Entrevista com Saulo Coelho

Depois de algum tempo afastado da vida pública, Saulo Coelho vem se preparando, nos últimos meses, para disputar uma vaga na Assembléia Legislativa. Recém filiado ao partido Verde, ele fala nesta entrevista sobre seus contatos com os políticos guidovalenses, relembra os tempos em que era apoiado em Guidoval por Sebastião Cruz e Zizinho, discorre sobre os motivos que o levaram a retornar para a vida pública, dentre outros temas relevantes.

JORNAL DE GUIDOVAL: O PV guidovalense já declarou apoio à sua candidatura. Agora, o PFL é composto por pessoas que têm uma veneração pelo governador Ozanam Coelho, gostam do senhor; por outro lado são liderados pelo prefeito Dirceu Ribeiro. Como é que o senhor vai conseguir contornar isso, e pegar o apoio também do PFL guidovalense?

SAULO COELHO: Em primeiro lugar eu quero dizer que Guidoval é uma cidade que nunca decepcionou meu pai nem a mim próprio. É Claro que o que Guidoval conquistou sob a liderança do papai não adianta querer esconder, nem os adversários hoje negam, a começar pelo asfalto, pela iluminação, ou então pegar num ponto que me deu um orgulho enorme, foi quando eu cheguei para inaugurar o telefone lá no Monumento do Guido (que nós colocamos quando na presidência da Telemig em todas as comunidades rurais de Guidoval) e o Sebastião Cruz me falou: “Esse monumento foi feito por três prefeitos, o de Cataguases, o de Rio Pomba e o Dr. Levindo prefeito de Ubá. Aquela ponte ali sobre o rio Chopotó foi feita pelo Dr. Ozanam e a luz foi também o seu pai que trouxe e você está trazendo o telefone. E minha mãe nasceu em Guidoval e nesse dia eu liguei pra ela para dizer da alegria que eu estava. Então, Eu não tenho nada a reclamar em relação a Guidoval. Com relação à liderança do Dirceu, e como homem público tem todo o direito de buscar o seu espaço, pelo que eu saiba ele não é candidato a deputado. Então eu tenho que tocar a minha candidatura. Na eleição dele de prefeito eu não interferi em nada negativamente, muito pelo contrário, eu indiquei um homem de bem para ser vice-prefeito dele, que é o Dr. Itamar que trabalhou muito na campanha dele. Eu gostaria até de deixar bem claro que acredito que ele não tem nada contra mim, pois eu ajudei tanto na gestão passada e não tenho nada contra ele. Eu só espero que ele respeite os companheiros que queiram ficar comigo e eu acho que é isso que ele vai fazer, pois isso é da democracia. E se alguém tiver que não ficar satisfeito, são os meus companheiros que quiserem ficar comigo e tiverem alguma palavra contra por parte dele.

Nas eleições municipais de 2008 eu vou estar do lado dos candidatos do PV em Guidoval. Agora, vou fazer de tudo para que esse companheiros, que foram companheiros de meu pai e que são meus companheiros, na sigla que estiverem, estejam apoiando os nossos candidatos. Os candidatos do PV a prefeito e vice na eleição passada não deixam nada, em termos de amizade, a desejar em relação a todos os outros que estão no PFL. O Barbosa Neto [pai do Márcio Barbosa] e o Natalino Dornelas e a Dona Carminha [pais do Marcellus Cattete], estão em sintonia com do que foi a política do meu pai a vida toda. Se alguém for ao contrário é ele que está saindo do rumo, não sou eu não.

Essa dispersão que houve em determinado momento, ficando pessoas que eram companheiros nossos no PFL, outros indo por PV, outros ficando no PSDB, outros até no PT, isso é uma coisa sanável. Como eu disse, a gente não tem que mudar todo dia, mas também a gente tem sempre que estar vendo qual que é o melhor caminho, para que se precisar de haver uma correção de rumo que se faça.

Agora, essa eleição, principalmente na terra da minha mãe, eu não quero partidarizá-la. Eu gostaria que fosse acima de partidos o interesse de Guidoval.

JORNAL DE GUIDOVAL: A nossa reportagem colheu dentre pessoas do PV guidovalense, que o senhor estaria sinalizando no sentido de que o grupo apoiasse Rodrigo de Castro em Guidoval. Qual é o seu posicionamento em relação a deputado federal? O senhor vai fazer alguma “dobradinha” aqui na região, vai ficar mais independente, como é que vai ser?

SAULO COELHO: Em relação ao meu partido em Guidoval, a minha posição é de total respeito à decisão que os companheiros aprovarem. Uma dos motivos que me levaram a vir para o PV é que eu senti o clima democrático que existe nas decisões, não tem ninguém que mande. Eu, se tiver delegação para fazer alguma decisão em algum momento, eu faço. Eu não fujo a ela. E não te diria hoje, porque não pensei no assunto, quem que seria o que eu indicaria. Mas o que eu estou esperando é uma postura que parta dos companheiros do PV. Porque, de repente o PV conversa com alguma outra sigla que tenha um candidato e pode até chegar a um acordo. Porque o que o PV guidovalense já tem definido é o candidato a deputado estadual, que sou eu. Se eles acharem conveniente fazer um acordo, votando em algum outro federal; é porque na política eu tenho uma característica: eu estava no PSDB, o prefeito [de Belo Horizonte] do PT, que é o Fernando Pimentel me convidou para ser assessor parlamentar dele, eu continuo tendo como grande amigo o senador Eduardo Azeredo do PSDB, o governador Aécio Neves continua tendo o mesmo nível de amizade comigo. Então eu não vou fixar no problema partidário, agora eu vou só te contar um episódio que aconteceu no dia 23 de março último. Eu fiz uma inauguração na Santa Casa [de Belo Horizonte] que participou o Ministro do Governo Lula, Saraiva Felype, do PMDB que já inclusive disputou voto comigo aqui na região; participou o prefeito do PT Fernando Pimentel e participaram dois secretários-adjuntos do Aécio Neves, representando o governo de Minas do PSDB. Quando você está buscando é o melhor, é trabalhar para a região, nesse momento o partido não é tão importante. Mas volto a dizer, ele é importante na hora de uma eleição municipal por exemplo e pode ter certeza que, da mesma forma que eu estou dizendo que eu vou apoiar o candidato que o PV de Guidoval quiser e desejar, vou trabalhar com ele, quem vai definir o meu apoio para a prefeitura de Guidoval daqui a dois anos será também o PV de Guidoval. Está na mão dele o candidato. Esse candidato será o meu candidato.

JORNAL DE GUIDOVAL: Como é que era a sua relação com o Sebastião Cruz, o sentimento que o senhor tem por ele?

SAULO COELHO: Talvez o meu sentimento por ele tenha sido um dos grandes responsáveis de eu não ter sido candidato no ano de 2002. Porque eu vejo escassear tanto pessoas como ele. Eu sinto tanta falta de não levar aquele susto de ouvir dizer: o fulano estava com você, agora não está mais; passou aqui um deputado e ofereceu X e ofereceu Y. E você vendo pessoas como o Sebastião Cruz e vou repetir aqui, como o próprio Zizinho, que foi o grande companheiro dele na época em que o nosso lado em Guidoval teve mais sucesso, teve mais eleições.O papai dizia também, inclusive do Natalino que se foi muito cedo e seguramente teria sido prefeito de Guidoval também. Mas essas figuras, voltando ao Sebastião, é que me fizeram ver que eu estava num mundo muito diferente daqueles que estiveram meu avô e meu pai. E me deu, num primeiro momento, foi vontade de largar tudo mesmo. Não foi por causa de resultado eleitoral não, porque na eleição de 98 (a última que eu disputei) tive quase 50 mil votos, sem ter dinheiro para gastar, fiquei segundo suplente e assumi a Câmara. Então não foi um baque de perda da eleição, foram os métodos que estavam sendo usados. E na minha visão de otimismo, eu não vou dizer que estou esperando aparecer outro Sebastião Cruz ou outro Zizinho, igual eles foram; mas com os mesmos princípios eu tenho esperança sim, da gente reeditar aquelas parcerias que põem em primeiro lugar a comunidade, a população da nossa cidade, e em segundo lugar aquela história do vou ver o que eu posso ganhar aqui agora, pois esse cara eu não vou ver nunca mais.

 

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