Cleo Pimentas
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Pimenta, Aji, Chile, Pepper?

                       
Não se sabe como, nem quem, criou essa suposta convenção de que a palavra Aji designa as pimentas da espécie C. baccatum. Tenho visto várias menções a esse respeito, mas todas sem fundamento etimológico. Nos países andinos, principalmente no Peru, a grande maioria dos Ajis (pimentas) são da espécie C. baccatum, talvez por isso alguém confundiu a palavra Aji como sinônimo da espécie.
                  A palavra “Aji” vem do taíno “haxi”.  A primeira menção dessa palavra em espanhol se deve a  Pedro Mártir de Anglería en 1493. Os taínos foram os primeiros ameríndios a entrar em contato com os espanhóis, pois habitavam as ilhas caribenhas, principalmente o Haiti. Eles chamavam as pimentas de arawak axi.  Arawak ou Arahuaco é a classificação étnica dos taínos, então Arawak axi significa mais ou menos “Aji taíno”.  Já na América continental os Astecas chamavam as pimentas de “chil” (leia-se chile). Note-se que os índios não conheciam botânica, nem faziam classificação das pimentas por espécies.
                   Os povos da América Espanhola assimilaram o nome, introduzido pelo colonizador, principalmente nas regiões andinas, onde a influência lingüística dos Astecas era pequena.  Na Espanha o nome que triunfou foi "pimiento", masculino de “pimienta”, quer seja para a pimenta ardida ou para a doce, reservando-se o nome “pimentón” para a pimenta em pó, a “páprika” dos europeus.  Por influência espanhola, os franceses chamam as pimentas de Piment, reservando o “poavre” apenas para a pimenta negra.
                    Em português, adotou-se “Pimenta do reino” para a pimenta negra (Piper nigrum) , e simplesmente “pimenta” para qualquer “Aji”, seja doce ou picante, com exceção dos frutos grandes e doces da espécie C. annuum, que receberam o nome de “pimentão”.
                     Em outras línguas foi diferente, pois os termos para designar as pimentas derivaram do latim “piper”, como o italiano “pepe” e o inglês “pepper” ou as línguas centro-européias “paprika”.
                    Devido a essa grande confusão lingüística, o correto é denominar as variedades pelo nome em que é chamada em sua região de origem. Por exemplo, variedade Aji Limo, nativa do Peru, pertence a espécie C. chinense e mesmo assim é conhecida por "Aji", e é assim que deve ser chamada. Existem outras C. chinenses que também são conhecidas como Aji em seus países, como também algumas C. annuum e C. frutescens e até C. pubescens. Seguem abaixo alguns exemplos:

AJI PUCOMUCHO (C. chinense)  -  Peru
Aji Cachucha  (C.chinense) -   Peru
AJI YUQUITANIA  (C. chinense)   -   Colombia
AJI CHOMBO (C. Chinense) -  Panamá
AJI UMBA  (C. chinense) - Suriname
AJI CEREZA (C. annuum) -  Peru
AJI PINGUITA DE MONO (C. annuum) -  Peru
AJI CHUNCHO (C. frutescens) -  Peru
AJI GUSANITO (C. frutescens) -  Bolívia
Aji Mongol  (C. pubescens)  -  Guatemala.
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