Apenas um sonho... 

Escrito por Carola Hayes Richardson

Parte 4

  Kevin vinha tranqüilamente pelo corredor quando ouviu o grito. Então uma estranha sensação tomou conta de seus pensamentos. Kevin correu pelo corredor vazio até a enfermaria. Lá, viu o enfermeiro quase em cima de sua amada.
  O enfermeiro olhou pra trás quando notou uma sombra na parede. "É Kevin, um dos cantores." pensou o enfermeiro que de súbito saiu de cima dela. "O que ele está fazendo aqui?" tornou a pensar o enfermeiro olhando pra ele. Kevin olhou pra sua amada que mantinha seus olhos fechados. Um ódio invadiu seus sentidos, ele se aproximou do enfermeiro, fechando o punho.  O enfermeiro recuou temendo suas intenções...
  "O que você está fazendo a ela?" perguntou como se não soubesse a resposta. Ao ouvir o tom de voz conhecido, ela abriu os olhos, vendo Kevin encostar o enfermeiro na parede. Ele estava lá pra salva-la. O gosto horrível da saliva do enfermeiro estava em sua boca.
  "Nada, estava tentando lhe aplicar uma injeção, ela está muito tensa." falou o enfermeiro, tirando uma seringa do avental. Kevin parou e a olhou. Estava tão fraca que poderia ser verdade, mas então porque ela gritaria? Ele foi na direção da maca, a olhando com carinho. O enfermeiro estava esperando um motivo pra poder fugir daquele homem. Antes de chegar até a maca, Kevin deu um soco na cara dele.
  Afinal, Kevin sabia o que ele fazia em cima dela, e não queria que nada de mal acontecesse a ela. Não a ela. De fato, que Kevin não era de violência, mas nem mesmo ele entendia o porque de ter batido no enfermeiro. Ele voltou-se rapidamente a ela e sorriu. Ela estava assustada, muito assustada.
  O enfermeiro levantou-se encostado a parede, logo colocou a mão no nariz. Sangrava, e muito. Ele olhou o sangue, e olhou com ódio para o Kevin. "Como ele pode ter feito isso, a não ser que ele tenha quebrado meu nariz. Mas...estranho, não estou sentindo dor." pensou o enfermeiro. Ele ergueu-se por completo e ameaçou:
  "Você vai pagar por isso. Você e essa vagabunda aí. Vou matar os dois."
  "Vai o que?" perguntou Kevin o olhando com indiferença.
  "Vou mata-los!" gritou. Assim, alcançou uma vassoura e apontou para Kevin. "Vou arrebenta-los a pauladas!"
  Assim que correu para cima de Kevin, dois seguranças surgiram na porta. O enfermeiro os olhou e se assustou. Kevin, notando o susto dele, o desarmou rapidamente. Logo o enfermeiro se rendeu, e foi levado pelos seguranças.
  "Ahn...obrigado!" ela sussurrou.
  Kevin a olhou e sorriu. Se aproximou lentamente a olhando profundamente.
  "Não precisa agradecer, faria tudo o que fosse possível para ajuda-la. Você está bem?" e segurou as tremulas mãos dela entre as suas.
  "Não sei bem...mas estou começando a melhorar."
  "Aquele cara não trabalha conosco. Não sei de onde ele surgiu. Mas agora está tudo bem e você está a salvo. E o melhor comigo." terminou sorrindo, e a beijou suavemente. "Agora, eu vou cuidar de você. E vamos avisar sua família sobre isso, não quero que eles se preocupem."
  "Certo."
  Kevin a pegou no colo e a levou até seu camarim. Ela estava fraca. Ele não imaginava o que havia com ela. Mas certamente, logo ela se recuperaria e ficaria com ele pra sempre. Ao chegar no camarim, ele a deitou no sofá e pegou o telefone. Ela ligou para casa e avisou que estava bem, e que logo iria pra casa, assim que melhorasse.
  Ela e Kevin ficaram em silencio muito tempo, apenas se olhando, se analisando.
  "Kevin, nunca pensei encontra-lo. Nunca pensei que você se quer existisse. Agora vejo que nada daquilo que sempre sonhei foi um doce engano ou ilusão."
  "Eu sinto o mesmo, darlin'. Fale que ficará comigo pra sempre, por favor."
  "Eu ficarei. Isso é o que mais desejo nesse mundo." ela tentou sorrir, mas estava com muita tontura. "Eu te amo!"
  "Oh, darlin'" murmurou Kevin a beijando. Sussurrava palavras e juras de amor ao seu ouvido. Kevin estava feliz, e realizado.
Os beijos tornaram-se quentes. Logo surgiu o desejo que ambos guardavam dentro deles. Estava na hora de liberta-lo. Ela sentia a tontura, mas nada estragaria aquele momento, aquele que ela imaginou durante dias. Gentilmente, Kevin retirou a roupa que a vestia, olhando o corpo dela com muito desejo. Começou beijando seu pescoço, deslizando para os seios. Os sugou, fazendo ela soltar um gemido mais provocante. Beijou toda barriga, cada centímetro da pele lisa. Demoradamente, beijou toda a parte interna da coxa, enquanto suas mãos a acariciavam delicadamente. Beijou seu corpo com ardor, esperando agrada-la da melhor maneira. O modo que ela gemia e que mordia os lábios, falava que ela estava agradecida e estava sendo agradada.
Kevin beijou todo o corpo dela. Ela apenas acariciava o cabelo molhado dele. Logo eles tornaram a se beijar. Kevin beijava com tanto carinho que a fez chorar.
  Se amaram demoradamente e carinhosamente. Ao final, Kevin estava deitado abraçado a ela. Ele beijava os ombros dela, esperando que ela falasse algo.
  "Nunca teria imaginado algo tão gostoso." ela o olhou e sorriu. Que belo sorriso! Era algo que fascinava Kevin. Ela era pura alegria e satisfação.
  "Nem eu... você é fantástica." disse Kevin. Ela ficou corada com o elogio... era profundo. "Acho melhor nos banharmos, você ainda não está recuperada e pretendo leva-la ao hospital. Nem quero imaginar se aquele maluco deu algo a você que fizesse você ficar tão mal." ele a beijou na testa. Logo estavam se amando, durante o banho.
  Ela vestiu-se rapidamente enquanto observava seu amado escolher algo para vestir. Foi então que ela sentiu uma enorme tontura seguida de uma enorme dor. Ela colocou a mão na cabeça e em seguida caiu no chão, desmaiada. Kevin ficou desesperado e logo a levou pro hospital.
  Lá, ele andava de um lado pro outro. Ela havia sido levada pra emergência. Estava impaciente e desesperado, não conseguia entender o que estava ocorrendo. Ela estava tão bem com ele, não estava sentindo dor. Kevin sentou-se em um sofá, na sala de espera, cobriu o rosto com as mãos e ficou pensando.
  "Kevin?" chamou Howie. Kevin olhou e Howie estava entrando afobado na sala. Kevin se levantou e Howie foi até ele. "O que houve?"
  "É ela, Howie. É ela." respondeu Kevin em tom desesperado. "Ela está mal, muito mal. A levaram até a UTI e eu não sei o que está havendo..." ele tinha lagrimas nos olhos. Howie o fez sentar e sentou-se ao lado dele, tentando acalma-lo. Nunca vira Kevin assim, desesperado. Sentiu tristeza pelo amigo e ficou em silencio, esperando Kevin contar o que houve a ele. "Estou aflito!" murmurou. "Ela é tudo pra mim, a procurei por tanto tempo e agora isso." lamentou baixinho.
O médico entrou na sala, e Kevin correu ao seu encontro.
  "Como ela está?"
  "Bem...não sabemos ao certo..."
  "Como não sabem?" interrompeu Kevin segurando o medico pelos ombros. "Me fale." suplicou.
  "Está certo..." respondeu o medico abaixando a cabeça. "Ela está com uma rejeição por algo que lhe foi dado, além disso, existe uma doença..."
  O médico explicou tudo a Kevin, que ouviu silenciosamente, prestando atenção em tudo. Howie ouviu e procurou se informar sobre curas. O medico explicou que no estagio que a doença estava, seria impossível e que ela tinha poucas horas de vida. Assim, pediu que avisassem a mãe dela. Howie o fez, enquanto Kevin acompanhou o medico até a sala onde ela estava.
O silencio era absoluto no corredor. Havia apenas os passos deles quebrando o silencio. Hospitais não traziam boas recordações à Kevin, mas ele as esqueceu preocupado apenas com sua amada. O medico lhe mostrou o quarto e Kevin entrou.
  A sala escura, e fria. Havia apenas o barulho continuo de um aparelho, medindo o batimento cardíaco dela. Kevin a viu deitada na cama, parecia cansada. Ele se aproximou vagarosamente para não acorda-la. Como era bela! Sua cabeça estava enrolada com faixas. Suas mãos estavam sobre seu peito, juntas. Seu rosto havia uma expressão cansada e triste. Kevin tocou-lhe o rosto carinhosamente, então ela abriu os olhos e o olhou. Ele sorriu tristemente, tentando esconder as lagrimas. Com dificuldades, ela segurou a mão dele e a apertou.
  "Como está?" perguntou sentando-se numa cadeira junto a cama.
  "Estou mais ou menos, e você?" sussurrou.
  "Estou triste e só." ele beijou as mãos dela. "Você sabe o que tem?"
  "Sim, sempre soube, querido. Não queria vê-lo triste, te amo tanto, fico triste ao vê-lo triste. Desculpe por ter te escondido, mas fazia tratamento e nunca melhorou. Você me trouxe a vida que eu achei ter perdido."
  "Eu te amo!" sussurrou Kevin. Lagrimas desciam pelo seu rosto. Ela sorriu tentando parecer animadora, mas não estava.
  "Não chore, Kevin. Vou chorar assim." disse com os olhos marejados.
  "Fique comigo." pediu Kevin.
  "Eu quero ficar, e ficarei pra sempre... dentro de você." respondeu. "Me beijei." pediu. Kevin a beijou ternamente, chorando.   "Você tem os mais doces e maravilhosos beijos que uma garota pode provar." comentou, apoiando a cabeça novamente nos travesseiros. Ela olhou em volta, e Kevin tentava imaginar o que ela pensava. "Esse lugar é macabro e sombrio. Estou com medo."
  "Eu vou ficar aqui. Não precisa temer, darlin'" falou Kevin, segurando suas mãos com força.
  "Cadê minha mãe?"
  "Está vindo pra cá. Até lá eu ficarei com você."
  "Kevin...diga a ela que eu a amarei sempre e que estarei rezando por ela."
  "Não darlin', você mesma falara a ela." respondeu desesperado.
  "Prometa que falara a ela, por favor." pediu chorando.
  "Você vai falar. Se foi forte até agora..."
  "Estou sendo forte..." interrompeu "Quero passar meus últimos minutos com você, por isso estou sendo forte. Sinto uma dor terrível, parece que minha cabeça vai explodir. Estou suportando para ficar com você..."
  "Não fale isso...não quero que vá embora..."
  "Estou com muito medo. Me abrace, me beije..." pediu sussurrando. Kevin sentou-se na cama rapidamente, a abraçou e beijou.
  "Eu te amo."
  "Eu também..." ela fechou os olhos sentindo uma enorme dor, mas os abriu e olhou fixamente para os verdes olhos de Kevin. Estavam tristes, cheios de lagrimas, mostravam seu desespero. "Obrigada, por me fazer a mulher mais feliz desse mundo, por ter me dado momentos de alegria e prazer. Obrigada!"
  "Ah...darlin'" murmurou Kevin a abraçando fortemente, chorando. "Obrigado por ser..."
  "Sua...apenas sua." interrompeu. Logo, ela fechou os olhos e deitou sobre Kevin, morta. Kevin a abraçou chorando. Na sala, o barulho do aparelho tornou um só. Não havia mais batimentos, não havia mais vida no corpo da amada de Kevin.
  "Eu te amo...eu te amo..." repetiu Kevin ao ouvido dela.
  Logo o médico entrou e Kevin foi retirado por Howie. A mãe dela chegou e Kevin apenas ouviu os gritos de desespero dela.
 
 

  A tarde estava escura. Choveria logo mais. O dia inteiro foi coberto por uma leve garoa. Aquele lugar era tão silencioso e mórbido, que Kevin suportava a dor que sentia. Mas por quanto tempo? Havia feito um dia e algumas horas que ela se fora, que ele apenas pensava em sua dor e nela. Agora deitada dentro daquele negro caixão, com a tampa cerrada, Kevin imaginava como seria se ela estivesse a seu lado. Mas esses pensamentos só o faziam sentir mais dor do que já sentia. Assim, que o padre terminou a missa, todos partiram vagarosamente. Kevin observava o caixão descendo pela vala. Ele beijou a rosa que tinha nas mãos e jogou em cima da tampa.
  Os coveiros a cobriram e logo sumiram. Howie o olhou.
  "Kevin...você vai ficar?"
  "Sim, Howie, vá para a coletiva, eu ficarei aqui."
  "Você vai ficar bem?"
  "Sim...vá antes que se atrase." recomendou. Howie bateu no ombro dele carinhosamente e se foi.
  Kevin estava sozinho naquele cemitério. Ele olhava fixo para a lápide e não acreditava que era sua amada que estava ali. Mas a certeza que era, o fez chorar. A garoa tornou-se forte, até virar uma chuva. Kevin retirou os óculos escuros que usava e os guardou no bolso do sobretudo. Ele olhou para a terra fofa, e percebeu como os pingos desenhavam formas nela.
  Então ele agachou junto a lápide e a tocou. Fria.
  "Posso me lembrar de tudo, darlin'. De como nascemos um pro outro, de como nosso amor é grande e forte. Agora percebo o esforço que fez por mim e agradeço. Desculpe por notar isso só agora...me desculpe." ele chorava muito. As gotas de chuva caiam sobre eles como lagrimas, talvez lagrimas dela.
  Após ficar a tarde inteira ali, Kevin se foi, levando apenas a lembrança do amor deles. Levou consigo o pedido que fez a ela, certamente, ela cumpriria.
 
 

  Assim, Kevin guardou a lembrança dela, e o pedido. Lembrou-se de algo tão doce que pediu, e após o devido tempo, voltou ao cemitério. Continuava silencioso. Kevin cruzou as ruas até chegar onde sua amada repousava. Ao olhar a lápide sorriu. Ela cumpriu sua promessa, de amor eterno. Kevin sentou-se no chão e colocou o buquê de flores que trazia junto a lápide. Era uma tarde quente e fresca.
  "Sabia que cumpriria. Elas não conseguem ser tão bonitas como você..." sussurrou. Logo ele teve uma estranha sensação e olhou para trás. Nada. Por um momento breve, Kevin achou que fosse ela. O vento soprou o perfume das flores que brotaram em volta da lapide dela. Kevin se entristeceu.
  "Elas representam nosso amor!". Kevin olhou para todos os lados ao ouvir a doce voz de sua amada. Ele levantou e gritou por seu nome, nada. Então ele olhou para as flores e sorriu. Sabia que ela sorria, onde quer que estivesse...

Fim da parte 4.
Infelizmente eu perdi a parte 5.

Fim da fanfic.

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