Dona Angélica era professora.
Residia em uma pequena cidade e dava aulas numa vila próxima.
Não era considerada uma pessoa equilibrada em razão do seu
comportamento, que parecia um tanto esquisito. Os alunos da escola de primeiro
grau tinham-na como uma pessoa muito estranha.
Eles observavam que a professora, nas suas viagens de ida e
volta do lar à escola, fazia gestos e movimentos com as mãos, que não
conseguiam entender, e por esse motivo, pensavam que ela era meio fora do juízo.
Pela janela do trem, dona Angélica fazia acenos como se
estivesse dizendo adeus a alguém invisível aos olhos de todos.
As crianças faziam zombarias, criticavam-na, mas ela não
sabia, pois os comentários eram feitos às escondidas.
Todos, inclusive os pais e demais professores, achavam que
ela era maluca, embora reconhecessem que era uma excelente educadora.
Os anos se passavam e a situação continuava a mesma.
Várias gerações receberam, da bondosa e dedicada
professora, ensinamentos valiosos e abençoados.
Dona Angélica era uma pessoa de boas maneiras, calma e
gentil, mas não muito bem compreendida. Envelhecia
no exercício do dever de preparar as crianças para um futuro melhor, com espírito
de abnegação e devotamento quase maternal.
Certo dia em que viajava para sua querida escola, com
diversas crianças no mesmo vagão do trem, movimentava, como sempre, as mãos
para fora da janela.
Os alunos sentados na parte de traz sorriam maliciosamente
quando um aluno seu, sentou-se ao seu lado e, com ternura lhe perguntou:
- Professora, porque você insiste em continuar com essas
atitudes loucas?
- Que deseja dizer, filho? Interrogou, surpresa, a bondosa
senhora.
- Ora, professora - continuou ele, - você fica abanando as mãos
para os animais ou... Isso não é loucura?
A mestra amiga compreendeu e sorriu. Sinceramente emocionada,
chamou a atenção do aluno, dizendo:
- Veja na minha bolsa - e apontou para o objeto de couro
forrado.
- O que há aí dentro?
- Tem um saquinho com um tipo de pó... O que é isso ?
A professora respondeu calmamente:
- É pólen de flores. São pequenas sementes...
- Há quase vinte anos eu passo por este caminho, indo e
vindo da escola. A estrada, antes, era feia, árida, desagradável.
Eu tive a idéia de embelezá-la semeando flores. Desse modo, de
quando em quando, reúno sementes de
belas e delicadas flores do campo e as atiro pela janela... Sei que cairão em
terra amiga e, acarinhadas pela primavera, se transformarão em plantas a
produzirem flores, dando cor e alegria à paisagem. Como você pode perceber, a
paisagem já não é mais árida. Há flores de diversos tipos e um suave
perfume que a brisa se encarrega de espalhar por todos os lados...
Na
vida, todos somos semeadores...
Uns semeiam flores e descobrem belezas, perfumes e frutos.
Outros
semeiam espinhos e se ferem nas suas pontas agudas.
Ninguém vive sem semear, seja o bem, seja o mal...
Felizes são aqueles que, por onde passam, deixam sementes de amor, de bondade,
de afeto... fazendo um mundo melhor!
Tenha
um feliz e santo dia!