É
comum que os praticantes de atividades ao ar livre tenham sua imagem
automaticamente associada à preservação do meio ambiente e a assuntos
ecológicos. Se você acampa ou pratica montanhismo, por exemplo, é bem
provável que algum dia alguém queira saber sua opinião sobre o destino
das reservas naturais ou o que você achou da última ação do Greenpeace
no mar do Norte.
No
entanto, nem sempre a prática da atividade ao ar livre está atrelada à
postura ambientalista. Neste caso, numa situação como a citada acima,
você notará uma certa indignação por parte de seu interlocutor se
você, que acampa, escala ou pratica iatismo, não se preocupa com o meio
ambiente.
É
importante ter em mente alguns preceitos básicos para que se evite
contribuir para a destruição do meio ambiente, mesmo que indiretamente
ou simplesmente por descuido ou ignorância de determinados fatos.
Não
é preciso filiar-se ao Greenpeace
ou a outra ONG para se considerar um preservacionista.
Uma
postura ambientalista por si só já é efetiva, por exemplo no maior uso
de artefatos fabricados com material reciclado, conhecimento da
procedência da matéria-prima das coisas que você compra, cuidados com
seu lixo.
Vale
sempre a conhecida frase: "Pense globalmente, aja
localmente". Esteja ciente dos principais problemas de nosso
planeta e faça tudo o que for possível na sua vida diária para
contribuir para sua conservação.
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Eis algumas
coisas que você pode fazer para realmente evitar danos ao meio
ambiente:
- Não
jogue óleos lubrificantes na sua rede de esgoto
- Não
fique tentado a trocar você mesmo o óleo do motor de seu carro e
jogar o óleo velho no ralo. Este óleo vai chegar com certeza a
um rio e em segunda instância, ao mar, podendo causar muitos
danos. Entre eles a morte de plânctons, mariscos, mamíferos e
aves marinhas.
- Os
postos de gasolina encaminham periodicamente os resíduos
provenientes das trocas de óleo de volta às refinarias, onde são
processados em outros produtos (graxa, por exemplo). Se você
trocar seu óleo em casa, guarde o óleo velho e o entregue num
posto de gasolina.
- Estima-se
que 90% do óleo que polui os mares tem origem no continente
(restos industriais e municipais), contribuindo os navios para os
outros 10%, sendo que destes a maior parte vem da lavagem dos
tanques e liberação de lastros de óleo e não de acidentes com
vazamentos, como se poderia supor. Na realidade os grandes
vazamentos de óleo, embora catastróficos, no total respondem por
uma quantidade muito pequena da poluição marítima por óleo.
- Evite
jogar materiais não degradáveis (plásticos ou outros) no
ambiente.
- Certifique-se
de que o lixo que você está depositando será devidamente
encaminhado. Se não houver um programa de coleta no local onde
você estiver (um camping numa região afastada, por exemplo),
provavelmente o lixo será enterrado ou incinerado em condições
desfavoráveis. Nesse caso, o melhor a ser feito é guardar todo o
lixo não biodegradável (plásticos, vidros) e no caminho de
volta deixá-lo em uma cidade.
- O
plástico tem uma alta durabilidade e embora não ofereça perigo
químico por produtos de sua degradação, constitui um grande
problema no sentido de ser confundido com alimento pelos animais
marinhos. Com frequência mamíferos e aves marinhos, além de
tartarugas, alimentam-se com pedaços de material plástico
(sacolas) e não raro morrem em decorrência disso.
- Outro
problema envolvendo material plástico é o causado por redes de
pesca velhas que são descartadas no mar, que oferecem perigo para
mamíferos marinhos que ficam presos nessas redes até a morte.
- Uma
curiosa exceção: na cidade de Mongaguá (SP) há uns 12 anos
mais ou menos, foi realizado um projeto para favorecer a procriação
de peixes na região próxima ao píer, frequentado por
pescadores. Tal projeto envolvia nada menos do que o lançamento
dentro da água de vários fardos de pneus velhos amarrados uns
aos outros, formando ninhos para os peixes.
- Outros
produtos nocivos à vida marinha:
- Detergentes
com fosfatos
- Fertilizantes
- Cloro
- Evite
comprar produtos cuja produção esteja ligada à extração não
renovada
- Evite
comprar móveis feitos com madeiras de lei (mogno, por exemplo), a
não ser que se tenha certeza que a matéria-prima foi proveniente
de áreas de extração controlada e renovada.
- Não
compre em hipótese alguma espécimes silvestres, vegetais ou
animais, pois não há nenhum tipo de controle sobre esse tipo de
extração. Vale lembrar que a posse de espécimes silvestres
atualmente é considerada crime inafiançável.
- Não
contribua diretamente para o desmatamento
- Se
possuir uma propriedade com mata original, preserve-a ao máximo,
especialmente em se tratando de matas ciliares (nas margens de
cursos e reservatórios de água).
- Queimadas,
evidentemente, são intensamente destrutivas no sentido de que
eliminam a cobertura vegetal original, cujas folhas caducas
constituem uma importante fonte de matéria orgânica para o solo.
Assim sendo, o que estraga o solo não é a ação direta do
calor, e sim a eliminação da fonte de matéria orgânica.
- Acenda
suas fogueiras de acampamento sem remorso, elas não vão estar
"matando" o solo, uma espécie de crendice de algumas
pessoas. Tive oportunidade de visitar vários locais onde haviam
sido acesas fogueiras anteriormente e o que vi foi um solo
totalmete recuperado, indistinguível do restante da área. A única
ressalva é no sentido de tomar o cuidado para que o fogo não se
alastre, mantendo uma fogueira de pequenas dimensões, facilmente
controlável.
- Economia
dos recursos naturais
Um
dos grandes problemas atuais é a administração das fontes de água
e energia (eletricidade, combustíveis), e tudo o que se fizer no
sentido de economizá-las é efetivamente uma ação de preservação.
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