Viagem para Orlando


  Escrito pro CatBlue

- Como contar essa história a você... Como dizer a você que tudo aconteceu? Porque se nem eu acredito em mim, como fazer com que você acredite? Vai ser difícil... Mas eu vou tentar... – Catarina se esforçava pra dizer as coisas a amiga internauta Carol.
- Começa contando do início! – Carol brincou
- Duh! Acho que vai ser a melhor forma, né? – Catarina riu
- Mas conta logo que eu tô curiosa... E tipo... você sabe que eu tenho poucos minutos pro telefone.
- É... eu sei...E sei que você também não gosta de telefone... mas eu só pedi pra você ligar porque uma coisa dessas não se conta pela internet... Mas pode deixar que daqui a pouco eu ligo...
- Não... Tudo bem... só começa logo... vai...
- Tá bom... Tudo começou com a viagem pra Orlando...

 Vamos voltar uns dois meses antes da viagem da Catarina com sua prima Laise pra Orlando.

- Cataaaaaa!!!!! Já pegou o passaporte... Se a gente atrasar, a gente perde o vôo! – Laly falou segurando a porta do elevador pra mim.
- Já peguei sim... As malas já estão lá embaixo, né? – Perguntei enquanto fechava a porta de casa e dava o último tchauzinho para a gata.

 Corri e entrei no elevador e em seguida Laly também entrou.
 Nós corremos para o carro. Lá dentro, meu tio e pai de Laly no volante, a tia e mãe da Laly do lado. Atrás vinha Laly, a nossa Vó, minha mamy, minha maninha e eu.

- Tem certeza de que não esqueceu mais nada? – Meu tio perguntou
- Tenho! Desculpa... é que eu...
- Você tava era com a cabeça no mundo da lua! – Minha mãe me repreendeu.
- Desculpa mãe...

 A Família inteira indo pro aeroporto nos levar A viagem com destino à Orlando já havia sido planejada muitas vezes na minha imaginação.  Laly queria mesmo era ir pro Japão, mas como era meio insólito, ela resolveu aceitar a proposta pra Orlando. Finalmente a viagem tomava suas formas reais. Mas eu ainda não acreditava. Dentro de mais ou menos seis horas eu já estaria em uma país totalmente diferente, com uma língua que eu mal dominava, tendo apenas a minha prima de companheira. Que férias! Que viagem!

 Chegamos ao aeroporto, e mal pudemos nos despedir de nossos familiares. Tivemos que correr para o portão de embarque para pegar o tão esperado avião com destino à Orlando.

 Ao entrarmos no avião, ficamos um pouco mais calmas. Sentamos em nossos assentos. Um do lado do outro, claro. Daí em diante foram recomendações das aeromoças, um pouco de medo... mas finalmente o avião decolou. Aos poucos fui vendo a cidade lá embaixo ficar cada vez menor... Estava um pouco angustiada, confesso... Mas com o passar das horas acabei adormecendo. Horas mais tarde, já chegando ao aeroporto de Orlando, eu acordei. Laly estava dormindo. A aeromoça, ou comissária... sei lá... começou a falar... Laly acordou e depois de uma nova série de recomendações o avião pousou.
 Desembarcamos. Ficamos perto do grupo. Infelizmente tínhamos ido em excursão. Mas eu estava animada.
 Após uma meia hora mais ou menos, fomos para o hotel
 Chegando lá, nos disseram nosso quarto e pediram para descermos dentro de uma hora e meia pro jantar.
 Os quatro primeiros dias de viagem foram preenchidos com visitas a lugares turísticos, como a Universal Studios e Animal Kingdon. No quinto dia nos liberaram para as compras. Laly e eu resolvemos ir a um shopping.
 Andamos, compramos algumas coisas, até que deu vontade de tomar uma casquinha de sorvete misto do Mac. Donald. Paramos em um desses “postos”. Na fila, conversávamos em inglês, porque nós combinamos que ao chegar em Orlando, só falaríamos em inglês, para nos acostumarmos. Tentávamos contar uma a outra sobre as coisas que compramos e que gostamos.
 De repente, a Laly me deu uma cotovelada, como se pedindo para que eu prestasse atenção em quem estava na minha frente, porque todo o tempo em que eu estive na fila, eu estava de costas pra pessoa da frente, eu tava de frente pra Laly. Virei e o que vi foi um lindo loiro, alto. Sua voz, inconfundível, ele conversava com um amigo, que estava ao seu lado. Esse amigo era moreno, alto também. Reconheci a voz de It’s gotta be you ou I need you tonight na mesma hora.

- Prima... Me belisca para eu ver se não é um sonho. – Falei com a voz meio tremida.
- Tá. – laly me beliscou no braço.
- AAAAiiiiiiiiiiii!!!!!!! – Gritei sem pensar.

 Assim que eu gritei, o menino loiro olhou para trás e me encarou. Seus olhos azuis entraram fundo dentro de mim. Por uma fração de segundo achei que era mentira, mas logo em seguida uma pergunta fez com que eu acordasse desse estado de frenesi.

- Você está bem? – Nick perguntou olhando pra mim.
- É... Tô... Eu acho... – Falei sem jeito.

 Seu amigo, começou a rir. Ele era moreno, tinha olhos verdes brilhantes. Ficou olhando pra Laly.

- Desculpa... Deixa eu me apresentar. Meu nome é  Michael Keines, esse é Nicholas Carter, meu amigo. – O estranho sorriu e em seguida deu dois beijos no rosto de Laly.
- Sou Laise Ayres. – Laly retribuiu os beijos.
- Oi... Sou o Nick... – Nick deu também dois beijinhos no rosto de Laly, que os retribuiu.
- E você é...? – Nick perguntou olhando pra mim.
- Sou Catarina. – Sorri.
- Só Catarina? – Michael perguntou estranhando.
- Ah, desculpa... é que eu esqueci que aqui nos EUA se apresentava com o nome e o sobrenome. – sorri sem graça. – Catarina Chometon, prima dela. Mas vocês podem me chamar de Cat.
- Ah, então vocês podem me chamar de Mike e ao meu amigo de Nick. – Os dois me cumprimentaram com os tais beijinhos.
- E vocês podem me chamar de Laly. – Laly sorriu.
- Você falou que esqueceu que nos EUA... Vocês não são daqui? – Mike perguntou olhando pra gente.
- Não... Viemos do Brasil... estamos de férias... – Laly respondeu.
- E pretendem ficar quanto tempo? – Nick perguntou
-  Acho que vamos embora daqui a uma semana... – Respondi triste
- Acho melhor comprarmos os sorvetes, ou sair da fila... O caixa já está reclamando... – Laly avisou
- Eu pago os sorvetes de todo mundo... Qual vai ser o seu, Laly? – Mike perguntou
- Eu vou querer um misto. – Laly aceitou
- E você, Cat? Aliás, seu apelido é bem pretensioso... – Mike sorriu
- É Cat por conta do meu nome CATarina... entendeu? – Expliquei
- Ok... Mas e o sorvete, qual sabor? – Mike tornou a perguntar
- Ah ta... Er...Misto também... – Sorri sem graça
- Ok... – Mike virou-se para o caixa. – quatro sorvetes mistos.

 Mike nos deu os sorvetes e nós pudemos sair da fila do caixa. Eu ainda não conseguia acreditar no que me acontecia... Eu estava tomando sorvete com o Nick! Tudo bem, que ele sempre me pareceu um garoto como outro qualquer, mas mesmo assim... Isso tudo era muito irreal...
 Continuamos andando e conversando. Laly e Mike conversavam sobre diversas coisas enquanto Nick resolveu puxar assunto comigo.

- Há quanto tempo vocês estão aqui? – Nick perguntou
- Há cinco dias. – Respondi
- E vocês já conhecem algum lugar?
- Bom, fomos à Universal Studios, ao Animal Kingdon, à Disney... Inclusive eu tirei foto com o pateta... – Contei
- E eu tirei foto com o Mikey. – Laly intrometeu-se.
- E com os príncipes, não? – Mike perguntou olhando nos olhos de Laly
- Ainda não. – Laly respondeu devolvendo o olhar.

 Mike se inclinou para frente e beijou Laly, que retribuiu o beijo. Nick e eu resolvemos nos afastar um pouco deles, afinal...

- Ah, mas se você quiser eu... quer dizer, nós, podemos levar vocês pra conhecerem lugares mais interessantes... – Nick ofereceu.
- Ah, claro... – Sorri
- Bom, eu tô hospedado na casa do Mike, eu moro na Califórnia.
- Ok... Eu vou adorar conhecer... outros lugares. – Sorri.
- Er... tem sorvete na... sua blusa... – Nick falou envergonhado.
- ãh? – Não tinha entendido. Depois olhei para a blusa. – Ah... claro... Isso sempre acontece... Bom... er... vou no banheiro.
-  Vou também. – Laly chegou perto da gente e falou.

 Laly e eu fomos no banheiro e eu ainda pude ouvir Mike e Nick rindo. Queria me enfiar debaixo de um buraco, mas tudo bem... Já estava acostumada.

- Prima... Você não vai acreditar... – Laly sorriu enquanto abria a torneira.
- No quê? – Peguei um papel pra tentar limpar.
- Ele é escorpiano, ele até gosta de anime...
- Jura? Ele é a sua alma gêmea, então! – Rimos
- E você com o seu loirinho, hein?
- Meu? A gente não nem conversou direito e você já o está chamando de meu?
- Ah, você entendeu... Foi modo de dizer... Mas vocês vão ficar, não vão?
- Ah, não sei... Tipo... Ele é muito famoso e... Eu não sei se daria certo...
- Mas só uns beijinhos...
- É... talvez... E também... tipo... ele não quer nada...
- Ah, quer sim...
- Sei não...
- Vamos logo... já saiu a mancha...
- É... melhor que isso não fica... – Falei enquanto me olhava no espelho.

 Saímos do banheiro. E ouvimos mais vozes que a deles.

- Alguém aí precisa de babador? – Brian fazendo todos rirem
- Ãh, Oi... Er... Se você tiver um aí, eu aceito... – Sorri.
- É que as roupas da Cat são são boas, que toda comida adora elas. – Laly sorriu
- Esse é o Brian Littrell e a noiva, a Leigh Anne Wallace. – Nick falou os apresentando.
- Oi, sou Laise Ayres e essa é a minha prima babona, Catarina Chometon.
- Oi! – Sorri sem graça. – Laly eu te mato... – Murmurei pra ela.
- Nós estávamos andando no shopping quando encontramos com eles conversando aqui. Daí eles falaram que estavam esperando vocês... – Brian explicou
- Acho que as palavras exatas do Nick foram: “ É que nós estamos esperando duas meninas, uma loirinha bonitona e uma ruiva... legal.” – Mike contou fazendo Nick ficar totalmente sem graça e o resto rir dele.
- Ah... claro... linda... er... quem sabe um dia, né? Mas obrigada pelo elogio... – Fiquei super sem graça.
- Porque esse espaço de tempo entre ruiva e legal? – Laly perguntou
- É porque eu olhei pra cara do Mike e vi que se falasse bonita, ele me matava, então substituí com um legal. – todos riram e Mike olhou pra Nick querendo matá-lo.
- Hn... Ah Leigh e eu estávamos indo ao cinema, vocês não gostariam de ir com a gente? – Brian ofereceu.
- Não... nós vamos ao Gameworks, certo? – Nick olhou para nós.
- Ah, claro... videogame, né? É comigo mesma! – Sorri.

 Todos olharam para Nick.

- Vamos Brian... Já tá na hora, amorzinho... Tchau Gente... – Leigh se despediu
- Tudo bem... Vamos então... Bye Guys, See ya! – Brian foi com Leigh Anne

 Continuamos andando até que fomos parar em frente a um lugar chamado GameWorks. Nick saiu correndo quase atropelando Michael que teve que se afastar para não ser atropelado. Laly e eu entramos depois que o Caos passou e Mike entrou depois da gente.
 Juro que quando entrei, fiquei louca! Tinha tudo quando é tipo de game de luta. Não podia acreditar! Fui atrás do Nick, que estava dando alguns autógrafos. Esperei ele acabar de atender as meninas e fui falar com ele.

- Cara, esse lugar é demais!
- Você ainda não viu nada... Tem de tudo aqui... Tem games de luta, tem games de aventura, tem videoke, tem tudo quanto é tipo de jogo.  – Nick falou
- Vamos jogar... Eu te desafio a lutar contra mim! – Falei
- Aceito! E cuidado, eu não vou dar mole só porque você é uma garota... – Nick sorriu
- Nem eu, só porque você é um Backstreet Boy. – Falei sem pensar.
- Ah, claro... Eu sabia... Estava perfeito demais... Eu por algumas horas ao lado de vocês, esqueci que eu era um Backstreet Boy... mas eu sabia que você ia demonstrar que estava comigo só por causa disso... – Nick esbravejou saiu andando.
- Ãh? Nick espera aí! – Fui atrás dele e segurei seu braço. – Não é nada disso... Eu sabia quem você era, mas eu não estava com você, em momento algum por causa do seu trabalho. Eu juro! – Nick tentava se desvencilhar.
- Como eu posso acreditar? Você é igual a todas... Só está comigo por causa da minha fama. – Ele não olhava pra mim.
- Nick... Isso não é verdade... – Falei em tom triste.
- Mesmo? Você pode me provar? – Nick perguntou
- Posso... Mas eu não preciso provar nada... Agora é com você... Você acredita no que eu disse ou não... Não vou mais discutir. – Saí andando.

 Nick foi atrás de mim, me virou para ele e me beijou. Quando terminamos de nos beijar, a loja toda aplaudiu. Todos estavam olhando a nossa discussão. Eu o abracei bem forte. Ficamos abraçados por um tempo. Até que ele me soltou e correu para um videogame que tinha lá.

- Vamos! Nosso desafio ainda está de pé. – Nick falou.
- Você não sabe o que está dizendo... Você ainda por cima escolheu Killer Instinct, meu jogo de luta favorito! Você perdeu a noção do perigo! – Falei empolgada enquanto escolhia meu lutador.
- Vamos ver... eu vou pegar leve e escolher o Glacius com você. – Falou Nick referindo-se ao guerreiro do gelo.
- Eu vou escolher o Cinder... Azul! – Exlamei.

 Lutamos por um tempo, e no primeiro round percebi que ele lutava pra valer. Ele também percebeu que eu lutava muito bem.
 Passamos a tarde inteira desafiando um ao outro com vários jogos diferentes, e entre beijos ganhamos e perdemos pro outro diversas vezes. Eu já estava cansada e queria ir para o hotel descansar e ligar pra minha mãe, porque afinal eu combinei com ela de que toda noite ligaria pra ela.

- Nick... Estou cansada... Vamos procurar a Laly e ir embora. – Falei.
- Também estou. Tive um dia cheio... – Nick sorriu

Partimos em busca de Laly, que estava jogando com Mike.

- Prima... Vamos! – Pedi
- Peraí... Deixa a gente terminar essa partida... – Laly falou sem tirar os olhos da tela.

 Depois de uns quinze minutos, saímos os quatros da Gameworks. Mike foi dirigindo, Laly do lado. Nick e eu fomos atrás. Mike nos levou pro hotel.
 Mike saiu do carro para se despedir.

- Obrigada pelo dia maravilhoso! – Falou
- Eu é quem tenho que agradecer, loirinho. – Sorri.
- Você tem um lindo sorriso, sabia? É que você tem covinhas... daí você
- Fica parecendo uma bonequinha, acertei? – Interrompi.
- É... isso mesmo... Você não gosta?
- Depende do meu humor. Às vezes gosto... Ás vezes me irrita... Aliás, você vai descobrir que muita coisa me irrita.- Falei
- Além de ser parecida com boneca, o que mais te irrita? – Nick sorriu
- Ora... A hipocrisia, a mentira, a possessividade... tantas coisas... – Sorri
- Mas isso acho que irrita a qualquer santo!
- Mas principalmente a nós, aquarianos!
- Ah, então você não apenas me reconhece como sabe coisas sobre mim! – Nick exlamou surpreso.
- Nick, só posso lhe dizer uma coisa: “ Há muito mais coisas entre o céu e a terra do que julga a vossa vã filosofia.”– Sorri – E agora é melhor eu entrar e dormir porque já estou começando a falar igual escorpianos! – Rimos.
- Tudo bem, gatinha... Mas eu só te deixo ir se você me prometer que amanhã nos encontramos de novo, promete?
- Prometo!
- Então, amanhã nós buscamos vocês duas às 11 da manhã, tudo bem? – Nick perguntou.
- Por mim, tudo bem... Faremos alguma coisa especial? – Perguntei.
- Digamos que “ Há muito mais coisas entre o céu e a terra do que julga a vossa vã filosofia.”. – Rimos.

 Nick me beijou e depois nos abraçamos. Ficamos abraçados por um tempo e depois nos beijamos de novo. Tudo parecia um lindo sonho. Ouvi sua voz doce no meu ouvido. Ele disse “Boa Noite, princesa” .
 Entrei no hotel antes de Laly. Fui andando até que ela me gritou e eu parei para esperá-la.

- Prima! Nossa... Tudo isso tá tão legal, né? – Laly comentou enquanto íamos para o elevador.
- É... Tá perfeito... Eu com o aquariano, você com o escorpiano. Acho que nós estamos realizando nossos sonhos amorosos, né? – Entramos no elevador.
- Com certeza... Eles vêm nos buscar que horas, amanhã?
- Às 11:00 em ponto. Espero que eu já esteja acordada. Eu tô tão cansada que acho que vou tomar um banho e cair na cama. – Falei enquanto abria a porta do elevador.
- E Ligar pra família, não esqueça! – Laly falou enquanto nos dirigíamos ao quarto 603
- É... Ai, prima! Será que amanhã também vão nos deixar com o dia livre? – Perguntei.
- Não sei... mas eu ouvi dizer que a gente pode se separar da excursão, é só a gente falar com o guia. – Laly abriu a porta.
- Então vamos falar com ele amanhã.

 Entramos no quarto. Eu fiz exatamente o que tinha planejado. Tomei um banho bem demorado, cantando feliz da vida. Depois coloquei uma roupa mais quentinha, embora estivéssemos em Orlando, de noite, o vento marítimo chegava até nós. Principalmente durante o inverno. Liguei para a mamãe, contei como tinha sido o dia, e omiti que tinha conhecido o Nick. Falei com a minha maninha, afinal já estava morta de saudades dela. Laly já tinha ligado pros pais enquanto eu estava no banho, e enquanto eu falava com a mamy, era ela quem tomava banho. Assim que desliguei o telefone, deitei na cama e adormeci logo.
 Fui acordada às 13:00 da tarde, pelo telefone. Laly dormia também.

- Oi. – Falei com a voz sonolenta.
- Oi, é... Desculpe acordar a senhorita. Mas tem dois senhores aqui na recepção que desejam vê-la e a senhorita Ayres. – Falou o cara do outro lado da linha.
- Eu atendo. – Falei.
- Oi, Cat! Desculpa te acordar. Mas é que nós tínhamos combinado de sair, lembra? – Nick falou.
- Oi loirinho... Podem subir... E já me troco.

 Desliguei o telefone e acordei Laly. Ela só faltou me xingar, mas depois que eu contei quem estava subindo, ela levantou rapidinho e foi tomar um banho, alegando que não daria pra pentear o cabelo com ele seco.
 Eu troquei meu pijama de bichinho por um short jeans e uma blusinha azul de croché. Escovei o cabelo, escovei os dentes. Fui atender a porta com a escova na mão e com a boa ainda com espuma.

- Oi, entrei... Eu já apareço.. a Laly tá terminando de se vestir, e eu tô terminando de me arrumar.

 Meia hora depois conseguimos sair do hotel. Fomos pro carro de Mike, só que dessa vez quem ia dirigindo era o Nick. Laly e Mike foram atras.

- Mas então, pra onde vamos? – Perguntei.
- Bom, eu não sei se você vai gostar, mas eu pretendia sair pra pescar, com o barco da família que deixamos aqui, e a gente pode também mergulhar. Afinal, a costa marítima, os corais de Tampa são conhecidos pelo mundo inteiro. – Nick sorriu
- Adorei a idéia! Eu sempre quis pescar e mergulhar. Eu adoro o mar.
- Aí, Nick! Acho que você encontrou sua alma gêmea. – O comentário de Mike fez o Nick e eu corarmos.
- Mas e a Laly e você ? – Cortei
- Bom, como eu não gosto muito de sol, mar, pesca e coisas afins, eu estava pensando em propor a Laly a ficar lá em casa comigo, a gente poderia ver umas fitas de anime que eu tenho, conversar. O almoço fica por minha conta. E então, o que acha? – Mike sorriu para Laly.
- Como eu também não vou muito com a cara de mar, sol e etcs afins, eu prefiro assistir aos animes e conversar. – Laly aceitou
- Oh, vejam quem achou a alma gêmeas, vejam se não foi o inatingível Michael Keines! – Nick zombou.
- Inatingível não ... Mas quem me disse ontem antes de sair de casa que não ia querer saber de garota tão cedo? Hein Nick! – Mike respondeu.
- Ora... Eu não posso mudar de opinião? – Nick falou constrangido.
- Pode... Mas então está assumindo que quer saber da Cat? – Mike provocava
- Ah Mike... Você tá querendo que eu fale sobre coisas tão óbvias... – Nick falou.
- Esse é o garoto do eterno: “ Não vamos falar sobre os meus sentimentos.” Cuidado, viu Cat! Ele nunca vai dizer o que sente... – Mike riu
- Então tá bom... vamos mudar de assunto. – Falei.

 Laly riu. Ela entendeu que eu também não gostava de falar sobre sentimentos...
 Chegamos na casa do Mike. Ele tinha uma casa perto da praia, achei estranho já que ele não gostava de praia, mas tudo bem...
 Laly e Mike saíram do carro. Nick e eu continuamos no carro e fomos até as docas. Tinham vários barcos lá. Nick me apontou pro dele.
 Nick me ajudou a subir e em seguida foi a vez dele de subir.

- Que vista linda! – Exclamei olhando pro céu e pro mar.
- É verdade... Não tem nada mais bonito do que a natureza. – Nick olhou também.
- Não entendo como podem existir pessoas que por dinheiro acabam com a natureza... – Falei
- É difícil de acreditar... Mas a maioria das pessoas não tem essa consciência do quanto a natureza é bela e deve ser preservada.

 Fui até ele e o abracei. Como ele estava lindo. O mar e o céu deixavam seus olhos ainda mais brilhantes e azuis. A luz do sol batia nele, deixando-o perfeito.
 Ele olhou em meus olhos por alguns instantes, como se tentando desvendar meus pensamentos. Sorri. Ele sorriu também. De repente me deu vontade de fazer uma coisa que eu sempre pensei em fazer, mas que só agora tive a oportunidade: Levantei a camisa dele (estilo mamãe tô forte) e beijei sua barriguinha. Apertei e beijei... Mordisquei também. Ele, claro, começou a rir.

- Você é louca! – Disse entre risos
- E olha que você nem me conhece direito... – Ri também

 Nick começou a cuidar do barco. “Navegamos” durante mais ou menos meia hora até que paramos em um ponto que ele dizia ser ótimo para a pesca. Depois de pescarmos alguns peixes, ele inclusive pescou peixes maiores... Afinal, ele tinha mais prática. Mergulhamos e quando estava quase anoitecendo resolvemos voltar.
 Passamos em casa para deixar os peixes. Laly e Mike estavam no quarto.
 Resolvemos ir para a praia, estava linda. Tiramos nossos sapatos e caminhamos pela areia, descalços.

- Está uma noite linda, não? – Falei.
- Sim... Olhe quantas estrelas... As constelações... De repente, quem sabe, não vemos uma estrela cadente...
- Sim... daí poderemos fazer desejos.
- Não acredito muito nisso... Mas acho legal... É romântica a idéia.
- Bom, comigo funcionou.
- E o que você pediu.
- Bem, uma vez, eu estava em Maricá, uma cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, passando o carnaval, e vi duas estrelas cadentes a cada uma delas eu fiz um pedido diferente.
- E quais eram eles?
- Bom, um eu posso dizer, o outro não, porque ainda não aconteceu ... Um deles foi para estar aonde estou e com quem estou.
- Isso faz quanto tempo?
- Ah... Um ano mais ou menos... Porque?
-Não... é só que eu queria saber a quanto tempo “faço” parte da sua vida...
- Há muito mais tempo do que imagina.
- Quanto tempo?
- Uns três anos... Eu acho...
- Nossa! E você nunca deixou de gostar de mim.
- Bom, eu passei depois de um tempo a gostar só das músicas do BsB, mas eu sempre tive a sensação de que um dia estaria aqui, conversando com você. Podendo tocar na sua mão. – segurei sua mão.  – Podendo te dar um beijo.- o beijei suavemente.
- E o outro desejo?
- Não posso... Ainda não se realizou... se eu contar não vai se realizar...
- Tem a ver comigo?
- Larga de ser egocêntrico, loiro... Não... na verdade tem a ver com a carreira que eu quero seguir. – Ri.
- Hmmm.. E que carreira é essa, menina misteriosa?
- Eu quero ser atriz, por isso inclusive... eu ia te pedir para que esse nosso encontro ficasse entre nós, porque você sabe como é... você conta pra um amigo, daí ele conta pra uma revista, aí eu já sou chamada de aproveitadora que só quer ficar com você pra subir na vida... E eu não quero que meu nome seja visto perto do seu porque eu quero conseguir as coisas por mim mesma.
- Uau! Ela acha que é a super mulher! Depois sou eu o convencido. – Nick falou um pouco enciumado.
- Para Nick... Por favor... Não é que eu pense que sou a super mulher, é só que eu não quero que eu depois fique insegura me perguntando se tudo teria acontecido se eu não tivesse te conhecido... entende?
- Cara... Você é muito orgulhosa...
- Muito... e teimosa também.. Vai se acostumando. – Sorri e sentei na areia.
- Se acostumando porque? Nós só estamos curtindo... Quem disse que amanhã eu vou querer saber de você.. – Nick brincou

 Fiquei vermelha. Envergonhada. Ele me beijou.

- Quais são os seus planos para o futuro? – Perguntei a ele
- Futuro Próximo: Beijar, beijar, beijar a menina mais linda da praia. – Rimos.
- Não, seu bobo... Falo sério...
- Ok... Sabe, você me fez uma pergunta interessante... Eu penso muito no futuro mas eu não tenho a mínima idéia de como ele vai ser.
- No que exatamente você pensa? – Perguntei
- Em muitas coisas...
- Casar, ter filhos?
- Porque toda mulher adora perguntar isso... Claro que quero me casar, ter filhos... mas isso daqui a uns sete ou oito anos. E você, pensa em se casar, ter filhos? – Ele sorriu
- Penso, mas no momento penso mais na minha futura carreira artística, como atriz. Claro que quero ter uma família, mas isso no futuro, quando eu já estiver profissionalmente estável, até lá tem muito tempo, uns oito anos. – Falei
- Você realmente quer ser atriz? – Ele perguntou olhando em meus olhos.
- Quero. Já fiz curso de teatro. O melhor de tudo foi apresentar uma peça, a sensação é indiscritível. – Falei sem tirar os olhos dos olhos dele.
- E você sabe interpretar bem?
- Bom, acho que sei né... Tipo, teve uma vez, que meu professor de teatro falou para cada um falar uma frase, a minha foi: “Eu odeio Jiló”, só que daí ele pediu para interpretar a frase de várias maneira, tipo como desenho animado, com raiva, alegre... e de modo sensual. – Começamos a rir.
- Eu odeio Jiló sensualmente??? E você conseguiu? Uau...
- Consegui sim... Mas o pior ainda veio depois quando o professor pediu pra falar como se estivesse tendo um orgasmo. – Mais risos.
- E você fez?
- Tentei... Só que como eu ainda sou virgem, não deu muito certo.
- Entendo. – Ele riu. – Agora eu quero que você me mostre como é esse “eu odeio jiló” sensual.
- Ah, não...
- E depois me mostrará como é “eu odeio jiló” tendo um orgasmo.
- Não mesmo... não... não, não... – Falei sem graça
- Você é ou não uma boa profissional? – Perguntou
- Acho que sou...
- Então... Vamos...
- Tá bom... – Fiquei em silêncio por um tempo, me concentrando. – Eu odeio jiló. – Falei olhando nos olhos dele, com um olhar sensual
- Uau... Esse odeio jiló foi... arrebatador. – Ele me beijou. – Agora o outro.
- Não... o outro não...
- Não acredito que você está com vergonha... não creio nisso...
- Tá bom... eu faço... – Olhei para ele e tentei não rir – Eu... ãmm... odeio... hmm.. jiló... – Falei entre gemidos.
- Uau!! Você é mesmo uma boa atriz, eu não teria coragem de fazer o que você fez. – Rimos.
- Você também gostaria de ser ator, não?
- É verdade, mas o que acontece é que eu sou muito ligado as artes em geral.
- Entendo...Eu também sou assim... Mas não tenho o mínimo talento como cantora. E como eu acho que tenho algum talento como atriz, resolvi que é esse meu destino. Vou lutar...
- Isso mesmo... Você é aparenta ser uma pessoa tão segura... – Nick murmurou
- É...
- Mas tem alguma coisa em seus olhos... um tipo de fragilidade que a torna adorável. – Nick sorriu
- Não sei. – Estava me segurando para não chorar
- O que houve?
- Nada... só... – Uma lágrima caiu
- O que houve, linda? Porque está chorando? – Ele falou
- Eu não sei... Mas acho melhor você se acostumar, sou uma manteiga derretida. – Rimos.
- Você chora e ri com muita facilidade, não? – Ele sorriu
- É... acho que sim... –Mais lágrimas caíram.
- Você não quer me contar o que a está deixando assim? – Ele perguntou
- Não...acho que não. – Sorri.
- Então tudo bem... quando estiver a vontade para contar, eu estaria a vontade para ouvir. – Ele sorriu
- Sabe, acima de tudo eu queria ser sua amiga... Você parece ser um cara incrível...
- Quer dizer que você preferia ser minha amiga a ficar comigo? – Ele brincou
- Não... Tipo... eu queria acima de tudo, ser sua amiga... Afinal o amor e a amizade andam juntos. – Sorri
- Garota, você simplesmente não existe. – Ele sorriu e em seguida me beijou. – Eu sempre quis conhecer alguém que tivesse essa linha de raciocínio.
- Ah... que isso... Mas é a verdade... é só o que eu penso, entende?
- Eu sei, lindinha... eu sei... – Nos beijamos.

 Nossos beijos foram esquentando, e eu podia senti-los queimando em minha pele, em meus lábios.
 Nick começou a me acariciar com mais volúpia. Suas mãos passeavam pelos meios seios descendo até minha cintura. Eu retribuía esses toques.
 Delicadamente, Nick tirava minha roupa, enquanto eu tirava a dele. Senti seu corpo sobre o meu e como se não pudéssemos agüentar de tanta paixão, nos entregamos um ao outro.
 Fizemos amor a noite toda, sob o céu estrelado.
 Acordamos ao som de alguns pássaros na praia, faltava pouco para o amanhecer, o céu estava alaranjado. Apenas sorrimos um para o outro pela lembrança da noite. Nos vestimos e caminhamos para casa calmamente.
 Ao chegarmos, fomos para o quarto onde ele estava na casa de Mike deitamos na cama e voltamos a dormir, abraçados um no outro.
 Quando eu acordei já era hora do almoço. Escutei as vozes do Nick, do Mike e da Laly. Também senti um cheiro de peixe vindo da cozinha.
 Me levantei e fui ao banheiro. Lá encontrei uma mochila e um bilhete da Laly avisando que tinha ido ao hotel e pego minhas coisas.
 Escovei os dentes, penteei o cabelo e troquei o short e a blusinha, que estavam sujos de areia por um short de malha com cordinha por uma blusinha azul trançada atrás.
 Saí do quarto e fui para a cozinha.

- Bom dia – Falei sorrindo
- Boa tarde, você quer dizer, né? – Laly sorriu – Já tá na hora do almoço. Isso são hora de acordar, mocinha?
- Ah... digamos que nós fomos dormir tarde ontem.. ou hoje... como preferir... – Cat falou e em seguida todos riram.
- Onde vocês passaram a noite, perguntou Mike.
- Na praia. – Nick respondeu sorrindo.
- Estava lindo... A noite estrelada, a lua cheia perfeita. – Cat sorriu
- Viu alguma estrela cadente? – Laly perguntou
- Não... Mas acho que se eu quiser que meus sonhos se realizem, é só eu lutar por eles.  – Cat sorriu para Nick.
- É assim que se fala, garota! – Mike sorriu

 Daquele dia em diante, eu passava meus dia e noites com o Nick. Fazíamos tudo juntos. Líamos juntos, nadávamos, fomos a uma exposição de barcos, pescamos, mergulhamos. Mike e Laly ficavam mais em casa, mas eles pareciam namorar firme. Estavam sempre juntos também.
 Com Nick e eu, não havia pedido de namoro oficial, mas agíamos como namorados. Éramos fiéis um ao outro, tínhamos ciúme, enfim, éramos como namorados.
 O tempo passou depressa e faltavam dois dias para que Laly e eu deixássemos território americano.  Nick e eu não falávamos sobre isso. Ele sabia tanto quanto eu que seria impossível namorarmos, mas sabíamos que íamos sentir a falta um do outro.

- Nick... Loirinho... eu tenho que ir ao hotel. Preciso saber que horas vamos embora. – Falei pouco depois de acordar. Nick estava fazendo a barba no banheiro.
- Você vai mesmo? – Nick perguntou sério.
- Preciso... A minha estadia aqui é só de duas semanas. – Falei.
- Ok... Então acho que não vou te ver mais, certo? – Ele falou tentando disfarçar a tristeza.
- Bem... acho que sim...
- Porque você não fica? Nós podemos viajar o mundo juntos....
- Não... Eu tenho que voltar. Tenho que concluir o colégio e lutar pelo que eu quero. – Falei prontamente.
- Você sempre em primeiro lugar... – Ele falou irônico.
- Claro! Nick você já tem uma carreira. Eu quero me realizar profissionalmente também. – Falei me levantando.
- E por isso você vai embora. É...eu sabia que você só estava me usando... Mas eu tentei não acreditar.
- Eu estava te usando? De onde você tirou isso? Perguntei indignada.
- Você só ficou comigo por eu ser um Backstreet Boy. Aposto que você vai chegar no seu país, o Brasil e vai dizer pra todo mundo que teve um caso comigo... – Ele terminava de lavar o rosto
- Ãh?! De onde você tirou essa loucura? – Eu estava perto dele.
- Mas eu vou negar que tive qualquer envolvimento com você... Você vai ver... –Ele se virou pra mim. – Agora vista-se e saia da casa do meu amigo. Só agora eu estou vendo com clareza o que você é pra mim. – Ele saiu do banheiro. – Uma garota que eu usei para as minhas noites não ficarem tão frias.

 Nessa hora, senti como se o chão se abrisse diante de meus pés. Todas aquelas palavras de carinho dos últimos dias, eram mentiras... Ele tinha me usado.

- Você quer que eu lhe pague igual eu pago aquelas que trabalham no Main Street?

Ele perguntou sarcástico. Main Street era uma rua onde trabalhavam prostitutas, eu sabia disso. Dei um tapa no rosto dele e me vesti o mais rápido que eu pude. Bati a porta e saí da casa de Mike. Laly ainda estava lá, mas eu não poderia ficar mais nem um minuto lá.
 Cheguei ao hotel Deus sabe como. Estava transtornada, chorando de raiva. Subi para o meu quarto e entrei no banho. Fiquei quase uma hora dentro do chuveiro e só saí porque ouvi Laly me chamando no quarto.

- Cat!!!! – Ela gritava

 Abri a porta enrolada em uma toalha e sentei na cama.

- O que houve? Porque você saiu da casa do Mike com aquela violência. Lá do quarto dele eu escutei você batendo a porta. – Laly perguntou sem entender.
- Nada. É só o Nick. Só porque eu contei que tinha que voltar, ele me tratou com violência e disse que eu tinha sido apenas um passatempo para suas noites não ficarem tão frias. – Falei
- Ele falou isso? Cat... Ele devia estar com muita raiva. – Laly falou não acreditando.
- Falou sim. E ainda perguntou se eu queria que ele me pagasse como pagam as garotas do Main Street. – Falei sentindo as lágrimas em meus olhos.
- Deus! Tem certeza de que você só falou que tinha que voltar?
- Absoluta. Eu falei que tinha minhas coisas no Brasil e que não daria para acompanhá-lo nas viagens como ele queria. – Falei me levantando.
- Ele deve ter ficado com o orgulho ferido.
- Tanto faz... Agora só quero arrumar as malas e voltar pra minha casa... Tô com tanta saudade da minha mamãe... E da minha irmã? Aliás, nós podíamos aproveitar e sair pra fazer umas comprinhas de despedida. – Falei.
- Tudo bem... Eu tava mesmo querendo comprar uma calça jeans linda que eu vi pra ir no show... você vai, né? – Laly perguntou
- Não sei, prima... até lá eu decido. – Comecei a me vestir.

 Meia hora depois saímos, Laly e eu, Laly com uma calça jeans básica, que tinha uns troços escritos em japonês   e uma blusa preta com o Renato Russo. Eu tava com uma calça básica também, com umas florzinhas de miçanga azul e uma blusinha com um E.T..
 Chegamos ao shopping e compramos um monte de presentes, Laly comprou a calça que ela queria e tentava me animar a comprar algumas roupas. Ela queria muito que eu fosse no show, mas eu estava completamente desanimada, não sabia se seria bom eu ir. Se eu fosse, teria que ficar num camarote, olhando o show e principalmente, vendo o Nick. E seria difícil agüentar vê-lo sem chorar, todo mundo que me conhece sabe que eu sou extremamente orgulhosa, logo, não gostaria que ele me visse chorando. Mas eu tinha que lutar, fugir não ia adiantar nada e esse show prometia maravilhas. Eu estava tão decidida mas ao mesmo tempo tão dividida.

- Cat, temos que voltar. O Mike vai nos buscar pra ir pro show daqui a uma hora e meia. – Laly falou enquanto eu olhava o Cd Nevermind do Nirvana.
- Eu já disse que eu não sei se vou. – Falei ríspida.
- Cat, eu sei o que se passa nessa sua cabecinha aquariana, pelo menos eu imagino... Mas você tem que ser forte. – Ela falou.

 Saímos do shopping e chegamos ao hotel. Eu não estava decidida ainda, mas eu tinha que ir a esse show, ia ser uma apresentação única, eu ia conhecer todos os BsB e isso não acontece todos os dias, mas a idéia de ver o Nick não me agradava muito... Mas em todo caso eu decidi ir.
 Ao sair do banho, vi Mike e Laly conversando, e quando eles me viram, se calaram, deviam estar falando sobre mim, mas eu não perguntei. Olhei em como a Laise estava vestida e peguei minha roupa pra me vestir no banheiro.
 Coloquei uma calça cargo de cor bege com uma blusinha frente única azul que deixava a mostra a minha tatuagem de borboleta nas costas, perto do ombro. Passei um batom de leve e o lápis no olho e coloquei um par de brincos com um pedra azul, comprado na feira hippie. Como sempre, estava com meu cordão que tinha um coração de cristal – jaspe como pingente.
 Quando saí a Laly veio até mim sorrindo.

- Então você decidiu ir. – Falou.
- Sim... Resolvi que não adiantava fugir dele. Até porque. Ia ser meio difícil. – Sorri.

 Saímos e fomos rapidamente de carro para o lugar onde seria o show.
 Quando entramos com as carterinhas do backstage, vimos um monte de gente indo e vindo, pessoas gritando, dançarinos se vestindo, prova de som, guitarras sendo afinadas. Tudo na maior confusão.
 Andamos um pouco para chegar ao camarim dos meninos e quando chegamos, pudemos ouvi-los conversando. Quando eu entrei, senti um frio na barriga de nervoso. Estava ansiosa e com medo de encontrar com Nick.

- Oi, tudo bem? – Brian falou comigo assim que eu entrei.
- Tudo... – Falei distraída enquanto procurava o Nick com os olhos.
- Me falaram que você não queria vir. Olha, eu ia ficar decepcionado se você não viesse. – Brian sorriu
- Eu não estava me sentindo muito bem.
- Pois agora você vai se sentir. – Aj me puxou e me empurrou pra cima do Nick.

 Eu caí em cima dele. Por sorte, ele me segurou.

- Desculpa... é que o AJ me empurrou. – Falei sem graça
- Não tem problema. Eu queria mesmo conversar com você. – E ele me puxou pra um outro camarim que estava vazio.

 Eu estava pra morrer. Estava super nervosa e meu coração batia tão forte que eu temia que ele escutasse.

- Bom, eu não sei como começar. – Ele falou.
- ... – Esperei ele continuar.
- Acho que eu te devo desculpas. Não devia ter agido daquele jeito e nem dito o que eu disse.
- Tudo be... – Ele me interrompeu
- Espera, deixa eu continuar. Deixa eu terminar. Acho que não tinha nada a ver eu me colocar entre você e o seu sonho e eu sei também que você tinha as suas coisas no Brasil, portanto foi completamente injusto o que eu fiz e disse. Acontece que o medo de te perder foi maior que a razão e eu não consegui me controlar e acabei fazendo um monte de besteiras, só depois que eu ouvi você batendo a porta e saindo que eu compreendi a burrada que tinha acabado de fazer.
- Nick... eu te entendo, mas eu também espero que você me entenda.
- Eu te entendo. Eu pensei muito, e não tem motivo pra eu ficar chateado ou com raiva de você. Você apenas quer ser independente, e acho que isso é uma das coisas que eu mais admiro em você.
- Obrigada... loirinho... eu tive tanto medo de que você estivesse falando sério.
- E eu, loirinha, tive medo que você nunca mais quisesse falar comigo.

 Nos beijamos. Senti como se voasse. Foi uma sensação de alegria extrema. Me senti completa com aquele beijo, como se ele pertencesse a mim e eu a ele.
 Continuamos a nos beijar e ele foi desamarrando a minha calça.

- Mas e o show? – Perguntei suspirando
- Nós ainda temos tempo.

 Sorri e comecei a tirar a roupa dele também. Poucos minutos depois estávamos nos amando.
 Um certo tempo depois, nos vestimos e ficamos olhando um pro outro.

- Eu te amo. – Foi o que ele disse primeiro.
- Eu também te amo. – Sorri.

 Nos beijamos e saímos de mãos dadas. Ao chegar no camarim, todos os boys estavam esperando o Nick. Eles rezaram e eu dei um beijo no Nick e em seguida ele foi pro palco. Eu fui  pro meu lugar no camarote, a Laly e o Mike já estavam lá. Eu, claro, não fiquei um minuto sentada. Levantei e fiquei fazendo as coreografias, dançando e cantando. Muitas vezes durante o show, eu vi o Nick olhando pra mim. Ele me mandou um beijo numa hora em que ninguém via.
 Eu tava quase chorando de emoção e ficou pior ainda antes de uma música deles.
 Eu sempre gostei dessa música, mas nunca imaginei que ele fosse fazer uma coisa dessas.
 Antes de começar a música No one else comes close ele simplesmente falou:
- Para a menina que é simplesmente a garota dos meus sonhos, Catarina!

E iluminaram aonde eu tava. Eu joguei um beijo pra ele, e comecei a chorar. As fãs gritavam histéricas querendo saber quem eu era, mas nesse momento eu nem escutava suas vozes, eu apenas sentia o mundo parar e só o Nick e eu estávamos nele.
A música começou e eu pude escutar a voz do AJ. Rouca e linda, mas eu só prestava atenção no Nick.
Quando ele começou a cantar, eu sentia as lágrimas no meu rosto. “ ... you’re my dream come true, oh yeah... girl you know i’ll always treasure every kiss and every day i’ll love you girl in every way...” “ ... Você é meu sonho realizado, oh sim... garota você sabe que sempre guardarei todo beijo e todo dia eu te amarei de todas as maneiras...”
O melhor mesmo foi quando terminou o show. Eu voltei pra me encontrar com ele.

- Linda, eu sei que não devia ter feito o que fiz, mas eu senti vontade de contar ao mundo todo que você é única pra mim.
- Claro, Nick... eu adorei...
- Eu também queria te pedir mais uma coisa...
- Peça...
- Você não pode ficar mais duas semanas ao menos? Eu pago todos as suas despesas, juro que falo com sua mãe e cuido de você direitinho. – ele sorriu
- Achei que você não fosse me pedir nunca. Tudo o que eu estive esperando esse tempo todo foi que você pedisse pra eu ficar. E então... eu ficarei. – Sorri.

 Eu fiquei mais duas semanas com ele, e curtimos muito, sem pensar no futuro.
 Infelizmente, como em um sonho bom, eu acordei e tive que voltar pra casa, no Brasil. Nós terminamos, resolvemos não continuar um namoro à distância, mas prometemos um ao outro que continuaríamos amigos e que manteríamos contato e sempre que um dos dois tivesse folga e entrasse de férias, iria encontrar com o outro.

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