Na cidade de Sintra, em Portugal, há o famoso Paço (palácio) que abriga uma sala, conhecida como Sala de Sintra, mandada construir pelo Rei D. Manuel, entre os anos de 1515 e 1520, em cujo teto estão pintados os Brasões de Armas das famílias nobres de Portugal, à época.

"A sala é aproximadamente quadrada, pois mede quatorze metros por treze. O teto, de grande pé direito, terminado em cúpula, é oitavado na base, cortando os ângulos da sala. Todo em volta, no friso do oitavado, está uma renque de painéis, em cada um dos quais se vê pintado um veado, com um escudo pendente do colo e um timbre entre as hastes, tudo emoldurado em seu caixilho retangular. Cada um dos lados do octógono tem quatro veados no friso e portanto em toda esta linha, a principal, estão trinta e dois brasões. A estes seguem-se dezesseis do mesmo tamanho, postos quatro em cada nembo da parede, logo abaixo dos do friso. Além destes, em cada um dos quatro ângulos da sala, por baixo dos cortes do oitavado do teto, em cada canto, mais seis veados, somando portanto vinte e quatro nos quatro ângulos. Recapitulando, temos: trinta e dois veados no friso que circunda toda a sala; dezesseis nos quatro nembos da parede , na parte não afrontada pelo teto; e por último, vinte e quatro nos quatro

Afora esses ainda há mais brasões, não pendentes contudo do colo de veados e dispostos em cima, na cúpula, por este modo: ao centro, no fecho dela, as armas do Rei, então D. Manuel; de roda destas mais oito de seus filhos.

Na sala há seis janelas, duas a duas, em cada uma das três paredes, existindo na quarta mais outra janela, e a um canto uma porta apenas. Quem entra, vê logo à sua direita, no friso do corte do teto, as armas dos Noronhas. Vai lendo sempre para a esquerda até chegar às dos Corte Reais, pegadas às primeiras; então passa para a carreira de veados, nas paredes, abaixo do friso, e continua a ler de Lemos em diante, sempre para a esquerda, até aos Soutomaiores. Chegando aqui, só ficam por ver os brasões pintados nos cantos da sala, e começa pelos do ângulo situado por baixo do lanço onde se vêem os Noronhas, e, principiando em Lobatos e seguindo sempre para a esquerda, vem acabar nos Borges, o último dos Brasões sobre a porta da entrada.

Além destes veados que sustentam as insígnias das armas, ainda no teto mais acima se vêem outros oito muito maiores, sem emblemas porém, e só com uns listões brancos esvoaçando das hastes. Estes cervos estão pintados, em diferentes posturas, no meio dum apainelado com seus artezões e molduras, formado entre a linha principal dos brasões, e aquela onde se puseram as armas dos infantes."

(Anselmo Braamcamp Freire, in Brasões da Sala de Sintra.)

Na página seguinte, planta do teto da Sala de Sintra com a localização dos brasões, descrição dos brasões reais e indicação dos demais brasões. Entre.