deixando-lhe seqüelas no dedo indicador.
Com o dinheiro da indenização comprou um violão, que aprendeu a
tocar com Aluísio Dias. Logo começou a acompanhar choros, polcas e
valsas da época até descobrir que seu verdadeiro dom estaria
voltado para um novo gênero musical que estava surgindo, o samba.
Trabalhou também como soprador de vidro, foi apontador na Central
do Brasil e acabou tornando-se funcionário da Prefeitura nos
volantes dos caminhões da Limpeza Urbana, emprego este que defendeu
até seus últimos dias.
Nas reuniões
musicais na casa de Alfredo Português, bom poeta e pai adotivo de
outro futuro grande compositor, Nélson Sargento, lapidou seus
conhecimentos rítmicos e poéticos, pois ali freqüentavam Cartola,
Carlos Cachaça, Nélson Cavaquinho, entre outros.
Afastou-se do
morro com dezenove anos de idade, já um tímido compositor,
começou a freqüentar as rodas artísticas da cidade,
destacadamente as do Café Nice.
Geraldo tinha
mais de 1,80 m de altura, magro, mulato puxado para negro, olhos
claros, quase verdes e gostava de andar de terno branco. Era um
sujeito alegre, vaidoso e mulherengo. Como muitos acham, Geraldo
não era sujeito brigão, só não levava desaforo pra casa.
Seu cotidiano
passou a resumir-se nos bares, gafieiras e noitadas com diferentes
mulheres. Fazia de tema para os seus sambas seus casos amorosos,
tanto que de suas 77 composições gravadas, 69 foram dedicadas ao
sexo frágil.
Em 1938
"teve" que casar com Eulíria Salustiano, apelidada
Nininha. Geraldo não gostava dela, ou melhor, gostava de todas.
Eulíria teve um bebê, Celso Salustiano. No entanto, o grande amor
do compositor foi Isabel Mendes da Silva, com a qual acomodou-se em
um "casamento" mais pacato, porém também atribulado,
repleto de rompimentos e retornos mas que perdurou até a viuvez de
Isabel.
Sua primeira
música gravada foi Se você sair chorando, em 1939, por
Roberto Paiva.
Geraldo
Pereira também foi cantor. Estreou na Rádio Tamoyo do Rio de
Janeiro, no programa Vesperal das Moças, cantava suas
músicas, a dos outros e jingles publicitários, alguns de sua
própria autoria.
Através do
amigo Herivelto Martins fez pontas em três filmes. O primeiro,
realizado em 1942 por Orson Wellws no Brasil, Tudo é verdade,
que não chegou a ser concluído. O segundo, Berlim na batucada,
um musical da Cinédia, dirigido por Luiz de Barros em 1944. O
último, também de Luís de Barros, foi O rei do samba,
inspirado na vida de Sinhô, produção de 1952 da Brasil Vita
Filmes.
Em 1954 veio
para São Paulo na comemoração do IV Centenário da cidade para,
junto com outros sambistas cariocas, participar da apresentação no
Teatro Esplanada do show Brasil em fá, montado originalmente
no Cassino da Urca no Rio de Janeiro por Paulo Soledade.
Um dos
maiores sucessos de Moreira da Silva, Na subida do morro,
creditado a ele e Ribeiro Cunha, segundo depoimento do próprio
Morengueira é de Geraldo Pereira. Foi comprado por um mil e
trezentos réis.
Celebrando o
seu aniversário numa roda de samba com seus amigos em 1955,
Geraldo, sem dar muito alarde, recolheu-se ao banheiro pálido e
suando frio. Não era a primeira vez. Há mais de ano que tinha
crises constante de vômito, evacuava sangue por estar com
complicações intestinais e seu fígado andava em péssimo estado.
Eram sintomas da vida desregrada que ele tinha. Nem assim
afastava-se do vinho tinto ou de seu favorito Conhaque de Alcatrão
de São João da Barra. Quinze dias depois do festejo, o compositor
envolveu-se em mais uma briga, desta vez com o malandro e
homossexual Madame Satã (o pernambucano João Francisco dos
Santos). Geraldo, abatido por um único soco, foi internado no
Hospital dos Servidores da Prefeitura onde permaneceu até falecer,
aos 37 anos, no dia 8 de maio, às 18 horas. Seu atestado de óbito,
não muito fiel, ficou ambíguo entre "hemorragia
intestinal" e "hemorragia cerebral". Já, seus amigos
garantem que ele morreu de câncer. No entanto, o mito popular
alarda que Geraldo teria morrido pela pancada de sua cabeça na
calçada, quando derrubado por Madame Satã. Até hoje é polêmica
a razão de sua morte. Está enterrado no Cemitério São Francisco
Xavier, no Caju.
Em 1982, a
Unidos do Jacarezinho, escola do segundo grupo, fez a sua pequena
homenagem ao compositor com o tema Geraldo Pereira, Eterna
Glória do Samba. O samba-enredo foi composto por seu amigo
Monarco, com a seguinte letra:
Já
lembramos vultos da nossa História
Que
estão cobertos de glória
Nesta
terra alvissareira
Hoje
o artista foi feliz
Lembrou-se
de uma raiz
Da
música brasileira
É
o orgulho da nossa Estação Primeira
Se
divertia nos bailes das gafieiras
E
hoje nós cantamos com prazer, para enaltecer
O
nome de Geraldo Pereira.
Foi
o rei do samba sincopado
Deve
ser sempre lembrado
Este
grande compositor
Quem
não lembra
De
Falsa baiana e Bolinha de papel
Que
fez bamba o nosso bacharel.
Você
só dança com ele
E
diz que é sem compromisso
É
bom acabar com isso
Não
sou nenhum Pai João
E
o Jacarezinho enaltece o escurinho
Que
tinha a mania de brigão.
Certa
ocasião, ao ser chamado de sambista, Ary Barroso reagiu:
"Infelizmente, não sou sambista. Sambista mesmo é Geraldo
Pereira".
Em 1977, em
seu ótimo disco Espelho, João Nogueira faz sua homenagem a
Geraldo e a outros dois grandes compositores, através de seu samba Wilson,
Geraldo e Noel.
São do
pesquisador Jairo Severiano1 as últimas palavras:
"Ele
ocupou lugar de destaque no processo de evolução do samba através
da valorização das síncopas e do emprego de determinadas
resoluções harmônicas inusitadas nas composições da
época".
1.
SEVERIANO, Jairo. Encarte do disco Geraldo Pereira. Rio de
Janeiro, Funarte, 1983.
Principais
sucessos:
-
Acabou
a sopa, Geraldo Pereira e Augusto Garcez, 1940
-
Acertei
no milhar, Wilson Batista e Geraldo Pereira, 1940
-
Ainda
sou seu amigo, Geraldo Pereira, 1946
-
Até
hoje não voltou, Geraldo Pereira e J. Portela, 1946
-
Bolinha
de papel, Geraldo Pereira, 1945
-
Cabritada
malsucedida, G. Pereira, Wilton Wanderley e Jorge Gebara,
1953
-
Chegou
a bonitona, Geraldo Pereira e José Batista, 1948
-
Chegou
o dia, Geraldo Pereira e Elpídio Viana, 1945
-
Escurinha,
Geraldo Pereira e Arnaldo Passos, 1952
-
Escurinho,
Geraldo Pereira, 1955
-
Falsa
baiana, Geraldo Pereira, 1944
-
Golpe
errado, Geraldo Pereira, David Nasser e Cristóvão de
Alencar, 1946
-
Liberta
meu coração, Geraldo Pereira e José Batista, 1947
-
Minha
companheira, Geraldo Pereira, 1949
-
Ministério
da Economia, Geraldo Pereira e Arnaldo Passos, 1951
-
Onde
está a Florisbela?, Geraldo Pereira e Ary Monteiro,
1944
-
Pedro
do Pedregulho, Geraldo Pereira, 1950
-
Pisei
num despacho, Geraldo Pereira e Elpídio Viana, 1947
-
Pode
ser?, Geraldo Pereira e Marino Pinto, 1941
-
Que
samba bom, Geraldo Pereira e Arnaldo Passos, 1949
-
Resignação,
Geraldo Pereira e Arnô Provenzano, 1949
-
Se
você sair chorando, Geraldo Pereira e Nélson Teixeira,
1939 
-
Sem
compromisso, Geraldo Pereira e Nélson Trigueiro,
1944
- Você está sumindo,
Geraldo Pereira e Jorge de Castro, 1943
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