“Galga a serra do Cubatão uma das maiores e mais caras estradas que já se construiu no Brasil. Entretanto, devido à sua enorme declividade não pode ser transitada por veículos. Compreende cerca de quatro milhas de sólida pavimentação e mais de cento e oitenta curvas em todo o seu sinuoso percurso. A conclusão dessa importante obra mereceu ser comemorada como acontecimento notável na história colonial portuguesa. Foi o que descobrimos por ocasião de nosso regresso de São Paulo. Tendo parado no topo da serra, depois de gozarmos por algum tempo a esplêndida vista da terra e do mar que de lá se descortina e que provavelmente contemplávamos pela última vez, consagramos alguns momentos à mineralogia daquela paragem sublime. A poucos passos de distância tivemos a atenção atraída para quatro pedras aparelhadas, e, provavelmente, importadas. Correspondiam elas em formato e tamanho aos marcos comumente empregados no Estados Unidos e achavam-se abandonadas no chão. Uma delas tinha a face voltada para baixo e tão enterrada no solo que, pelo menos para nós, estava imobilizada. Nas outras, porém, tendo removido com a orelha de um martelo o musgo e os detritos que encobriam a inscrição, conseguimos decifrar o seguinte:

 MARIA I REGINA

neste anno 1790

OMNIA VINCIT AMOR SVBDITORVM

 

FES SE ÊSTE CAMINHO NO FELIS GOVÊRNO DO

ILLo E Exo BERNADO JOSÉ DE LORENA

GENERAL DESTA CAPITANIA

 (Daniel Parish Kidder - Reminiscências de viagem e permanências nas Províncias do Sul do Brasil, p. 191, in Mendes)