Noite
Bebo as luzes das ruas com um trago morno e fugidio
Traço o rumo da boêmia como se quisesse a noite só para
mim.
Aspiro o suor das danças com aroma da mistura de macho e fêmea
em cio.
Então toco nas lembranças envolvidas em canções
do Gonzaguinha
Sonho primaveril potente, que termina em festa e dança.
Na vitória da alegria sobre a pobreza e a dor.
Retorno sofrido das horas trabalhadas,
Reluzindo nos bares às sextas à noite
E resplandecendo no grito animalesco do orgasmo das mulheres possuídas.
A conquista do espaço mais horizontal e mais fundo.
A carícia que envolve e atenua todas as feridas.
Cada perna feminina que passa, bem torneada,
É um território a ser invadido, um espaço a ser conquistado.
Numa guerra onde um único homem morre mil vezes
Para renascer renovado, entrincheirado numa calcinha
Prisão na qual ele flutua extenuado e satisfeito,
Embebedado do néctar da juventude,
Da caverna mais bela, mais úmida e recôndita,
Mais apertada e profunda,
Aonde se esvai, como um marinheiro ao mar
Sem tempo ao certo para retornar.
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