O PLANO (QUASE) PERFEITO

Por Chelly Mclean

Aj estava sentado no sofá de sua sala de estar. Sozinho. Pensando.
Não conseguia acreditar que aquilo realmente estivesse acontecendo, que Sarah realmente tivesse ido embora, e o deixado sozinho.
O motivo da separação ele não sabia. Talvez nem ela soubesse.
Como ela podia Ter feito isso com ele? Ele fez tudo por aquela mulher, ajudou-a a conseguir estabilizar sua carreira, foi quase um pai para o filho dela... e agora ela o deixava...
Ah, mas isso não ficaria assim... ele iria se vingar... ela iria ver uma coisa...
Repassou mentalmente os detalhes de seu plano de vingança... sim, era perfeito... Sarah se sentiria tão humilhada que nunca mais conseguiria sair em público outra vez...


Aj e os meninos do BSB haviam conhecido umas garotas brasileiras alguns meses atrás. Elas formavam uma banda, e foram convidadas a viajar com eles numa turnê, para abrir os shows. É lógico que elas aceitaram. Eram cinco garotas: Deise (loirinha, um pouco irônica), Eliana (nutria uma paixão secreta por Howie), Suelen (tb nutria uma paixãozinha secreta, só que por Nick), e as primas Alice (uma garota um tantinho assanhada!!!!) e Michelle.
Todos eram grandes amigos, mas Aj nunca entendeu a Michelle direito. Ela conversava e brincava com todo mundo, aliás, das meninas, era ela a mais comunicativa, a mais extrovertida e brincalhona, mas com ele, ela parecia travar. Isso era estranho.
Agora, havia uma coisa que ele não podia negar: ela era uma das garotas mais bonitas que ele já havia visto. Pele branca, não muito alta (mas tb não era baixinha), os cabelos recentemente pintados de ruivo... e o corpo... ah, que corpo! Um corpo típico de brasileira, com os quadris largos, mas o que ele mais prestava atenção era ao busto dela (tb pudera, ele é americano, né?), aquele busto 44, natural, empinadinho, que ela sempre ostentava com decotes... Taí, outra coisa que ele não entendia. Ela não gostava de usar roupa curta, nunca a viu de minissaia nem de top, mas quase todas as suas blusas tinham decotes profundos...
Um dia (ou devo dizer uma noite?), quando tinham saído do show e estavam indo embora, eles convidaram as girls para ir no ônibus deles.
Fizeram farra e bagunça, até que o cansaço dominou e foram dormir nas beliches.
Aj se levantou para tomar água, e viu na mesa uma bolsa feminina aberta, com uma agenda meio que pra fora da bolsa... Tentou evitar, mas a curiosidade foi maior: pegou a agenda.
Logo que a abriu, viu a quem pertencia: Michelle. Começou a folhea-la ao acaso, até que pareceu Ter visto, num relance, seu nome na agenda. Voltou a página e encontrou, não somente o seu nome, mas um desabafo de alguém que sinceramente o amava muito. Curioso, começou a procurar por mais anotações, e não teve trabalho, a agenda estava praticamente lotada de declarações de amor a ele.
Agora ele podia entender o motivo pelo qual ela se mostrava tão retraída com ele.


Aj tomou mais um gole de seu uísque. Sentia-se perturbado pelo que estava fazendo. Por um lado, achava que estava sendo um canalha, se aproveitando de uma garota que gostava tanto dele... mas por outro, ele pensava, sempre fora usado pelas mulheres, elas sempre o

Usavam, para conseguir fama, para aparecer na Tiger Beat , ou pra qualquer outra merda.
Agora era a vez dele. Ele iria usá-la para conseguir vingança.


No começo, Michelle ficou meio pé atrás com aquele súbito interesse de Aj por ela. Mas não conseguiu resistir àquele jeito sedutor, àquelas palavras doces... ele era tão gentil com ela... carinhoso... ele estava fazendo tudo o que ela sempre sonhou que ele fizesse.
Mas alguma coisa dentro dela dizia para ela ficar esperta, que tudo estava perfeito demais. Ainda há poucas semanas, ele era apaixonado pela Sarah, e agora, em tão pouco tempo, estava se declarando a ela... a razão dizia que algo não estava certo... mas o coração não deixava que ela visse a verdade, o coração só queria que aquilo continuasse, que não acabasse nunca...
Olhou-se no espelho. Tinha passado o dia inteiro no salão de beleza. Gastara quase tudo o que levara um mês para ganhar, mas isso não importava. Ela estava linda. Para ele.
Pegou a bolsa, desceu, fechou a casa e pegou o táxi.


Aj estava lendo as revistas e jornais da semana. Sim, ele aparecia em quase todas, na seção de fofocas. Tinha levado Michelle a locais que ele sabia que estaria cheio de fotógrafos. Sabia que eles não perderiam a chance de fotografar Aj Mclean e sua nova namorada.
“Está fazendo o seu papel direitinho, querida”, pensou ele.
Ia pegar outra dose de uísque, quando a campainha tocou.
“Quem será? São quase dez horas da noite...”
instintivamente, escondeu a garrafa de Jack Daniel’s. quem quer que estivesse do outro lado da porta, não iria gostar nada de vê-lo bebendo... ainda mais se fosse sua mãe... ou Kevin...
Abriu a porta e teve que prender a respiração: Michelle estava parada ali, linda, linda como ele nunca viu... ela vestia uma vestido preto, de cetim, frente-única, que levemente lhe moldava o corpo perfeito... os cabelos ruivos lhe caiam lisos pelos lados do rosto, emoldurando-lhe a face encantadora, levemente maquiada... sim, ela era linda. E cheirosa. Seu corpo emanava um perfume delicioso, delicado, cheirinho de sabonete...
- Oi, Honey, o que está fazendo aqui?
- Posso entrar?
- É claro, desculpe, entre, por favor.
Ela entrou, enquanto ele ficou parado na porta, observando aquele corpo se movimentando lentamente por baixo do vestido preto de cetim... olhou para sua calça e se assustou quando viu o quanto estava excitado. Puxou a camiseta para baixo, para tentar esconder o enorme volume, para que ela não notasse.
- Então... sente-se, querida - disse ele, se sentando e colocando uma almofada no colo, enquanto pensava “mas que situação mais constrangedora!”
Ela sorriu docemente e se sentou ao seu lado.
- Espero não estar atrapalhando vc, querido.
- Não, claro que não, eu não estava fazendo nada, mesmo. Mas o que traz vc aqui, a essa hora, e ainda mais assim, tão arrumada? Vc quer sair pra algum lugar?
- Não, Alex, não quero sair pra lugar nenhum. E não seu dizer o que me trouxe aqui. Talvez o amor. Talvez a saudade...-olhou profundamente dentro dos olhos dele, ele até estremeceu.
estremeceu - Ou talvez tenha sido o táxi.
Ela sorriu, e ele sorriu de novo. Adorava o senso de humor dela, ela sabia fazê-lo rir. E sempre conseguia pegá-lo de guarda baixa, quando o chamava de Alex.
Alex. Não Aj, como faziam as outras. Era quase como se ela quisesse dizer que estava com Alexander, ele, o homem de verdade, e não com Aj, o astro. Mas ele sabia que não podia ser isso, afinal, era só um nome, não significava nada.
“Tenho de tomar cuidado. Não posso me deixar envolver. Preciso tomar cuidado. Ela é linda, e parece maravilhosa, mas não é assim que todas as outras eram? Se mostram doces e frágeis no começo, até que faziam os homens enlouquecerem, se ajoelharem aos pés delas, suplicando por um pouco de amor... aí, sem mais nem menos, quando se cansam deles, vão embora, em busca da nova vítima, sem se importar com o que estão deixando para trás. Eu nunca mais serei uma vítima. Agora eu conheço o jogo. Agora, eu sou o jogador.”
- O que vc está pensando? - perguntou ela.
- É melhor se vc não souber - disse ele, sorrindo de ladinho. Ela ficou envergonhada, abaixou o rosto. “Talvez ela tenha pensado que estou pensando sacanagem, que estou querendo transar com ela...”, pensou ele.
- Ei, não precisa ficar tão vermelhinha... parece que até o seu cabelo está com vergonha, ele está vermelhinho... - ele disse. Ela olhou para ele e sorriu.
Ela se aproximou dele lentamente. Colocou a mão na nuca dele e o puxou para um beijo. Ele adorava quando ela fazia isso, de colocar a mão na nuca dele e puxá-lo. Ela enroscava os dedos no cabelo dele, fazendo um carinho delicioso. E ela beijava muito bem nunca ele havia beijado alguém que beijasse tão bem assim... ele a puxou para si, e passou a beijá-la com mais força, ela também aumentou a pressão do beijo... ele estava enlouquecendo, aquela mulher linda na frente dele, aquele cheiro delicioso vindo do corpo dela, todos os sentidos dele ficaram aguçados, quando ele percebeu o que estava fazendo, já tinha passado os braços por baixo dela e a puxado, colocando-a em seu colo. Ela sentou-se no colo dele e sentiu toda a excitação dele no melhor ângulo. Ele começou a beijar o pescoço dela, abriu o zíper do vestido, o abaixando, e começou a beijar os seios dela, como se ele fosse alguém que esteve durante dias perdido no deserto, e ela fosse um oásis de água gelada... antes que qualquer um dos dois se desse conta, estavam no chão, deitados no tapete, Aj por cima dela, beijando todo o seu corpo, fazendo-a delirar... ela o empurrou, fazendo-o deitar-se no chão, ao seu lado... se levantou e foi por cima dele, abrindo o seu cinto, tirando-o... ela fazia tudo lentamente, olhando dentro dos olhos dele. Baixou os olhos para o que estava fazendo. Viu Aj deitado no chão, sem camisa, vestindo somente uma calça jeans rasgada, o cinto já estava no chão, ao lado deles. Ela colocou a mão lentamente no cós da calça, abriu o botão... abriu o zíper... desceu até os pés dele, tirou o tênis e as meias, puxou lentamente a calça dele, observando fascinada cada pedaço da pele dele que aparecia... agora ele estava apenas de boxer (preta!), dava para notar toda a excitação dele... ela, que estava somente de calcinha, começou a se deitar lentamente por cima dele, apreciando a sensação deliciosa da pele dele se encostando na dela... e ele já não estava mais agüentando... queria aquela mulher, e agora!... num momento, ele se virou, se deitando completamente por cima dela. Puxou com força a calcinha dela, a rasgando. Enfiou a mão dentro da cueca e tirou o seu ***** de dentro, abriu as pernas dela, e num segundo estava dentro dela, entrando e saindo com força, com rapidez, fazendo com que ela gritasse de prazer... ele estava adorando sentir aquele corpo maravilhoso se movendo por baixo do dele, adorando olhar naquele rosto, ver o prazer que ele estava dando a ela, o que fazia aumentar o prazer que ele sentia... estava se sentindo poderoso, em ver que era capaz de proporcionar tanto prazer a uma mulher, como ele estava fazendo... parou de pensar, fechou os olhos, e deixou que tudo fluísse naturalmente, não agüentou mais, gozou dentro dela...
Meio que se jogou por cima dela, sem forças para fazer sequer mais um movimento que fosse... ficou colado a ela, respirando, sentindo a respiração dela, e as batidas descompassadas do coração dela... ele olhou para ela... ela estava com os olhos fechados, o rosto deitado no tapete... puxou o rosto dela para um beijo... ela abriu os olhos após o beijo... ficaram se olhando nos olhos, por um momento que pareceu durar a eternidade...
- Alex...eu...eu te amo muito... - disse ela, meio sem fôlego.
Ele olhou dentro dos olhos dela, e soube que o que ela dizia era verdade. “Ela realmente me ama... e a estou enganando deste modo repulsivo!”
Sentiu uma raiva enorme de si mesmo, um ódio tão grande que constituia quase uma dor física.
Se levantou de repente. Ela olhou pra ele, sem entender.
- Alex, o que...
- Acho que é melhor vc ir embora agora.
- Mas por que? O que foi?
- Vc veio de táxi, né? Está tarde, é perigoso pegar um táxi agora...
- Alex, eu...
- Vou me vestir. Eu te levo pra casa.
- Alex, por favor! O que está acontecendo? Eu não estou entendendo nada...
- Nem é pra vc entender! - gritou ele. Ela se encolheu, assustada. - Isso não devia Ter acontecido!
- Por que não? Alex, eu te amo!
- Mas eu não amo você - disse ele, lentamente. Ela o olhou, confusa. Ele pôde ver as lágrimas perigosamente apontarem nos olhos dela, e rezou para que ela não chorasse. Ele não suportaria vê-la chorando.
- Como você não me ama? Você me disse que...
- Eu menti. Menti pra você esse tempo todo.
- Por que? - a angústia na voz dela estava cortando ele como uma faca.
- Porque eu precisava de alguém que aparecesse ao meu lado nos jornais e nas revistas, para que a Sarah ficasse com ciúme, para que ela visse que não preciso dela, que posso Ter a mulher que eu quiser...
- Por que eu? Por que logo eu?
- Porque eu sabia que vc gostava de mim, ia ser mais fácil...
- Alex, por favor, essa brincadeira não tem graça!
- Não é uma brincadeira.
- Alex, por favor, me diz que é mentira! Me diz que isso é mentira!
- Desculpe, mas não vou mais mentir.
- Por que está fazendo isso comigo?
- Me desculpe, eu não pretendia magoá-la. Não pretendia Ter ido tão longe, mas eu não consegui resistir, vc estava tão linda... não consegui me segurar.
- Não quero as suas desculpas. Pode guardá-las pra você!
Ela se levantou, se vestiu depressa, em silêncio, segurando o seu pranto. Ele também se vestiu.
- Michelle, olha, eu...
- Cala a boca! Por que não me deixa em paz?
Ele a olhou friamente.
- Por que deveria? Nenhuma de vocês me troxe paz.
- Não me compare a essas vagabundas que vc costuma pegar na sargeta! Não sou nenhuma delas!
- Até hoje, todas as mulheres só se aproveitaram de mim! Não tenho o direito de fazer o mesmo com elas?
- Com elas, sim, mas não comigo.
- A Sarah só me usou para chegar até onde ela queria. Agora, não precisa mais de mim, tanto faz para ela se estou vivo ou se estou morto...
- Caso não tenha percebido, eu não sou a Sarah - disse ela lentamente. Ele se aproximou dela, olhando friamente dentro de seus olhos, e disse, quase num sussurro:
- O nome não importa... no final, todas são a mesma... a Sarah me deu prazer, do mesmo modo que vc me deu... mas não foi de graça... eu paguei muita a ela... quer que eu a pague, também? Quanto vc quer?
Ela olhou dentro dos olhos dele por um momento, um momento muito rápido. De repente, estalou a mão contra o rosto dele, com toda a força que ela possuía, força que a raiva fazia aumantar mais ainda.
Ele recuou, colocou a mão no rosto, aonde recebera o tapa. Seu rosto ficara vermelho, não apenas de raiva, mas da bofetada que levara.
Ela pegou a bolsa e se precipitou para fora. Ele correu atrás dela.
- Espere, está muito tarde, não pode sair assim sozinha pela rua, ainda mais vestida deste jeito...
- Não venha me dizer o que posso ou não fazer!
- Eu te levo para casa...
- Há mais perigo em estar ao seu lado do que em estar em Nova York de madrugada.
- Pelo menos, leve um dos carros, vc pode... - ele se calou ao ver a expressão dos olhos dela.
- Um de “seus” carros? Sabe aonde você pode enfiar os seus carros?
Ela lhe deu as costas e saiu correndo pela rua deserta.


Aj voltara para dentro. Sentia-se mal. Nunca devia Ter ido tão longe, não devia Ter transado com ela. Mas agora já havia acontecido, não adiantava se lamentar.
Foi até melhor assim, pelo menos não iria mais enganá-la. E nem iria se enganar.
Por um momento, nos braços dela, tendo-a totalmente entregue a ele, sabendo que ela faria o que ele quisesse, ele quase se convenceu de que ela poderia ser diferente, que poderia realmente amá-lo, a ele, como a pessoa que ele era; um amor sincero, sem interesses materiais. Quase pensou que com ela poderia dar certo.
Naqueles momentos ardentes de paixão, ele se entregou a ela, se revelou, mostrou-lhe quem ele era...
Esse era seu grande erro! Aconteceu o mesmo com Sarah. Ele se revelou, mostrou-lhe quem ele era, deu-lhe oportunidade de entrar em sua mente, e em seu coração. E dera no que dera.
Foi melhor Ter acabado de uma vez, assim ele não se machucaria de novo. Ele nunca mais permitiria que outra mulher brincasse com ele.
Olhou pela janela, para a noite escura, para a chuva que caía forte.
“Aonde será que ela está? Espero que já tenha chegado em casa...”
sentou-se novamente no sofá. Pegou a garrafa que tinha escondido. Sem nem se preocupar em pegar um copo, encostou a garrafa na boca, recomeçou a beber...


Michelle parou de correr. Olhou ao redor. Não tinha a mínima idéia de onde se encontrava. Sabia que estava numa praça. E daí? Que praça era essa?
Ela estava perdida.
Saíra correndo da casa de Aj sem nem ao menos notar para onde estava indo. Só queria sair dali o mais rápido possível, sair de perto dele, sair da presença dele...
Chegou até um orelhão e até pegou o fone, pronta para ligar para Suelen. Mas o que diria? Que estava numa praça, em qualquer lugar, entre um poste e uma árvore? Como poderiam localizá-la?
E outra, a menos que estivesse enganada, era Quarta-feira, e Suelen ia sair com o Nick, pela primeira vez. Sabia o quanto a amiga esperara por isso. O mesmo tanto que ela esperara por Aj...
Afastou o pensamento de Aj da cabeça. Sim, Suelen devia estar com o Nick, ainda, e ela não queria estragar a noite da amiga... não depois que toda a sua vida tinha acabado de ser destruída...
Ela se sentou no banco da praça, debaixo da chuva que caía. Não conseguia mais evitar, não tinha como parar de pensar... Aj... ela esperara tanto por ele... fizera tudo o que pudera por aquele homem... como ele podia Ter mentido tanto?
Tudo fora uma mentira... os olhares doces, as palavras suaves, os abraços protetores, os beijos arrebatadores... fora tudo uma mentira, tudo friamente calculado para envolvê-la, para fazê-la apaixonar-se ainda mais... só para provocar a Sarah!
Ela devia Ter sabido desde o começo. Era bom demais para ser verdade. No fundo, uma parte dela sabia que isso ia acontecer... como poderia ele se apaixonar por ela, uma garota simples, sem qualquer atrativo especial, quando tantas garotas estavam atrás dele, aos pés dele... qualquer garota poderia Ter feito por ele o que ele quis que ela fizesse. Era só dizer que queria alguém para sair com ele na imprensa, e dezenas de garotas concordariam na mesma hora.
Mas por que ele resolveu usá-la? Justamente a ela? Será que a estava punindo, por gostar dele?
Ela não sabia. Em seu desespero, não conseguia encontrar respostas.
Ela amava aquele homem, entregara seu corpo a ele... como ele pôde fazer isso com ela?
Fechou os olhos. Ficou sentada, na chuva, sem pensar em nada.
A chuva escorria pelo seu corpo. Ela desejou poder dissolver-se e escorrer com a chuva...


Aj acordou com o toque do telefone. Olhou no relógio. Eram 10 horas da manhã. Continuava chovendo forte. Atendeu o telefone.
- Alô?
- Alô, dorminhoco!!!!!!!
- Quem é?
- Sou eu, a Suelen.
- Ah, fala, Su...
- Escuta, fala pra Michelle que já são 10 da manhã, e que nosso ensaio estava marcado para as oito! Manda ela vir pra cá correndo, tá? Nós já estamos esperando por ela há um tempão!
Ele se sentou na cama, totalmente desperto.
- Ela não está aqui!
- Ah, então ela já está vindo? Beleza.
- Não, Su, quer dizer, eu não sei se ela está indo para aí...
- Ué, mas ela não foi aí na sua casa?
- Ela veio ontem, mas não dormiu aqui...
- COMO NÃO??????????????? Se ela não dormiu aí, onde ela está?
- Deve estar na casa dela, já tentou ligar lá?
- Ela não está lá! Ela não dormiu lá!
- Como vc sabe?
- Eu sou vizinha dela, esqueceu? Sempre que ela está em casa, deixa a luz da sala acesa. E a luz ficou apagada a noite toda...
Imediatamente, ele se sentiu alarmado.
- Olha, vou pegar o carro e dar umas voltas para tentar encontrá-la, tá?
- Tá, se vc achar ela, me liga. Vou ver se os meninos me ajudam a procurá-la, também.
- Tá, tchau!
- Tchau.
Aj desligou o telefone, a cabeça a mil. Ela não chegara em casa. Onde ela estaria?
Poderia estar em qualquer lugar, poderia estar numa cafeteria, num shopping, na rua... poderia até estar morta... Não! Nada de pessimismo, agora. Agora é hora de agir, não de se lamentar. Tinha que encontrá-la.
Se vestiu em um minuto, e no minuto seguinte, seu Mercedes corria a toda pelas ruas de Orlando, debaixo da chuva.
“Será que ela está nessa chuva? Será que passou a noite toda na chuva? Ah, meu Deus, me ajude a encontrar essa menina... é culpa minha se acontecer qualquer coisa a ela!”


Ainda sentada no banco da praça, molhada até a alma, morrendo de frio, Michelle viu o dia nascer. Passara toda a noite sentada ali, daquele jeito, sem pensar em nada.
Sabia que as meninas deviam estar preocupadas. Sabia que devia ligar, avisar que estava bem...
Mas... será que ela estava bem? Nunca se sentira pior na vida. Nunca sentira tanta mágoa, tanta dor, tanta tristeza. O chão havia sumido debaixo de seus pés. O mundo ao seu redor desmoronara.
Só havia uma coisa que ela quis. Somente uma, em toda a sua vida. Somente ele.
Havia dado a ele todo o amor que ela tinha, e agora isso não tinha mais nenhuma importância. Nunca teve importância, pelo menos para ele.
Ela se deitou no banco. Sentia-se febril, a cabeça latejava de dor.
“A morte seria menos dolorosa que a perda”, pensou. “Na verdade, o que é morrer? É cerrar os olhos, cessar os pensamentos, parar de sentir? Se é isso, estou morta. Tenho meus olhos cerrados, quero esvaziar os pensamentos, parar de sentir qualquer coisa...quero morrer...”
Começou a chorar baixinho, de olhos fechados...
“Alex...”
Há apenas algumas horas, ela estivera com ele, estivera em seus braços... apenas algumas horas antes, ele a tomara, a fizera sua...
“Como pode Ter sido apenas algumas horas atrás? Parece que aconteceu num outro tempo, num outro mundo, numa outra vida...”
Ela não queria abrir os olhos nunca mais. Sabia que no momento em que fizesse isso, teria que enfrentar a verdade. A terrível verdade de que tudo não passara de uma mentira.
Já que ela não podia fazer o tempo voltar ao momento em que estava nos braços dele, ela ficaria então de olhos fechados, obrigando a mente a voltar no tempo, a trazer de volta aqueles momentos de paixão, que ela nunca tinha vivido antes, e que nunca mais voltaria a viver, com nenhum outro homem.
Aj corria com seu carro, sem rumo. Não tinha a mínima idéia de onde ela poderia estar. A cada minuto, ficava mais desesperado.
“Como eu fui estúpido!! Como pude fazer isso com ela? Ela nunca fez nada de errado, nunca fez nada pra mim... quer dizer, ela fez algo pra mim, sim. Me amou de verdade, acreditou no que eu dizia, confiou em mim... que espécie de verme eu sou?”
A cada minuto que se passava, ele se sentia mais culpado. E mais desesperado. Ele sabia muito bem o que ela estava sentindo, sabia o que é amar sem limites e descobrir-se usado, descobrir-se enganado, abandonado... sabia o que devia estar passando pela cabeça dela, o mesmo que passou na dele... sabia o que ela estava desejando... ele mesmo desejara isso... o fim do sofrimento... era o que todos desejavam, afinal... mas esse sofrimento só podia acabar de um jeito... e ele sabia que jeito... ele mesmo pensara muitas vezes em fazer isso, mas no final não teve coragem de... e se ela tivesse coragem de fazer isso?
“Ah meu Deus, não deixa ela fazer nenhuma besteira!! Por favor, não deixe que seja tarde demais!!!”
Ele estava muito nervoso, suas mãos tremiam. Decidiu dar uma parada rápida, para tomar alguma coisa, tentar se acalmar, antes de voltar a procurá-la.
Viu um barzinho, em frente a uma praça. Estacionou.
Entrou no bar e pediu um uísque. Que todos se fodessem, ele precisava de um drink! Bebeu o primeiro de um gole só e pediu outro.
“Não vou encher a cara, só vou relaxar um pouco.”, justificou para si mesmo.
Enquanto bebia a Segunda dose, olhou para a praça, e engasgou-se. Achou que tinha bebido demais. Mas como poderia, só tomou um gole?
O que ele viu, o que parecia Ter visto, era ela.
Tinha uma mulher de cabelos vermelhos, vestida de preto, deitada no banco da praça.
Teve certeza que era ela...


Ele se aproximou lentamente do banco. O que diria a ele.
“Não preciso dizer mais nada”, pensou, angustiado. “Já disse tudo ontem.”
Mas o que ele realmente queria dizer era que ele estava enganado. Pensara muito naquela noite. Pensara muito naqueles momentos em que, desesperado, procurava por ela, receando nunca mais vê-la. Ele fora vítima de sua própria armadilha. Se apaixonara por ela. Agora admitia isso.
O que aconteceu entre eles, naquela noite, não foi apenas tesão de momento, mas foram duas pessoas, que desnudaram não somente seus corpos, mas também as suas almas, se expusera totalmente, se entregaram totalmente, um ao outro. Ele nunca se sentira assim antes, com nenhuma outra garota. E tinha certeza que o mesmo acontecia com ela. Mas como consertar o que tinha feito?
Quando finalmente chegou perto do banco, tomou um susto. Ela estava deitada, com os olhos fechados, o rosto inexpressivo. Por um momento, um medo sem tamanho tomou conta de seu corpo. Era como se os seus piores temores tivessem se concretizados, na sua frente.
Abaixou-se lentamente e tocou-lhe o rosto. Não estava gelado. Pelo contrário, estava quente, vermelho, ardendo. Febre. Ela estava ardendo em febre.
Sem perder tempo em acordá-la, ele a pegou nos braços e correu com ela para o carro.


Michelle não queria abrir os olhos. Sabia o que a aguardava. Sabia que a dor estava lá fora, esperando apenas que ela acordasse, para atingi-la com sua força total. Por isso, ela prometera a si mesma que não iria acordar. Nunca mais.
Mas não conseguia resistir à vontade de ver de onde estava vindo toda aquela luz que incidia no seu rosto. Ela podia ouvir a chuva, os trovões, mas não a sentia em seu corpo nem em seu rosto. Pelo contrário, ela estava em um lugar quente, seco, macio... um lugar que tinha um cheiro terrivelmente familiar... apertou mais os olhos, apurando os sentidos, tentando reconhecer aquele cheiro... cheiro de homem... cheiro de perfume de homem... cheiro de CK One!... na hora, ela reconheceu o cheiro... abriu os olhos lentamente... viu-se deitada em uma cama enorme, confortável, macia... não conhecia aquela cama, mas tinha certeza de que sabia quem dormia ali... nunca esteve no quarto de Aj, mas tinha certeza que aquele era o quarto dele. Sentou-se na cama, afastando o cobertor. Estava vestindo não o seu vestido fino e molhado, mas uma quente camisa de flanela, quente e enorme...
Voltou a deitar-se.
“Estou delirando... só pode ser isso... de que outro modo, eu poderia estar aqui, na casa do Aj, usando uma peça de roupa do Aj? Ele me odeia... me disse isso... acha que eu sou como as outras, por que me traria novamente para cá? E como me encontraria? Nem eu sei aonde estava...”
Nisso, a porta do quarto abriu, lentamente. E ela viu. Viu Aj, usando um short, e sem camisa (apesar do tempo estar meio frio), entrar carregando uma bandeija cheia de coisas gostosas, como frutas, torradas com margarina, uma xícara fumegante de capuccino, entre outras coisas. Colocou a bandeija na mesa ao lado e foi até a cama, na intenção de verificar se a febre havia baixado. Tomou um susto ao ver que ela o observava.
“Então vai ser agora... a hora da verdade...”, pensou ele. Bem, teria que enfrentar isso em algum momento. Então, quanto mais rápido, melhor.
- Como você está se sentindo?
- Não sei...- ela parecia confusa.- O que estou fazendo aqui?
- A Su me ligou e disse que vc não tinha ido para casa. Fiquei muito preocupado e saí pra te procurar. - ele a olhou nos olhos - - Por que não foi pra casa?
- Eu me perdi... saí correndo sem ver direito pra onde ia, quando percebi, estava perdida...
- Poderia ter ligado para alguém...
- Pensei nisso, mas... bem...na verdade, eu queria ficar sozinha...
- Acho que nunca vou conseguir medir o tamanho do mal que eu causei a você...- disse ele, a angústia se revelando na voz dele com uma tamanha intensidade que a comoveu.
- Acho que também nunca descobrirei o tamanho do mal que fizeram a você. Acho que posso compreendê-lo.
- Não tente me justificar.
- Não estou justificando. Não acho que o fato de você Ter sofrido desse jeito te dê o direito de fazer os outros sofrerem também. Apenas disse que eu compreendo. Se eu não tivesse conhecido a sua dor, como poderia compreendê-la? Eu passei o que você passou, senti o que você sentiu... por isso, posso compreendê-lo, quando ninguém mais vai compreender.
Ele olhou para ela, sem acreditar. Há apenas algumas coisas, lhe dissera coisas horríveis, coisas que ela nunca mereceu ouvir. E ali estava ela, dizendo que o compreendia, que compreendia o que ele havia feito.
- Não sei te dizer o que eu estou sentindo... você é a pessoa mais maravilhosa que eu um dia conheci. Eu fui horrível com você, e você está aí dizendo que me entende...
Ela não disse nada. Sabia que ele precisava desabafar. Deixou-o prosseguir.
- Eu não sei o que te dizer, nestas horas em que você estava desaparecida, eu quase enlouqueci, com medo de não te ver mais... medo de nunca Ter a chance de dizer que eu sinto muito, que estou arrependido... que eu descobri o quanto você é importante para mim, que eu não poderia viver sem você... - ele a olhou, lágrimas escorriam pelo seu rosto, sabia que não adiantava falar isso a ela, o fato de compreendê-lo não significava que o perdoava, mas ele não podia mais parar, não agora. - e eu não sei como te pedir perdão pelo imperdoável que eu fiz com você...
Ela o olhou em silêncio. Se aproximou dele, devagar. Passou os dedos lentamente no rosto dele.
- Alex... não precisa falar mais nada... amar é nunca Ter que pedir perdão...
Tomou delicadamente o rosto dele nas mãos e o beijou, com carinho, não com desejo, nem tesão, mas com amor, beijou-o suavemente, como se quisesse confortá-lo, como se quisesse acabar com sua dor. Depois que o beijou, o abraçou apertado, colocou a cabeça dele em seu ombro, sentiu os soluços dele, toda a sua angústia e o seu sofrimento... lentamente, ele foi se acalmando, enquanto ela o abraçava forte e dizia em seu ouvido:
- Meu querido, não se sinta assim tão mal... você cometeu um erro, mas quem não erra?... você não é perfeito, ninguém é... você é apenas um ser humano...um ser humano que teve a grandeza de reconhecer o seu erro e de pedir perdão... eu amo você, nada mudou... eu te amo, mesmo com os seus erros e defeitos... porque você não é somente isso... você também tem muitas qualidades, sabe que tem... espero que você também me ame e me aceite com os meus defeitos, porque eu não sou perfeita... eu sou apenas humana... e eu te amo mais do que qualquer outra coisa no mundo...
Voltaram a se envolver num beijo caloroso, que aquecia e completava a ambos.
Nenhum dos dois sabe dizer por quanto tempo ficaram ali, somente se beijando, se olhando, se adorando.
Os dois apenas sabem dizer que aquela noite foi decisiva na vida de ambos, e que ambos foram unidos pelo destino, e não por uma vingança.
Nenhuma vingança, nenhum plano, nada é perfeito. Todos podem sofrer as conseqüências. Neste caso, elas foram boas, mas em outro caso, não se sabe dizer.
Nunca parta um coração. Você pode estar lá dentro. E os espinhos que vão te ferir pertencerão ao arbusto que você mesmo plantou...

The End!

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