Acidentes Acontecem... Será?
Capítulo 12
Carla continuava trancada em seu quarto. Estivera refletindo a noite toda sobre esse estranho relacionamento com Kevin. Não conseguia entender o motivo de ter aceitado ser beijada em dois momentos diferentes, muito menos o porquê de estar o evitando. Estava se sentindo muito mal, e não gostava nem um pouco disso. Mas estava decidida, não iria se deixar envolver mais ainda naquele relacionamento. Iria viver sua vida normalmente, sem ter nenhum homem no meio.
Quando tomou essa decisão, já eram quarto horas da madrugada, mas ela estava sem a menor vontade de dormir. Decidiu ir para a cozinha, comer alguma coisa. Quem sabe assim ficaria com sono.
Passou pela sala de vídeo e viu as amigas dormindo, e a televisão ainda ligada. Desligou o aparelho mas não quis acordá-las. Foi até a cozinha e preparou uma macarronada. Era algo fácil e rápido, perfeito para a situação. Comeu melancolicamente, como se fosse um sacrifício empurrar qualquer coisa garganta abaixo. Deixou grande parte da comida em cima da mesa, para a irmã comer quando acordasse.
Estava decidida. Falaria com Kevin assim que amanhecesse. Não fazia sentido atrasar mais as coisas. Acabou conseguindo dormir um pouco, mas teve um sono muito inquieto.
---No dia seguinte, pela manhã---
Carla acordou logo que amanheceu. Precisava sair de casa o mais rápido possível, não queria que a irmã e as amigas a vissem saindo de casa, não gostaria nem um pouco de dizer que estava indo falar com Kevin.
Tomou um bom banho e vestiu uma roupa meio social, não queria repetir a experiência de ver Kevin a secando com os olhos e dizer que ela estava o provocando. Colocou uma pólo social branca e uma calça jeans.
Seu objetivo inicial era sair de casa o mais rápido possível. Iria tomar café depois da conversa, achava que não conseguiria digerir nada naquela expectativa. Estava dando tudo certo até que passou pela sala, e Carol já estava acordada.
- Onde vai, Cá? – perguntou ela, curiosa.
- Vou... bem, vou dar uma volta. Depois vou ver se resolvo o incidente da revista – respondeu um pouco desconfortável.
- Vai falar com o Kevin?
Assim que disse essa frase, apareceram pela porta da cozinha Tati e Vania, atraídas pelo nome de Kevin. “Que ótimo!”, pensou Carla amargurada. “Era tudo o que eu precisava, mais gente curiosa!”
- Você vai falar com o Kevin, Cá? – perguntou Tati.
- Não sei, vou ver se estarei em um estado de espírito favorável – respondeu Carla. – E, além do mais, não existe apenas um assunto para eu conversar com Kevin, não é? Preciso ver quando ele quer dar entrada nos papéis do divórcio, claro.
- Não estamos falando nada, miga – contrapôs Vania calmamente. – Apenas te desejamos boa-sorte, vamos torcer por você.
- Obrigada – ela agradeceu com a cabeça e saiu logo em seguida.
- Será que ela vai mesmo falar com o Kevin? – questionou Carol, pensativa.
- Ao menos ela parecia determinada para tal – supôs Tati.
- Espero que ela consiga resolver tudo – disse Vania, torcendo pela amiga.
---Na casa de Kevin, algum tempo depois—-
Carla já estava na porta principal. Os seguranças a deixaram entrar, sob ordens de Kevin. Agora ela lutava contra a vontade de não tocar a campainha e sair correndo dali. Mas não conseguiu tomar uma atitude rápido o bastante.
Kevin abrira a porta, logo após de receber o aviso dos seguranças de que havia visita para ele. Ficou surpreso ao ver Carla ali, mas tentou parecer o mais normal possível.
- Oi, Carla. O que a trouxe aqui?
- Kevin, acho que precisamos conversar – disse no tom mais sério que conseguiu arranjar.
- É claro. Entre, por favor – ele deu espaço para ela entrar.
A casa de Kevin era muito bonita e elegante, mas não deixava de ter um ar modesto. Tudo estava perfeitamente arrumado, a não ser por uma pequena bagunça no local onde Nick estivera jogando videogame na noite anterior.
- Nick passou a noite aqui? – perguntou desinteressada, tentando puxar assunto.
- A noite passada, apenas. Antes de Brian sumir. Mas ainda não tive tempo de arrumar a bagunça que ele fez – respondeu Kevin, dando de ombros. – Então... onde gostaria de conversar?
- Para mim tanto faz. Eu só não quero incomodar, não sei se tem algum compromisso...
Ela parecia receosa de ter uma conversa particular com Kevin. Tinha medo de que ele pudesse tomar qualquer atitude imprópria, ainda mais que estavam na casa dele. Já Kevin, pareceu pensar um pouco antes de responder à pergunta dela.
- Não tenho nada pela manhã. Apenas uma entrevista, mais tarde.
- Certo – disse Carla, sem saber ao certo o que fazer. – Hum... onde prefere que conversemos?
- Ah sim, claro. Venha comigo – ele começou a caminhar, e Carla cogitou se ele estaria a levando para seu quarto.
Vendo que ela não se movera, ele tentou a tranqüilizar.
- Vamos apenas conversar, juro. Só achei que seria mais interessante fazermos isso na sala de estar, onde não está tão bagunçado como aqui – ele deu de ombros.
Carla tranqüilizou um pouco, e decidiu segui-lo. Eles caminharam até a sala de estar, que estava muito bem arrumada, e dava para perceber que quase não era usada. Kevin se sentou em uma poltrona, e ofereceu a defronte à dele para Carla se sentar.
Ela o fez, e logo se formou um silêncio desagradável, onde nenhum dos dois começava a falar. Carla se moveu desconfortavelmente na poltrona, antes de começar.
- Bem, suponho que já tenha visto a matéria da revista.
- Sim, Aaron teve o desprazer de me mostrar no meio da reunião.
- Ah... – ela ficara ligeiramente sem graça – Eu tenho o receio de afirmar que isso pode prejudicar o andamento de nossos divórcios...
- Prejudicar nossos divórcios? – ele repetiu, incrédulo – Mas... como?
- Kristin e Rafael podem recorrer à justiça, se não conseguirmos provar que esse... hum... “relacionamento” começou depois de descobrirmos da traição.
- E o que isso significa?
- Significa que podemos perder o processo e eles terão o direito de uma bela indenização – explicou Carla amargurada. – Isso sem contar que poderemos estar em uma grande encrenca se isso acontecer.
- Vamos processar a revista, então – Kevin especulou, nervoso. Carla ergueu uma sobrancelha. – Por danos morais, não sei, você que é a advogada!
- Bem, é sempre uma escolha. Mas... precisamos ver se os dois aceitam não entrarem com uma ação para recorrer – ela parecia muito pensativa.
- E como fazemos isso?
Carla não respondeu imediatamente. Pareceu cogitar consigo mesma se aquela era uma boa opção.
- Chantagem – disse em voz baixa.
- Chantagem?! – Kevin repetiu, incrédulo – Nunca achei que fosse precisar fazer chantagem para conseguir um divórcio!
- Nem eu – murmurou de cabeça baixa. – Mas creio que essa é nossa única escolha, devido às circunstâncias. Essa matéria definitivamente não deveria ter sido publicada
- Tem certeza que essa é a nossa única saída?
- Se não quisermos correr o risco deles recorrerem, sim. É muito ruim fazer isso, mas eu tenho muitas propriedades que comprei com ele, acho que posso fazer isso – sua voz soava estranhamente triste. – Você tem posses suficientes?
- Não tenho muita coisa para dividir com ela, então suponho que ela vá querer o meu dinheiro – disse Kevin lentamente.
- Nada que possa dar a ela em troca de seu silêncio? – questionou Carla preocupada.
- Sim, há a casa em Bahamas que compramos juntos, e também o carro de passeio, mas acho que não tenho muito mais do que isso – disse com um peso no coração. Definitivamente gostava muito daquela casa, seria muito ruim ter de dá-la a Kristin.
- Ou então sua propriedade aqui em Orlando – disse Carla, percebendo o quanto ele gostava da casa em Bahamas.
- Não sei se posso, a casa de Bahamas é apenas para férias, é aqui que eu moro – descartou Kevin.
- Bem... não sei o que você irá fazer, mas eu irei oferecer mais do que seria justo em uma divisão parcial de bens. Não quero correr o risco de perder aquele caso – ela já se levantara, indicando que a conversa acabara por ali.
- E como fica o nosso caso? – perguntou Kevin, também se levantando.
- Nosso caso? Que caso? Que eu saiba não temos mais nada para conversarmos – Carla disse com fingida surpresa.
- Então ficará simplesmente por isso mesmo? Nada mais a se dizer? – ele parecia incrédulo com a resposta.
- Quando alguma coisa acaba, às vezes isto simplesmente... acaba – disse dando de ombros. – Sinto muito, mas não há nada a se dizer mais sobre isso.
Ela ficou esperando-o caminhar até a saída, mas vendo que ele não parecia disposto a se mover, teve de dizer:
- Poderia abrir a porta para mim, por favor?
Kevin continuou imóvel. Então, sem aviso, aproximou-se rapidamente de Carla e lhe deu um pequeno selinho. Ela ficou surpresa, mas particularmente esperava um longo beijo, e não apenas um “selinho”. Se sentiu internamente muito decepcionada, mas o acompanhou até a saída.
- Espero que pense sobre isso novamente. Torço para que mude de idéia – disse friamente, como se fosse apenas um comentário profissional. Carla ficou muito inquieta por não ter conseguido sentir um pingo de sentimento nessas palavras, e isso a preocupou.
- Quando decidir o que quiser fazer sobre o divórcio, me avise. Vou estar esperando.
Sua voz também saíra fria e, antes que pudesse mudar de idéia, se retirou da casa em passos largos, sua mente mais confusa do que quando chegara lá. Kevin apenas a observou sair de sua casa, calado, e com seu pensamento muito longe dali.
---Enquanto isso, em algum lugar de Orlando---
- Brian, o que está fazendo? – questionou LeighAnne, que estava deitada confortavelmente em uma cama de hotel.
- Estou me arrumando. Não posso ficar mais fugindo dos compromissos do grupo, imagino o que o manager pode estar pensando de mim – respondeu Brian indiferente, vestindo sua calça e sua blusa.
- Então não irá mais ficar aqui comigo? – perguntou melosa, sentindo-se ofendida.
- Você sabe que não posso, Lee – contrapôs Brian, levemente impaciente. – Desde que nos conhecemos sabe que minha vida é assim mesmo, e você aceitou no momento em que respondeu ‘sim’ no nosso casamento.
- Mas às vezes é tão ruim! – exclamou ela, levantando-se da cama enrolada no lençol - Você quase nunca está comigo, e quando está, precisa sempre sair, se encontrar com o resto do grupo... Estou começando a achar que você tem um caso com eles!
- Oh c’mon Lee, você sabe que não é assim – ele disse, dando um leve beijo na mulher. – Mas eu tenho meus compromissos, assim como você tem os seus. Ou por um acaso eu reclamei quando tive uma semana de férias e você estava ocupada demais para viajar comigo?
- Isso é outra história, baby. Eu estava no meio de uma gravação de um seriado super importante, não poderia parar no meio para viajar! – contrapôs ela.
- Ok, ok. Não vamos mais discutir isso – disse Brian pondo um pondo final no assunto. Abraçou a esposa e deu um singelo beijo em seu cabelo, antes de pegar suas coisas na mesa de canto e sair do quarto de hotel, mandando um pequeno beijo para ela.
Assim que saiu do hotel, pegou seu celular e ligou para Nick. Queria saber o que perdera de importante naqueles últimos dias, tomado de uma súbita animação.
- Alô? – disse uma voz mal-humorada do outro lado da linha.
- Hey Frick! Que voz mais brava! O que aconteceu por aí? – perguntou Brian, sua animação repentina diminuindo bruscamente.
- Nada, só acho engraçado você sumir durante três dias e nem dar o mínimo sinal de que está vivo – respondeu Nick bruscamente.
- Hey man! Não vai dizer que ficou bravo por causa disso? – perguntou impressionado.
Nick soltou um murmúrio de incredulidade. Realmente ficara muito chateado com a atitude de Brian, ainda mais por ninguém ter feito um comentário só sobre a irresponsabilidade do amigo. Se fosse com ele, pensou, já teriam no mínimo chamado a polícia para encontrá-lo, e a bronca seria feia se descobrissem que estivera em sessões extras de sexo com a mulher. Aquilo era injusto, muito injusto!
O que será que vai acontecer entre Kevin e Carla agora? Irá ela deixar tudo por isso mesmo? E como ficará a amizade de Nick e Brian, depois deste desentendimento?
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