Amar é...
- Atenção por favor...! Atenção! Eu tenho algo muito importante para falar.
- Ah não... - sussurrou para si mesma.
...Back Then...
Eu sempre fui um garoto popular. Na escola, na rua, nas baladas, nas festas... sempre acompanhado, bem acompanhado aliás. Ok, eu não estou me gabando, estou simplesmente falando a verdade. Eu gostava muito de sair, beber e me divertir com meus amigos. E de garotas. Ahhh garotas. Que menino de 16 anos não gosta de garotas não é mesmo? A não ser que você seja gay, lógico. Nada contra, mas eu gosto de garotas. Mas pensando bem, se for uma menina gay, você vai gostar de garotas também.... ok, mas isso não vem ao caso.
Tem muitas festas que eu fui e não me lembro de praticamente nada. Vergonhoso? Sinceramente, acho que seria mais vergonhoso se eu me lembrasse de tudo que eu possa ter feito... mas tem um final de semana em particular que eu me lembro detalhadamente. É absurdo porque eu estava bêbado, mas eu lembro.
Era um final de semana de 30 horas de festa na casa de um amigo meu, já que os pais dele viajaram por quatro dias. Nós compramos muita bebida e pra entrar na festa, as meninas tinham que trazer uma caixinha de cerveja e os meninos uma garrafa de qualquer bebida, alcóolica lógico. Ha. E como nós conhecíamos muita gente, a festa teria muita bebida.... a festa começou por volta das quatro da tarde do sábado e umas três hora depois a casa já estava lotada, música alta, meninas dançando em cima do sofá e das mesas... gente se pegando... e eu procurando o primeiro 'alvo' da noite. Tinha um grupo de meninas me olhando e uma delas era uma gracinha, mas pareciam ter uns 13 anos e eu estava me sentindo seletivo essa noite. Apenas sorri para elas e continuei a andar e conversar com a galera. Passou muito tempo e nada de achar alguém interessante com pelo menos 15 anos.
- Hey , sozinho ainda? - disse um amigo meu se aproximando com dois copos de cerveja e me oferecendo um.
- Valeu dude. - eu tomei um gole geladinho de cerveja e olhei em volta. - Quero uma garota, não uma menininha de 13 anos.
- Hmm sei, se conseguir achar alguma, meu quarto está livre.
Soltei uma risada alta.
- Você só imagina besteiras, Jason.
- Vindo de você... não tem como não imaginar! Bom, eu vou indo. Heather me aguarda na cozinha. - ele piscou para mim.
- Boa sorte dude. - eu ri.
Dei mais um gole na minha cerveja e acabei com o copo que Jason tinha me dado. Coloquei o copo em cima de uma mesa qualquer e fui buscar uma garrafa. Odeio tomar cerveja em copos de plástico até hoje, o gostoso é beber direto do gargalo. Fui para a cozinha e quando entrei vi que alguém tirava sarro de Jason.
- Dude, Jason. Eu não quero um copo de cerveja. Me dá uma garrafa Heather.
Era uma voz de garota. Não era uma voz de menininha, estridente. E sendo o cavalheiro que eu sou logo peguei duas garrafas de cerveja, abri e me virei para oferecer pra ela.
- Garrafa?
- Ah, obrigada. - ela disse sorrindo.
- De nada. Me desculpe pelo Jason. Ele acha que cerveja deve ser tomada em copos de plásticos.
- Heinekken? (olha a propagandaaa lol, não bebam crianças! isso é feio.... lmao) Em copo? De plástico? Isso é no mínimo um ultraje!
Eu ri e analisei a garota que estava em minha frente. Não sabia que ela era. Não sabia seu nome. Mas tinha simpatizado com ela. Vejam bem, ela não tinha aquela beleza estonteante... era uma garota normal, nada chamava atenção nela. Ela não era feia, mas também não fazia os pescoços se contorcerem quando entrava em um lugar.
- Ah , beber no gargalo é coisa de muleque. - disse Heather.
- Obrigado pelo muleque. - respondi meio ofendido.
- Ah você entendeu, .
- Então só porque eu bebi no gargalo isso faz de mim um muleque? - ela riu e deu mais um gole. - Então eu realmente SOU um menininho. Agora, se me dão licença, o "menininho" vai dar uma volta. - ela disse num tom irônico e saiu andando sem olhar pra trás.
Ouvi Heather suspirar.
- Ela é muito cabeça-dura.
- Bem, você a ofendeu e ela que é cabeça-dura? - respondi sem pensar.
- ! Não fale assim com ela.
- Que seja.
Virei as costas e sai andando. Afinal, não ia passar a noite discutindo com os dois sendo que já eram quase onze da noite e eu não tinha achado nenhuma garota.
Mais meia hora de procura e achei uma velha... erm... "amiga", Katie. Ahhh Katie. Ok, não vou entrar em detalhes sobre a Katie. Não que ela não mereça, mas, ah, enfim. Comecei a conversar com ela e descobri que ela tinha acabado de terminar com o namorado. Que sorte hein? A minha, lógico. Continuamos conversando por um tempo quando houve um enorme estrondo e um rebuliço enorme na sala. Uma rodinha se formou e vi um cara caido no chão com o nariz sangrando. Brigas, puta merda eu odeio brigas. Foi então que eu olhei para cima para ver quem tinha socado ele e vi a amiga de Heather, a da garrafa. Ela estava com o rosto vermelho e lágrimas escorriam dos seus olhos. Mas não eram lágrimas de tristeza, eram lágrimas de ódio. Dava para perceber que ela estava muito, mas muito nervosa com os punhos fechados, encostada na parede, arrumando a blusa que estava levantada, mexendo no zíper da calça e respirando profundamente sem parar.
- Eu disse pra você não encostar essa mão imunda em mim.
- !!! O que você... ai que vergonha. você não podia ficar queita? - disse Heather quando viu a amiga no meio da rodinha.
- Vai se foder Heather. Eu nunca fui tão humilhada na minha vida. Eu estou indo embora.
- ela disse saindo pela multidão.
Todos então começaram a rir dela, inclusive o paspalho caído no chão que começou a contar histórias de como ela não queria que ele se aproveitasse dela. "Mas eu só tentei dar prazer pra ela." ele disse alto e todos riram.
Aos poucos a multidão foi se desfazendo e todos voltaram ao que estavam fazendo, mas sempre comentando o que tinha acontecido. Katie me puxou pra perto dela, perguntando se eu sabia quem era aquela menina e o que estava realmente acontecendo.
- Eu... eu... realmente eu não sei ao certo. - respondi sinceramente. A única coisa que me chamava atenção e me preocupava era que aquela garota devia estar correndo pelas ruas vazias de madrugada e a amiga dela não mexeu um dedinho para ir atrás dela.
- Mas... não é perigoso? Quero dizer, ela estava sozinha aqui na festa? Não vi ninguém ir atrás dela e uma garota não deve andar por ai sozinha essa hora.
- Você acha que devemos ir atrás dela?
- Vamos. - ela disse me puxando pela mão e nos guiando até a porta principal no meio da multidão. - Ela não deve ter ido muito longe.
No caminho esbarramos em Heather e Jason que estavam se divertindo, Jason piscou para mim e eu balancei a cabeça, seguindo Katie sem dizer nada.
Nós a procuramos por todas as partes durante uma hora mais ou menos. Katie desistiu e entrou, eu disse que ia tentar procurá-la um pouco mais. Tentei por mais meia hora e nada... estava prestes a entrar quando vi uma silhueta em cima de uma árvore. Não, não podia ser, meus olhos estavam me enganando. Mas eu estava errado, era ela.
- Como foi que você conseguiu subir aqui? - eu perguntei quando me senti em um galho ao lado do dela.
Ela riu.
- Pergunta diferente a sua. - ela viu que eu não tinha entendido. - Qualquer outra pessoa ia perguntar porque eu estou aqui em cima. - ela sorriu de novo, mas logo o sorriso se apagou.
- Erm... desculpe, mas eu ainda não sei o seu nome.
- . Meu nome é .
- ... ok. Então, erm, . Posso te chamar assim? - ela fez que sim com a cabeça. - O que houve?
Ela ficou ali parada me analisando por um grande tempo. Convenhamos, eu era um completo estranho para ela!!! Ela simplesmente suspirou e voltou a abraçar os joelhos, olhando para frente.
- Desculpe. Sei que sou um completo estranho, mas eu... bem, uma garota na rua sozinha a essa hora da noite.... e no estado de nervos que você estava...
Ela me cortou.
- Não precisa se desculpar. Você se preocupou, foi bonitinho. - ela deu um sorriso sincero. - Quem me deve desculpas é a Heather, mas eu já estou acostumada com isso.
- São amigas há muito tempo?
- Sete anos. Conheci ela quando mudei aqui pra quando tinha uns nove.
- Que bela amiga hein. - eu disse irônico. - Desculpe eu não queria of...
Nessa hora ela tampou a minha boca com a mão e fez sinal pra eu ficar quieto com a outra, e depois apontou para baixo.
Eu olhei e vi Jason e Heather saindo da casa, os dois bem juntos um do outro.
- Mas e a sua amiga?.
- Ah, é grandinha, ela sabe se virar muito bem sozinha. Vamos?
Os dois então entraram no carro de Jason e dentro de segundos, desapareceram. Só depois disso ela tirou a mão de minha boca.
- Viu? Essa é Heather, minha melhor amiga.
- Acho que você precisa de amigos novos. - eu disse rindo.
- Acho que sim.
Passamos muito tempo conversando lá em cima da árvore, bem pelo menos até eu convencê-la a descer dali demorou muito tempo. Até Jason e Heather já tinham voltado pra festa quando descemos eu a convenci a voltar lá pra dentro. Entramos e todos olharam para ela, mas eu logo a puxei pela mão. Procurei ficar longe de todo mundo levei ela pra cozinha pra gente pegar bebida. Quando chegamos lá demos de cara com Heather e Jason......literalmente se roçando.
- Vai com calma rapaz. - eu disse entrando de mãos dadas com .
- E a sua moral , cadê? Geralmente quem está aqui se esfregando em alguma menininha é você. - retrucou Jason.
Eu fiquei muito sem graça. Não sei porque. Estava acostumado a esses comentários. Nunca me importou uma garota ouvir isso. Até gostava, mas dessa vez me senti diferente. Fiquei com raiva. Peguei as cervejas, a mão de e sai dali sem nem ao menos responder ele.
- Você tá bem?
- Ahn? Ah... tô sim. - respondi sem ao menos olhar pra ela.
- Tem certeza?
- Tenho... - respondi com a voz fraca olhando para onde meus amigos estavam. Todos se divertindo e com uma garota nos braços prontas para, bem... enfim.
- Olha, eu não queria te causar problemas ok? Acho melhor eu ir embora - ela disse se levantando e indo embora.
- !!!! Volta aqui!!! - eu sai correndo atrás dela.
Mas ela não parou. Não demorou muito e eu consegui alcançá-la, segurei-a pelo braço e a puxei pra mim, a abraçando. Ela estava assustada e tremia muito.
- Me desculpe.
- , você não tem que ficar cuidando de mim como se fosse uma babá. Pode aproveitar a festa e a noite. Você já gastou tempo demais comigo. Um garoto como você devia estar se divertindo na festa agora.
- Eu estou me divertindo com você.
Ela deu uma risada irônica e se afastou de mim.
- Olha , sem essa de pena ok? Pode voltar pra festa, eu estou indo pra casa.
- Pena? Do que você está falando???
- eu continuei indo atrás dela. Ela se virou pra mim.
- Pode parar com a cena de bom samaritano que cuida da pobre menina indefesa e sem amigos. Volta com seus amiguinhos populares e com as suas namoradinhas baranguentas pra festa. Eu sei me cuidar.
Eu segurei ela pelo braço mais uma vez, mas dessa vez com mais força. Ela olhou para mim e seu olhar transmitia sensação de medo. Ela estava com medo de mim. Eu suspirei e abaixei a cabeça, aliviando a pressão da minha mão no braço dela, mas sem soltá-la. Eu puxei ela pra perto de mim e a segurei pela cintura. Ficamos assim em silêncio por um bom tempo. Foi ela que falou primeiro.
- O que você quer de mim ? Porque você não me deixa ir embora?
- Eu não quero que você tenha uma impressão errada de mim.
- E o que faz você pensar que eu tenho uma impressão errada de você?
- Eu não sou como o Jason.
- Eu nunca disse que você era.
O silêncio pairou mais uma vez.
- o q... - eu não deixei ela terminar a frase, simplesmente puxei ela pra frente pela cintura e encostei minha boca na boca dela.
Ela levemente me afastou dela, colocando as mãos em meu peito. Ela não disse nada, apenas ficou me olhando.
- Me desculpe, eu... - parei de falar quando senti os dedos dela em meus lábios.
- Não se desculpe. Você não fez nada errado. - ela sorriu. - Mas eu realmente preciso ir pra casa.
- Erm... pelo menos deixe eu te acompanhar. Faço questão de saber que você chegou bem.
- Vamos, é por aqui. - ela disse se soltando de mim e mostrando o caminho.
Conversamos muito no caminho e descobri que tínhamos muita coisa em comum... mais do que eu podia imaginar. O tempo passou rápido e logo chegamos na porta da casa dela.
- Eu moro aqui. - ela disse parando na frente de um belo jardim.
- Bonita casa.
- Eu gosto de morar aqui. - ela olhou para mim. - Obrigada. - ela sorriu e se aproximou de mim dando um leve estalinho em minha boca. Depois ela sorriu marotamente e correu para dentro de casa.
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Inspiração para a Fic:: A música Love Is do Backstreet Boys (álbum Never Gone).