Lembranças do CRUZEIRO

Sô Adão Nogueira tem muitas historias para contar sobre o Cruzeiro de Guidoval. Apitando jogos ou como treinador, ele acompanhou de perto várias partidas memoráveis de nosso glorioso alvinegro.

Sô Adão começou recordando para nossa reportagem uma partida em Ubá, quando o Cruzeiro jogou contra o Aymorés e o Tatão Sapateiro furou a rede do gol adversário e foi parar na arquibancada. A torcida guidovalense fez uma grande festa neste dia. A partida ficou empatada em 2X2 e o gol de Tatão foi o que salvou o Cruzeiro da derrota.

Nossa reportagem traz nesta edição uma foto em que Sô Adão era treinador do Cruziero. Segundo ele a foto foi tirada antes de uma partida contra a equipe de Sobral Pinto, em que o time guidovalense estreava uniforme novo e goleou a equipe adversária por 6X1, com Tuninho Estulano marcando quatro gols.

Segundo Sô Adão o Tuninho era um grande artilheiro, comparado ao Dario Peito de Aço. Artilheiro de campeonatos regionais, o centroavante guidovalense era presença certa nas seleções dos regionais. Outro guidovalense que também era convocado para a seleção era o Áureo Ribeiral.

Sô Adão confirmou que Landinho Estulano já chutava a “folha seca” antes do Didi, que ganhou fama e foi campeão mundial em 58 e 62. Na partida contra o Nacional de Visconde do Rio Branco, o goleiro Armando (de Cataguases) enxertava a equipe riobranquense, quando Sô Landinho fez um gol memorável no estilo folha seca.

Sobre a final entre Cruzeiro e Itararé em Tocantins, quando nossa equipe foi derrotada por 4x0, partida apitada por Sô Adão, ele disse que logo no início da partida o Candido José chutou uma bola na trave da equipe tocantinense. Se sai o gol a história da partida seria outra. Segundo Sô Adão, a equipe guidovalense jogou de forma desastrosa, parecendo que nem merecia estar na final. O único guidovalense que se saiu bem naquele dia foi o Ozéias, que jogou com muita raça.

O melhor jogador da história do Cruzeiro, na opinião de Sô Adão, foi o lateral Elier, que já na década de 1940 jogava apoiando o ataque e cruzando bolas para a área. Elier tinha uma técnica invejável e sabia marcar muito bem.

Voltando a partida da foto, Sô Adão disse que naquele dia o Cruzeiro fez uma exibição de gala. O armador José Pinto, que foi um dos grandes meio-campistas de nossa terra, jogou o fino da bola. Sô Adão teceu muitos elogios a ele. Disse que ele armava jogadas muito bem, sabia dar bons passes e dava dribles curtos com muita facilidade.

Sobre Geraldo Pinheiro, Sô Adão disse que ele não era um craque, mas tinha muita raça e força física. Já o Áureo Ribeiral foi um dos melhores zagueiros que o Cruzeiro já teve. Jogava com seriedade, não tremia no campo do adversário.

Sô Adão foi bandeirinha na decisão do regional que o Cruzeiro perdeu para o Aymorés em Guidoval por 1X0. Tinham mais de duas mil pessoas no estádio. Para Sô Adão o gol da equipe ubaense foi legítimo, pois o Arlindinho rebateu uma bola chutada da intermediária e o atacante Xandú aproveitou o rebote para fazer o gol da vitória e do título.

Ao encerrar nossa entrevista, Sô Adão fez questão de ressaltar que o nome do Estádio Geraldo Luiz Pinheiro foi uma homenagem muito justa, pois Sô Geraldo carregou o Cruzeiro nas costas muitos anos, gastando inclusive dinheiro do próprio bolso.


Em pé, da esquerda para a direita: Odilon Reis, Adão Nogeira, Tatão Elói, Adail, Elier, Diógenes, Arlindinho, Áureo Ribeiral e Emir Coelho.
Agachados, da esquerda para direita: Tatão Sapateiro, Tuninho Estulano, Geraldo Pinheiro, Zé Pinto e Ziquinho

 

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