A situação de SP à época da construção da Calçada
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No reinado de D. José I, Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal, assumiu a administração colonial portuguesa e implementou mudanças para fortalecer a estrutura militar e econômica colonial. São Paulo foi muito beneficiada, em razão de sua posição estratégica: era próxima às colônias da Espanha e servia de barreira à penetração de estrangeiros na região das minas. Por ordem de Pombal, os jesuítas foram expulsos, sendo obrigados a desocupar o colégio que fundaram na cidade. Em 1765 a Capitania de São Paulo, que desde 1748 era subordinada à Capitania do RJ, teve restaurada sua autonomia. |
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Foi nomeado governador da capitania o nobre português D. Luiz Antônio de Souza Botelho e Mourão, o Morgado de Mateus. Inicialmente, coube a São Paulo o papel de defender as capitanias do Sul junto à fronteira com a América espanhola. E para a defesa da cidade de São Paulo, Morgado de Mateus fundou diversas vilas no interior da capitania. Além disso, deu início a uma política de incentivos para a agricultura se voltar à exportação. |
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Além dos incentivos do governo, a agricultura paulista beneficiou-se da queda da produção açucareira nas Antilhas francesas, em função de revoltas de escravos. A lavoura de cana-de-açúcar penetrou pelo interior da capitania e teve como maiores centros produtores Itu e Sorocaba.
Em 1788, Bernardo José Maria de Lorena assumiu o governo da Capitania de São Paulo. Naquele ano, apenas 01 navio saiu do porto de Santos com destino a Lisboa. Santos e os outros portos da capitania (Ubatuba, São Sebastião, Iguape, Cananéia e Paranaguá) estavam fora das rotas comerciais e as péssimas condições das estradas do litoral ao interior ocasionavam perdas das mercadorias, fatores que desestimulavam os produtores à exportação. Bernardo de Lorena, então, tomou duas medidas para reverter o quadro:
1) Através de uma lei de 1789, proibiu a população das vilas portuárias de comercializarem livremente em seus portos; toda a produção da capitania devia ser negociada apenas pelo porto de Santos, pois lá havia uma alfândega.
2) Uma vez que todo o comércio paulista foi direcionado para o eixo São Paulo-Santos, fez-se necessário implantar severas melhoras no Caminho do Mar, que se achava em péssimo estado. O calçamento do Caminho do Mar (a Calçada do Lorena) foi a realização de maior repercussão do governo de Bernardo de Lorena.
Os
resultados da política de Lorena foram evidentes. Segundo a historiadora Denise
Mendes, o número de navios a deixarem o porto de Santos rumo a Portugal, que em
1788 foi de apenas 01, chegou a 12 em 1794.
O açúcar continuou sendo o principal produto exportado até 1850, quando foi superado pelo café.