A Triste Carta!
Escrito por Carola Hayes Richardson
Brian correu quando avistou a casa. Continuava lá. Em
pé, e imponente. Nem mesmo os ventos marítimos a destruíram.
Estava inteira.
Ele cruzou o gramado bem cuidado e chegou as escadarias da casa.
Olhou para trás. o horizonte estava escuro e trovejante.
Certamente choveria. Ele ouviu o mar quebrar fortemente contra as pedras.
O penhasco estava mais próximo do que da última vez que esteve
ali. O mensageiro do vento balançou, tocando sua música descompassada.
Brian subiu rapidamente o lance de escadas.
Havia deixado muita coisa pra trás, como seu casamento
com Leigh Anne e os Backstreet Boys. Deixou tudo para estar ali. Tinha
cometido a maior burrada da sua vida deixar seu verdadeiro amor ali. Havia
pensado nisso toda sua vida, e só naquela semana, viu o que fez.
Nunca deixou de ama-la. Sabia que se enganava com Leigh Anne, ela nunca
seria a quem ele amava.
Kevin sempre o perguntava por ela. Brian respondia que não
lembrava mais dela, mas não era verdade. Kevin sabia e Brian sabia.
Mas nunca comentaram mais do que isso sobre esse assunto. Certa vez, Leigh
Anne perguntou sobre ela, Brian não respondeu, apenas a agarrou
e a amou loucamente, mas ele via sua amada em Leigh, e não ela própria.
Não podia mais se lamentar. Tinha que vê-la, tinha
que senti-la. Era isso que ele fazia lá, voltou para vê-la.
Voltou para ela.
Alcançou a porta e a abriu. Ela nunca estava trancada. Morava
tão longe da cidade que ladrão nenhum se daria o trabalho
de ir até lá. Estava tudo como da última vez. Cada
móvel em seu lugar, cada objeto em seu lugar. Ele entrou e fechou
a porta. O aroma de lavanda o invadiu. Era o aroma preferido dela. Sorriu.
Andou por todos os aposentos e nada. Estava tudo vazio. Resolveu
procura-la no segundo andar. Subiu as escadas discretamente. A escada de
madeira rangeu um pouco, para desgosto de Brian. Enfim chegou ao segundo
andar. Olhou pros dois lados, nada. Estava vazio e silencioso. Brian olhou
todos os aposentos.
Primeiro a sala de música. O piano e o violino estavam
cobertos com um imenso pano branco. Brian lembrou de quando ele tocava
ali com ela. Ou quando ela tentou lhe ensinar violino. Sorriu. Ela era
bem persistente e paciente com ele. Lembrou-se também das músicas
que ela compôs. Fechou a porta, deixando as lembranças para
trás. Seguiu para a porta da frente, o quarto de hóspedes.
Estava em ordem, como se alguém estivesse morando ali. Mas era apenas
uma impressão, ela não tinha amigos, ou parentes.
Abriu a porta do banheiro, o chão estava molhado. Ele
entrou e olhou no cesto da roupa, estava vazio. A toalha azul estava molhada.
Ele sorriu. O espelho estava embasado.
Seguiu para a porta seguinte que dava acesso ao sótão.
Mas lá ela não estaria. Queria ter certeza, subiu até
o sótão e ele estava vazio e limpo. Nenhuma caixa. Nada.
Desceu e foi até o outro quarto de hóspedes, nada.
Enfim, Brian abriu a porta do quarto dela. Estava tudo arrumado.
A porta do armário balançava com o forte vento que entrava
pela janela. Ele entrou e fechou a janela. Lá dentro, o aroma da
lavanda era ainda mais forte.
- Ela saiu...- suspirou Brian, sentando-se na cama dela. Logo
desabou pra trás, lembrando. Ele rolou na cama, para chegar perto
dos travesseiros. Foi quando ouviu o barulho de papel amassando. Tirou
gentilmente o travesseiro para ver. Era de costume dela, deixar bilhetes
embaixo dos travesseiros, sorriu. Ela não havia mudado nada.
Eram muitas folhas, seguradas por uma fita que tinha o nome
de Brian tricotado ali. Ele ficou tenso. Como ela ia saber? Um trovão
cortou seus pensamentos. Ele retirou a fita delicadamente e pôs se
a ler a carta que era destinada a ele.
" Querido Brian...", começava a carta. Brian sentiu a
voz dela pronunciando cada palavra. " Sei que quando ler, vai lembrar de
como éramos felizes. De como nossa vidas eram feitas apenas de sonhos
e carinhos. De como éramos feitos um pro outro." Brian sorriu ao
ler. Era palavras que certamente ela diria se estivesse ali, senão
tivesse saído.
" Agora, olhando seu retrato, sei que isso poderia e continua
até hoje. Talvez para sempre. Não podemos fugir de nossos
destinos, não é mesmo? Nosso retrato juntos, há muitos
anos é minha única companhia. Olha-lo me faz sorrir, me faz
sentir que você um dia ia voltar.
Sei que não foi embora por mal. Tinha um sonho e eu o
respeitei por isso. Deixei você partir porque queria sua felicidade,
mesmo ela não sendo a meu lado. Nunca fui egoísta. Sonhadora
talvez. Eu acreditei em sua palavra, quando me jurou que voltaria. Mas
vejo que mentiu. Se você não tivesse me prometido, talvez
eu teria sido mais feliz. Acreditei na sua palavra, pois ela me fazia feliz.
Sinto sua falta. Não há como negar. Choro ao ouvir
nossa canção, nosso tema. Choro ao lembrar das suas palavras.
Choro por tudo que me lembre de você. Sinto-me tão sozinha,
que eu acho que eu poderia morrer de tristeza. Essa tristeza que me corrói
dia a dia, noite a noite." Brian pára de ler e olha para a janela.
A chuva começava a cair fortemente. A fúria elétrica
cruzava os céus. Ele acendeu a luz do quarto e voltou a leitura.
" Você ainda lembra que sempre fui sozinha. Ninguém
vem me ver, ninguém me escreve, ninguém. Tinha apenas você.
Você. As noites que passei te esperando foram sufocantes e amargas.
Sem comentar a solidão e o silêncio daqui. Tudo parece assustador
sem você. Tudo parece vazio.
Sinto um enorme vazio. Apenas um sorriso seu poderia me alegrar,
mas nem em meus pensamentos, em minhas lembranças, eu lembro disso.
Apenas lembro de seus olhos azuis, implorando por meu amor...
Agora me lembro de como nós conhecemos, naquela festa.
Quando te olhei, sabia que o amaria por toda vida. Você me disse
o mesmo. Eu acreditei. Lembrar de nós dois dançando, de suas
carícias... não posso mais. Não consigo lembrar, apenas
de seu rosto.
Quando tive a idéia de comprar a TV para não me
sentir tão sozinha, me vi abençoada e amaldiçoada
ao mesmo tempo. Eu assisti um programa no qual você se apresentou.
Continuava tão maravilhoso. Tão inspirador. Escrevi uma sinfonia
ao vê-lo. Pude me lembrar de você, de como você
era feito pra mim.
Os programas foram bons, mas não tão bons como
você costumava a ser para mim.
Recentemente, descobri que se casou. Tudo bem. Fiquei triste
e desolada. Mas ainda acreditava na sua palavra, acredito ainda. Se ela
o fez feliz, isso pra mim não importa, eu queria faze-lo feliz.
Me fazer feliz.
Depositei minha felicidade em suas mãos, e ao ver você
a beijando, vi que você a jogou para cima. Quebrei a TV e o pulso
por isso." neste ponto, havia uma enorme mancha. Ela provavelmente havia
chorado. Uma lagrima pingou sobre a tinta de pena que ela usou pra escrever.
A mesma que ela usava pra escrever suas doces notas. Brian passou o dedo
sobre a gota, querendo senti-la. Já estava na terceira folha.
"Mas agora, sinto que você se esqueceu de mim. Esqueceu
de sua promessa. Esqueceu do nosso amor. Não o culpo por isso. Talvez
lá no fundo a culpa fosse minha por deixa-lo partir. Claro a culpa
é minha.
Minha porque te deixei partir, porque não fui atrás
de você, porque não fui atrás da minha felicidade.
Porque eu me deixei levar por sua promessa. Não tenho culpa de ser
fraca... ou talvez tenha.
Toda a delicadeza que você amava me tornou o ser mais
frágil do mundo. Me apeguei mas minhas letras, na minha música.
Pra tentar esquece-lo. Não funcionou. Escrevi todas as músicas
para você. As dediquei para aquele que sempre vou amar. Naquele que
sempre acreditei."
Então Brian deixa cair as últimas folhas. Eram
notas de uma enorme sinfonia que ela escreveu. Ele olhou todas as notas.
Eram uma bela música. Olhou as páginas para achar o começo
e o descobriu. Estava escrito: "Aquele que eu sempre vou amar..." Claro
que era ele. Ela mesmo disse que nunca amaria outro homem.
Neste momento, Brian notou que chorava. Sempre a amou. Não
esperava faze-la sentir tão triste. A amava tanto. Mas tinha medo
de voltar e vê-la com outro homem. Agora viu que estava errado. Ela
sempre o esperou. Brian ainda se lembrava da promessa, nunca a esqueceria.
Pensou que ela a esqueceria, mas viu que estava enganado. Voltou sua atenção
na última folha.
" Espero que faça bom uso delas, porque eu as fiz para sua felicidade.
Para sua plena felicidade.
Acabei de tomar meu último banho de água canalizada.
Foi estranho ter essa sensação. Me senti que como estivesse
me despedindo daquela água. Mas enfim, eu estava.
Passou-se 14 anos, que eu estou te esperando. Esperando sua
volta. Esperando seu amor e sua palavras doces. Destes 14, faz 2 anos que
está casado. Nunca me esquecerei desse fato. Mas também nunca
o esquecerei.
Se você cumpriu sua promessa e voltou, provavelmente me
procurou pela casa. Desculpe. Não consegui ser mais forte... desculpe.
Eu não estarei mais nesta mundo quando você voltar... eu tentei
ser forte..." neste trecho, a bela letra está tremula e manchada."
Queria estar aí a seu lado quando ler esta carta, mas não
posso agüentar. Não posso espera-lo mais. Mesmo porque, creio que
não vai mais voltar, agora está feliz..
Mas eu não. Eu farei aquilo que te falei uma vez. Queria
que você lesse essas palavras e visse como ainda te amo. Como sempre
te amarei. Como eu acredito no que falou. Mas não agüento mais.
Perdoe-me pelo que vou fazer. Por favor... não poderia
ficar em paz sem seu perdão. Talvez seja uma burrada, mas é
o único caminho. Aquele que eu consigo ver.
Eu te amarei por toda eternidade, não importa se você
me ama ou não.
Aqui me despeço triste. 14 anos foram uma espera dura
e triste.
Eu te amo Brian
Sempre te amarei...
Da sempre sua."
Brian não continha mais as lágrimas. Imaginou
o que ela fez... ficou desesperado, lançou a carta para trás
e correu pra fora da casa. A chuva estava forte e o vento soava uma canção
triste. Era pra ele. Foi até a ponta do penhasco. Olhou. O mar quebrava
forte sobre as ondas. Estava escuro. Um relâmpago toca o mar fazendo
um enorme clarão.
Foi então que Brian viu o corpo dela na pedra. Estava
de bruços e com um enorme vestido. Brian gritou. Um enorme vagalhão
cobriu a pedra, e puxou o corpo para o mar, para nunca mais ele voltar.
Brian ajoelhou, estava molhado, triste e chorava muito. Não acreditava
naquilo. Mas era ela, aquele vestido foi Brian que deu a ela. Ele cobriu
o rosto com as mãos e chorou desesperadamente.
Se tivesse chegado um pouco mais cedo, teria evitado a tragédia...
agora em prantos, Brian não leu um último parágrafo
da carta.
" Por favor, quem estiver lendo, entregue essa carta a Brian
Thomas Littrell, aonde ele estiver. Deixou tudo que possuo a ele, até
meu coração."
- Mas quem se importaria com a morte de uma ninguém???- foi a última coisa que disse. Depois deixou a carta debaixo do travesseiro e saiu. Andou calmamente sobre a grama. Enquanto isso, Brian estacionava seu carro ali perto. Nenhum dos dois se viu. Assim que ele chegou perto da casa, ela saltou.
Fim do fanfic.
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