- Não. Ela não está aqui!
Ao ouvir isso, Kevin coçou a cabeça, confuso.
Onde estaria, Carolina, sua amiga. Estava há quase uma semana atrás
dela. Queria muito lhe falar. Queria muito vê-la.
Mas não havia traços dela em lugar nenhum.
- Acho que ela foi pra bem longe!- continuou a velha mulher,
conhecida de Carolina.- Ela teve uma grande decepção... o
noivo dela fugiu com a amante. Ela sumiu depois.
Kevin gelou. Carolina não podia ter se matado... e nem
teria feito tal coisa. Pensar um lugar para ela estar seria o certo. Um
lugar para onde ela fugisse, onde ninguém a encontraria.
Seria mais um refugio, tendo em vista do ocorrido com ela, a
menos de uma semana. Aquele David era um canalha mesmo, como poderia trocar
Carolina por outra mulher? Ela era insubstituível... Ele merecia
mesmo o soco que Kevin lhe deu, há três dias no qual David
desmaiou.
- Obrigado!- ele disse entrando na sua Cherokee. Lá ele
bateu a cabeça no volante pensando. Então uma carroça
passou pela rua. Kevin olhou para o cavalo e sorriu. Já sabe onde
ela está, onde encontrá-la.
Como poderia ter sido tão cego? Ela estaria na fazenda
que eles compraram juntos para criarem cavalos. Aquela fazenda trazia boas
recordações a Kevin. Como também para Carolina. Seria
um ótimo lugar para se esconder.
Sorrindo, ele deu a partida no carro e pegou o celular. Discou
para casa, e avisou que iria para lá, e não queria ser incomodado.
Seus familiares não sabiam da localização da fazenda.
Kevin conclui que chegaria de noite lá. E esperava que
ela estivesse lá. Olhou para o banco ao lado e viu sua mala lá.
Ao menos, estaria levando algo para vestir e se trocar quando chegasse
lá.
De noite, ele chegou na cidade mais perto da fazenda. Foi quando
viu Smith, o caseiro da casa. Encostou o carro e Smith veio sorridente
na sua direção.
- Há quanto tempo!- disse Kevin dando a mão a
ele.
- Muito mesmo!- disse segurando a mão de Kevin.
- O que faz aqui?
- Promete que não vai contar a ela?
- Claro.- Kevin sorriu imaginando que segredo seria.
- Carolina me mandou ficar na cidade, hospedado no hotel. Disse
que queria ficar sozinha.
- Tudo bem! Eu vou para lá tentar anima-la.
- Mas o que houve afinal? Ela estava muito furiosa.
- O noivo dela fugiu com a amante.
- Oh!- exclamou Smith que se lamentou em seguida. Também
não acreditava que alguém pudesse trocar Carolina por outra
mulher, ou ao menos que pudesse ter feito isso com ela.- Então vá.-
recomeçou depois do que ouviu.- Vai chover muito, e vai ser difícil
o acesso à fazenda com o temporal que se aproxima.
- Agradeço sua preocupação.- Kevin o cumprimentou
e deu a partida no carro, seguindo para a fazenda. Quando a avistou, tratou
de correr um pouco mais.
Logo desembarcou sua mala, e foi até o fundo do casarão,
onde a porta estava sempre aberta. Havia roupas no varão e estavam
muito molhadas. Kevin as deixou lá fora e foi até a porta.
Um raio cruzou os céus, assim que ele entrou na casa. Observou tudo
em volta, estava tudo arrumado, com uma pouca louça. Caminhou até
a sala, onde ouviu o som melódico e a voz rouca de Bryan Addams.
Era o cantor preferido de Carolina, o que significava que ela
estava em casa. Caminhou silenciosamente até o sofá e a viu.
Sorriu. Carolina estava dormindo no sofá, vestindo uma blusa de
Kevin. Desde a cintura até os pés estavam desprotegidos,
e Kevin a olhou. Viu a calcinha branca contornar as curvas perfeitas. O
cabelo claro estava solto e espalhado pelos ombros e embaixo dela, estava
bagunçado e provavelmente com muitos nós.
Ele sentou-se ao lado do sofá e suspirou aliviado por
ela estar ali, e a salvo. O CD dela tocava suavemente músicas que
combinariam com um momento de amor, o que não era o caso deles.
Mas Kevin estranhou o pensamento que teve, ao olhar as curvas dela. Logo
que afastou o pensamento, tratou de despertá-la, mesmo que não
quisesse, dormia tão inocentemente.
Assim, Kevin tocou-lhe a nuca. Carolina tremeu e logo seus olhos
azuis começaram a abrir lentamente. Ele deslizou a mão no
pescoço dela, acariciando o pescoço liso e macio. Quando
os olhos azuis o olharam, ele tirou a mão e colocou no colo.
- Kevin?- ela murmurou rouca.
- Olá!- ele respondeu sorrindo.- Como adivinhou?
- Só você me acordaria assim...
- Estava com receio de acordá-la.
Carolina sorriu e passou a mão no rosto dele.
- Está bem?
- Estou com sono...
- Você sabe do que me refiro.
- Não...- ela murmurou, sentando em seguida. A expressão
calma, tornou sombria e triste. Kevin sentou do lado dela e sentiu a perna
dela roçar na sua sem querer. Ele olhou para a perna e depois desviou
o olhar, prestando atenção no que sentia.- Não quero
falar sobre isso, certo?
- Tudo bem.- ele tentou sorrir, mas não conseguiu, a
olhando fixamente.
- Pare de me olhar assim...- ela murmurou sem graça,
e com o rosto corado.
- Desculpe.- ele olhou para a lareira acesa e depois para
a janela, e viu os redemoinhos de folhas passarem, anunciando a tempestade
que viria.- Vai mesmo chover.
Ela não falou nada. Ele a olhou. Parecia estar hipnotizada
com a música e com as labaredas da lareira. Kevin então notou
os cabelos brilhantes a luz da lareira, como ela comprimia os lábios
bem desenhados, o contorno que a blusa fazia no corpo esbelta dela. Era
tão desejável... como David pode fazer isso com ela. Os olhos
azuis o olharam e depois ela sorriu.
- Seus olhos continuam com o mesmo brilho de esmeraldas... como
da última vez há cinco anos.- ela falou.- Eles estão
com esse brilho porque você está apaixonado.- sorriu.- Quem
é a vítima desta vez?
Kevin não respondeu, olhando os traços do rosto
e de como os lábios se mexiam quando ela pronunciava cada palavra.
Sorriu. Ali estava uma mulher muito bonita.
- Não existe vitima. Não estou apaixonado.- ele
respondeu.- Você e sua mania de saber as coisas pelo brilho dos olhos.
Meus olhos são lindos, por isso brilham.
- Ora... ainda convencido?- ela perguntou com ar brincalhão.
- É pra quem pode, como meu caso.
- Kev, você nem é tudo isso que acha que é...
não sei quem colocou isso na sua cabeça.- disse chacoalhando
a cabeça dele.
- Minhas fãs...
- Fãs? Por falar nisso, como está o grupo? E os
meninos?
- Estão bem. Está tudo indo as mil maravilhas.-
sorriu satisfeito.
- Que bom!
- Como está a criação de cavalos?
- Bem... vendi muitos e acho que sou mais rica que você...-
brincou.
- Eu não duvido. E os torneios? Tem ganhado algum?- ele
falou sério.
- Estou brincando.- ela se ajeitou no sofá.- Não
ganhei muito dinheiro este ano... e não vendi o garanhão...
Quanto aos campeonatos, eu ganhei três.
- Que bom! Você é uma ótima amazona. E eu
estava com vontade de cavalgar o garanhão.
- Vai ficar só na vontade! Você quer muito... pro
meu gosto.
Quer? Porque de repente essa palavra se tornou tão perturbadora
nos lábios dela? Kevin não queria muita coisa. Talvez só
a garota a seu lado. "Espere", pensou ele, "o que estou falando?"
- Quer comer algo?- perguntou Carolina em pé na frente
dele. Kevin perdeu-se nas curvas expostas do corpo dela.- Kev???- ela deu
um tapa na cabeça dele.
- Ahnnn...- ele a olhou.
- Acorde!- segurou a mão dele e o puxou para a cozinha.
Kevin reparou na maciez das mãos dela, e como ambos ficavam lindos
de mãos dadas.
Na cozinha, ela procurou por algo na geladeira e colocou água
para ferver. Depois foi até a porta, e observou a forte chuva que
caia, e suas roupas no varal. Toda as roupas dela estavam lá, com
exceção das roupas íntimas. Pelo reflexo do vidro,
percebeu que Kevin a olhava. Virou-se e o olhou sorrindo.
- O que foi?- ela perguntou.
- Com o quê?- perguntou com uma voz de despreocupação.
- Porque está me olhando desse jeito? É por causa
da blusa?
- Você reparou como fica bem nela? Esse preto combina
muito com você.
- Eu não gosto de roupas escuras. Você sabe disso.
- Claro que sei. Depois de quase 20 anos de amizade eu não
ia saber?
- Talvez tivesse esquecido.
- Claro que não.- ele olhou para o fogão.- Pra
quê a água?
- Vou fazer algo para comer. Nhoque.- sorriu.
Kevin estava com fome sim. Com muita fome, mas de outra coisa.
Apenas sorriu quando ouviu as últimas palavras dela, e voltou a
olhá-la. Estava pegando queijo para ralar.
- Pode fazer isso?- entregou-lhe o ralador.
- Porque insiste em comer nhoque com queijo ralado?
- Cale a boca, e faça logo isso. Vou fazer o molho.
Depois que ralou uma quantia suficiente de queijo, Kevin foi
tomar banho, enquanto ela fazia o nhoque. Logo apareceu com uma calça
de moletom e uma blusa fina.
Depois que jantaram, voltaram para a sala, e desta vez Carolina
estava enrolada num cobertor. Estavam assistindo a um filme. Por insistência
de Carolina, um com Steve Seagal.
- Essa cena é a melhor...- ela comentou com ele.
- Quantas vezes você viu esse filme?
- Muitas.- respondeu satisfeita.
- Está certo... depois vamos assistir um filme de minha
preferência.
- Tá bom.- ela não tirava os olhos da tela, gesticulando
com a boca as falas. Kevin riu.
- Pra quem estava com sono, você me parece bem acordada.
- Entenda Kevin... esse homem me desperta.
- Isso é ridículo! Ele nem sabe que você
existe.
- Engano seu!- ela levantou e pegou uma foto. Deu a Kevin, que
levou um susto. Era ela e Steve do lado de um pônei.- Viu?
- Incrível... Mas ele nem deve saber que você é
fã dele.
Carolina o olhou. Parecia irritada. Ela tirou a foto do porta-retrato
e lhe mostrou as costas. Lá tinha uma dedicatória: "para
minha maior fã, Carolina. Um grande beijo de seu amigo Steve Seagal!"
- Deixe-me ver o filme, certo?- ela voltou a olhar a tela e
sorriu. Kevin sentiu uma pontada de ciúmes, e guardou a foto no
porta retrato e colocou na mesa que ficava atrás do sofá.
Logo voltou a prestar atenção no filme, emburrado.
Carolina o olhou e depois deitou encostada a ele. O cobrindo
com o cobertor. Kevin a abraçou, e assim assistiram até o
final.
Kevin lembrou-se de muito anos, quando eles deitavam assim,
um sobre o outro. Nunca ouve problema, mas desta vez, Kevin estava ficando
perturbado. Mas não reclamou, acariciando o braço dela.
Quando as legendas do filme subiram, ele tratou de colocar na
TV. Voltou para o sofá com o controle remoto em mãos e começou
a mudar os canais.
- Pensei que quisesse ver um filme de sua preferência...
- Até quero, mas depois. Vamos ver se achamos algo na
TV.- ele olhou nas costas e tinha mais de 300 canais.- Desde quando você
instalou essa rede por satélite?
- Desde o mês passado.- ela respondeu.
- Até acharmos algo, vai demorar muito. Sabia que pode
demorar quase um ano para vermos um canal por dia?
Carolina não respondeu, se aconchegando nele. Depois
se levantou e foi até a cozinha. Kevin a acompanhou com os olhos,
prestativo. Logo ela voltou com uma bandeja com bolachas e chá de
flores.
Ficaram mais algum tempo assistindo TV, e depois Carolina lhe
avisou que ia dormir.
- Tudo bem... eu também já vou. Vou levar a bandeja
para a cozinha.
Carolina assentiu e subiu para o outro andar do casarão.
Arrumou o quarto de Kevin, e quando ele chegou, ela estava colocando um
edredom sobre a cama dele. A expressão no rosto dela não
era a das melhores. Ela foi até a janela e fechou as persianas e
depois o vidro. Por fim, puxou a cortina, e o olhou.
- Pronto.- ela disse.
- Obrigado.
Carolina ia passar por ele, e Kevin a segurou no braço.
- O que houve para você ficar de mau humor de repente?
- Nada. Só quero descansar.- os olhos azuis expressavam
algo que Kevin não conseguia entender. Depois ela abaixou
a cabeça e ele a soltou. Depois ouviu o barulho da porta.
A noite fora difícil para Kevin. Ele não conseguiu
dormir muito bem, e estava ficando furioso. Estava tendo um monte de sonhos
eróticos com sua melhor amiga, e não estava gostando disso.
Quando era quase cinco horas, Kevin se levantou e foi beber leite. Talvez
isso lhe desse sono. Vestiu um roupão sobre a pele nua e desceu.
A chuva continuava forte, e ele podia ouvir o barulho da água
bater forte no chão. Quando viu a luz da cozinha acesa, estranhou.
Tinha certeza que havia apagado a luz. Aproximou-se calmamente, quando
viu o bater de uma colher numa xícara. Em seguida ouviu um suspiro.
Era Carolina, mas o que ela fazia acordada aquela hora?
Kevin apareceu na porta, e ela o olhou com lágrimas nos
olhos. Depois as limpou e ficou de costas, olhando para fora. Kevin tentou
se aproximar, mas preferiu abrir a geladeira e pegar o leite. Depois se
sentou na cadeira e ficou a olhando enquanto bebia. Fazia muitos anos,
talvez uns 13 que não a via chorar.
- O que faz acordado?- ela perguntou sem olhá-lo.
- Estou sem sono e vim beber leite, e você?
- Eu?- ela riu.- Estou sem dormir a quase três dias. Só
consegui hoje e você me acordou.
- Olha, Carol, ele não merece isso, e nem você.
- Você não é uma pessoa para me falar isso.-
pelo tom da voz dela, Kevin conclui que ele deveria ter falado muitas coisas
a ela, e por isso, ela não conseguia dormir.
- O que ele te disse?- ele se levantou e caminhou até
ela.
- Muitas coisas. E acho que ele tem razão, por isso fugiu
com aquela mulher.- ela soluçou.- Disse que ela era bem mais bonita
que eu, que eu era fria...
- Você não é nada disso, Carol.- ele se
aproximou mais não a tocou.
- Você não sabe... e ele sim... eu ia me casar
com ele, esqueceu? Ele tem razão nessas coisas, eu sou mesmo.
- Ele é um idiota, não devia ligar para isso.
- Eu morei com ele por quase um ano, como ele vai mentir e como
posso ignorar as palavras dele? Isso é impossível.
- Ele nem te amava, e fácil para ele falar esse tipo
de coisa.
Carolina não respondeu levando a mão à
boca. Não queria chorar mais, e não na frente de Kevin.
- Por favor... tente esquecê-lo.- Kevin pediu.
- Eu não sei fazer isso...- ela o olhou nos olhos e depois
fugiu do olhar dele, olhando para o chão.- Te juro que não
sei.
Kevin a abraçou. Se ele estava ali por um motivo, agora
sabia que era fazer Carolina esquecer aquele canalha. Acariciou o cabelo
macio e suspirou. Era tão bom ter ela em seus braços. Ela
o olhou e tentou sorrir.
- Que bom que está aqui...- murmurou.
Ele sorriu.
- Esqueça ele, certo?
- Como?
- Eu a ajudo esquecer...- murmurou sentindo o hálito
quente que saia dos lábios entre abertos dela, pouco antes de beijá-los.
A beijou tão demoradamente, sentindo que ela correspondia à
paixão dele. Logo colocou sua perna entre as delas, e a beijou novamente,
antes que gemesse. Ela acariciou a perna dele com a sua, o provocando.
Kevin a apertou para si.
Mas como se algo não passasse de uma ilusão, Carolina
pulou para trás logo que Kevin soltou seus lábios e ela gemeu.
Estava sem fôlego e o olhou. Depois ajustou a blusa preta sobre o
corpo e passou por ele.
Kevin ficou parado sem saber o que fazer. Podia senti-la ali
em seus braços, o gosto de seus beijos. Podia sentir o leve
perfume que ela usava. A maciez da pele dela. Colocou a mão na cabeça.
O que estaria fazendo? Era para ele ajudar Carolina a superar
a decepção amorosa e não oferecer o conforto de seus
braços para ela. Olhou para a escada, estava vazia. Voltou sua atenção
o que acabara de acontecer. Aquilo era loucura. Tinha que esquecer de todos
os pensamentos e sonhos que teve desde que chegou naquela fazenda.
Foi para o quarto e deitou. Logo lhe veio as lembranças
de seu primeiro beijo. Havia sido com Carolina, tão inocentemente
e doce. A primeira vez que amou uma mulher, havia sido Carolina. E a primeira
pessoa a se importar com ela e apoiá-la, havia sido Kevin. Era coincidência
demais... mas por algum motivo, ele sorriu antes de dormir.
Pela manhã, foi acordado com um delicioso
cheiro de comida. Vestiu-se e desceu. Pediria desculpas pelo ocorrido a
Carolina se ela se mostrasse chateada. Quando a viu, seu coração
disparou, estava com uma touca de lã enorme e uma camiseta de Kevin.
Aliás só havia roupas dele naquela casa. Estava usando uma
pantufa que imitava pata de urso e Kevin sorriu.
- Bom dia!- ela exclamou.
- Bom dia!- ele sentou na cadeira, enquanto via ela fazer ovos
mexidos. Não sabia se ela estava triste ou chateada.
- Fiz tudo isso para você.- ela mostrou um monte de coisas
que Kevin adora no café da manhã. Inclusive a pasta de amendoim,
que ela estava comendo. Mas não ia comer a pasta, havia sonhado
que espalhava aquela pasta por todo o corpo dela...
- Agradeço!
- Não precisa. Só fiz isso pela sua companhia.-
ela o olhou com um olhar forte e firme.
- Você não está ressentida está?
- Com o que?
- Por hoje de manhã...
- Escute aqui, Sr. Richardson, nada do que você falar
agora vai mudar o que houve, então não o faça certo?-
ela falou apoiando os braços na mesa, numa posição
de ataque.
- Está bem...- ele murmurou tomando café em seguida,
de repente sentiu a boca seca, ao ver os seios de Carolina pela abertura
da camiseta dele.
Passaram o dia dentro de casa, novamente. A chuva caia sem parar
e Carolina apenas a observava pela janela. Assistiram filmes e riram.
Quase à noite, Carolina o olhou e sorriu.
- Kevin, você quer ir a hidro comigo?
Kevin sentiu sua garganta seca. O que ela estava pedindo???
Era louca.
- Na hidro?- Kevin perguntou.
- É. Devidamente vestidos, como sempre fazíamos.
- Certo.
Logo estavam deitados dentro a enorme banheira, sentindo a água
quente. Carolina estava séria e depois perguntou.
- Você não me parece bem... o que houve?
Kevin sorriu. Como poderia lhe dizer que estava louco de desejo
por ela?
- Onde viu isso?
- Nos seus olhos de esmeraldas.
- Eu estou bem. Nada de estranho está acontecendo comigo.
- Tudo bem, então.- ela ficou ao lado dele.- Você
é meu melhor amigo!- sorriu.
- Você é minha melhor amiga.- Kevin falou, pensando
em acrescentar algumas outras coisas, como: e agora minha amante. Mas não
o fez. Certamente ela ficaria brava.
- Vamos brincar de verdade ou desafio?- ela perguntou.
Eles sempre brincavam disso quando estavam em uma banheira
ou piscina. Kevin sorriu e respondeu com um gesto positivo.
- Certo.- ela foi até o outro lado da banheira.- Verdade
ou desafio?
- Hummm... desafio.
- Bem, você vai ter que me ensaboar as costas com massagem.-
ela sorriu inocentemente. Logo estava de costas para Kevin, esperando.
Ele segurou o sabonete líquido e colocou na esponja.
Com receio, ele passou nas costas dela. Deslizou calmamente por toda a
pele, sentindo-a.
- Pronto.- ele murmurou quando aquela sessão de tortura
parecia ter acabado.
- Claro que não. Kevin... você tem que passar sabão
em tudo.- ele sorriu maliciosamente, e ela ficou vermelha.- Quase tudo.
Você passava na barriga e pernas, lembra?
Como poderia ter esquecido? Kevin não gostou quando ela
falou isso, não poderia resistir ao desejo de possui-la, se caso
ela continuasse o provocando desse jeito. O pior de tudo, era que Kevin
sabia que ela não fazia por mal. Quem via a maldade era ele.
- Está certo.- ele concordou. Carolina encostou
as costas no peito dele, e deitou, para que ele passasse sabão na
barriga dela, logo levantaria a perna e ele passaria sabão ali também.
Kevin colocou mais sabão, e olhou por cima do ombro dela.
Viu o contorno que a lycra do biquíni fazia nos seios dela. Passou
vagarosamente a esponja na barriga dela, até sentir ela apertar
sua coxa. Ele pulou, levando um susto e ela riu. Carolina ficou na frente
dele, enquanto ele passava o sabão na perna dela. Ela olhava para
o corpo dele.
- Não é à toa que você é um
dos homens mais desejados do mundo.- ela sorriu.- Você é muito
gostoso.- depois riu.- Pernão, peitão, bração...
- Tô me sentindo um frango...- ele murmurou.
- Não se preocupe... não virei canibal.-
sorriu.
Após terminar a tortura, Kevin colocou a esponja de lado
e a olhou.
- Verdade ou desafio?
- Verdade.
- Você ainda ama o David?
- Não vou responder, Kevin. Te dou a minha vez de perguntar
por isso.- respondeu seriamente.
Kevin ficou constrangido. Não queria deixá-la
brava ou algo do tipo. Mas ao ver o sorriso nos lábios dela, sorriu.
- Certo. Verdade ou desafio?
- Verdade.
- Você me acha mesmo desejável?
Carolina riu e escondeu o rosto.
- Isso é pergunta?
- Responda.- se tivesse sorte, Kevin podia conquistá-la.
Sorriu com a idéia.
- Sim. Você é o cara mais lindo que eu já
vi. E o melhor de tudo, meu amigo.
Estava no caminho certo. Só faltava ela querer participar
do desafio dele, se caso ela o escolhesse. Senão, ele perguntaria
se ela queria passar uma noite com ele.
- Verdade ou desafio?
- Hummm... desafio. Vê se não vai inventar algo
complicado, como dançar "We´ve got going on" ou "Larger Than
Life".- ela sorriu brincando.
- Não é difícil não. Eu quero apenas
um beijo seu, como me deu hoje de madrugada.
- Aquilo foi um engano.
- Não interessa o que foi. Eu quero, faz parte da brincadeira.
Não seja estraga prazeres.
Carolina foi até ele, Antes que Kevin a abraçasse,
ela cruzou seus dedos com os dele e afastou as duas mãos. Kevin
não entendeu a principio, mas deixou. Talvez ela não quisesse
ser abraçada.
Ela aproximou o rosto do dele e o beijou. Seu corpo encostou
no dele, de maneira sensual e provocante, que ela o beijou mais apaixonada
do que antes. As mãos de Kevin queriam abraçá-la,
mas Carolina as segurava de forma que ele perdeu a força.
Quando ela descolou os lábios, sorriu e o soltou. Voltou
e saiu da banheira. Então Kevin ficou furioso, porque só
ela tinha se divertido e ele não. Aquele beijo apenas o lembrou
de seu desespero por tê-la.
Carolina vestiu o roupão. E olhou para Kevin, que continuava
na banheira.
- Verdade ou desafio?
- Verdade.- respondeu furioso.
- Você me acha desejável, Kevin?
Kevin sentiu sua garganta seca. O que ela estava perguntando?
Claro que achava. Nunca achou tanto como outra mulher em toda sua vida.
Ele saiu da banheira e vestiu o roupão. Carolina foi até
a porta, como se fugisse dele.
- Sim. Você é linda e desejável. É
muito linda...- ele se aproximou dela. Carolina sorriu e saiu, indo para
seu quarto. Kevin a seguiu, e quando entrou no quarto dela, ela se olhava
no espelho. Ele parou atrás dela, e a olhou pelo espelho.
- Você acha mesmo?- murmurou.
- Sim. O que você vê quando olha no espelho?
- Pergunta boba... eu me vejo, e vejo você atrás
de mim.
- Não... você não vê a perfeição
de seu rosto.- ele passou a mão no rosto dela, suavemente.- O brilho
azulado de seus olhos.- seu dedo acariciou a pele debaixo do olho.- O contorno
de seus lábios.- o dedão deslizou demoradamente nos lábios
dela, provocando uma leve mordida por ela.- A suavidade do pescoço.-
ele acariciou o pescoço.- Como seus cabelos foram perfeitamente
desenhados para seu rosto.- alcançou com o dedo o cabelo claro e
enrolou no dedo.- Como seus ombros são delicados.- as mãos
pousaram nos ombros e os apertaram. Ele a olhou fixamente, quando uma de
suas mãos desceu por dentro do roupão e parou no seio. Os
tocou sobre a lycra.
Carolina encostou seu corpo no dele, e sentiu a excitação
de Kevin. Mas continuou encostada.
- Os seios macios e firmes.- logo afastou o tecido e os tocou.
Depois desceu para a barriga.- Uma barriga esbelta, acompanhada de uma
cintura sensual.- E... por fim...
- Não...- ela murmurou. Mas era tarde demais, Kevin já
havia colocado sua mão sobre o sexo dela.
- Você é muito desejável.- ele reafirmou
subindo a mão para a barriga. Carolina gemeu baixinho, pronta para
se entregar aquele homem. Encostou sua cabeça no ombro dele, ficando
perto dos lábios.
Kevin abriu o roupão dela, e depois a enlaçou
pela cintura, a puxando para perto. Logo começou a beijar o pescoço,
enquanto sua outra mão, procurava os seios dela. Carolina gemeu,
quando Kevin mordeu levemente a orelha dela. Depois beijou o rosto e depois
os lábios. Foi o beijo mais desesperado trocado entre eles. Logo
Carolina estava de frente a ele, o abraçando, envolvendo o pescoço
dele com os braços.
Ele estava chegando a um ponto que não poderia
mais resistir aquela tentação. Caminhou com ela até
a cama, e deitou sobre ela. Carolina o soltou e o olhou assustada. Rapidamente
rolou na cama, e levantou-se. Fechou o roupão, enquanto Kevin batia
a cabeça na cama.
- Estamos cometendo um grande engano.- ela falou rapidamente.-
Nada disso pode ocorrer entre nós. Somos apenas amigos. E não
amantes.
Kevin a olhou e se levantou.
- Não é engano! Se nós dois queremos, porque
não?
- Eu não quero! Você está me seduzindo...
e sabe disso.
- E você?- ele falou.
- Eu não. Queria ficar sozinha.
- Ah, claro... eu acredito.- ele cruzou os braços.- Você...
você... esquece.- ele passou por ela e bateu a porta do quarto assim
que a cruzou.
Caminhou pelo corredor nervoso. Estava muito frustrado. Entrou
no seu quarto e fechou a porta, indo até a janela e abrindo a porta
de acesso a varanda. Tomaria aquela chuva, assim quem sabe, diminuía
o calor que estava sentindo.
Praguejou milhões de coisas, murmurando para si mesmo.
Era idiota pensar que estava apaixonado por ela, mas não via explicação
melhor para tudo o que sentia. Aquele sentimento que ele não sabia
descrever, que era enorme, sem tamanho. A falta que ela fez em toda sua
vida, em sua cama. Depois bateu a cabeça na parede, tentando esquecê-la.
Mas nada adiantou.
Na manhã seguinte, Kevin acordou de tarde. Estava calor
e o sol entrava pela janela de seu quarto. Ele trocou de roupa, e desceu.
Hoje poderia ficar livre dela, andando a cavalo. Na cozinha, havia um prato
preparado para ele. Kevin comeu sem protestar, mesmo estando de mau humor
como estava.
Depois saiu para selar o cavalo que estava no cercado, junto
ao estábulo. O cavalo corria em círculos, junto com outros
dois. O selou e sumiu cavalgando nas montanhas.
Andou por todos os vales que pertenciam à propriedade
deles. Depois sentou debaixo de uma árvore para descansar. O cavalo
começou a comer o pasto fresco. Kevin não conseguia esquecê-la,
nem por um momento. E ele estava começando a enlouquecer. Talvez
enlouquecer de amor e desejo.
Quase ao anoitecer, ele voltou. Estava cansado, assim dormiria
sem vê-la. Quando entrou em casa, ouviu as doces notas do piano,
foi até ele, e Carolina tocava "10,000 Promises". Kevin a havia
ensinado, e ela tocava muito bem.
Estava com uma trança nos cabelos claros, e usando um
vestido. Enfim alguma roupa dela havia secado. Estava tão concentrada,
que nem notou que ele estava ao lado dela, sorrindo. A raiva e confusão
que sentia foi dissipado no momento que a viu. Quando Carolina o notou
do lado, levou a mão ao peito e sua respiração ficou
difícil por um momento.
- Que susto!- ela quase gritou.
- Não queria assustá-la! Desculpe.- murmurou.
- Não faça mais isso.- ela levantou.- Toque!-
pediu.
Kevin sentou na cadeira e tocou algumas músicas para
ela. Não as cantou, apenas tocou. Carolina estava sentada no sofá,
o ouvindo. Ao fim da quinta música, ele a olhou.
- Você ainda toca muito bem. Pensei que tivesse esquecido,
só pensando na dança.
- Claro que não!- ele sorriu.- Adoro pianos, e adoro
tocá-los.- disse deslizando a mão no marfim das teclas.
- Fico feliz!- ela sorriu, e depois desviou o olhar.- Ai ai...-
suspirou de repente. Kevin sorriu ao vê-la fazer isso, era tão
encantadora.
- Cá...- ele chamou. Carolina o olhou e sorriu.- Eu...
eu...- gaguejou.
- Kev, de onde tirou a idéia que eu te queria?- perguntou
seriamente.
- Dos seus olhos.- ele foi até ela e sentou no chão.
Segurou a trêmula mão dela e beijou.
- Pare com isso. Já basta o que aconteceu ontem.- falou
friamente.
- Eu te amo.
- Você o quê???- ela perguntou assustada, se encolhendo
no sofá.
- Eu te amo. Posso repetir quantas vezes quiser.
- Não quero que repita. Você não sabe o
que fala.
- Claro que sei.
Kevin se levantou e sentou no sofá ao lado dela.
- Acredite, eu te amo.
Carolina olhou para o chão e depois o olhou, tentou sorrir,
mas estava pasma. Kevin a abraçou e depois a beijou. Carolina segurou
o rosto dele e o beijou, chorando.
- Não chore querida.- ele beijou os olhos dela.- Não
chore.- depois a beijou novamente.
- Kevin... Kevin...- ela se afastou dele.- Eu estou chorando
por sua causa.
- Porque?
- Eu sei que você disse isso para poder transar comigo
depois. Sei que não é de verdade.
- Claro que é.- ele tentou segurá-la quando ela
foi para a cozinha.- Mas que droga!- murmurou em seguida.- Oh mulher difícil
de agradar.
Levantou-se e foi atrás dela, Carolina estava fazendo
chá. E Kevin parou na porta e a olhou.
- Porque acha que eu faria isso? Sou seu amigo, esqueceu?
- Não. Não esqueci disso.
- Então porque acha que eu faria isso apenas para tê-la?
Que graça teria?
- David disse o mesmo que você e olha o que aconteceu.
- Mas David é um idiota. Ele nem deve saber de beijar
como se deve beijá-la. Nem ao menos tocá-la, ele deve saber...
- Kevin...
- Carol, eu nunca mentiria. Não isso.
Carolina o olhou. E depois cruzou os braços. Kevin a
observou. Sabia o que tinha falado, é isso ela analisaria com cuidado.
Kevin sabia como tocá-la e ela mesma havia lhe dito isso.
- Porque... porque...- ela não sabia o que falar.
- Darlin', não tente arranjar uma proteção
para não ver a verdade. Você sabe que eu a amo, o que mais
lhe importaria?
- Saber se eu te amo!- respondeu rapidamente.
- Mesmo se não me amar, eu posso fazê-la me amar.
Carolina suspirou.
- Kevin, eu te amei, mas isso faz tempo. Se você só
pode me amar agora, eu...
- Carol, posso tentar?- ele sorriu.
- E se isso não der certo?
- Você já está vendo o lado negativo antes
mesmo de tentar.
- Certo... eu nem saberia por onde começar.
- Mas eu sei. Primeiro, esquecendo aquele idiota do David.
Carolina suspirou novamente e se abraçou. Kevin foi até
ela e tocou seu rosto, fazendo ela o encarar. A abraçou fortemente
depois. No instante que ele sentiu as mãos dela em suas costas,
teve a certeza que de seus braços, ela não escaparia.
Quando o chá ficou pronto, Carolina serviu copos para
ambos.
- O que vamos ver esta noite?
- Vamos ver Top Gun.
- Que droga... vamos ver Top Gang.
- Depois nós vemos este. Eu assisti aquele com o Steve
Segal...
- Está certo!- sorriu e segurou uma das mãos dele.
Depois de terem assistido o filme abraçados, Carolina
reparou que a noite havia caído por completo. E a lua estava enorme,
brilhante e inspirando os namorados. Voltou a olhar Kevin e sorriu.
Na metade do segundo filme que Kevin achou na TV, eles se beijavam
carinhosamente. Kevin a puxou para si, a apertando contra seu corpo. Carolina
colocou as mãos no peito dele, empurrando a blusa que ele usava.
Rapidamente, ele tirou a blusa e a lançou longe, beijando ela.
Quando estavam mais empolgados, ambos caíram no chão,
rolando pelo tapete macio. Depois de rirem um pouco, voltaram a se concentrar
no que faziam antes da cena ridícula. Kevin estava sob Carolina
e desabotoou cada botão do vestido dela, e o lançou longe.
Ele mordeu o pescoço dela, e desceu para o peito e depois para os
seios, arrancando o sutiã que os prendia. Os lambeu e os sugou,
arrancando suspiros desesperados de Carolina.
Após ambos se beijarem muito, finalmente se amaram. Logo
em seguida, novamente e novamente. Quando não tinham mais forças,
Kevin a ajeitou em seu peito e acariciou seu braço. Sorriu. Tinha
feito tudo como queria, é o melhor de boa vontade dela.
Seus pensamentos se se voltaram em como iria conquistá-la.
Como faria tal coisa? Carolina respira e vive David, como ele poderia fazê-lo
esquecer? Isso era uma missão difícil, mas não impossível.
Se Kevin conseguisse lhe provar a verdade de seus sentimentos, talvez conseguisse.
Carolina estava acariciando o peito dele, e ele riu, quando
ela lhe causou cócegas.
- O que foi?- perguntou preocupada.
- Nada... apenas cócegas.
- Hn...- murmurou se levantando e sentando. Kevin se levantou
em seguida e ficou atrás dela. Sentiu-a tremer quando beijou o ombro
dela. Abraçou-a por trás e a trouxe contra seu peito.
- O que foi?
- Nada. Estou apenas pensando.
- No quê?
- Que não sou fria... era mentira dele.
- Eu te falei.- ele a beijou novamente.- Você não
é fria, eu posso falar isso.
- Eu estava começando a me preocupar com isso.- disse,
acariciando o cabelo bagunçado de Kevin.
- Não se preocupe... você é linda, não
é fria e é minha.- alcançou os lábios dela
e os beijou carinhosamente.
Tudo começou com um inocente beijo e mesmo cansados,
se entregaram um ao outro novamente. Quando havia terminado, Kevin rolou
para o lado e se esticou, suando. Olhou para Carolina, que o olhava com
um sorriso.
- Você é maravilhoso!- ela murmurou.
Kevin sorriu e beijou a mão dela. Ela acariciou o rosto
dele.
- Você é maravilhosa!- ele falou.
- Humm... estou com fome.- ela anunciou.- Quero ir até
a cozinha, mas estou muito cansada pra isso.
- Eu espero que não ache que eu vou lá.- ele a
abraçou.- Estou bem aqui.- disse beijando o pescoço dela.
- Eu sabia que você não iria, nada como tentar.
Tentar. Aquela palavra ecoou na mente de Kevin. Estava certa,
nada como tentar. E algo que Kevin faria era tentar, e muito.
Ela se levantou e vestiu o vestido sobre a pele nua, e foi para
a cozinha. Kevin se levantou em seguida, e vestiu a calça. Recolheu
as roupas do chão e as deixou sobre o sofá. Logo chegou até
a cozinha, e Carolina estava fazendo um bife a milanesa, e arroz.
Ele a abraçou por trás e deslizou a mão
pela barriga dela. Carolina encostou o corpo no dele, e tampou a panela.
Ela o olhou e o beijou.
- Agora saia daqui que eu estou fazendo algo para comer, e não
quero que me distraia.- ela falou.
Kevin sentou na cadeira e a observou. Em toda sua vida, nunca
se vira tão apaixonado. Estava louco por ela.
Depois que jantaram, Carolina adormeceu nos braços de
Kevin. Ele gentilmente a levou até seu quarto e deitou-se ao lado
dela. Mesmo sonolenta, ela o abraçou e voltou a dormir.
Aquela seria uma boa noite para Kevin. Sem sonhos que o deixavam
perturbados, ou noites mal dormidas, desejando Carolina em sua cama. Agora
ela estava ali, dormindo. Tão inocente e bela, que fez Kevin suspirar.
Pela manhã, ele sentiu a cama fria. Acordou e viu
que Carolina não estava mais ali, e ele desejou que não fosse
um sonho. Que fosse realidade. Ele levantou e desceu até a cozinha.
O dia aprecia se repetir, estava os pratos do café da manhã
do mesmo jeito.
Kevin comeu e logo saiu, vendo o sol iluminar sua fazenda. Sentiu
o cheiro de feno fresco, e sorriu. Olhou em volta e encontrou Carolina
dando banho nos pôneis, ele se aproximou e a viu cheia de sabão
nas pernas e braços. O cabelo estava bem preso, e ela usava um chapéu
de palha. Kevin caminhou até lá, e se apoiou no cercado,
a olhando.
Teria sido um sonho? Será que tudo foi um sonho??? Seu
coração disparou quando pensou nisso, não poderia,
não quando disse que a amava. Não depois de tê-la amado.
- Enfim acordou!- ela falou quando o viu.- O café estava
frio?
- Não muito.
- Você dorme demais, e estamos numa fazenda. Tem que acordar
cedo para aproveitar!
- É... talvez eu faça isso depois.- ele sorriu
e pulou a cerca, indo na direção dela.- Quer ajuda?
- Pensei que não ia perguntar.- ela sorriu.
Assim, deram banho nos pôneis, e logo estavam sentados
tomando sol em cima do feno. Kevin apenas o observava, sem tê-la
tocado. Não poderia cometer um erro, quase tudo não passasse
de um engano. Os cavalos corriam para se aquecer, e se livrar da água.
Kevin olhou para Carolina, ela estava olhando os cavalos, com um feno na
boca, ela sorria. Logo mexeu no chapéu e olhou para Kevin.
- Eles estão quase secos... e veja eu, estou molhada
ainda.
- Fica muito bem assim.- Kevin arriscou um comentário.
- Hn... eu posso pegar uma pneumonia e morrer.
- Eu não deixaria que ficasse doente.
- Você realmente falou sério ontem à noite.
- Eu falei sobre muitas coisas.- ele se fez de difícil.
- Ah...- ela se levantou e se espreguiçou.- Você
está me enganando, Sr. Richardson.- ela o olhou nos olhos.- E eu
só tenho a lamentar sua decisão.- ela o deixou sozinho e
começou a caminhar pelo campo. Kevin a seguiu e a parou.
- Cá, escute. Eu te amo, e faria qualquer coisa por você.
- Não quero que prove seu amor. Só quero que não
me engane.
- Não vou fazer isso.- ele murmurou a abraçando.-
Não mesmo.- a beijou quando ela o abraçou. Ao menos não
tinha sido um sonho.
Após uma semana de romance, Kevin saiu para ir até
a cidade. Quando desembarcou, quase foi atropelado por um carro que vinha
em alta velocidade.
- Que idiota!- Kevin praguejou, se recuperando do susto. Ele
foi até o supermercado e fez as compras planejadas. Até encontrou
Smith antes de ir embora.
- Kevin... Como está?- ele deu a mão a Kevin.
- Estou bem. Estamos bem.- disse Kevin o cumprimentando.
- Que sorte, eu vi que quase foi atropelado... nunca passa loucos
como esse por aqui.
- Eu sei, por isso estranhei. Aquele cara realmente estava com
pressa.- Kevin comentou.
- É... como está Carolina?
- Está bem. Está se recuperando bem.
- Fico feliz por isso.- ele olhou o relógio.- Nossa,
estou atrasado. Tome mais cuidado da próxima vez, e não se
esqueça que ainda tem muito que cantar.
- Tem razão. Vê se volta para casa, agora não
a mais problema.
- Eu precisava ouvir isso.
Smith foi embora e Kevin voltou a fazenda. Quando olhou ao longe,
viu um outro carro parado lá, e uma pessoa correndo. Seu coração
disparou no mesmo instante, e ele acelerou para a casa. Quando chegou,
reconheceu o carro. Era o que quase tinha matado ele, agora pouco.
Apressado entrou na casa, e não encontrou Carolina em
parte alguma. Encontrou David sentado a varanda, se lamentando.
- O que faz aqui?- Kevin perguntou.
- Eu voltei.- ele falou.- Eu voltei e ela fugiu. O que fez a
ela?- David se levantou furioso.
- O que você fez a ela é a pergunta aqui. Deveria
ter ido embora da vida dela, e não vindo atrás dela.
- Você não sabe de nada. Ela ainda me ama, e eu
vim buscá-la.
- Você não vai levá-la a lugar nenhum.
- Vamos ver então.- David se aproximou de Kevin, o ameaçando.
Kevin o encarou sério. O que ele havia feito com Carolina?
Onde ela estaria?
- Se algo acontecer a ela, eu te mato.- disse Kevin saindo atrás
dela. Ele não prestou atenção no que David gritava
e tentou imaginar onde ela estaria. Correu na mesma direção
que ela.
Após muito correr, ele a avistou sentada perto da nascente
de um rio. Foi até ela e, notou uma mancha de sangue pelo chão.
- Cá???- Kevin chamou. Ela se virou e o olhou. Carolina
correu para abraçá-lo e Kevin suspirou aliviado.
- Que bom que está aqui...- ela murmurou.
- Estou aqui, Darlin'.
Kevin começou a sentir algo quente molhar seu peito,
ele afastou um pouco de Carolina, a ponto de ver o porque. Quando olhou
para a mão dela, viu um ferimento muito profundo, de onde ainda
jorrava sangue. Ela havia prendido com um pedaço da camiseta que
usava, mas não havia surtido muito efeito. Kevin pegou mais um pedaço
da camiseta dela, e prendeu bem, estacando o sangue.
- Ele te fez isso?
- Não... bem...
- Responda, por favor.
- Ele me atacou quando eu disse que não queria mais vê-lo.-
ela o olhou nos olhos.- Eu falei sério. Aí ele jogou um porta-retrato
sobre mim, e o vidro quebrou na minha mão.
- Um porta-retrato???
- O com o Steve Segal.- ela lamentou, sorrindo de leve.- Ele
ainda está lá?
- Sim...- ele acariciou o rosto dela.- Mas vamos tirá-lo
da nossa fazenda, e depois irmos pro hospital cuidar desse ferimento, certo?
- Como eu poderia negar? Você me arrastaria para lá.
Kevin sorriu. Sabia que ela estava muito assustada, mas estava
se comportando como se nada houve acontecido. Nessa hora notou a falta
que Smith fazia, ele teria parado o carro, e nada disso aconteceria. Mas
Smith estava a caminho de casa, e agora tudo voltaria ao normal.
- Vamos logo, então.- Carolina falou.
Kevin a segurou e tirou o celular do bolso e ligou para o polícia.
- Porque fez isso?- perguntou Carolina assim que Kevin desligou
o telefone.
- Não quero que nada de mal te aconteça. É
melhor a polícia cuidar disso.
Carolina limitou-se a olhá-lo e depois olhou para o ferimento.
Para Kevin, ali estava a razão de toda sua preocupação
e amor. Estava tão bonita naquele dia, que todos os problemas se
foram, quando ele voltou a observá-la. O modo como olhava o ferimento
era tão meigo que deixava Kevin sem palavras. Estava mesmo apaixonado
por ela, desde quando ia achar isso bonito??? Ele colocou a mão
na cabeça e depois a abraçou, a conduzindo até a rio.
- Vamos ficar aqui e esperar. Eu dei o telefone a polícia,
e assim que prenderem David, voltamos para lá.- ele explicou. Carolina
meneou a cabeça e depois a encostou no peito dele.- Posso saber
porque não quis ir com ele?
- Que pergunta boba, Kev.
- Não é não.- ele se defendeu.- Eu gostaria
de saber.
- Não há razão para eu voltar a morar com
ele. Eu não quero mais ele na minha vida.
Kevin sorriu ao ouvir isso. Acariciou o cabelo dela e depois
beijou a cabeça dela, como um pai faria a filha.
- Fez bem, Darlin'... fez muito bem.
Ela não disse nada. Logo a polícia chegou e David
foi preso.
Aquele mês havia sido ótimo para ambos. Kevin apenas
esperava que Carolina falasse que o amava, mas isso ainda não havia
acontecido. No outro mês que se iniciava, Carolina ia participar
de alguns campeonatos pelo mundo e Kevin ia ter que dar entrevistas pelo
lançamento do novo cd.
Quando isso tudo ocorria, eles não se falavam mais por
telefone, e Kevin apenas acompanhava os campeonatos pelo jornal. Foi então,
que no último dia do campeonato, ele se viu na mesma cidade que
ela.
Kevin vestiu o casaco e ajeitou a gola.
- Aonde vai??? Temos uma entrevista.- perguntou AJ.
- Eu tenho que sair.- disse ele apressado.- Entenda, é
muito importante.- ele se virou e saiu, indo para o hipódromo. Chegou
a tempo de ver ela entrando na arena, para a última prova, a de
obstáculos. Seu coração acelerou de tal forma, que
ele achou que ia passar mal, mas não. Carolina acariciou a crina
do cavalo, e montou em seguida.
Kevin sentou-se e observou ela passar pelos obstáculos
sem nenhuma dificuldade. Sorriu, ela era uma ótima amazona. Quando
terminou, Kevin tentou ir para onde ela estaria, mas não conseguiu.
Apenas a olhou entrar em uma das passagens e sumir. Ficou desanimado, teria
que esperar até o fim do torneio para falar com ela.
Quando tudo acabou, ficou aliviado, tirando a tensão que
sentia sobre os ombros. Após muitas voltas, conseguiu chegar onde
ela estava. Estava num quarto, segurando a taça. Colocou-a no chão
e suspirou.
- Uma moeda por seu pensamento!- Kevin falou a assustando. Carolina
se levantou e sorriu.
- Apenas uma moeda???
- É tudo o que tenho...- ele murmurou imóvel.
- Então não saberá.
- Tenho algo a mais a oferecer.
- O que seria, Sr. Richardson?- ela cruzou os braços.
- Tudo o que eu tenho, meu amor... "My love is all I have to give...” - ele cantou e então entrou na sala, que era um camarim
para as amazonas se trocarem.
- All I have to give??? Humm... você não é
o cara da música.
- Claro que sou.- ele se aproximou.- Você, mesmo sem namorado,
é a quem não vê meu amor.
- Porque acha isso?- ela colocou as mãos sobre o ombro
dele.
- Porque não fica de uma vez comigo?- disse ele a abraçando
pela cintura.
- Está me pedindo em namoro?
- Não.- ele sorriu.- Em casamento.
- Casamento???
- Foi o que disse não?
- Mas... nem noivos estamos... e é tudo tão rápido...
- Nada como o tempo.- ele a beijou.
Seu coração se acendeu de uma energia que o contagiou
em segundos. A beijou desesperadamente, pois todo esse tempo longe, só
o fez sentir falta dela. Mais falta do que já sentia.
- Espere...- ela disse interrompendo o beijo, quase sem ar.-
Posso pensar?
- Você tem...- ele olhou para cima e depois a olhou novamente-
dez segundos.
- Ah tá...- ela sorriu. Kevin a beijou, retornando ao
que faziam.
- E então?
- Bem...
- Você tem que ser sincera.
- Quando eu não fui???
Kevin não respondeu, a olhando.
- Eu te amo, serve se eu te falar isso agora?
- Claro, porque não serviria?
- Eu aceito.- ela falou em meio ao um sorriso tímido.
Kevin apenas sorriu e a beijou novamente.
Fim do fanfic.
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