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Projeto Fênix Por Flávio Nicoliche
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Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento da Aeronáutica (DEPED),
recebeu hoje, dia 16 de outubro de 2001, as ofertas das empresas que
participam do Projeto F-X BR, para fornecimento do novo caça de
superioridade aérea da Força Aérea Brasileira. O Projeto F-X BR, ou
Projeto Fênix, visa substituir os antigos e obsoletos caças de
interceptação Mirage III, por aviões de alta tecnologia e poder de
fogo, numa concorrência de US$ 700 milhões, implicando em uma feroz
disputa internacional entre as empresas de aviação bélica e até mesmo
entre seus respectivos governos. As empresas que apresentaram propostas são:
a Lockheed Martin, dos Estados
Unidos; RAC-MIG e Rosoboronexport,
da Rússia; consórcio SAAB, da
Suécia e BAE Systems,
da Inglaterra; e consórcio EMBRAER,
do Brasil e Dassault, SNECMA e Thales,
da França. E quais seriam as
propostas de cada uma dessas empresas ou consórcios? O consórcio russo, está
oferecendo os caças MIG29 e os aviões Sukhoi 30, com a promessa de
compra de US$ 10 bilhões de carne suína brasileira e outros produtos
primários. Os aviões são adequados e a proposta comercial é
interessante, mas os russos não transferem a produção e deixam muito a
desejar em matéria de assistência técnica.
Mirage 2000 Mk2 – Opção do consórcio Dassault/EMBRAER.
Um consórcio europeu liderado
pela Inglaterra pode disputar com o EF2000, e os suecos em associação
também com os ingleses, tem o JAS-39, esse mais barato do que os outros
modelos. Acontece que são aviões de menor autonomia de vôo, adequados
para o continente europeu não para o Brasil. Além disso, esses aviões
contém muitas peças norte-americanas recaindo no mesmo problema das
restrições à transferência de tecnologia. A Lockheed
Martin, dos Estados Unidos, ofereceu seu conhecido caça F-16
Falcon, um ótimo caça que possui grande poder de fogo e
versatilidade, porém, como já era de se esperar, o governo
estadunidense, não permite que países da América Latina usem sua
tecnologia de ponta, como mísseis ar-ar
de médio alcance AIM-120A AMRAAM, nem os radares das versões mais
modernas do caça F-16, como
aconteceu com o Chile, que fez o mesmo tipo de concorrência, e na hora de
receber os caças da Lockheed Martin,
recebeu as versões antigas, e foi impedido de comprar os mísseis de médio
alcance. Já a francesa Dassault,
fabricante dos Mirage e que já é sócia da Embraer, fez uma proposta
interessante: estaria disposta a transferir para o Brasil a produção dos
Mirage 2000 Mk2, o mais moderno caça de sua linha.
Míssil ar-ar de médio alcance AIM-120A
AMRAAM.
Além de garantir a transferência,
a Dassault não impõe nenhuma restrição ao seu uso e a sua tecnologia,
como costumam fazer os estadunidenses. Isso significa que a parceria
Embraer/Dassault poderá fabricar os Mirage não só para a Força Aérea
Brasileira, mas também para diversos países latino-americanos que, como
o Brasil, precisam substituir os seus velhos Mirage III. Muitos acham desnecessária a
compra de material bélico para um país como o Brasil, que possui um histórico
pacífico, porém, não podemos esquecer a importância de defender o
território nacional, o povo brasileiro, e os interesses econômicos do
Brasil, e isso só se consegue através de um poderio militar capaz de se
impor frente a qualquer ameaça externa. Não podemos, simplesmente,
comprar armas e ficarmos dependentes de manutenção e peças de outros países.
Uma força militar deve ser forte e auto-suficiente. Também não podemos esquecer
os interesses da industria nacional e dos fatores econômicos, como a
balança comercial, o PIB e a criação de empregos, que se beneficiariam
com a fabricação dos aviões em território nacional. Porém, muito mais importante que fatores econômicos e políticos, é a consciência de que, seja qual for o avião escolhido, o que estará em jogo é a vida de brasileiros, dispostos a se sacrificar, mesmo que com a própria vida, para que o Brasil seja um país livre, forte e soberano.
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