O Encontro!

   Escrito por Carola Hayes Richardson

Para a amiga Elaine, com carinho.

  Deitei na cama. Mais um hotel e mais shows. Finalmente a turnê chegaria ao seu fim e eu poderei descansar. Os últimos shows seriam na Argentina. Estamos no Brasil, o sol entra pela janela iluminando meu corpo, permaneci deitado, apenas olhava o céu azul e limpo. Estava bastante cansado e logo adormeci. Meus sonhos confusos indicavam minha solidão por ter perdido Amanda.
  Uma forte batida na porta me despertou. Fui até a porta cambaleando, ainda sonolento. Era Howie, estava bem a vontade, com apenas uma bermuda e a toalha sobre o ombro.
  - Pensei em passar aqui para te chamar. Vamos a piscina?- sua voz animada não me despertou.
  - Howie... estou com sono e vou dormir. Depois eu apareço lá.
  - Me desculpe. Volte a dormir, cara. Você está com uma cara horrível de sono.- ele sorriu amigavelmente e se foi. Fechei a porta e voltei a cama, joguei minha bagagem no chão e deitei na cama macia e voltei a dormir. Dormi cerca de 5 horas, quando acordei o sol estava se pondo.
  Desde que Amanda não me quis mais, estava desanimado e perdido. Então dormia quase o dia inteiro. os shows e entrevistas eu faço de bom grado, é o que me mantém vivo. Precisava de algo que me mostrasse o contrario, um novo amor talvez. No banheiro, eu olhava meu reflexo no espelho, meus olhos expressavam a tristeza que minha alma sentia.
  - Preciso me animar!- falei a mim mesmo . Minha idéia era uma boate ou algo assim, então pensei em McDonald's e depois em uma boate.
  Corri pro quarto e me troquei. Precisava me disfarçar para não ser pego pelas fãs que faziam ronda na frente do hotel. Após um belo plano, passei pelas fãs.
  São Paulo é uma bela cidade, e eu estava na Paulista. Calmamente me dirigi ao McDonald's que avistei, apreciando os prédios e as mulheres. Meus pensamentos estavam longe, estava muito desligado. A noite caia sobre a cidade e logo, certamente poderia realmente me divertir.
  Entrei no Mc, não entendendo uma palavra do que diziam. Estava na fila do caixa, longe, com os pensamentos voltados ao infinito. Ao chegar minha vez, pedi o lanche com toda dificuldade. Enquanto esperava, notei algumas garotas atrás de mim, fãs do BSB, senti meu coração disparar, seria reconhecido facilmente.
  Quando meu lanche chegou, agarrei a bandeja e procurei um lugar. Quando vi, eu ia dar o primeiro passo, trombei com uma garota. Apenas minhas batatas caíram sobre ela. A olhei embaraçado com a situação e ela falou algo que não entendi, mesmo assim me desculpei. Ela ergueu a sobrancelha notando que era estrangeiro.
  Sorri e fui me sentar. Meu rosto queimava de vergonha pelo ocorrido, nunca estive tão desligado. Comi, tentando esquecer o ocorrido. Uma mão posou em meu ombro, me assustei e ouvi uma risadinha. Antes que eu pudesse me virar, a garota sentou na minha frente com uma bandeja. Sorri e ela entregou-me uma caixa com batatas:
  - Ei, me desculpe. Eu estava desligada e não o notei.- seu inglês era perfeito. Enquanto falava notei sua beleza, e abaixei o óculos afim de vê-la melhor, seus cabelos lisos pretos como a noite, caiam sobre seus ombros; seu rosto era a face mais bonita que já vi e seus olhos castanhos estavam reluzentes.- Como foi culpa minha nosso pequeno incidente, trouxe as batatas que você perdeu.- um belo sorriso ficou em seus lábios.
  - Tudo bem! Não deveria ter se preocupado com isso. Acidentes acontecem.
  - Que bom que não ficou bravo. Então vou indo.- antes dela levantar, segurei sua mão.
  - Fique aqui, e lanche comigo!!!- seus olhos fitaram os meus e ela assentiu sentando novamente.
  - Será um prazer! Me chamo Elaine.
  - Sou...sou...Alexander.- comemos nossos lanches sem falar mais nada. Eu a olhava sem entender o que me atraia nela. Ao terminamos, ela cruzou os braços e segurou o queixo com as mãos. Sorri e a olhei.
  - Ahh, está aqui a muito tempo?
  - Não muito, cheguei anteontem e vou embora depois de amanhã.
  - Que pena! Espero que aproveite sua estada aqui.
  - Claro que pretendo aproveitar. Vai fazer algo agora?
  - Não estava pensando em ir para casa.
  - Você não seria minha guia?
  Ela riu, notando que falava sério, ela segurou e perguntou:
  - Depende de onde você quer ir...poderei ser sua guia sim. Aonde pretende ir, Alexander?
  - Uma boate ou um cinema talvez...
  - Uma boate é bem melhor. Venha!- ela segurou meu pulso e me levou até suas amigas. Falou com elas e me levou até uma boate não longe dali. Enfim, notei suas roupas, um calça big preta e uma blusinha branca, combinando comigo que estava com uma calça big preta e uma camiseta azul.
  Ao chegarmos, estranhei um pouco por não entender o que falavam, mas Elaine traduzia o mais importante. Dançamos bastante até Elaine se cansar e ir até o bar. Dancei mais um pouco e fui sentar junto dela.
  - Então, está se divertindo, Alexander?- ela segurava uma taça entre seus finos e delicados dedos.
  - Muito! E você? Parece cansada...
  - Estou me divertindo sim, um pouco cansada, você é um parceiro que dança demais.- ela toma um gole e sorri me oferecendo. Recusei pedindo um refrigerante.- Você não bebe?
  - Não, não posso.- tomei o refrigerante e a olhei. Ela tinha seus olhos em mim, mas desviou o olhar. Bebeu e logo me puxou para a pista novamente, foi quando notei que estava totalmente fascinado por ela. Quando conseguimos um lugar na pista, começou a tocar BSB, notei algumas garotas fazendo a coreografia. Elaine me olhou, e fez um gesto para dançarmos. A letra saia da sua boca com incrível doçura, eu me aproximei e a segurei pela cintura.
  - Te ensino a dançar.- ela sorriu e acompanhou todos meus passos. Ao final da música, ela fala:
  - Você dança muito bem, Alexander. Tão difícil um cara gostar de BSB..
  - Eu adoro!!!- a segurei com força e a puxei. Suas mãos estavam sobre meu peito, dançamos num ritmo bem lento em relação a música. O sorriso em seus lábios a tornava encantadora, então me aproximei e a beijei. A principio, ela recuou, mas logo cedeu.
  Seguimos a noite inteira assim. Na saída, ela voltou comigo até a Paulista.
  - Foi muito legal esta noite, Alexander. Você realmente é muito encantador, uma ótima companhia e tem mãos bastante safadinhas... mas até que não foi muito longe!
  - Então podemos sair amanhã?
  - Claro. Me ligue.- ela escreveu seu telefone e me entregou. - Vou esperar, tá?
  - Eu ligo sim.- e guardei o papel. Ela me abraçou e me beijou.- Venha, eu pago o taxi- assim voltei ao hotel sem ser reconhecido. A noite havia sido maravilhosa e nem havia pensado em Amanda. Ao entrar no quarto, Kevin estava me esperando sentado na minha cama. fechei a porta e fui até ele:
  - AJ, são 3 horas da manhã! Onde estava?
  - Numa boate e...
  - Você deveria estar dormindo e não em boates.
  - Ei, me desculpe perdi a hora.
  - Espero que não perca seu horário depois. Não gosto de dar broncas infantis, mas assim você não me deixa escolha. Você tem responsabilidades.- ele levanta e ao passar por mim- estava acompanhado?
  - Estava.- só escuto a porta se fechar atrás de mim. Após tomar um banho, deito na cama e adormeço.
  Acordo tarde, e ligo para Elaine marcando nosso encontro para umas 21:00 na Paulista. Após desligar o telefone, fui tomar café da manhã e agüentar a cara feia que Kevin fazia diante a minha indisciplina. Meu, ele adorava dar broncas e não sabia. De fato que ele estava correto, eu estou aqui pra trabalho e não passeando, mas nunca iria dar o braço a torcer. Talvez tenha sido indisciplina demais, mas aquela garota, tirava qualquer em do serio... Logo Brian apareceu, fazendo Kevin rir um pouco, tirando do seu rosto aquela expressão mal-humorada.
  - AJ, você tem que ensaiar...- disse Nick batendo nas minhas costas.- Você fica andando por ai, e esquece do show. Toma logo esse café e vamos ensaiar, ainda temos que ir pro estádio...- Nick sempre estava sorridente. Alias, ele não tinha do que se queixar...
  Bom, a tarde passou em puro treinamento e coreografias. Estava afinadissimo pro show. Dava graças pela turnê estar acabando, estava cansado. Mas nada que tirasse meu bom humor.
  Enfim eram 20:00 hrs. O show começaria dentro de alguns segundos, antes de entrarmos no palco, Kevin sussurrou:
  - Outra indisciplina, e eu te mato!- claro que ele estava brincando. Ou ao menos eu esperava isso...dei o melhor de mim no show e o "tio" Kevin pareceu gostar da minha ótima apresentação. Ao final, dei as mãos aos meus queridos "irmãos" de banda e fomos bastante aplaudidos.
  Nos camarins, eu logo fui tomar banho. Enquanto caia a água quente sobre meu corpo, lembrei das mãos delicadas de Elaine...Elaine...
  - ELAINE!!!!- gritei ao ver que tinha esquecido completamente dela. Terminei de me banhar e fugi para a Paulista. Eram quase 2:15 hrs da manhã. Cheguei ao ponto onde combinamos, e estava vazio. Não esperava encontra-la lá...mas quem sabe? Nenhum sinal dela. Voltei ao hotel e fui direto para o meu quarto. Estava aborrecido. Como pude esquecer do encontro? Ela estava em meus pensamentos, mas eu era cretino demais por ter esquecido. Como ela estaria? Será que falaria comigo novamente? De qualquer modo, esperaria amanhecer e ligaria cedo.
  Amanheceu, permaneci sentado a noite inteira olhando pela janela. Não conseguia dormir. Logo desci para meu café da manhã. Apenas olhei a comida e a mexi na comida. Estava sem fome e bastante aborrecido. Nick e Brian até tentaram me animar, mas em vão. Quando realmente notaram que era sério, decidiram me ajudar. Como? E no que? Era a grande dúvida que rondava minha cabeça, mas permaneci calado.
  - Acho que você tem que resolver seu problema hoje, AJ.- disse Nick.
  - Tô com ele! Vamos embora logo mais a tarde, e você tem que resolver.- concordou Brian.
  - E você quer ajuda?- perguntou Nick.
  - Não. Obrigado. Prefiro resolver sozinho.- disse me retirando da sala. Voltei o mais rápido que pude até meu quarto. Ao entrar, tranquei a porta e voei ao telefone. Logo liguei pra casa dela. Por sorte, ela atendeu...
  - Alô?
  - Hello, Elaine please.
  - Ah, é você???- disse no seu maravilhoso inglês.
  - Elaine, queria dizer que ontem...
  - Sem essa, Alexander. Além de eu ter ficado como uma tonta te esperando, perdi o show dos BSB...Perdi a única chance que tinha de ver o AJ.- ela gritou pelo telefone. Estava triste e mal humorada.
  - Mas é exatamente isso que eu queria falar com...
  - Esquece. Acho melhor eu não ouvir suas desculpas. Você conseguiu me humilhar e fez com que eu perdesse o melhor show da minha vida. Troquei você pelo AJ e me dei mal.
  - Perai Elaine, me deixe explicar.
  - Não! Me esquece...rasgue meu telefone, esquece que eu existo tá?- suas palavras eram frias e serias.
  - Perai...TUM, TUM, TUM...- ela desligou o telefone na minha cara. Olhei para o telefone e desliguei. Droga. Bobo! Perdeu alguém que te trocou por um ídolo...perai. Eu sou o ídolo dela e nem me dei conta...continuo idiota!
  Logo partimos pra a Argentina. A turnê estava no seu fim. E eu acho que meu coração também. Mas a culpa era minha, com essa cabeça cheia de compromissos, foi querer marcar um justo no dia e no horário de uma apresentação... Com sorte, teria ela em meus pensamentos e em meu coração. De fato, não é o suficiente, queria beija-la, abraça-la, ama-la... queria ela!
  A Argentina já era conhecida por mim. Andaria pelas ruas sem ser reconhecido. Talvez eu fosse a um lugar que me ajudasse a me acalmar... liguei varias vezes para Elaine, mas ela não me atendia. Chegou a mudar de telefone. Se ela me deixasse explicar, certamente veria que estava enganada, que não fiz por mal. Mas ela nunca me ouviria, nunca. A magoei demais para ela me perdoar...
  Caminhei por ruas movimentadas, mas que para mim, estavam vazias. Ao voltar ao hotel, Kevin me avisara que daríamos uma coletiva. Perfeito! Não faltava mais nada. Não estava com paciência e não estava com uma cara muito boa.
  Me olhei no espelho do banheiro do meu quarto. Não estava bom. Dei leves tapas para ver se corava ou algo parecido. Mas nada. A coletiva seria aberta a um certo número de fãs... se ao menos Elaine estivesse entre elas... Assim, segui pontualmente para a coletiva.
  O grito histérico das fãs me fez sorrir, ao menos ainda era desejado. Não por quem eu queria, mas era. Pensando bem, não faria a menor diferença. Olhei pra Brian, como poderia estar tão mal vestido??? O fato é que eu estou um pouquinho melhor, ao menos combinando. Sorri, só um pensamento ridículo como esse, me faria rir.
  A coletiva seguiu bem, respondi todas as perguntas. Do nada, senti alguém me olhando fixamente. Olhei na direção das fãs e vi ela... era Elaine. Estava branca (bem mais do que era), com uma mão sobre a boca... estava pasma. Também fiquei. Não esperava vê-la ali, não esperava que ela me visse ali... perai! Isso seria impossível, eu estava concedendo uma entrevista, como ela não me veria???
  - E vocês, tem alguém especial em seus corações?- perguntou uma repórter. Kevin sorriu.
  - Cada um vai responder por si. Eu tenho alguém, mas acho que não é um bom momento para apresenta-la. Só posso dizer que é a mulher dos meus sonhos...- respondeu Kevin. Sabia de quem ele falava, eu e Carol nós tornamos amigos. Ela era simpática e tão apaixonada por Kevin, que as vezes ficava cheio de mel, de tão doces que os dois ficavam quando estavam juntos...
  - Eu estou sozinho, sem ninguém no meu coração.- respondeu Howie, fazendo as garotas gritarem. - Minha namorada vocês conhecem.- respondeu Brian, tomando um gole de água em seguida.
  - Eu...- as garotas gritavam, deixando Nick sem graça. - Eu estou namorando sim.
  - É mesmo?- perguntou a repórter. - Pode nós dizer quem é a sortuda?
  - Diria que não é sortuda... seu nome é Cat.- as garotas gritavam tanto, que Nick pediu gentilmente que elas parassem ou diminuíssem. Cat era uma graça, sempre tão gentil, Nick realmente teve sorte de namorar com ela.
  - E você, AJ? Você ainda não respondeu.
  - Bem...tenho alguém em mente e em vista. Mas creio que ela não me queira.- respondi a olhando nos olhos. Elaine ficou corada e saiu rapidamente dali. A entrevista continuou. Fiquei feliz ao vê-la, que respondi quase todas as perguntas.
  Voltamos para o Hotel. Estava tão feliz, que poderia procura-la por entre todas as fãs. Até que não é uma má idéia... teria que passar por Kevin. E foi que eu fiz. Me disfarcei e sai. Procurei por todas as fãs e nada. Procurei por todos os lados conhecidos, e nada. Onde ela estaria? Algo me dizia que estava próxima, bem próxima.
  Havia se passado muito tempo, que sai procurando por ela. Tinha que voltar e foi o que fiz. Ninguém havia notado minha falta, fui dormir, amanhã nós apresentaríamos. Seria o penúltimo show da turnê.
  No outro dia, fizemos o que fazemos todas os dias que íamos nós apresentar. Estava se tornando repetitivo, mas eu adoro dias de apresentação. Me sinto tão feliz por fazer algo que alegra as pessoas, que me alegra. Elaine estaria lá, sentia isso. Vê-la me renovou, me fez criar uma esperança que não existia mais em mim. Vê-la fugir de vergonha do que eu falei, me fez ver que ela se importava. Além do mais, ela viu que eu era o AJ, seu ídolo. Mas ela notou que havia se apaixonado por Alexander, alguém que surgiu do nada e... a feriu, feriu tão profundamente, que eu nem sei se ela vai me escutar. Ensaiamos e na hora da apresentação, parecia que seria a minha primeira apresentação. Estava tão nervoso, que todos estranharam. Não consegui explicar o motivo, e nem queria. Provavelmente não entenderiam. Mas eles não eram a prioridade para minha vida.
  Quem diria??? Alexander James McLean tem prioridades na vida. Sempre tive, mas agora afirmei para mim mesmo isso. A música era a primeira. Mas e Elaine? Não sabia onde coloca-la. Mas não tinha tempo para pensar nisso, o show começaria dentro de segundos.
  O show seguiu sem maiores problemas. Contive meu nervosismo, e a procurei entre todas as fãs. Não a achei. Sabia que ela estava ali, em algum lugar, me olhando. Só não sabia aonde. O show chegou ao final. Voltei aos camarins triste, tinha certeza que iria vê-la.
  Os outros dois dias foram de muita procura, e nada. Elaine sumiu como apareceu. Ao final do último show, não a achei. Assim, estava terminada a turnê. Voltaríamos para o USA no dia seguinte, acho que não a veria mais. Nunca mais.
  Cheguei ao hotel, cansado e abatido. Deitei na cama após um longo banho. Onde ela estaria? Se ao menos eu soubesse onde ela morava, poderia ter ido atrás dela. Ter demostrado meus sentimentos mais reais e verdadeiros. Estava cansado, mas não conseguia dormir. Tinha o aeroporto em mente, mas não entendia porque. Fiquei sentado na cama, até entender.  Provavelmente ela estaria lá. Algo me dizia isso. Me arrumei e sai do quarto. No corredor, cruzei com Kevin:
  - Onde vai, AJ?
  - Atrás de uma pessoa. Agora que terminamos a turnê, posso sair. Preciso vê-la.
  - Aonde?
  - Algo me diz que no aeroporto.
  - Aeroporto?
  - Isso.
  - Então...- Kevin sorriu -... vá logo.- ele bateu de leve nas minha costas. Sorri e corri até o elevador. Na rua, peguei o primeiro taxi e fui até o aeroporto. Ao chegar lá, me dirigi até onde confirmam os passagens. Nada. A procurei por todo aeroporto. Porque tive a sensação que ela estava lá. Mas não passou de uma sensação ridícula.
  Sentei em um banco e cobri meu rosto lamentando ser um perfeito idiota. Não poderia ter sido mais burro. Quando abri meus olhos, não acreditei no que via. Elaine estava realmente lá, confirmando sua passagem. Carregava uma mochila e uma bolsa pequena. Estava tão linda quanto o dia que nós conhecemos. Reparei em seu triste rosto. Porque ela estaria triste? Talvez por mim, mas achei que seria mais inteligente da minha parte perguntar a ela. Levantei e caminhei rapidamente até ela.
  - Elaine?- chamei. Ela apenas olhou e ficou estática. Me aproximei dela e segurei seus ombros suavemente. - Elaine...- sussurrei feliz.
  - O que quer?- perguntou friamente. Disfarce! Estava tão feliz por ter me visto que poderia me agarrar.
  - Preciso falar com você. Agora podemos enfim conversar. Venha comigo até o restaurante do aeroporto.- ela me acompanhou sem reclamar. Sentamos e ela me olhou seriamente.
  - Porque está aqui? Acabou de se apresentar, deve estar cansado.
  - Não muito. Nunca estaria o suficiente por você.
  - Porque está falando isso? Seja direto.
  - Estou perdidamente apaixonado por você.
  - Não diga bobagens, Alexander. Não fale coisas que podem me ferir mais do que já estou.
  - Você não deixou que eu explicasse porque não fui ao encontro. Disparou palavras frias e duras em todas as direções. Nem sequer soube ouvir e eu a feri?
  - Desculpe, de fato, não soube te ouvir. Mas agora já sei o motivo de ter me deixado lá. Ao menos poderia ter me avisado.
  - Não deu. Fui bobo em querer fazer duas coisas ao menos tempo, sem ter consultado meu horário. Me desculpe sim? Agora que você já sabe o porque, acho que não a mais nada a ser desculpado.
  Elaine mexeu no cabelo, o jogando pra trás. Nada disse, apenas me olhou. Logo sorriu. Sorri, ela parecia ter me desculpado. Segurei uma de suas mão e a acariciei.
  - Está voltando para seu país?
  - Sim. E você, quando volta pra casa?
  - Amanhã. Você não está mais brava comigo?
  - Não... agora não estou mais. Assim que te vi novamente, descobri que não poderia mais viver sem ouvir sua voz.
  - O que quer dizer com isso, Elaine?- não podia acreditar no que ouvia. Elaine falou que estava apaixonada, como imaginei. Não falou de uma forma direta, eu sei, mas falou. Senti meu coração disparar, era o melhor momento da minha vida.
  - Que depois daquela noite, me vi perdidamente apaixonada por você. Nunca falaria isso se não valesse a pena.- ela sorriu.
  - Porque não me procurou antes?
  - Como? Nem sabia quem era, me apaixonei por um cara que conheci e que pensei que nunca mais o veria novamente.
  - Ainda bem que nós encontramos. Poderemos ficar juntos e pra sempre. Sabe, pensei que não a veria mais, nunca mais. Me desesperei com tal situação. Alias, você não foi ao shows?
  - Fui. Mas me escondi tão bem, não queria que você me visse. Nem sei porque, tinha medo desse encontro, tanto medo. Agora vejo que não passava de besteira minha.
  - E agora? Vamos fazer o que?
  - Como assim?
  - Bom, você vai voltar pra sua terra e eu pra minha, nunca mais vamos nós ver... ao menos que...- pensei bem no que eu iria propor, talvez ela não quisesse, mas talvez sim. Teria que tentar- ... a não ser que você queira ir morar comigo?
  - Com você?
  - Isso, comigo. Aceite por favor.- pedi.
  - Eu... não posso.- isso me quebrou. Pensei em enforca-la ali mesmo. Não queria ouvir isso, não queria mesmo. - A não ser que você volte a minha casa comigo e peça pra minha mãe.
  - Como é? Pedir pra sua mãe?- parei e a olhei torto. Nunca tinha feito isso na minha vida. Ela assinalou com a cabeça. Derreti. Faria por ela, e por mim. Transformaria Elaine na mulher mais feliz do mundo. - Bem, eu peço sim. Vou viajar com você hoje mesmo. Só preciso pedir que me tragam alguma coisa pra eu levar. O resto eles podem levar com eles, que eu pego depois.- Elaine sorriu e levantou-se, indo me abraçar. A abracei com tanta força e depois nós beijamos varias vezes.
  Então, fui com ela até o Brasil. Pedi pra sua mãe. Ela achou loucura no começo mas em seguida concordou. Tendo em vista que era o que a filha queria. A sogra até que era legal... muito simpática, lembrava minha mãe, estava com saudades dela. Ela nem acreditaria quando mostrasse Elaine à ela. Assim, Elaine mudou-se para a Florida comigo.
  Ela era tão calma e aprendeu a me esperar a cada coletiva ou programa. Nosso amor crescia e crescia. Nunca esperei encontrar alguém tão especial. Amanda nem mais me passava pela cabeça, ela não era mais tão importante, e sim Elaine.
Agora, que não estou mais em turnê, posso dizer que Elaine e a prioridade da minha vida. Ela nos ajuda em tudo, agora que estamos preparando nosso novo álbum. Simpática, não? Eu também acho... ou melhor, tenho certeza. Isso é que é encontrar uma pessoa!

 

Fim do Fanfic.
Gostou? 
Manda um e-mail pra mim que vai pro mural da Legado - carola_legado@yahoo.com.br 

VOLTAR