Sem Você


by Duda


- ? Você tá acordado? - disse uma voz sonolenta.
- Hnsfsjhbjybehnvudnnn... - veio um resmungo.
- acorda.
- Não.
- !!!
- Que foooooooi? Argh. - ele disse se sentando na cama. - Entra logo ! Você já me acordou mesmo...
entrou no quarto de .
- Que foi, dude?
- É o . Ele não tá em casa.
olhava indrédulo para o amigo.
- Diz que você não me acordou por causa disso.
olhou para ele com cara de inocência.
- Eu te mato um dia .
- Mas você sabe onde ele tá?
- Não, . Eu não sei onde ele está nem pra onde ele foi. - eu disse me deitando de novo. - Já tentou no celular dele?
- Já... ninguém atende.
- Hoje a gente tem folga né?
- Hmm, tínhamos. O Fletch me ligou agora. Disse que temos uma entrevista pra ser feita às três.
- Damn. - disse se levantando de novo. - Eu vou tomar um banho. Vê se acha o Charlie.
- Ok.


- Meu Deus como você cresceu!!!!
- Cala a boca. Você parece a vovó.
- Tá me chamando de velha?
- Bem, você está mais velha...
- Ai que saudades que eu estava de você... - ela disse abraçando o irmão mais uma vez.
- Eu também. Como foi a viagem?
- Foi ótima... a Austrália é um lugar maravilhoso.
- Pulou de bunguee jump?
- Não! De jeito nenhum! Você sabe que eu morro de medo de altura.
pegou as malas da irmã e colocou dentro do carro.
Os dois entraram no carro e houve um silêncio gostoso entre os dois irmãos.
- E as coisas por aqui como estão?
- Tudo bem... nada de muito diferente.
- E a banda?
- Cada vez melhor! O segundo cd está pra sair! Mal posso esperar...
sorriu. Sabia o quanto o irmão gostava de tocar em uma banda.
- ?
- Hmm.
- Como ele está?
ia dizer alguma coisa mas o celular dele tocou.
- Alô.
- ! Macacos me mordam! Onde você se enfiou cara?
- Respira. O que houve? Alguém morreu?
- Não dude. Mas você vai morrer se atrasar pra entrevista. Eu e o já estamos indo pra lá.
- Entrevista hoje? Mas era folga!!!
- Eu sei, mas o Fletch me ligou e avisou que temos uma entrevista hoje. Corre, você não pode chegar atrasado. Aliás... onde você está?
- Eu tinha algo importante pra fazer.
- O que?
- Olha , a gente se vê daqui a pouco. - ele disse desligando o telefone na cara do menino.
- Grosso. - disse colocando o celular no bolso e entrando no carro ao lado de .
- E ai? Onde ele está?
- Fazendo uma coisa importante. - disse com uma voz pomposa, zombando .


Ao ouvir o nome dele o coração dela acelerou e ela se odiou por isso. Não podia deixar esses sentimentos adormecidos despertarem desse jeito. Não, não. De jeito nenhum. Não queria sofrer mais. Tudo aquilo tinha sido suficiente. Ela não queria passar por tudo aquilo novamente nunca mais... mas se ao apenas ouvir o nome dele seu coração disparara... pôs-se a imaginar o que aconteceria quando ela o visse...
- ???? Eu tô falando com você!
- Ahn? Ah! Me desculpa ... o que você disse mesmo?
- Eu disse que eu tenho que ir direto pra uma entrevista. Você se importa de ir junto?
- Eu... não. Sem problemas.
Houve uma pausa longa.
- Ele vai estar lá, você sabe.
- Sim eu sei. - ela disse olhando para o irmão. - Todos temos que enfrentar o passado um dia...


estacionou o carro e ele e desceram do carro e entraram no prédio. Fletch andava pra lá e pra cá no corredor com um celular na mão. Ele abriu um enorme sorriso quando avistou .
- Finalmente! Bem em tempo! - ele o abraçou.
- Entre, os meninos estão te esperando. - ele então finalmente percebeu a presença de . - E você...
- Sou . Irmã do .
- ? Meu Deus quanto tempo!!! Como você mudou!!!
A menina sorriu timida.
- Quando você chegou?
- Hoje de manhã. O se atrasou por minha culpa. Ele foi me pegar no aeroporto.
- Mas porque os men... - Fletch parou no meio da sentença e se calou.
Ficou um clima um pouco estranho até que se pronunciou.
- Tem alguma lanchonete por aqui? Eu estou morrendo de fome.
- Tem sim. Fica logo ali na esquina.
- Ah então eu vou comer algo. Me ligue quando terminar . - ela se virou e chamou o elevador. Ela não estava pronta para vê-lo. Não agora.


- Finalmente essa droga de entrevista terminou. Eu quero ir logo pra casa. - disse se levantando.
Quando eles saíram do prédio, foi para o sentido oposto dos meninos.
- , dude. Onde você tá indo? - perguntou sem entender nada.
parou e olhou para os amigos.
- Eu vim de carro lembra?
- Ah, então a gente volta com você. - disse indo atrás dele, com o seguindo de perto.
- Erm... - resmungou.
- Dude, o que você tem? Você tá estranho desde a hora que chegou aqui!
respirou fundo e encostou no carro.
- Guys, é que...
- Ei ! Você demorou hein! Tive que comer uns dois cheeseburg... - a menina parou sua sentença no meio ao perceber que seu irmão não estava sozinho.
congelou. Era ela. A quanto tempo que ele não a via... Deus, ela estava linda. Bem, ela sempre fora linda, mas ela estava mais mulher e menos menina. Então ele se lembrou de tudo que tinha acontecido antes da menina ir viajar e o sorriso que ia se formando em seu rosto logo apareceu. Qual seria a reação dela?


Porque? Porque? Porque? Ela se xingou mentalmente. Porque ele tem que estar tão perfeito? Uma mistura de sentimentos invadiu-a: uma raiva enorme que vinha de dentro, uma vontade enorme de dar um tapa bem dado na cara dele e ao mesmo tempo uma vontade incontrolável de abraçá-lo, uma saudade enorme do menino que ela amava e não via há anos.
De repente ela voltou a realidade. tinha a machucado. Não merecia ela. Ele teve a oportunidade e simplesmente a jogou pela janela de um trem em alta velocidade. Respirou fundo, retomou a postura e voltou a falar...
- Oi meninos. - ela disse dando um sorriso.
- !!! - a abraçou. - Como você está diferente!
Ela riu.
- Pode ter certeza de que ainda sou a mesma pessoa.
- Aposto que você é. Ainda joga basquete?
- Lógico! Ganhei medalha de melhor jogadora das olimpíadas do meu colégio. - ela disse orgulhosa.
- Essa é minha irmã!
- Eu tive um bom professor. - ela ficou séria e olhou para . - E você? Como você está?
- Eu.. é... bem, eu estou muito bem.
- Que bom. - ela respondeu seca. - , podemos ir embora? Eu preciso dormir.
- Claro, vamos, todos pra dentro do carro. - disse destravando as portas. - 'Isso não vai dar certo.' - ele pensou.


Os meninos instalaram no quarto de hóspedes.
- Se precisar de qualquer coisa me chame ok? Preciso ir até o mercado, mas devo estar de volta logo. - disse dando um beijo na testa da irmã. - Qualquer emergência, me ligue.
- , eu estou na sua casa! Que tipo de emergência pode surgir? - ela riu.
- Você está sobre o mesmo teto que o . E apesar de não saber ao certo porque você tem tanta raiva dele, eu sei que vocês dois podem se matar se quiserem. - ele disse sério.
- Ah, nem vem com sermão de irmão mais velho tá. Você já fez suas cagadas, deixa que eu cuido das minhas.
- Eu só não quero que você se machuque.
- Adivinha só? Eu já me machuquei. - ela disse triste. - Agora vai logo comprar comida. Vou estar com fome quando eu acordar. - ela deu um sorriso forçado.
sorriu e fechou a porta do quarto.
sentou na cama e abraçou os joelhos. Respirou fundo. "Porque? Porque?" era a única coisa que ela conseguia pensar. Se deitou na cama, admirando o teto. Aos poucos o cansaço venceu, e a garota adormeceu.


- Cadê o ? - disse aparecendo no andar debaixo da casa, ainda meio sonolenta.
- Ele...erm. Está no quarto dele.
- Ah, obrigada .
- ela disse dando meia volta rapidamente, e subiu as escadas rapidamente.
Nisso entrou na sala.
- Dude, você deve ter sido um verdadeiro idiota. A mina foge de você até hoje. - ele riu.
- Não enche . - bufou o outro.
- Sorry, dude. Mas eu só disse a verdade. Ela olha pra você e foge como se tivesse visto um monstro.
- você não está ajudando. - ele respondeu quase gritando.
- Você também não ajuda muito sabe? Afinal ninguém sabe até hoje porque vocês dois...
- Chega ok? Não quero falar sobre isso agora. - ele levantou nervoso. - Vou dar uma volta. - ele saiu pisando firme e batendo a porta.


Lá em cima...
- Bom dia...
- ? São quase oito da noite! - disse o irmão colocando o violão de lado.
- Mas eu acabei de acordar...
- Isso eu percebi pela sua cara amassada.
Os dois deram risada.
- Mas isso não explica essa sua cara triste.
- É cansaço.
- Você não me engana, .
- Não começa.
- Eu não consigo evitar, desculpa. Você namorava um dos meus melhores amigos, do nada vocês terminam e nunca mais se olham na cara e até hoje eu não sei porque!!!
começou a chorar.
-Ah, desculpa. Eu me descontrolei.
- Tudo bem, eu sei que você está preocupado. Mas eu vou ficar bem. - ela disse limpando as lágrimas na manga do moletom. - Eu só nunca imaginei que os sentimentos voltariam tão fortes quando eu visse ele de novo.
passou a mão pela cabeça da irmã, a abraçando.
- Você ainda gosta dele, não é? - ele sentiu a cabeça dela afirmar lentamente e suspirou. - Se diz alguma coisa eu e o sempre achamos que ele nunca realmente te esqueceu...
Ela se soltou do irmão e sorriu.
- Mas isso não muda muita coisa, muda? - ela disse séria. - Vamos, estou morta de fome. O que você vai fazer pra eu comer? - ela disse dando um sorriso.
- Adivinha só? Lasanha!
O sorriso da menina se alargou e ela pulou no irmão.
- Você é o melhor irmão do mundo!!!!!!!!



Continua...




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